A gangorra – Paulo Afonso
Lembro que há muitos anos todas as praças cariocas tinham brinquedos, tais como balanços, escorregas e gangorras. Não sei se ainda existem. Nunca mais reparei.
As gangorras nos dão uma lição. Quando um sobe, o outro desce. A economia tem mostrado isso no preço das ações e do dólar. Se um sobe, o outro desce.
Agora é a vez da bolsa subir e do dólar cair. Para que isso acontecesse foi necessário socorrer o sistema bancário mundial, gastando mais de um trilhão de dólares do contribuinte – de algum lugar esse dinheiro saiu, e não foi do sistema bancário.
Brevemente o movimento se inverterá. O dólar subirá, as bolsas cairão. A economia não se sustenta. A crise especulativa não acaba num passe de mágica. Em economia não existe mágica. É uma ciência matemática. Logo, permite mentiras numéricas, nunca mágicas.
Digamos que dê certo. A injeção de fortunas no sistema bancário resolveu o problema, cobriu os rombos e tudo continua como antes. O que esperar do futuro?
Se o mundo socorreu os grandes responsáveis pela desgraça financeira e os salvou, não se pode esperar o melhor. Vão continuar agindo da mesma maneira, com executivos ganhando fortunas pela gerência desastrosa, mas que proporciona lucros imediatos e ilusórios.
Resta esperar que hoje, dia 14, a tal nave prometida apareça e coloque um basta nisso. Do jeito que está, não pode continuar.
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Paulo,
Quando era criança sempre me diziam que eu não poderia ganhar presente se tivesse feito muita bobagem. Diziam também que se as bobagens fizessem mal a outras pessoas eu seria punido.
Pois essa ação de evitar a punição e dar um presentão para os especuladores irresponsáveis só vem reforçar a imagem de que quem tem o poder está acima do bem e do mal.
Inegável, no entanto, é que todos ganharam, durante algum tempo, com a farra financeira. O Brasil acumulou 200 bilhões de dólares por causa do festim que inundou a economia nacional com divisas.
Muitos se beneficiaram com a aparente abundäncia e adquiriram bens que antes se limitavam a sonhos. Quantos aproveitaram as facilidades de crédito para comprar casas, carros, computadores, ou simplesmente consumir mais?
Agora vem a volta do anzol. O esquema da pirämide implodiu e quem está na base acaba amargando o maior prejuizo, justamente por ter menos meios de proteção.
Por outro lado, toda crise abre novas oportunidades para os com criatividade.
Durante a crise aproveitei a queda do Bovespa e comprei ações. Estou sorrindo à toa!
@Marco: Você disse tudo. As oportunidades aparecem nas crises. Só os competentes as aproveitam.
Paulo
Existem momentos na vida em que é preciso chegar ao lodo do buraco, para que se possa renascer como a Fenix.
Considero isso como ciclos da história econômica mundial.
Só nos resta esperar a calmaria.
Beijos,
lu
Paulo,
As ‘mentiras numéricas’ foram muito bem abordadas por você.
Quanto às gangorras, aqui em Niterói – terra que o Lalau dizia que ‘o urubu voava de costa’,( o que é mentira), as pracinhas tinham sempre uma. Hoje não existem quase. O porquê? O ser humano, que está cada vez destruindo mais, goza diante da depredação. Ana