Poemas – Ana Lucia Timotheo da Costa

Por Ana Lucia Timotheo da Costa, 25 de fevereiro de 2009 11:16

Poemas são como filhos.
Cumprem um período gestacional.
Os de maior leveza fluem e nascem
de parto natural, operação “solta-caroço”.
Os mais doídos e difíceis há que
extraí-los a fórceps.
Machucam-se o poeta e sua obra.
Mas, via-de-regra, são os que causam
maior impacto e introspecção.

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Índia – Helena Oestreich

Por Helena Oestreich, 25 de fevereiro de 2009 8:20

Estou voltando de uma viagem que nunca tinha imaginado fazer. Não era a viagem de meus sonhos, no entanto depois de ler a excelente literatura da escritora indiana Kiran Desai pensei: é lá que eu vou.

Fui sozinha. Achei que correria alguns riscos por ser uma mulher viajando desacompanhada na Índia. Na verdade o único risco que se sofre é não conseguir nunca ficar só. Num país pobre com um bilhão de habitantes e muita homogeneidade fisionômica, o estrangeiro acaba sendo a atração. Eles têm muita curiosidade e sempre tem pessoas por perto perguntando de onde você é, oferecendo a “riquixá ride”, olhando suas coisas, falando com você. Ao chegar a Delhi já tinha um guia me esperando e em quase todas as cidades que fui sempre tive guia e motorista, tudo tratado via Internet por um pequeno escritório indiano que funciona como uma operadora independente. O turista escolhe o roteiro e eles organizam tudo. Se você quiser ir sozinho a algum lugar sem guias ou motoristas eles te ajudam, compram passagem de trem ou avião, facilitando tudo. Gostei.

Talvez em uma terceira ou quarta viagem seja possível eu fazer tudo “by my self”. Mas chegar lá sem conhecer nada, me pareceu impossível. Os indianos falam inglês com um sotaque difícil de entender. Tem sempre que repetir. As cidades são muito grandes e cheias de gente, muita oferta de tudo. É preciso saber escolher e tomar decisões, por isto o turista se torna muito dependente. Totalmente diferente da Europa, onde cada vez mais as informações estão disponibilizadas para todos. Se você quiser, não precisa falar com ninguém. Olhando o mostrador nos pontos de ônibus e metrô sabe-se até em quantos minutos chegará o próximo carro. Folhetos, placas, mapas, de todos os tipos deixam os turistas se sentindo em casa nas cidades européias.

Na Índia o que chama a atenção é a quantidade de mão de obra disponível. Em um pequeno hotel pode ter mais de cem funcionários. Tem sempre um monte de empregados nos corredores do hotel, na recepção, no bar, no portão abrindo porta e cumprimentando toda vez que você passa, ainda que você passe dez vezes no mesmo dia e não tenha outro hóspede no hotel. Todos disputam carregar suas malas, abrir a porta ou fazer um pequeno favor. A “tip” (gorgeta) é uma instituição nacional. Na Europa eles nem olham para as suas malas, nem mesmo o motorista de taxi. A independência das turistas europeias me produziu uma lesão no ombro de tanto carregar mala. Os indianos dizem que foram os ingleses que os acostumaram com as “tips”. No trem é hábito local ter os “porters” vestidos de uniforme vermelho, homens que levam as malas dos viajantes na cabeça até o interior do vagão, eles orientam os viajantes na direção da plataforma correta de seu trem. Simplifica tudo. Aos olhos dos ocidentais modernos parece um retorno ao período colonial. Porém eles esperam e desejam que você utilize este serviço, os próprios indianos utilizam.

