A outra face da Índia – Lu Dias

Por LuDiasBH, 24 de maio de 2009 16:49

 

Mantras – são considerados como sílabas sagradas ou uma série de sons cantados, normalmente em sânscrito. A repetição contínua dos mesmos tem como objetivo parar a mente, imobilizá-la, levando-a ao estado de meditação até chegar à contemplação.

Os mantras originaram do hinduísmo, porém são utilizados também no budismo e jainismo.

Alguns psicólogos ocidentais acreditam que o mantra possui uma energia sonora, que movimenta outras energias, que circundam quem o entoa.

Outra explicação seria a mesma usada para o efeito dos mudras: um gesto repetido por tantas pessoas, durante tantos séculos, acabou criando um tipo de caminho energético – que podemos chamar de marca no akasha, ou no inconsciente coletivo – que é rapidamente seguido pela psique da pessoa que o executa.

Os mantras nem sempre possuem um significado claro e muitos deles são compostos por sílabas aparentemente ininteligíveis.

O mantra mais conhecido é OM (AUM), palavra que dizem conter a chave do universo. OM corresponde às três principais divindades hindus – Brahma, Vishnu e Shiva.

Exemplo de mantras:

OM YAMANTAKA HUM PHAT – (mantra que elimina os padrões mentais negativos)

OM HRIM BRAHMAYA NAMAH (mantra para elevar o estado de animo, para felicidade)

OM ADISHAYA NAMAH (traz alegria e felicidade)

OM SRI LAKSHIMYAI NAMAH (mantra para superar o medo e a insegurança)

OM CHANDRAYA NAMAH (mantra para tranqüilidade e clareza de raciocínio)

OM SHANTI (Mantra para insônia, paz interior)

Mudrā – é um termo que tem diversas conotações de acordo com o seu uso, significando gesto no Yôga, budismo e na dança indiana.

Os mudras, como gestos, a cada dia são mais numerosos, incorporando-se ao folclore e ao inconsciente coletivo de diversas civilizações.

São também usados em algumas técnicas marciais.

Mandalas e yantras – são formas circulares e figuras representativas, padrões geométricos, onde os hindus atribuem estarem encerrados os códigos sagrados da existência. Funcionam como auxílios visuais, para ajudarem os olhos na meditação. São tão importantes na cultura da Índia, a ponto de seus desenhos influenciarem os tecidos e o artesanato indianos. Sendo que suas cores definiram os estados psicológicos induzidos pela pintura indiana.

Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. É a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino.

Yantra é a representação simbólica do aspecto de uma divindade, normalmente a Deusa Mãe ou Durga. Ele é uma matriz interconectada de figuras geométricas, círculos, triângulos e padrões florais que formam um padrão fractal de elegância e beleza. Embora desenhado em duas dimensões, um yantra deve representar um objeto sagrado tri-dimensional. Acredita-se que yantras místicos revelam a base interna das formas do universo. A função dos yantras é ser símbolo de revelação das verdades cósmicas.

Ioga – o corpo inteiro é o campo da ciência da ioga. As asanas, ou posições, destinam a liberar energia. Sendo que o controle da respiração é a prática mais importante da ioga, pois na respiração está a origem da vida. Pregam os mestres iogues que o domínio da técnica de respiração consegue reduzi-la, aponto de levar o indivíduo a se aproximar da morte.

Ioga é um conceito, que se refere às tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia. A palavra está associada com as práticas meditativas tanto do budismo quanto do hinduísmo.

Há dezenas de linhas diferentes de ioga no mundo, que propõem não necessariamente caminhos contraditórios, mas sim diversos meios para alcançar os mesmos objetivos. Os principais ramos do ioga incluem a raja-ioga, carma-ioga, jnana-ioga, bacti-ioga e hata-ioga.

A palavra sânscrita yoga tem diversos significados, tais como “controlar” ou “unir”.

Ayurveda – vê o ser humano na sua integralidade. Afirma que o sofrimento humano possui três aspectos:

  • o físico – aliviado com plantas medicinais;
  • o mental – deve ser tratado com uma série de meditações que levem o indivíduo

a encontrar a harmonia consigo mesmo, controlando seu

desassossego destruidor.

  • o espiritual – só é possível libertar-se dele, buscando compreender a

interdependência entre todas as formas de vida.

Ayurveda é o nome dado à “ciência” médica desenvolvida na Índia há cerca de 7 mil anos, o que faz dela um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade. Continua a ser a medicina oficial na Índia e tem-se difundido por todo o mundo como uma técnica eficaz de medicina tradicional.

É conhecida como a mãe da medicina, pois seus princípios e estudos foram a base para, posteriormente, o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, árabe, romana e grega. Houve um intercâmbio de informações com o Japão, que tinha a mesma necessidade dos indianos: criar uma medicina barata para atender às suas populações muito pobres e gigantescas, por essa razão existe muito da medicina japonesa nos conceitos de ayurvédica. As duas desenvolveram técnicas muito eficientes e de baixo custo para o tratamento.

