A depressão é a imperfeição do amor

Por , 28 de janeiro de 2012 0:02

Numa depressão severa, as mãos que se estendem para você estão fora de seu alcance. (Andrew Salomon)

Tudo passa – sofrimento, dor, sangue, fome, peste. A espada também passará, mas as estrelas ainda permanecerão quando as sombras de nossa presença e nossos feitos se tiverem desvanecido da Terra. Não há homem que não saiba disso. Por que então não voltamos nossos olhos para as estrelas? Por quê? ( Mikhail Bulgakov, em O Exército Branco)

Muitos podem achar que a afirmativa de que “a depressão é a imperfeição do amor” é uma tremenda invencionice, mas o escritor Andrew Solomon, ele mesmo uma vítima da doença, argumenta com muita propriedade sobre o assunto.

Segundo Solomon, quando a depressão se faz presente, ela degrada o eu da vítima e acaba por lhe roubar a capacidade de dar e receber amor, pois a solidão avoluma-se e destrói as vias de contato com o outro e a capacidade de a pessoa sentir-se bem consigo mesma. Como para amar o outro é preciso que amemos primeiro a nós mesmos, o sentimento de afeição torna-se totalmente inviável. E, sendo o amor o manto que protege a mente contra si mesma, é preciso buscar medicamentos e psicoterapias que restaurem a capacidade de receber e dar amor.

Por muito tempo, acreditou-se que as doenças psicossomáticas não eram reais, de modo que as queixas dos deprimidos não eram levadas a sério. Hoje, sabe-se que além de reais, elas podem trazer severos impactos para o corpo. Assim, quando o cérebro funciona mal, deve ser tratado adequadamente, como se faz com os rins, o fígado, o coração, etc.

É fato que a depressão atinge pessoas diferentes de maneiras diferentes, de acordo com a predisposição de cada uma, pois ela interage com a personalidade do indivíduo, daí as diversas maneiras de reação à doença e aos medicamentos. Algumas pessoas conseguem passar por uma depressão leve sem o uso de remédios, enquanto outras são mais frágeis e precisam desses.

O fato é que ninguém passa pelos caminhos da vida sem travar contato com a tristeza e a dor, não importando a classe social, a etnia, idade ou o gênero. Nada existe que possa invalidar a angústia que se apodera do ser humano em vários momentos de sua vida. Talvez ela tenha as suas raízes fincadas na própria finitude humana, quando o homem se confronta com a sua própria insignificância. A fé pode abrandar essa angústia, mas não a erradica. O próprio Jesus, na sua passagem terrena, vivenciou o sofrimento. E, quanto maior for a consciência do eu e a interação com o planeta, maior é a angústia ante a impotência de que quase nada pode ser feito, para se mudar as coisas que se considera inaceitáveis.

Acredito que a dor e a tristeza são fundamentais para a nossa humanidade, de modo que eliminá-las do mundo seria um desserviço ao homem. Mas, quando elas ceifam a vontade de viver, algo precisa ser feito, pois, enquanto que para os não depressivos o sofrimento não compromete a caminhada, para os depressivos ele se torna desproporcional às circunstâncias, adubando a depressão.

O melhor caminho para tratar a depressão é não se acostumar com a sua presença. Não esperando chegar ao fundo do poço. É preciso buscar ajuda, quando se é incapaz de domá-la sozinho.

Para Andrew Solomon, a depressão está presente na história da humanidade desde que o homem tomou consciência de seu próprio eu, e vem aumentando muito nos dias de hoje em consequência de motivos como:

• o ritmo acelerado de nossa época;
• o caos tecnológico;
• a alienação das pessoas;
• o colapso da estrutura familiar;
• a solidão endêmica;
• a devastação do planeta;
• o fracasso do sistema de crenças (moral, político, religioso, social…);
• a falta de significado para a vida.

Portanto, é preciso que encontremos soluções para os problemas gritantes que vêm acompanhando a modernidade, pois eles são uma clara mensagem à vulnerabilidade humana e a de todo o nosso planeta.

Solomon enumera algumas necessidades:

• baixar o nível de poluição socioemocional;
• buscar fé e estrutura (em Deus, no eu, em outras pessoas, ou em qualquer outra coisa);
• ajudar os que são privados de seus direitos civis;
• praticar e ensinar o amor;
• melhorar as circunstâncias que conduzem a níveis aterradores de estresse;
• manifestar-se contra a violência e suas representações;
• preservar o planeta, etc.