Cada cidade que visitei me ofereceu uma visão particular da vida, da historia, do passado e do presente da Índia. No Rajahstão, Jaipur a capital, onde apreciei as maravilhas construídas pelos marajás, subi de elefante ao Fort Amber e percorri de riquixá a Pink City. Em Varanesi, ao amanhecer navegando em um bote a remo, convivi com os grupos de yogues, e com os hindus fieis à crença de que banhar-se no rio ao amanhecer os purifica e os ajuda a enfrentar as dificuldades diárias. Tanta fé é contagiante e nos faz refletir que um país como a Índia, com 1.087.100.000 habitantes em um território de 3.291.000 km2, isto é com uma densidade de 330 hab/km2 não transmite a mesma sensação de insegurança social e criminalidade que temos aqui. Só para comparar, o Brasil tem uma densidade de 0,02 hab/km2, isto é, 180.000.000 habitantes vivendo em um território de 8.557.000 km2. Dá o que pensar. Não acho que a solução para a paz social deva ser religiosa, constato apenas que ela está embutida nas raízes culturais daquele povo que tem uma mobilidade dentro da vida e da morte, o que lhes traz esperanças. Para eles há possibilidade de evolução após a morte.

O nosso país, geograficamente, tem inúmeras vantagens, água, subsolo rico e estável, clima, paisagens, florestas e do ponto de vista cultural não temos guerras étnicas e religiosas e nem disputas por fronteiras. Porque temos tanta dificuldade em ingressarmos no time dos países desenvolvidos? Aqui tem a ganância e a falta de sentido público dos horríveis governantes e um povo eternamente enganado. Sem esperanças, muitos se voltam para a criminalidade.

A religião hindu é alegre, colorida, com danças, cânticos, o “tikka” aquele sinal vermelho na testa, marcando a terceira visão. Ficava toda manchada cada vez que eu ia às ruas, sempre alguém marcava minha testa com o pozinho vermelho. Nas estradas tem barracas de enfeites coloridos para vender, para as bodas, procissões e festivais. Mesmo fora de época vi muitas manifestações religiosas espontâneas nas ruas.

Mas para mim, como arquiteta, o coroamento da viagem foi poder ver o Taj Mahal de perto, um edifício incomparável em beleza e harmonia. Os mármores brancos, as formas, os relevos e incrustações de pedras semipreciosas do Taj como chamam carinhosamente os hindus deixam qualquer mortal emocionado. A tumba de Mumtaz Mahal, a companheira amada do Imperador Shah Jahan é um monumento a vida e ao amor que eles tiveram um pelo outro. É um privilégio visitar o Taj Mahal. O templo Bahai em New Delhi também fala sobre o amor e a tolerância religiosa, abrindo suas portas a todos os credos. É também uma obra monumental, outro patrimônio da humanidade, este construído na Índia moderna, um maravilhoso templo com a forma de uma Flor de Liz.

Conheci maravilhosos e antiqüíssimos templos e stupas no Nepal, mostrando a força da religiosidade daquele povo do Himalaia. Vi, próximo as montanhas, os rios secos que deixam a população alarmada a cada monção menos chuvosa e com novos recordes de calor à medida que os anos passam, criando novas vitimas do aquecimento global.

Sai da Índia aliviada de poder fugir dos 45 graus de calor que já derretiam meus óculos escuros. No mês de maio e junho a temperatura pode atingir 50 graus Celsius. Apesar do calor, conhecer a Índia foi uma experiência inesquecível. Já sinto saudades daquele país cada vez que conto minhas histórias e lembro como me senti do outro lado do planeta, numa terra absolutamente diferente onde os homens convivem amigavelmente com os animais e dão sentido a todas as coisas. Eu quero lá voltar, porém nunca mais no verão.

Helena Oestreich

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Chiclete com banana – 100% você

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Por Paulo Afonso, 24 de fevereiro de 2009 7:06

Nossa homenagem ao melhor carnaval do Brasil. Minha alma baiana falando mais alto.

Gostou?

Então…

Diga que valeu!

Nem precisa dizer que sou chicleteiro…

Chicleteiro eu, chicleteira ela

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Nosso Carnaval – J.Carino

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Por J. Carino, 24 de fevereiro de 2009 1:00

Ah, meu amor, ainda ouço o som do baile. As músicas de nosso passado ainda me enternecem o coração. E não somente no fundo da memória: hoje, as mesmas músicas nos encantam – afinal, beleza não tem idade.

