A minhoca e o húmus – Lu Dias

Por LuDiasBH, 19 de agosto de 2008 0:03

 

Eu me encaixo no teu corpo,

com a luva na mão da diva,

parece que ambos fomos feitos

sob a mesmíssima medida.

 

Nossas bocas são junturas perfeitas,

“A tampa com o balaio!” – diria minh’avó.

Eu te peço, não me destampes nunca,

para que eu não fique só.

 

Teus braços me cingem num engate,

como a casca prende a frágil noz,

quem sabe somos por encantamento

as partes perdidas de nós?

 

Eu sou teus sentimentos e razão,

quando te contenho nos meus braços,

sou o teu par de chinelos velhos,

a receber-te no teu cansaço.

 

Eu sou as margens generosas do rio,

mesmo que às vezes sem rumo,

que te acolho em meu leito,

pois sou fenda e tu és prumo.

 

Se nos vêem por aí dividindo

nossos vulcânicos amassos,

dizem os famintos de amor:

“São farinha do mesmo saco!”

 

E se estamos juntinhos, como

os dedos das mãos e seus anéis,

Hum! Exclamam os carentes:

“Ali estão duas notas de dez!”

 

Ah! Se nos vissem entre quatro paredes,

Eu, flor-de-lis e tu galho, vigoroso fálus,

concluiriam que somos tal e qual,

a meiga minhoca e o venturoso húmus.

 

 

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2 comentários para “A minhoca e o húmus – Lu Dias”

  1. Terezinha Pereira disse:

    Lu,

    Amei:”Ah! Se nos vissem entre quatro paredes,

    Eu, flor-de-lis e tu galho, vigoroso fálus,

    concluiriam que somos tal e qual,

    a meiga minhoca e o venturoso húmus.” Lindo de viver.
    Beijos,
    Terezinha

  2. Lu Dias Bh disse:

    Terezinha Pereira

    Tal elogio vindo de uma escritora como você, deixa-me muito feliz.
    Um beijo no seu coração!

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