II Diário em Terras Estrangeiras – José Roberto Pereira
Peru e Bolívia – 1ª parte
Grandes nuvens brancas espalhadas pelo céu nos acompanharam por toda a nossa segunda viagem em terras estrangeiras. O céu de uma quinta-feira escurecia em Pará de Minas quando pegamos a estrada dando outro colorido às nuvens espaçadas. Era a segunda vez que eu e o Paulo viajávamos ao exterior cumprindo uma meta de, a cada dois anos, visitar um país; os primeiros a serem visitados foram o Chile e a Argentina. Agora embarcávamos rumo ao Peru para submergir na cultura andina e depois desbravar a Bolívia até o Salar de Uyuni, eleito umas das sete maravilhas do mundo moderno.
Na madrugada de sexta-feira embarcamos no aeroporto de Confins, Belo Horizonte, com escala em Guarulhos, São Paulo, com destino a Lima, no Peru. No trajeto o avião ora perfurava as grandes montanhas de nuvens brancas, ora sobrevoavam-nas deixando-se banhar nos longos raios de sol, o que acalmou a ansiedade que nos consumia em tocar solo Inca. Subitamente as Cordilheiras dos Andes, permanentemente cobertas de neve, surgiram à nossa frente. Encheram-me de alegria ao revê-las, tão imponente quanto pela primeira vez que as vi. Logo surgiu o imenso lago Titicaca, sobrevoamos um longo período sobre aquele mar de água doce incrustado entre imensas montanhas peruanas e bolivianas. Hipnotizou-nos a ponto de emudecer-nos. E finalmente o Comandante anunciou Lima, capital do Peru. Desembarcamos no aeroporto internacional. Estávamos menos ansiosos de quando embarcamos. Os primeiros a nos receber foram os policiais federais. O som do carimbo no passaporte abriu as ‘portas Incas’ para que pudéssemos explorar boa parte do território peruano.
Deixamos nossas malas no guarda volume do aeroporto. Sob segura orientação pegamos um táxi rumo à Praça de Armas no centro de Lima. Uma cidade de trânsito confuso e inconseqüente pintava-se ao longo do trajeto. Meninos pediam esmolas nos sinais. Gente de roupas típicas e coloridas movimentavam-se pela cidade. Entrávamos Lima adentro tão perplexos com o trânsito que se agravava em imprudências. Praças ornamentadas de bandeiras peruanas tremulavam-se ao vento. Um mar de gente se agitava mais que o ar quente e seco. Uma forte falta de ar apoderou-se de nós. A boca permaneceu aberta por todo o trajeto na tentativa de buscar o pouco oxigênio do ar; vez e outra por surpresa e admiração às paisagens urbanas estrangeiras. De repente toda a agitação com cara de pobreza desapareceu e uma grande praça cercada de magníficos prédios antigos surgiu a nossa frente. O táxi parou. Descemos boquiabertos pela beleza e pela falta de ar mesmo. Andamos horas pelo grande centro da capital do Peru. Lima foi fundada em 1535 pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro e hoje é formada por várias pequenas províncias. Ao redor da Praça de Armas e ruas paralelas ficam todos os museus, galerias de arte, lojas de artesanatos, mercados, prédios históricos e a sede o governo. Andando por todo o dia visitando os atrativos turísticos. O museu da Inquisição e o de São Francisco com seus mausoléus foram os que mais me impressionaram. Saí deles sentindo-me uma outra pessoa, com maior percepção ao mundo e sua história.
A tarde caiu tão ligeira quanto os passos que dávamos para cruzar as ruas de Lima. Pegamos um outro táxi e seguimos rumo a Miraflores, umas das províncias que formam a grande metrópole; foi amor a primeira vista; apaixonei com sua luz, as pessoas, sua arquitetura, suas feiras, seus casarios, suas bares, igrejas. Um cheiro suave de maresia vindo do oceano Pacífico dava á província um charme indescritível. Decidimos pernoitar em Miraflores. A noite chegou com uma chuva típica da época e trouxe consigo um cansaço profundo devido ás longas caminhas ao longo do dia. A falta de ar continuava a nos abater causando imenso desconforto.
O dia amanheceu gelado e ainda continuávamos com dificuldades para respirar. Descemos rua abaixo e entramos em outro táxi rumo ao aeroporto para voarmos para a cidade de Cusco. O motorista percorreu toda a orla do oceano Pacífico que circunda a cidade. Toda ela estava sendo projetada para ganhar plantas típicas, calçadas, quiosques e praças, uma clara evidência à adaptação ao turismo internacional. O frio cortante não impediu que uma meia dúzia banhistas se atirarem ao mar. Revi pela segunda vez esse mar de águas calmas, pacíficas. Sorri um sorriso de Gioconda.
O avião decolou pontualmente rumo a Cusco. Finalmente pisaríamos, pela primeira vez numa cidade essencialmente Inca. A falta de ar crescia tanto quanto o céu coalhado de nuvens brancas. Voamos cerca de uma hora. Por fim Cusco entrou no nosso campo de visão. Finalmente nossos pés tocariam poeiras Incas e finalmente também resolveríamos nossa falta de ar… Iríamos experimentar, pela primeira vez, folhas de coca.
Continua…
Foto: Praça de Armas- Lima – Peru











