Solidão – Haydée Colussi
Tinha a constante sensação de abandono e prostração que muito lentamente ia envolvendo sua vida inteira subindo como trepadeira vagarosa desde a sola dos pés. Levantar da cama pela manhã virara eterna batalha que, na maior parte das vezes. perdia. Comer ficara muito chato. Sentar-se à escrivaninha pra redigir o que quer que fosse tornara-se tarefa impossível de tão pesada e enorme que lhe parecia. Os pensamentos estavam opacos e lentos, se arrastando pelos caminhos pegajosos da cabeça onde o coração não conseguia chegar. Um coração tão ferido que dava a impressão de querer a qualquer momento parar. O amor se fora sem despedidas. Partira de repente indo embora prá bem longe deixando-o ali empacado em seu suposto casulo de segurança construído pela incompetência para ser. Seu mundinho estanque o cercava e de tudo o que mais temera durante toda sua vidinha sem graça, o ser deixado só, o ser abandonado, o ser posto de lado, trocado pela busca de um novo ar prá respirar parecia ter acontecido. O desamor por fim ficara evidente. As lágrimas talvez tivessem sido sua salvação mas como tudo em sua vida, teimavam em não aparecer. O nó na garganta igual a uma cotovelada, doía sem sangue. Acabrunhado, na mesmice dos dias que se empilhavam, não conseguia ver qualquer janela para afastar as cortinas escuras que cegavam. Abrir portas e janelas deixando o sol entrar poderiam também ser solução. Mas nem choro nem cortinas ele conseguia encontrar. Naquele momento até o separar as pálpebras parecia tarefa pesada demais. E deitado, imóvel, descrente ele se deixou mais uma vez ficar parado sobre os escombros de sua patética vida sem cor a espera de que um manto protetor o escondesse e ele não precisasse nunca mais tentar outra vez.
Discussão – Rose Campos
Olá, estou aqui para falar sobre discussão no campo da amizade.
Mas gostaria de lembrar que não sou dona da verdade, porque essa é relativa.
Mas achei importante repassar a minha.
Continue lendo 'Discussão – Rose Campos'»
Água, terra, fogo e ar – Ana Lucia Timotheo da Costa
Sou soma dos quatro elementos:
Água, terra, fogo e ar.
Tudo na natureza
me leva assim a pensar.
Sou água como torrente
de amor a quem possa dar.
Sou rio de afluentes
pr’a quem quiser navegar.
Sou também solo batido,
sofrido e abençoado.
Sou forte, muito valente,
chegada a espernear.
O ar me inspira momentos
de pura imaginação.
Leva-me a muitos lugares
sem tirar meus pés do chão.
Sou fogosa, sou certeira,
no jogo da decisão.
Na hora de escolher
rechaço manipulação.
Às vezes sou agressiva,
na hora do vamos ver,
mas sou mansa e carinhosa
quando chega o bem querer.
Pra cada elemento existe
uma certa proporção.
Entre fluxos e refluxos
há que haver moderação.
A terra precisa da água,
como do ar o calor,
eu que sou fruto dos quatro,
não me cabe o desamor.
Os esquecidos – Lu Dias
Aquelas terras, ai meu Deus, aquelas
terras inclementes,como tições ainda
em brasa, são o inferno em vida,
o martírio de milhões de almas.
Continue lendo 'Os esquecidos – Lu Dias'»
Calendário – Mário Mendonça
Tantas, mas tantas caras felizes
E eu aqui perdido
No naufrágio do mar de mim mesmo.
Em minha memória
Percebo somente tua ausência
Causada por esperas e demoras.
Fecho minhas pálpebras de seda
E sonho com colunas brancas
Atravessando distâncias.
E, antecipo minha solidão
Num calendário sem datas
Prefixadas ou razão.