Na maturidade deste novo milênio, espero que salvemos as florestas tropicais desta Terra, a camada de ozônio, os rios e correntes, os oceanos, e salvaremos também, espero, as mentes e os corações das pessoas que vivem aqui. Então controlaremos nosso crescente medo do demônio do meio-dia – nossa ansiedade e depressão. (A. Salomon)

Fonte de Pesquisa:
O Demônio do Meio-Dia/ Andrew Solomon

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O hamburguer nosso de cada dia

Por , 27 de janeiro de 2012 11:36

O chef britânico Jamie Oliver apresentou um programa da série “A Revolução Culinária de Jamie Oliver“, onde explica como é feito o famoso hamburguer pela rede de lanchonetes McDonald’s.

Apesar de estar em inglês, as imagens são auto-explicativas. Vemos restos de gordura e carnes sendo centrifugados e lavados em uma solução de hidróxido de amônia e água.

“Basicamente, estamos falando de comida que seria vendia por um preço muito baixo para produzir comida para cachorro, mas, depois desse processo, é vendida como alimento para humanos.” – diz Olivier.

Assista a um trecho:

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Desabamento no centro do Rio

Por , 26 de janeiro de 2012 8:41

O dia de ontem terminou com a notícia do desabamento de três prédios comerciais, no centro do Rio. A estrutura do maior deles, com 18 andares, entrou em colapso e causou o desabamento, semelhante ao que assistimos nas implosões e terremotos, quando os andares superiores caem verticalmente sobre os andares inferiores, causando o empilhamento. Dois prédios ao lado também desabaram. O Teatro Municipal, que fica ao lado, não foi atingido.

desabamento

As hipóteses são muitas para explicar o que aconteceu. Havia uma obra no prédio maior, mas seria suficiente para causar a tragédia? A vibração do Metrô, que passa em frente aos edifícios, pode ter afetado os alicerces? Sabemos que, durante a construção do Metrô, alguns prédios tiveram suas estruturas abaladas e reforçadas, pois sentiram os efeitos da grande obra. E este que caiu?

Lagoa do Boqueirão da Ajuda

As causas do desabamento precisam ser apuradas com urgência. Se duas obras que estavam sendo feitas no prédio maior foram as responsáveis pela tragédia, o problema está localizado. Se, no entanto, o problema for subterrâneo, seja por trepidação do Metrô ou infiltração de água, todos os prédios da área estão em situação de risco. Aquela área do centro era alagada, existindo diversas lagoas, entre elas a Lagoa do Boqueirão, que ia dos Arcos da Lapa ao Passeio Público, chegando até a área da Cinelândia.

Atualização 26/01 09:30

Um prédio de nove andares da Rua Senador Dantas acaba de ser interditado. Esta rua é paralela à Treze de Maio, onde houve o desabamento.

Atualização 27/01 07:00

As suspeitas recaem sobre uma obra que acontecia no nono andar. Algumas testemunhas afirmam que um dos andares não tinha paredes. Técnicos investigam se colunas ou vigas foram modificadas. Aparentemente, o desabamento aconteceu de cima para baixo, como nas Torres Gêmeas. Os prédios que se encontravam ao lado, atingidos pelos destroços, também desabaram da mesma forma.

Por outro lado, há quem afirme que, durante as obras do Metrô, quando eram abertas as valas do cut and cover, o prédio maior se deslocou um palmo e foi injetado concreto no vão que se formou. Alguns prédios nessa região tiveram que receber injeção de concreto em suas fundaçoes. Os jornais antigos devem ter algum registro do fato.

Isso tudo deve ser apurado.

Assistam ao vídeo e prestem atenção ao que diz uma moradora da área:

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Parabéns, São Paulo, pelos seus 458 anos

Por , 25 de janeiro de 2012 15:59

Sou carioca, filho de paulistas. Não posso deixar de amar esta terra, São Paulo, a maior cidade do Brasil, cidade que abriga e sustenta brasileiros de todas as origens, que hoje completa 458 anos.

Em 1954 lá estive, por ocasião do 4º centenário. Estava com 8 anos mas ainda lembro bem de cada detalhe, do cheiro de café torrado que sentia pelas ruas, do seu povo trabalhador indo bem cedo para o trabalho, em ruas cobertas pelo nevoeiro do amanhecer.

Na casa da bisavó dormia na sala, num colchão improvisado, onde havia um relógio cuco. Resultado: passava a noite acordado, prestando atenção no tic-tac, admirado com aqueles grandes pêndulos, esperando o passarinho aparecer de hora em hora. Pela manhã, ia para o quintal brincar com um bonde de metal, puxado por um barbante, igualzinho aos de verdade, que ganhara de presente. São coisas pequenas, mas que nunca se esquece.

Enfim, tenho boas lembranças de São Paulo, onde só estive poucas vezes fisicamente, mas que sempre esteve no meu coração.

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