Brevíssimas 2 – Terezinha Pereira

Por Terezinha Pereira, 2 de setembro de 2010 22:19

Quimera

Cruzei ares e mares em busca da mulher perfeita. Encontrei-a bela e virtuosa. Ocorre que ela pretendia o homem ideal. Continuo só.

Promessa

Prometo que lhes contarei como ficar rico e ter sucesso sem fazer esforço. Se algum dia vier a descobrir a fórmula.

Falta de opinião

De tanto dar ouvido a vozes alheias, ele construiu sua casa sem portas e sem janelas. Até hoje ninguém morou nela.

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Carpenters – Superstar 1971

Por Paulo Afonso, 2 de setembro de 2010 19:00

Fim de noite

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A rota da velhice – Paulo Valença

Por Paulo Valença, 2 de setembro de 2010 17:22

1

- Mamãe a senhora não acha perigoso papai sair assim sem ninguém lhe fazendo companhia? Do jeito que as coisas estão com tanta violência!

D. Lourdes fita a filha na cadeira à frente e responde:

- Você está certa, Amélia, mas você sabe o quanto o seu pai é teimoso, metido a machão e agora, com a idade…

Silenciam. Pensativas. Embaixo – estão na varanda do segundo andar da residência – na rua transversal passam carros, motos e pedestres, enquanto à tarde indiferente a tudo, vai amadurecendo.

Mãe e filha se cadenciam nas cadeiras de balanço, e a moça torna a falar:

- Hoje em dia só é no que a televisão, o rádio e os jornais noticiam: assaltos, crimes…

- Amélia, por favor, criatura! O seu pai também não é mais menino não. Está bem calejadinho pela vida, envelheceu, sabe se defender.

- Espero mamãe, espero. Bem…

Ergue-se de repente:

- Vou indo. Lembrança ao pai. Qualquer coisa ligue pra mim.

- Certo filha. Pode ir sossegada.

Amélia retira-se da varanda. Esguia. Morena. Graciosa. E desce a escada que a conduz ao oitão da morada, onde está o automóvel cinza.

D. Lourdes segue-a com os olhos carinhosos de mãe. Amélia lembra tanto o Oscar… Por onde andará o seu velho a essa hora?

O automóvel parte devagar, macio, cruzando o portão e ganhando a rua com outros veículos e pedestres no ir e vir costumeiro da tarde.

D. Lourdes balança-se. Com jeito, buscará uma conversa com o marido, alertando-o do perigo ao qual se expõe fora de casa. Tentará convencê-lo a sair acompanhado, em defesa ao imprevisível…

O automóvel contorna a praça no lado oposto à rua e entrando na rua a direita, desaparece.

A mulher suspira baixinho, em desabafo e levanta-se. Cuidar do jantar. À noite não tarda em chegar.

Na praça, um menino no balanço impulsionando o corpo à frente, vai e vem. Sorrindo, contente com a brincadeira. Próxima, a mãe também sorri:

- Vá mais devagar Marquinho!

Por onde andará o Oscar? Velho mais teimoso, arriscando-se…

Seus passos conduzem-na à sala conjugada, a qual a cruzando se encontrará no corredor que a leva a outra sala, de jantar e à cozinha.

Sim, falará com o Oscar. Quem sabe se ele não a escutará?

- É, vamos ver.

2

É como se o tempo o aguardasse, conservando, mesmo com os naturais desgastes dos anos, o terraço, a porta de entrada, a janela vizinha, os galpões à esquerda… Reentregando-o aos dias nos quais chegava com o seu pai, Seu Mauro, para a limpeza dos galpões, e dar comida aos frangos, naquela obrigação cansativa e humilhante.

O pai baixo, forte, os braços curtos, as mãos largas, os dedos grossos, a fisionomia serena, fechada, tristonha, contrariada e, calados, cumpriam a obrigação de zelar pelos galpões e as aves famintas, em se alimentarem.

- Vai pra lá, frango cabuloso!

O desabafo do pai, repelindo o frango que não o deixava pôr a ração no coxo estreito e comprido.

Ele, presenciando a cena, sorria, e se apressava em também repelir outras aves nervosas.

- Parecem que estão com a fome canina!

Outra vez o pai falava.

Um dia, o pai lhe disse:

- Estou esperando sair a minha interinidade prometida pelo deputado João da Costa, na Assembléia Legislativa. Está praticamente certa, é sair e dou uma “banana” pra esse servicinho daqui!

Então o rosto moreno do pai se descontraiu com o sorriso alegre, da esperança.

- O senhor vai conseguir pai.

- Espero filho. Mas, me traga a água do balde ali.