Ah, meu amor, posso sentir o cheiro do lança perfume. Embriagador. Quase tão gostoso e inebriante quanto seu perfume.

Ah, meu amor, meu coração balança no ritmo de marchas e sambas antigos: qual será o compasso adequado da paixão?

Gente fantasiada passeia pelas ruas: pierrôs, colombinas, odaliscas brincam de espalhar as dores de cotovelo, as tramas dos encontros e desencontros, os frágeis cenários de amores e desamores.

Lá vem um bonde, meu amor. Subamos, ágeis e felizes, no estribo em que o cobrador lusitano, de bigodão e sotaque d’além mar, tenta pegar os cobres dos passageiros transformados em u´a massa irreverente de foliões, bêbados ou sóbrios.

Sigamos, ouvindo, por sobre o ranger das rodas nos trilhos, as melodias carnavalescas que encantam o mundo, garantindo-nos a fama eterna de povo alegre mesmo em meio a tristezas e misérias.
Em frente, Seu Motorneiro! Madureira, Penha, Benfica, Tijuca, Laranjeiras, Cosme Velho, Flamengo, Botafogo, Copacabana… Sigamos, sigamos por todos os bairros, por todos os lugares, pobres e ricos, irmanados na louca mas quase sacrossanta irresponsabilidade da folia, que impera por tão pouco tempo, no reinado de Momo, trazendo a intensa e fugaz sensação de felicidade, tão necessária e tão maravilhosa.

O mascarado que bate sua bexiga assoprada contra a calçada, contra o chão, assusta a meninada, e mexe até com a sensibilidade de crianças que existe em nós.

Ah, meu amor, assistamos as escolas de samba, aqui mesmo nesta avenida sem espetáculos grandiloquentes, sem pirotecnia, sem passo marcado, sem impiedoso cronômetro, sem mulheres siliconadas, sem grana de contravenção generalizada.

Ali, veja, meu amor, eis uma balconista transformada em rainha, um pedreiro que virou conde, uma manicure que se transformou na deusa espontânea da bateria, a empregada doméstica lindíssima na pele de Madame Pompadour, o lixeiro que encarna à perfeição a aparência e a personalidade de um marquês.

Ah, meu amor, que beleza: todos eles, com paixão e determinação, dizem no pé e nos contagiam. Mentes e corações perfeitamente integrados na magia do carnaval.

Os enredos, as alegorias, contam, com a fidelidade das narrativas simples e sinceras, as histórias, por vezes absurdas e ilógicas, de impérios, de conquistas, de derrotas em batalhas memoráveis; narram grandiosidades, luxos e riquezas impossíveis de imaginar realizáveis na vida desse povo que as canta com a garra inimitável dos sambistas desejosos de que sua escola seja a vencedora do desfile.

Até as brigas são humanizadas, traduzidas em socos e pontapés, que parecem arruaças quase inofensivas em face da violência cruel que impera nos dias de hoje. Impossível comparar a quase inocente navalha ao fuzil poderossíssimo de agora, que espalha à torto e à direito suas balas traçantes e terrivelmente destruidoras.

Meu amor, nosso carnaval não morre nunca. Tem a perenidade do verdadeiro amor. Somos os mesmos daquele primeiro encontro num dia de folia. Sua beleza e meu vigor continuam plenos, desafiando o tempo na imortalidade da memória.

Meu amor de sempre, dancemos, pulemos e nos alegremos, ancorando nossa alma no porto seguro da memória, subindo no carro alegórico da saudade, e deixando nossos corações baterem no compasso do samba, da marchinha e da marcha-rancho tocadas e cantadas nos verdadeiros carnavais.

Ô abre-alas, que desejamos passar com nosso amor e as lembranças dos carnavais que marcaram nossa vida.

