Caetano Veloso – Sampa

Por Paulo Afonso, 31 de julho de 2009 20:16

Fim de noite

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Cuidado com as malas! – Lu Dias

Por LuDiasBH, 31 de julho de 2009 16:51

Não me canso de surpreender com a capacidade, que o brasileiro possui, de rir de suas próprias mazelas.

Seja lá qual for o pandemônio criado na vida nacional, alguém sempre aparece com uma piada. Tudo vira motivo de troça.

Alguns acham isso ruim, alegando que nos impede de reagir, quando desviamos a nossa indignação para o humor.

Eu, ainda prefiro assim, pois afinal de contas a vida é muito breve para que possamos ficar carecas e queimar os nossos miolos com essa gentalha. A melhor arma ainda é o voto. É tiro e queda!

Ouvi hoje de um radialista, que o sumiço de malas nos aeroportos internacionais tem se multiplicado nos últimos tempos. Fato desagradável para quem viaja.

Mas, para surpresa geral, isso não vem acontecendo no Brasil. Quem diria?

Ao contrário, as malas aqui se multiplicam.

Você faz o embarque de uma e encontra no avião centenas delas, ali dispostas bem na frente de seu nariz, viajando para os mais diferentes destinos.

Umas viajam às custas do contribuinte brasileiro.

Outras surrupiam passagens aéreas.

Outras tantas são convidadas a viajar, mediante tramoias feitas com empresários.

E assim caminha a falta de ética dos ditos senhores dos TRÊS PODERES (Legislativo/Executivo/Judiciário)

O fato é que, aqui no solo pátrio, não se corre o menor perigo de perder a mala.

Tanto é que o país já está vendendo tecnologia de ponta para o G-8 acabar de vez com tal problema em seus aeroportos.

O que não deixa de ser uma vergonha para os ricaços donos do planeta.

Somos os maiores fabricantes de “mala sem alça” do mundo.

Você pode ter a companhia de quantas quiser, em qualquer viagem aérea (não são chegadas a viagens terrestres, exceto na época de eleições, quando visitam os burgos podres, no cafundó do Judas, todas escancaradas em sorrisos).

Elas não só estão em todos os voos internacionais, como proliferam nos interestaduais e caseiros.

Parecem os alienígenas vistos na série de Alien!

Mata-se um, que se multiplica em “trocentos” mil.

Dizem que o maior perigo de superlotação desse equipamento, tão corriqueiro no cenário nacional, encontra-se nos voos saídos de Brasília e naqueles que tem como destino a capital do país. De modo, a exigir extremos cuidados por parte dos passageiros comuns (gente do povo).

Normalmente, as “malas sem alça” vem cobertas por ternos Armani, gravatas Hermes, relógios Rolex de ouro vivo e outras coisitas mais, que nada tem a ver com o cheiro tupiniquim. Sendo bem fácil de serem reconhecidas.

Todo cuidado é pouco, ao pegar a sua bagagem, para não correr o risco de levar uma “mala sem alça” para sua casa.

Um tremendo presente de grego!

Quem avisa amigo é!

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O gaiteiro – Jovimari Balotin

Por Jovimari Balotin, 31 de julho de 2009 12:57

Gaiteiro é o nome que lhe deram. Não sabiam qual era seu verdadeiro nome, talvez nem ele soubesse ou não quisesse lembrar. E gaiteiro pode significar lépido, alegre e isso ele era.

Os açougueiros já o conheciam bem e até brincavam que ele não saia mais de lá.

Há quatro anos, praticamente, ele vinha quase todos os dias pedir “restos”, mas que podiam ser inteiros também. De ossos, pelancas ou carnes.

Sua aparência era frágil, chegava encolhido, de mãos postas como se fosse rezar ou agradecer, seus cabelos eram sem corte e tinha a barba sempre por fazer e com aquela cor amarelada impingida ao branco real. Aquela cor que o sol queima, a água não chega e a sujeira se acomoda.

Sorria com frequência, não demostrando nenhum trauma em deixar aparecer os espaços que um dia os dentes ocuparam.

Mesmo que nada lhe dessem, suas palavras eram gentis e educadas. “Dona, só de te olhar meu dia fica mais bonito”. “Mulher bonita só alegra a gente”. Certo que descobriram, que ele dizia isto em todos os lugares que passava. Era sua forma de agradecer e claro, como todos os homens, exercer o poder das palavras bonitas para surpreender e encantar. De bobo ele não tinha nada.