Obedeceu de repente esperançoso de ver o pai trabalhando na Assembléia, sendo funcionário público. O pai em outra situação, outra vida.

Ah, tudo como num sonho… Como se não tivesse vivido aquela época, curtido horas de um aprendizado cruel em sua existência!

O terraço de paredes rachadas, sujas, a porta com o cadeado enferrujado, a janela fechada, com as tábuas cruzando-se em x. Tudo passado. E se indaga novamente: estará vivendo um sonho?

- Filho, consegui! Amanhã mesmo aviso ao Dr. Silveira que a gente não vem mais.

O sorriso aberto no rosto moreno, corado pela vitória. A felicidade se expondo.

- Agora vamos ter outra vida. Eu, você, sua irmã e sua mãe!

Os gestos nervosos e a voz mais grossa, elevada:

- Nada como um dia atrás do outro com uma noite no meio…

Sim, a vida da família então foi mudando aos poucos, para melhor e ele se entregou ao estudo, com outro ânimo, pensando num brilhante futuro.

- Estude filho, para ser alguém mais tarde.

O emprego no banco. O colégio à noite. O diploma de contador. O seu casamento com a colega morena, magrinha, simpática. Depois, a morte do pai, sendo vítima de um ataque do coração… O falecimento pouco depois de sua mãe, também vitima do mesmo mal.. O nascimento de sua filha, hoje casada, com dois filhinhos. Sua esposa gorda, naquela cadeira de balanço, na varanda… Tudo vai passando como num filme.

- Hoje me encontro aposentado, desocupado, velho!

Um velho… Cheio de recordações. E pensa em retroceder, tornar à casa. Reentregando-se à realidade que o espera na imagem de D. Lourdes, a esposa que ultimamente está mais silenciosa, entregue ao seu mundo íntimo, criação da velhice…

Volta-se então, dando as costas a casa e aos terraços e caminha, retrocedendo a guarita, onde o vigilante o segue com os olhos desconfiados, prevenidos contra uma cena que o tire da tranqüilidade do seu trabalho.

- Tou de volta, moreno. Dei uma olhada boa na casa e nos galpões. Tudo muito estragado!

- Concordo com o doutor. As pessoas que moraram aí se foram faz é tempo. O patrão me disse que vai demolir tudo e fazer um apartamento para lugar, eu acho que ele tá certo, porque tá tudo se acabando.

- Verdade, moreno. Com a força do tempo ninguém pode.

Põe a mão no bolso da calça e retirando-a, traz a carteira, que abre e busca uma cédula.

- Seguro moreno, pra você tomar um guaraná.

- Mas doutor…

A mão negra, grande, acolhe a cédula e o velho cabisbaixo passa. Devagar. Refletindo.

3

O portão é aberto através do controle remoto e o carro o transpõe.

Na varando, D. Lourdes suspira aliviada:

- Graças a Deus que chegou!

A noite então já domina a rua transversal e a praça vizinha, com outros veículos e pedestres cruzando-a.

A porta do carro se abre e Seu Oscar desce. Lento. Cabisbaixo, meio envergado, os olhos fitando o cimento do oitão.

A mulher sente-se mais leve, apaziguada, e fecha os olhos, esperando.

Os passos ferem os degraus, avizinhando-se.

- Lourdes?

Ela sorri e responde:

- Tou aqui, homem!

- E eu não sei?

Responde o marido, gracejando.

- Por onde andou Oscar?

- Por aí, matando o tempo. Ou melhor, revivendo o tempo.

- O quê?

- Besteiras minha, Lourdes. Sossega esse coração sempre aflito…

(*) Lu Dias BH disse:
Paulo Valença O escritor dos contos curtos.
Você é o escritor de seu tempo.

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Mensagem: só faz efeito se publicar – Júlio César Anselmo de Castro

Por Júlio César Anselmo de Castro, 2 de setembro de 2010 17:19

Existem textos que nasceram para nos fazer pensar, refletir, foram escritos em um momento especial de criação que nem mesmo o autor consegue definir, explicar ou mesmo entender. Mas também prá que? O mais importante já aconteceu: a mensagem foi passada, aquela força que precisava ser ofertada a alguém já foi direcionada e chegou ao seu destino. A paz e o sentimento de dever cumprido, já estão inundando o coração do escritor.

Escrever é uma benção, a maior de todas. O texto chega aos mais diversos lugares, às mais diferentes pessoas, muitas sem perceber são tocadas, modificadas, resgatadas e salvas pelo simples fato de que alguém decidiu dedicar um pequeno fragamento de sua existência escrevendo o que sentia e deixando gravado para sempre este seu modo de sentir. Seja numa folha de papel escrita a mão, datilografada (que coisa antiga), gravada em fita cassete (mais antigo ainda) ou em meio digital, seja na “Santa Mãe” de todo conhecimento, a Internet, o ato de exprimir o que se sente pode servir de alento a muita gente que nem sequer saberemos quem são até o fim de nossas vidas.