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O porto seguro – Paulo Valença

Por Paulo Valença, 23 de fevereiro de 2009 17:42

1
Estaciona o carro. Salta. Fecha a porta e caminha em sentido da casa à
frente, com o muro, o portãozinho ao centro, o jardim, o terraço
gradeado, a porta, a janela ao lado. Quantas vezes já presenciou essa
cena? Quantas ainda a verá? Ah, como saber? A próxima hora nos traz a
incerteza do que nos aguarda.
Chega ao portãozinho, abre-o e logo defronte ao gradil que protege o
terraço, bate palmas, anunciando-se, então a porta se abre e a mulher
alva, gorda, surge e, sorrindo:
- É o Clóvis. Tudo bem, irmão?
- Tá, tudo bem.
Sorri e a irmã abrindo o gradeado permite-lhe a entrada.
- Como está mamãe?
- Naquilo mesmo.
- Sim?
Sem se fitarem adentram na sala conjugada, onde à frente da televisão,
a senhora idosa acompanha a sequência das imagens do filme de ação.
Ele se volta à irmã:
- Mas… mamãe vendo um filme desses? Só violência!
A mulher novamente sorri, desculpando-se:
- Ô Clóvis para ela qualquer filme é a mesma coisa. Mamãe está fora da
realidade.
- “Fora da realidade.”
Ele repete baixinho. Mas, as cenas de violência, não pertubam o
espírito da enferma? Não, não concorda:
- Eu sei disso Glauce. Mas por isso mesmo, por ela está “fora” é que
deveria ver um filme diferente.
A irmã não retruca. Silenciam. Então, em passos lentos ele se aproxima
da idosa que se voltando de repente e reconhecendo-o, sorri, com
tristeza.
- Mamãe.
Abaixa-se e beija-lhe a cabeça alva, de cabelos estirados, fininhos, curtos.
- Tudo bem com você, meu filho?
- Tá mamãe, tudo certinho.
Senta-se no sofá defronte, enquanto a irmã se ausenta da sala.
Sozinhos. O som barulhento do aparelho. Alguém que passa na rua,
assoviando. A janela aberta, com o vento entrando. À tarde
amadurecendo. A moto em velocidade cruzando a rua. Clóvis reflete.
Desde que o pai faleceu (já vai para um ano) que a mãe começou a ficar
pelos cantos, chorando em sua exagerada inconformação com a viuvez e
tanto ele quanto a Glauce pricuraram tirá-la do perigoso mundo íntimo,
chamando-a à realidade:
- Mamãe a senhora tem de não se entregar, reagir. Papai morreu,
descansou… A vida continua. Todos nós sentimos a sua falta, mas,
temos de nos resignar. A vida continua.
A irmã também a aconselhava:
- A senhora chorando desse jeito acaba adoecendo. Se controle, mamãe!
D. Ivone fitava-os, sem palavras, enxugando os olhos com o lenço e,
por enquanto, se controlava, para sem tardar voltar ao choro. E numa
noite o derrame. O internamento. O retorno a casa. Os remédios. Glauce
se desdobrando, boa filha. O tempo que passa e… o presente atual.
- Você quer um cafezinho, Clóvis?
A voz que o liberta das reflexões. Ergue a cabeça:
- Aceito.
A figura disforme pela obesidade outra vez se retira. Indiferente a
televisão, D. Ivone cochila. Erguendo-se Clóvis desliga o aparelho.
- Não tem nada que preste. Porcaria!
O desabafo, como forma de protestar em ver o rosto pálido, os cabelos
branquinhos, a imobilidade do corpo magro na cadeira de rodas. Por que
meu Deus a vida nos maltrata tanto? Por que…
- O cafezinho.
- Ainda bem que você chegou!
A irmã encara-o, sem entendê-lo. Ele sorri, desculpando-se. E prendem
a atenção à mãe.
Calados se comunicam irmanados na mesma dor.
Através da janela o vento do fim da tarde adentrando, envolve seus
rostos tensos, contidos, numa carícia fraternal.