Houve um dia que tão feliz ele estava, até declamou um poema que falava de amor. Naquele momento a “dona” se emocionou e em sua imaginação se perguntava: “Quantas histórias de vida traz este homem?” Que dores e decepções lhe causaram imensas cicatrizes que lhe fizeram optar por um andar sem rumo?” E assim ele saia, deixando e levando sorrisos, ora tristes ora alegres, de uma vida incerta e nem sempre leal.

Demonstrava solidariedade aos seus iguais. Se tivesse dinheiro – nunca mais do que R$ 5,00 – comprava carne para fazer um sopão e dividir aos amigos de rua.

Numa tarde fria. Aquela imagem da garrafa de pinga sendo derramada cuidadosamente, como se fosse o mais precioso líquido do mundo – e para ele era – dentro de uma garrafa pet de Coca-cola e dividida com aquele amigo especial, ficou gravada na pasta de “cenas da vida real” daquela “dona” que se comoveu pelo gesto do “pobre-rico” Gaiteiro, de alma pura e coração enorme.

Algumas vezes ele sumia e reaparecia repaginado. Roupas limpas, aparência arejada, barba e cabelos cortados. Dizia que a família o levara para um tratamento, mas que não adiantava.

Não, ele não queria ser tratado. Sua vida era essa, sua escolha era consciente, seus amigos eram reais, seu mundo era verdadeiro, seu “carrinho-catador-de-papelão” era seu companheiro, seu cobertor era suficiente, o relento era sua morada.

Sua existência poderia até ser breve, mas sua opção era apenas viver ou sobreviver. E dar a cada dia o peso necessário, nenhuma esperança a menos, nenhuma tristeza a mais.

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Amiga, Adeus – Lu Dias

Por LuDiasBH, 31 de julho de 2009 12:53

Ainda sinto sua língua molhada no meu rosto
Lambuzando-me com beijos recheados de afago
O seu corpo macio enroscado às minhas pernas
Olhos famintos engolindo-me a alma – em tragos.

Enquanto Amiga deslizava pela praia
De volta ao seu costumeiro destino
Lágrimas escorriam sobre o meu rosto
De volta ao meu, perdida – sem tino.

Ela – um pontinho dourado na faixa de areia branca
Eu – um borrão informe dentro daquele barco
Que singrava sobre um mar acinzentado
Salpicado de grossos pingos de chuva – amargos.

A mesma chuva que corria lá fora me banhava o rosto
Pingos de água salobra infamemente doída
Carregada daquele sentimento dilacerante
De quando deixamos alguém pra trás – na vida.

Ainda sinto seu corpo, junto ao meu, naquele banho
Você meio desajeitada, diante de sua carência franca
Tentando fugir em meio às minhas pernas
Que enrijecidas a sustinham – pelas ancas.

Eu ensaboava seu corpo belo, de pelos dourados
Com meu sabonete novo de lavanda
Salpicando sobre você uma cascata cheirosa
De uma reconfortante espuma branca.

Depois nos deitamos ao sol, diante do mar
Debaixo do olhar surpreso dos vizinhos
E secamos nossos corpos sedosos
Sob o farfalhar do vento marinho.

Eu – explodindo de afeto,
Você – carente de afeição
Eu – acariciando seu corpo
Você – beijando minha mão.

Ainda sinto a ternura de seu abraço
Suas lambidelas molhadas sobre as minhas pernas
Seus olhos famintos de amor, presos aos meus
Amiga, como foi difícil lhe dizer

ADEUS!

Obs. (Antes da partida, roguei aos pescadores
Que cuidassem daquele serzinho solitário
Que caçava caranguejo, com destreza
Nas areias da praia, em total desamparo.)

 

Obs.:
AMIGA é uma cadela vira-lata, que me adotou como dona, durante os 10 dias em que fiquei numa praia no Paraná, em maio passado.

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Ânsia – Ana Lucia Timotheo da Costa

Por Ana Lucia Timotheo da Costa, 31 de julho de 2009 11:25

ansia

Queria te falar do azul
Daquele céu que vimos
Naquele dia morno.

Queria te mostrar
A paz
Que enfeita o vôo
Das gaivotas brancas.

Queria esvoaçar
Meus cabelos
Junto aos teus.

Queria sonhar a vida
Contar carneiros!

Queria ficar calada
E observar o mar.