Daí a imprtância de escrever, tirar de si, se entregar, se expor, se desfraldar, abrir a guarda e mostrar ao mundo quem você realmente é. A vida é uma grande lavoura e escrever é semear neste imenso campo, sem se importar com quem irá colher os frutos. Escrevam, criem, gravem, publiquem, alguém em algum lugar precisa muito da sua mensagem. Não se acovardem, façam circular sentimentos e permitam que pessoas e vidas sejam abençoadas com elas.

Uma desta mensagens, das mais belas foi escrita, gravada e imortalizada por Oswaldo Montenegro, vejam, ouçam, reflitam, se embriaguem e usufruam, ele fez para isso…

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Percepção – Ana Lucia Timotheo da Costa

Por Ana Lucia Timotheo da Costa, 2 de setembro de 2010 8:17

Bom poder olhar
O outro
E perceber
O que ele tem a dar.
No olhar a bondade
No braço o abraço
Nas mãos a dádiva
Na boca o desejo
No corpo a entrega
Na alma a doação
Na vida a esperança
De cada vez mais
Ser e fazer feliz.

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Rita Lee – Lança Perfume

Por Paulo Afonso, 1 de setembro de 2010 19:30

Fim de noite

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Vamos ajudar o “Cão sem dono” – Cristine Martin

Por Cristine Martin, 1 de setembro de 2010 19:23

Olá amigos,

Desta vez venho pedir sua ajuda para uma boa causa: os cães da ONG Cão Sem Dono.

Existem muitas pessoas que se dedicam a ajudar os animais abandonados e feridos, resgatando-os, bancando o tratamento e encaminhando-os para adoção; eles são os chamados protetores de animais.

Algumas ONGs ou grupos mais organizados mantém os animais em locais específicos, como casas ou sítios, enquanto esperam o momento da adoção, que em muitos casos nunca chega, como nos cães mais idosos ou com necessidades especiais.  E todo esse trabalho abnegado gera muitas despesas para tratamento e manutenção dos animais.

Esta semana uma protetora de São paulo, a Adriana Walch (@driwalch) “recrutou” no twitter um grupo de protetores e simpatizantes para organizar um mutirão de arrecadação em prol dos animais de uma dessas ONGs, a Cão Sem Dono.

Já falei deles na Semana do Rato; são um grupo bem organizado de voluntários e amigos, que fazem um trabalho bacana cuidando de quase duzentos cães, que ficam no sítio da ONG em Itapecerica da Serra. Os animais são bem cuidados, mas como as despesas são grandes eles precisam da ajuda constante dos amigos e colaboradores.

Além de ajuda financeira, as maiores necessidades no momento são:

  • Ração (os animais consomem a marca Champ)
  • Material de limpeza e materiais para higiene dos cães
  • Medicamentos
  • Material para os cães, como caminhas, casinhas, potes, jornal, papelão, cobertores, etc

No próximo dia 12 de setembro o grupo de protetores de SP vai fazer uma visita ao sítio para conhecer os animais e levar tudo o que for arrecadado.

Você pode ajudar no mutirão, doando o que puder dos itens acima, ou fazendo uma contribuição em dinheiro. Para ver a lista completa dos materiais necessários, visite a página Como Ajudar no site do Cão Sem Dono. E se puder, também pode apadrinhar um animal.

Se você for de São Paulo, pode entrar em contato com a Adriana no e-mail protecaosp@gmail.com para combinar os locais de entrega dos materiais. Se você mora em Mogi das Cruzes e quer doar ração ou outros materiais, fale comigo (Cristine) no e-mail contato@terracotabolsas.com.

Se você mora em outros locais ou prefere ajudar com dinheiro, pode depositar qualquer quantia em uma das contas abaixo:

BRADESCO
AG. 1480
C/C: 39641-9
Favorecido: Cão Sem Dono
CNPJ: 10.157.938/0001-73

ITAÚ
AG. 7847
C/C: 01301-3
Favorecido: Cão Sem Dono
CNPJ: 10.157.938/0001-73

Se você tem conta no Bradesco ou no Itaú, nem precisa ir na agência; é só fazer a transferência entre contas direto pelo telefone. É simples, rápido e seguro!

Muito obrigada, os cãezinhos da Cão Sem Dono agradecem!

Grande abraço,

Cristine

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