2
A mulher nova, morena, engraçada, sorrindo:
- Mas Clóvis por que esse abraço tão forte?
Fugindo o rosto de lado, ele responde:
- Porque estamos com saúde, estamos vivos!
Ela entende-o. Sempre que o marido retorna das visitas mensais à mãe,
chega em casa assim mais carinhoso, valorizando a vida. Abraçando-a.
- O senhor quer me largar um pouco? Tenho de cuidar do jantar.
Descola-se dela, que ruma a cozinha, após o corredor e sozinho, então
se encaminha à varanda conjugada, onde se debruça no parapeito, com a
vista ao que ocorre lá embaixo, na avenida. Os veículos e pedestres
miudinhos, como se fossem brinquedos. Os edifícios fronteiros altos,
imponentes; o céu escuro-cinzento; o vento circulando, frio, contudo,
agradável. E o pensamento na mãe doente, enquanto ele está com
saúde… Os contrastes na sequência natural de tudo. Fecha os olhos,
no desejo egoísta de apenas se limitar ao presente.
Da avenida, sobe o som, amortecido pela distância, dos carros
cruzando-se na noite já madura.
Descerra os olhos e mantêm-se debruçado no murinho. A vista mais uma
vez perdida nas construções de divisões acesas, com o manto
negro-cinzento do céu lhes envolvendo. Saber que o que presencia, numa
hora, não mais existirá, que…
- Basta de encucações!
Então resoluto retrocede à sala para ir ao encontro de Sandra, seu
escudo contra as aflições, seu porto seguro.
Move-se impulsionado pelo desejo.

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Novamente o quintal

Por Paulo Afonso, 23 de fevereiro de 2009 15:16

Paz na terra, perigo no ar

Pipa e cerol

Em Arraial do Cabo é proibido soltar pipa com cerol. Não sei se a lei é cumprida, mas acredito que sim. Em lugares pequenos é mais fácil. Mas isso, que eu saiba, só acontece em Arraial. Nas férias e finais de semana os céus se enchem das pipas coloridas, num duelo sem fim.

Todos usam cerol em suas linhas, uma mistura de cola e vidro moído. Muita gente já se cortou. Motociclistas, as grandes vítimas, já foram feridos gravemente ou chegaram a ser decaptados. E os culpados nunca são identificados e, muito menos, punidos.

Os pássaros, vítimas silenciosas, se enroscam nas linhas que ficam perdidas por entre os galhos e acabam morrendo, cortados ou impedidos de voar.

Não gosto de pipas, pelo seu mau uso.

Prefiro voltar-me para o chão, nos fundos de casa, cercado de muros, sem ver a rua, protegido pelas grandes árvores que, generosamente, fornecem sombra neste dia quente de verão. A vizinhança padece nesta época. Suas árvores já foram derrubadas em troca de nada. Talvez por um pouco mais de espaço, e hoje reclamam do calor. Nem assim aprendem. Somos uma raça estranha.

E lá vou eu, passeando por entre a natureza.

Acompanhem-me.

pitanga

 

Billy

Billy

bromélia

 

Bromélia

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Mahatma Gandhi: A grande alma – Lu Dias

Por LuDiasBH, 23 de fevereiro de 2009 7:49

“A satisfação está no esforço feito para alcançar o objetivo,
e não em tê-lo alcançado.”

Mahatma Gandhi

Gandhi

O mundo, em cada século, produz um grupo de pessoas notáveis, capazes de abrir mão de seus interesses particulares, para lutar em prol da humanidade. Muitos ousam dizer, que tais pessoas tem uma ligação direta com o divino.

São indivíduos dotados de muita espiritualidade, sabedoria, tolerância e generosidade no trato com as coisas do mundo. Essas pessoas, corajosas e fascinantes, ajudaram a mudar o curso da História da Humanidade, deixando-nos uma fonte inesgotável de exemplos.