Ah como eu queria
adoçar tua pele
Que tanto me agasalhou…

 

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Um brinde – Jorge Rodini

Por Jorge Rodini, 31 de julho de 2009 8:56

Os campos de trigo
Soam estar contigo
Ecoam beijos, estalos

Peço um olhar seu
Último, derradeiro Romeu
Primeiro dos seus vassalos

Estar contigo é ao vento viajar
Pedir abrigo, no colo repousar
Morar no largo do seu coração

Amar seu corpo é respirar
Sonhar desmaiado, um leve acordar
É brindar ao trigo e viver do pão.

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Censura – Charles Silva

Por Charles Silva, 31 de julho de 2009 1:10

censurado

Há muita coisa a ser dita:

A primeira é que…
… e além do mais…
Isso não…
…tempos atrás…
…até porque…
Um coração…
…jamais…

A segunda diz respeito a…
…melhor não ver…
…tudo fica…
…o tempo passa…
Uma conquista…

A terceira coisa é mais…
…haja vista a falta de…
… nem Tvs, nem jornais…
Pode ser…
… fazer o quê?

Por fim, é urgente um…
… sem falar no…
…lugar algum!
…porque… todo ano…
… de jeito algum!

Graças a Deus…
…pude falar o que…
E como disse o poeta…
…sem perceber…
… não há meta!

Enquanto houver índio… vai flecha!

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Completar 48 anos – Flávio Luis Ferrarini

Por Editor, 31 de julho de 2009 1:01

Talvez eu não devesse estar revelando isso a você, mas estou a poucos dias de completar 48 anos de idade.

Completar 48 anos é estar quase com os dois pés na casa dos 50.

Completar 48 anos é ter medo dos 50.

Completar 48 anos é estar bem perto de fazer meio século de vida e sentir um frio secular subir pelas pernas e infiltrar-se sob a roupa da alma.

Completar 48 anos é sentir-se incapaz de conter a marcha irrefreável dos cabelos brancos.

Completar 48 anos é ficar arrepiado com a possibilidade de ganhar pantufas, meias de lã, um pijama listrado ou um tratamento dentário como presente de aniversário.

Completar 48 anos é começar a ser chamado pelo respeitoso tratamento de Senhor.

Completar 48 anos é ter certeza de que a tecnologia não veio para trazer mais paz e felicidade, mas mais produtividade e competitividade.

Completar 48 anos é perder a capacidade de espantar-se e envergonhar-se com as safadezas cometidas por políticos corruptos que saqueiam os cofres públicos e os bolsos dos cidadãos.

Completar 48 anos é escutar Beeges, Pepino di Capri e Roberto Carlos no CD do carro.

Completar 48 anos é receber o carimbo de velho pela galera dos 38.

Completar 48 anos é ser do tempo da calça boca de sino, camisa florida, balas de caramelo e gomas de mascar embrulhadas com papel de figurinhas decalcáveis.

Completar 48 anos é ficar com um pé atrás nos anúncios classificados através dos quais incertas mulheres procuram “Homem de 50 para compromisso sério”.

Completar 48 anos é desistir de manter o pique de um avião numa academia com barras, bicicleta e pesos para dedicar-se a uma máquina de costurar desapontamentos.

Completar 48 anos é evitar de sacudir a cabeça com muita força para não dar adeus ao poucos fios de cabelos que ainda restam.

Completar 48 anos é perceber, não sem uma dose de saudosismo, que o jato de urina está perdendo potência e não se consegue mais derreter blocos de gelo a um ou mais metros de distância.

Completar 48 anos é ter certeza de que se alguém diz que você é bonito, experiente, talentoso e divertido deve ser uma puxa-saco ou está com segundas intenções.

Completar 48 anos é derreter-se feito manteiga com o sorriso do primeiro netinho.

Completar 48 anos é chegar a ficar com dor de barriga de tanto encolhê-la diante de uma garota com a roupa colada ao seu corpinho de 20 e poucos anos.

Completar 48 anos orgulhar-se do diploma Honra ao Mérito de 30 anos de trabalho na mesma empresa.

Completar 48 anos é se dar conta de que o tempo, de repente, está passando mais rápido do que a própria vida.

Completar 48 anos é falar gírias mais velhas do que andar para frente: bicho, morô, brotinho…

Completar 48 anos é não confessar que tem certa dificuldade com as redes sociais disponibilizadas pelo mundo virtual.

Completar 48 anos é, acima de tudo, aprender a levar a vida com uma boa e necessária dose de humor para rir feito um menino de 8 anos de idade.

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