Eu me encaixo no teu corpo,
com a luva na mão da diva,
parece que ambos fomos feitos
sob a mesmíssima medida.
Nossas bocas são junturas perfeitas,
“A tampa com o balaio!” – diria minh’avó.
Eu te peço, não me destampes nunca,
para que eu não fique só.
Teus braços me cingem num engate,
como a casca prende a frágil noz,
quem sabe somos por encantamento
as partes perdidas de nós?
Eu sou teus sentimentos e razão,
quando te contenho nos meus braços,
sou o teu par de chinelos velhos,
a receber-te no teu cansaço.
Eu sou as margens generosas do rio,
mesmo que às vezes sem rumo,
que te acolho em meu leito,
pois sou fenda e tu és prumo.
Se nos vêem por aí dividindo
nossos vulcânicos amassos,
dizem os famintos de amor:
“São farinha do mesmo saco!”
E se estamos juntinhos, como
os dedos das mãos e seus anéis,
Hum! Exclamam os carentes:
“Ali estão duas notas de dez!”
Ah! Se nos vissem entre quatro paredes,
Eu, flor-de-lis e tu galho, vigoroso fálus,
concluiriam que somos tal e qual,
a meiga minhoca e o venturoso húmus.
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19 de agosto de 2008 at 23:59
Lu,
Amei:”Ah! Se nos vissem entre quatro paredes,
Eu, flor-de-lis e tu galho, vigoroso fálus,
concluiriam que somos tal e qual,
a meiga minhoca e o venturoso húmus.” Lindo de viver.
Beijos,
Terezinha
[Resposta]
20 de agosto de 2008 at 0:22
Terezinha Pereira
Tal elogio vindo de uma escritora como você, deixa-me muito feliz.
Um beijo no seu coração!
[Resposta]