E dentre tantos, vamos falar hoje sobre Mohandas Gandhi, que depois recebeu o nome de Mahatma (grande alma) Gandhi. Nasceu em 1869 e foi assassinado em 1948.

Gandhi foi um dos grandes seres humanos a fazer parte do século XX. À sua grande espiritualidade ainda agregava o talento político, usados com intensidade para libertar seu povo do jugo britânico.

Era um indiano altamente preocupado com a vida do povo de seu país. Na sua juventude recebeu influência dos amigos muçulmanos e dos parentes hindus.

Gandhi era hinduísta, mas fortemente influenciado pelo Janaísmo, religião indiana que prega o respeito pela vida, seja lá qual for ela. De modo, que não se pode machucar nenhum ser vivo. E, tomando por base a sua crença, acabou ensinando ao mundo, o princípio da “não-violência”, na luta contra as injustiças sociais. Era contrário à omissão, assim como era contrário a qualquer forma de violência.

Gandhi estudou direito na Inglaterra, voltou à Índia, onde ficou cerca de 3 anos, partindo para a África do Sul, onde exerceu a profissão de advogado. Naquele país, tanto ele como seus conterrâneos eram vistos como pessoas inferiores. E tais insultos despertaram nele, sua consciência social.

Não satisfeito com o tratamento recebido, decidiu que lutaria para que o seu povo tivesse um tratamento justo. Foi quando formulou o conceito de satyagraha que significa “alcançando ou segurando a verdade”. Nem que, para isso, ele tivesse que sucumbir à morte, essa seria a sua luta.

Doze anos depois, Gandhi voltou para a Índia, disposto a lutar por seu país, que além de estar dependente da Grã-Bretanha, ainda se encontrava divido pelo sistema injusto de castas.

E para enfrentar o jugo inglês, Gandhi trocou terno e gravata pelas roupas simples dos “dalits” (intocáveis), a classe social mais desprezada e injustiçada de seu país. Começou adotando uma garota “dalit”, que o acompanhava por vários lugares. Usava os jejuns como forma de protesto, contra a permanência do governo britânico em seu país.

Embora pertencente à casta dos vaishyas (comerciantes), Gandhi defendia a moderação das divergências entre as castas (dignidade para todos) e o fim do confronto entre muçulmanos e hindus.

Após receber o nome de Mahatma Gandhi, transformou-se num grande líder espiritual de um movimento, que atraiu milhões de participantes, lutando pela independência de seu país.

A sua luta baseava-se nos princípios da “não-violência” e da “não-cooperação” dos indianos com os governantes ingleses. Por isso, foi inúmeras vezes preso.

Outro problema que o preocupava era a animosidade existente entre os hindus e muçulmanos na Índia, que já vinha acontecendo desde o século XI, já havendo causado muitas dezenas de milhares de mortos. Fez muitas tentativas de unir essas duas correntes religiosas, pois sabia que o país precisava estar coeso, após a sua independência.

Em 1947, a revolução pacífica de Gandhi alcançou seu objetivo: os britânicos foram embora, deixando seu país independente. Mas o objetivo de ver seu país unido não foi alcançado.

O país foi dividido em dois. A região predominantemente hindu continuou sendo a Índia e aquela, onde a predominância era muçulmana, tornou-se o Paquistão, enquanto o ódio entre esses dois grupos tornava-se, cada vez mais, feroz. Tanto é que em 30/janeiro/1948, o grande líder foi assassinado por um fanático hindu, que havia colocado na cabeça que a simpatia de Gandhi era dirigida à causa muçulmana.

Ainda hoje é complicada a relação entre hindus e muçulmanos, quer pelo nascimento do Paquistão, quer pelo problema com a Caxemira (pertence à Índia, mas sua maioria é muçulmana). E nessa divisão muitos templos hindus foram derrubados e nos locais, construídas mesquitas (templos mulçumanos), deixando muito ódio acumulado.

