UMA BRASILEIRA NA ÍNDIA – Lu Dias BH
Logo nos meus primeiros textos sobre a Índia, deparei com um blog muito interessante: INDI(A)GESTÃO. Ele chamava a minha atenção pela serenidade e realismo com que mostrava aquele país, despojado daquele manto de espiritualidade, que tanta atenção despertava em nós, brasileiros, carentes de enxergá-lo sobre um ângulo mais realístico.
Foi quando passei a olhar a Índia com os olhos de Sandra Bose, brasileira casada com um indiano há 10 anos, professora, pesquisadora, dona de um blog de alcance internacional.
E, quando dei por mim, já estava apaixonada pelo trabalho dessa mulher incrível, cujo compromisso foi sempre com a verdade. Mesmo que isso tenha lhe trazido alguns dissabores. E foi assim que passei a tirar dúvidas com ela e a enriquecer os meus textos com links de seu trabalho. Acabamos por desenvolver uma gratificante amizade.
O nome dessa brasileira indiana tem aparecido com grande assiduidade no Almacarioca – Literatura, inclusive com o link de seu blog. Em função disso, pedi-lhe que nos falasse um pouco de sua vida, de modo que todos a conhecessem melhor. O que, humildemente fez, mandando-nos o texto abaixo.
“Meu nome atual é Sandra Bose e vim para a Índia em 1999, movida por uma paixão. Foi justamente por esta paixão que adquiri o sobrenome Bose do marido indiano.
Hoje em dia, virou moda as brasileiras casarem-se com homens indianos, não há novidade alguma nisso e o número de matrimônios indo-brasileiros vem crescendo ano a ano.
Atualmente, praticamente todos têm acesso a computadores com Internet, com suas salas de bate-papo (chat), redes de amizade como o Orkut, facebook, MSN, Skype e uma infinidade de meios e modos de manterem contato com pessoas do outro lado mundo.
No entanto, em 1999, as coisas eram bastante diferentes. Poucas pessoas tinham acesso à Internet e menos ainda as mulheres, que nem sabiam o que era isso, principalmente no Brasil.
Eu, como sempre fui diferente, era uma exceção, pois sou do tempo da pré Internet, quando o que tínhamos disponível era uma rede chamada BBS.
Em 1999, resolvi trocar meu antigo computador 386 por um Pentium III que havia acabado de ser lançado e já no mês seguinte estava conectada à Internet.
A conexão era péssima, arcaica e meu provedor era a Mandic.
Para conectar demorava muito, pois não existia banda larga e eu tinha que ficar ouvindo o famoso barulhinho de pipipipipi chichichichichi toin toin toin toin até finalmente estar conectada; o que não significava que fosse durar muito tempo pois a conexão vivia caindo. O nome Mandic me causa trauma ate hoje!
Com a falta de recursos daquela época, o único programa eficiente para se fazer amizades era o ICQ, e claro que me registrei nele. Foi por meio do ICQ que fiquei conhecendo pessoas de diversos países, inclusive da Índia.
Como eu já seguia desde 1997 um guru indiano chamado Paramahansa Yogananda e planejava visitar a Índia, acabei fazendo amizade com 4 indianos, um deles, meu atual esposo.
Por ele deixei minha família, cultura, língua, amizades, trabalho, enfim deixei o Brasil e vim parar aqui na Índia.
Tenho aprendido muito nestes meus 10 anos de Índia. Viver na Índia é surpreender-se a todo o momento, a cada esquina, a cada notícia de jornal, a cada frase dita pelos indianos.
A Índia não é para qualquer pessoa; tanto que as brasileiras casam-se com os indianos, mas se recusam a morar aqui. Eu como sempre, sou uma exceção, e não tenho planos de sair daqui tão cedo.
A Índia não é fácil e exige muito do emocional da pessoa. Tenho a certeza de que se não tivesse uma base psicanalítica e maturidade, eu também não teria aguentado tantos anos neste país, que ainda é bastante primitivo e incivilizado.
Tenho orgulho de ter quebrado diversas barreiras.
Em ter sido uma das primeiras brasileiras na Internet, de ter sido a primeira brasileira a ter casado com um indiano, que conheceu na Internet (ainda no século passado) e, para completar, de ser a primeira brasileira a criar um blog em português sobre a Índia e este blog ter como diferencial a VERDADE!
Tenho realmente MUITO orgulho do Indi(a)gestão, já com quase 4 anos de existência, ter chegado onde chegou e ter virado o sucesso fenomenal que é, reconhecido internacionalmente.
O INDI(A)GESTÃO tem sido referencia para jornalistas e professores, ele é o mais interativo possível, o mais lido, foi fonte segura para a novelista Gloria Perez escrever sua novela, recebeu medalha de bronze de Melhor Blog em Língua Estrangeira (não inglesa), é lido em mais de 120 países, e em breve o Indi(a)gestão vai completar 500 mil visitas, ou seja, Meio Milhão!!!!
Meio milhão de visitas para um blog, que não é escrito por uma jornalista famosa, mas sim por uma professora e psicanalista, é realmente uma enorme conquista.
No início, era muito comum, as pessoas virem para cá fazer turismo e ao se depararem com a dura realidade indiana, ficarem apavoradas e anteciparem suas passagens aéreas para retornarem ao Brasil, o mais rápido possível.
Hoje em dia, após 4 anos deste trabalho sério de conscientização sobre a verdadeira Índia, os turistas brasileiros têm chegado aqui bem preparados e já não se chocam mais e muito menos antecipam suas passagens de retorno.
Esta é a minha colaboração e do Indi(a)gestão para todas as pessoas, que desejam visitar a Índia e aproveitar o que ela tem de melhor.
Agradeço a Lu Dias por este convite e pelo espaço, para eu mostrar meu trabalho.”