Desencontros ou Amor de carnaval - Sonia Quartin Ai coração… - Lu Dias



nov 17

Você está só.
No seu apartamento,
O seu pensamento
É o seu tormento.

Você está só.
Vagamente, a canção que toca lhe diz,
Uma história de amor infeliz.
Contraponto de sua emoção sufocada.
Porque chorar não é moda!!!

Você está só nessa roda
De estranhos amigos.
Amigos? São mesmo? Quem é essa gente?
Querendo ter graça naquilo que fala?
Bebendo cerveja, tragando fumaça…
Contando piada… E dando risada
Sujando seu chão?
Desculpe! Foi nada!

Você está só.
Como um cão, num canto sentada,
Olhando na cara de quem chega e parte,
Sem cumprimentar… Sem se despedir…
Assim, de repente, sem pedir licença,
Só ignorando a sua presença.
A sua procura? A sua loucura?

Você está só.
E sozinha, sorriso escondendo
A falta do abraço… Do beijo… Do afago…
Do amante na cama… No jogo, o parceiro… Na vida, o amigo…
O amante no jogo da vida?

E, à meia luz desta festa, sem rumo, sem jeito,
Esconde calada
O desejo contido que bate no peito.

No entanto, você sabe que existe!
Se você gritasse isso, agora,
Se você chorasse, nessa hora,
Se você quebrasse o cristal transparente
Que conduz, com cuidado, entre dedos gelados,
E sem medo cortasse assim, de repente,
Suas veias azuis,
No meio da festa,
Olhando nos olhos de toda essa gente,
Qual deles, então, pensaria no fato,
Na loucura do ato,
Em si,
Daqui há pouco?

Cada um deixaria esta festa
Guardando com medo,
Seu próprio segredo
Jamais revelado.

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2 comentários para “A festa da solidão - Sonia Quartin”

  1. Jovimari disse: Reply to this comment

    Sonia,

    Lindo poema! E quantas vezes não nos sentimos só em meio a tanta gente? E em quantos momentos de “solidão” em que nos sentimos tão bem?

    “Minha solidão nada tem a vem com a presença ou ausência de pessoas. Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.”

    Gosto e me identifico muito com esse parágrafo de um livro do Irvin D. Yalom.

    Beijo,

    Jovimari (antiga Mary B. rs)

    [Resposta]

  2. Ana Lucia Timotheo da Costa disse: Reply to this comment

    Sonia,
    Muito bom o seu poema. Às vezes também sinto esta falta que você tão bem descreve. Ainda bem que choro, lavo a alma, levanto e parto para observar (ou me consolar?) que há muitas pessoas que estão sozinhas e acompanhadas. Bem pior, concorda? Beijo. Ana

    [Resposta]

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