Gandhi foi um pacifista convicto, que sempre pregou uma doutrina de “não-violência”. Seu desejo era que a paz reinasse entre hindus e muçulmanos, entre indianos e ingleses e entre toda a humanidade.

ALGUNS PENSAMENTOS DE GANDHI

  • Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.
  • É o sofrimento, e só o sofrimento, que abre no homem a compreensão interior.
  • Quem busca a verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã.
  • O desejo sincero e profundo do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disto.
  • Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio.
  • A não-violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. É uma arma para os bravos.
  • A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.
  • O capital em si não é mau; mas o mau uso dele transforma-o num mal.
  • A satisfação está no esforço feito para alcançar o objetivo, e não em tê-lo alcançado.
  • Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.
  • A mulher deve ser meiga, companheira do marido, tanto na alegria como na tristeza. O homem deve ser amigo da mulher e, no seu amor, deve respeitar sua alma e seu corpo como sagrados que são.
  • Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas; não há o suficiente para a cobiça humana.
  • Orar não é pedir. Orar é a respiração da alma. Como o corpo que se lava não fica sujo, sem oração se torna impuro.
  • Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.

Namastê!

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Almoço mineiro – Rubem Braga

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Por Editor, 23 de fevereiro de 2009 7:47

Éramos dezesseis, incluindo quatro automóveis, uma charrete, três diplomatas, dois jornalistas, um capitão-tenente da Marinha, um tenente-coronel da Força Pública, um empresário do cassino, um prefeito, uma senhora loura e três morenas, dois oficiais de gabinete, uma criança de colo e outra de fita cor-de-rosa que se fazia acompanhar de uma boneca.

Falamos de vários assuntos inconfessáveis. Depois de alguns minutos de debates ficou assentado que Poços de Caldas é uma linda cidade. Também se deliberou, depois de ouvidos vários oradores, que estava um dia muito bonito. A palestra foi decaindo então, para assuntos muitos escabrosos: discutiu-se até política. Depois que uma senhora paulista e outra carioca trocaram idéias a respeito do separatismo, um cavalheiro ergueu um brinde ao Brasil. Logo se levantaram outros, que, infelizmente, não nos foi possível anotar, em vista de estarmos situados na extremidade da mesa. Pelo entusiasmo reinante supomos que foram brindados o soldado desconhecido, as tardes de outono, as flores dos vergéis, os proletários armênios e as pessoas presentes. O certo é que um preto fazia funcionar a sua harmônica, ou talvez a sua concertina, com bastante sentimento. Seu Nhonhô cantou ao violão com a pureza e a operosidade inerentes a um velho funcionário municipal.

Mas nós todos sentíamos, no fundo do coração, que nada tinha importância, nem a Força Pública , nem o violão de seu Nhonhô, nem mesmo as águas sulfurosas. Acima de tudo pairava o divino lombo de porco com tutu de feijão. O lombo era macio e tão suave que todos imaginamos que o seu primitivo dono devia ser um porco extremamente gentil, expoente da mais fina flor da espiritualidade suína. O tutu era um tutu honesto, forte, poderoso, saudável.

É inútil dizer qualquer coisa a respeito dos torresmos. Eram torresmos trigueiros como a doce amada de Salomão, alguns louros, outros mulatos. Uns estavam molinhos, quase simples gordura. Outros eram duros e enroscados, com dois ou três fios.

