A Índia e o bug do milênio – Lu Dias
Em conversa com um amigo dos States, esse me disse, num tom de lástima, que os empregos de seu país estão migrando para a Índia e ficando cada vez piores. Pois ao ligar para o seu banco, responde alguém lá na Índia, com um inglês sofrível e um sotaque desesperador.
Não podemos negar que a pátria dos intocáveis, depois de passar por maus bocados após a sua independência em 1947, comendo o pão que o diabo amassou com o rabo, passou a ver a luz no fim do túnel, desde a época do final do século XX para cá.
Como a desgraça de uns redunda em bonança para outros, a Índia passou a ser o “segundo comprador”, termo bastante conhecido no mundo da economia. E nada melhor do que galgar tal posição, para um país trôpego.
Os “primeiros compradores”, imbuídos da mais “generosa” esperteza, sempre esperam tirar a última gota de sangue do país que os agrega. Muitas vezes, o tiro sai pela culatra.
E, foi exatamente isso, o que aconteceu com os antes espertos filhotes do Tio Sam, após o rompimento da bolha. Acreditavam que nadariam de braçadas no universo digital, na Índia. Depois do “splesh”, viram seus ativos serem vendidos a troco de chupe-chupe (banana anda muito cara, nos dias de hoje).
E os indianos, com os olhos emoldurados pelo kajal, enxergaram mais longe e viram como auspicioso seria comprar dos gringos as ações desvalorizadas, tirando proveito do excesso de capacidade de fibra óptica, praticamente de graça. Are Baba!
Como a Índia é um país, pouco provido de recursos naturais e infraestrutura, nada melhor, do que usar com arte, o material humano, com destaque para as suas elites. Sem falar na concorrência, que num país excessivamente habitado, acaba por desembocar na meritocracia do conhecimento.
Não se pode negar que, a Índia hoje, é uma grande exportadora de talentos tanto na engenharia, quanto na ciência de computação e software do nosso planeta. De modo, que o Tio Sam é o segundo comprador dos neurônios indianos. Sendo esses usados nos mais diferentes campos. Até já se cogita de trocar a frota de pilotos aéreos americanos por uma composta por indianos.
Portanto, não se impressione ao ser cumprimentado num voo, em Nova Yorque, com um “Namastê!” em vez de “Good morning!”
Hoje, já não é mais necessário que os cérebros indianos deságuem no Rio Mississipi.
Está acontecendo o inverso: os navios dos estadunidenses estão aportando no Rio Ganges, de modo que a inteligência indiana está sendo usada no próprio país, para o bem de seu povo. Atchatchatcha!
Os profissionais de qualidade indianos permanecem no país, tendo os americanos como patrões. Eles pegaram carona na estrada digital dos cérebros do Tio Sam, pagando uma mixaria, mostrando que nem sempre o mundo é dos mais espertos. A maré costuma virar. No caso, bota tsunami, nisso.
Até os textos dos livros americanos estão sendo digitados na Índia e convertidos em arquivos eletrônicos.
A Índia entrou fortemente na vida do Tio Sam no final de da década de 1990, com a proximidade do ano 2000, no tão esperado “bug do milênio”, que se tratava do relógio interno dos computadores.
Era preciso fazer a correção de toda a parafernália, para evitar uma catástrofe. Para isso, necessitavam de muitos engenheiros em sofware, para dar conta da missão aparentemente impossível, sem lhes queimar os miolos e pelo menor valor possível. Onde encontrá-los? Banguan Keliê!
Assim começa o namoro do Tio Sam com a bela Índia.
Namoro esse, que acabou em casamento híbrido entre brâmane e pária, sem que as tradições do hinduísmo se posicionassem contra. Não houve nem mesmo um casamento “manglik”, para dissipar os maus presságios.
Hoje, o país indiano é a pátria da terceirização, do call center, apesar do fuso horário de 12 horas em relação ao Grande Irmão. E, é claro, os salários não acompanham a evolução, mesmo com as bênçãos da fibra óptica. Chegam a 1/5 do valo pago nos EUA.
E a Índia, até então, considerada como retrógrada, torna-se responsável por impedir o bug do milênio. E foi assim, que ela ganhou a simpatia do Grande Patrão, obtendo uma nova fonte de negócios: o comércio eletrônico.
Thomas L. Friedman, colunista consagrado do New York Times brinca:
- Por todos esses motivos, creio que deveria instituir um feriado nacional na Índia em comemoração ao bug do milênio – um outro dia Dia da Independência do país, além do 15 de agosto.
Fonte de pesquisa: O Mundo é Plano/ Thomas L. Friedman
Namastê!
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Buáaaaaaaaaaaa
Perderam-se todos os comentários e acessos.
Are Baba!
lu
Cara Lu,
É verdade todo este desenvolvimento da informática na India. Talvez por se tratar de um povo místico, introvertido, muito religioso ou cheio de tradições e filosofia.
É apenas que todo este desenvolvimento somente alcança uma pequena parcela da população, cuja grande maioria convive com a miséria, a fome e a ignorância.
Enquanto o país possui bombas atômicas (!) o povo passa fome.
É a grande contradição do mundo moderno e dos chamados grandes paises emergentes, os BRIC- Brasil, Rússia, China e India.
Somente o futuro nos dirá o que vai acontecer com estes paises e sua relação com o resto do mundo.Abrs do
GERALDO MAGELA
Lu Dias BH respondeu:
junho 18th, 2009 at 23:54
@GERALDO MAGELA,
Magela
Houve realmente um “bug” no meu post.
Sumiram todos os comentários e acessos.
Isso que é veracidade!
Então amigo, como pode se dar tamanho paradoxo?
Como as culturas são bizarras.
Na verdade, em tudo permeia o poder.
A Índia deveria se preocupar com tamanha desproporção, pois, quando os miseráveis resolverem tomar as ruas, não há informática ou bomba atômica que os segure.
Gostaria que opinasse no meu texto de amanhã.
Beijos,
lu