Havia arroz sem colorau, couve e pão. Sobre a toalha havia também copos cheios de vinho ou de água mineral, sorrisos, manchas de sol e a frescura do vento que sussurrava nas árvores. E no fim de tudo houve fotografias. É possível que nesse intervalo tenhamos esquecido uma encantadora lingüiça de porco e talvez um pouco de farofa. Que importa? O lombo era o essencial, e a sua essência era sublime. Por fora era escuro, com tons de ouro. A faca penetrava nele tão docemente como a alma de uma virgem pura entra no céu. A polpa se abria, levemente enfibrada, muito branquinha, desse branco leitoso e doce que têm certas nuvens às quatro e meia da tarde, na primavera. O gosto era de um salgado distante e de uma ternura quase musical. Era um gosto indefinível e puríssimo, como se o lombo fosse lombinho da orelha de um anjo ouro. Os torresmos davam uma nota marítima, salgados e excitantes da saliva. O tutu tinha o sabor que deve ter, para uma criança que fosse gourmet de todas as terras, a terra virgem recolhida muito longe do solo, sob um prado cheio de flores, terra com um perfume vegetal diluído mas uniforme. E do prato inteiro, onde havia um ameno jogo de cores cuja nota mais viva era o verde molhado da couve — do prato inteiro, que fumegava suavemente, subia para a nossa alma um encanto abençoado de coisas simples e boas.

Era o encanto de Minas.

 

(1934)

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Meu quintal

Por Paulo Afonso, 22 de fevereiro de 2009 23:02

Orquídeas

Pensei em fotografar alguma coisa no meu quintal para ilustrar esse domingo de carnaval. Um quintal aparentemente sem atrativos. Onde fotografar? O que fotografar?

Descobri esta flor de bromélia silvestre perdida num galho da mangueira. Nada melhor do que começar por ela.

Parecem baianas, no desfile das Escolas de Samba.

orquídeas amarelas

Talvez tenha sido em homenagem à beleza que a mangueira trocou suas folhas. As chuvas mudaram o comportamento e as mangas, comuns no verão, não apareceram.

na mangueira

Mas o coqueiro, em compensação, começou o processo de multiplicação. Foi plantado por mim, um coco que veio da Bahia. 
Coqueiro

coqueiro

A vantagem de morar em casa e ter um pequeno quintal é esta. A natureza retribui com generosidade todo o carinho que recebe.

Meu terreno é pequeno. São apenas 360m² e a casa ocupa quase a metade. Mas é possível ter um pé de romã, mangueira, coqueiro, cajá-manga, pitangueira, amoreira, acerola, amendoeira, etc.

Pretendo, quando refrescar, fazer uma pequena horta suspensa, plantada em porta-pregadores, e colocados na grade que fica sobre o muro. Os temperos sempre disponíveis.

Sobrará tempo para o blog?

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Cuidado com os espelhos BBB

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Por Paulo Afonso, 22 de fevereiro de 2009 21:53

Você pode estar sendo observado!

 

Espelho verdadeiro

Espelho verdadeiro

 

Antigamente eu odiava esses emails que são ‘repassados’ pela internet. Hoje eu os adoro. De vez em quando aparece alguma dica interessante e vai para o Dicas do Timoneiro. Nunca falta assunto.

Hoje mesmo aprendi como identificar um espelho verdadeiro dos falsos, transparentes, que permitem observar quem está no outro lado, como acontece no BBB. Fiz o teste, tirei a foto, e publiquei mais essa dica.

Já me perguntaram por que o Dicas do Timoneiro não se especializa em um ou dois temas. Respondi que a nossa vida é feita de vários assuntos. Viajamos, trabalhamos, saímos de férias, nos alimentamos, nos divertimos, usamos bancos… etc. Por que limitar o universo de dicas?

As Dicas do Timoneiro vieram para facilitar a nossa vida. Quando completar 1000 dicas publicadas estarei satisfeito (com as mil) e pensando em chegar a 2000, 3000, 4000…

Bom Carnaval a todos,

Paulo

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Samba corridinho, que canseira

Por Paulo Afonso, 22 de fevereiro de 2009 21:27

O que fazia a diferença entre o samba carioca e o paulista era a cadência. O samba carioca era mais lento, enquanto que o paulista, talvez inspirado no ritmo alucinante da grande metrópole, parecia sempre estar com pressa.

Está começando o desfile carioca. Império Serrano será a primeira escola a entrar na avenida. Já se ouve o samba. Samba? Acho que não. Trezentos, quatrocentos batimentos por minuto. Samba com arritmia. Samba fibrilante.

Não gosto.

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