A doença, para a Ayurveda, é muito mais que a manifestação de sintomas desagradáveis ou perigosos à manutenção da vida. A Ayurveda, como ciência integral, considera que a doença inicia-se muito antes de chegar à fase em que ela finalmente pode ser percebida. Assim, pequenos desequilíbrios tendem a aumentar com o passar do tempo, se não forem corrigidos, originando a enfermidade muito antes de podermos percebê-la.

Vastushastra – é o conjunto de tratados indianos de arquitetura que ajuda o homem a viver no mundo exterior, partindo do princípio que o ato arquitetônico original é a Terra, lar de todas as formas de vida.

Assim como o Feng Shui da China, o Vastushastra indiano dá-nos a técnica de como harmonizar o ambiente, influenciando nossas vidas e indica a harmonia que se deve ter entre os elementos fora e dentro do corpo, no ambiente de residência ou de trabalho.

Mantras, mandalas e ioga sempre foram usadas, na Índia, com o intuito de levar a pessoa à auto-realização. No entanto, nos dias de hoje, a sabedoria milenar vem se reduzindo, cada vez mais, a preocupações narcisistas, meramente estéticas, sem levar em conta o conceito do universo como integralidade harmoniosa.

Diante disso, torna-se impossível não levar em conta as sábias palavras do poeta indiano Rabindranth Tagore, prêmio Nobel da poesia, que cheio de ira exclamou:

“ Que pena, minha terra sem alegria, vestida de andrajos, carregada de sabedoria decrépita. Orgulhas-te de haveres compreendido os enganos da criação. Sentada indolentemente em teu canto, tudo o que fazes é afiar tuas confusões metafísicas…”.

Segundo a escritora Gita Metha, a filosofia anteriormente íntegra e unificadora foi reduzida a práticas fragmentárias, embora o homem devesse ser o guardião de um organismo vivo, responsável pela manutenção de seu frágil equilíbrio, e o resultado é o cenário de desarmonia em que vive a Índia (e o mundo, acrescento eu).

Fonte de pesquisa: Escadas e Serpentes/ Gita Mehta

Wilkipédia

Nota: Aviso a meus leitores queridos que estarei ausente do blog até dia 29 deste mês. Responderei aos comentários assim que chegar.

Om Shanti!

Bookmark e Compartilhe

Leia também...

Imprimir Imprimir        

Enviar a um amigo





Enviar a um amigo         1.371 views


    


18 comentários para “A outra face da Índia – Lu Dias”

  1. Hila Flávia disse:

    Ainda bem que 29 está perto. Me vingo depois.

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Hila Flávia,

    Hila

    Você já passeou em demasia.
    Agora é minha vez.
    Aguente as pontas no blog.
    São apenas 5 dias.
    Preciso buscar energia.

    Beijos,

    lu

  2. Agzelma disse:

    Queridíssima D. Lú,

    Entrei no blog para conhecer. Estou encantada com seus artigos.

    Abraços,

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Agzelma,

    Minha doce e linda Azelma.
    Que bom!
    Isto significa que ganhamos mais uma leitora.
    Estou orgulhosa de você.
    Muito feliz mesmo!!!!!

    Beijos,

    lu

  3. Terezinha disse:

    Lu,

    Muito boa a sua pesquisa.Mais uma vez, parabéns! Desejo-lhe um excelente período de lazer. Que coisas mais ricas ainda venha nos trazer.

    Caso você e os leitores deste blog queiram conhecer mais um pouco de Yoga e Ayurveda, seguem:
    - um link para um artigo da página do Núcleo de Yoga Vivências Alternativas, de Belo Horizonte, sob a coordenação dos mestres Carlos Luz, Edima Matos e Margareth Mundim:
    http://www.vivenciasintegrativas.com.br/yoga_e_ayurveda.html

    – link da página do Núcleo de Yoga Gayatri Devi, de Pará de Minas, onde pratico Yoga tântrico há 4 anos, com a prof. Edima Matos (fantástica!) para três artigos do Mestre Carlos Luz:
    http://www.yogagayatridevi.com.br/internas.php?pag=4

    - TANTRA E O MITO INDIANO
    - TRÊS QUALIDADES IMPORTANTES PARA A PRÁTICA TÂNTRICA: DESAPÊGO, CERTEZA, FORÇA
    - YOGATIKA

    Beijos,
    TT

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Terezinha,

    TT

    Obrigada pelo enriquecimento do artigo.
    Como posso deixar de amar alguém tão generosa?
    Vou ler os links enviados.

    Grande beijo, minha linda!

    lu

  4. GUTIERRITOS disse:

    LU DIAS

    Novamente, vejo-me ao meio de novos ensinamentos e lições, pois parece-me que a índia sequer é deste planeta, tendo tantas e tantas coisas diferentes para aprender.

    Li e reli, sobre mantras, Mudrā, Mandalas, yantras, ayurveda, Vastushastra,ioga, quantos assuntos, meu Deus do Céu ( o pior é que lá tem milhares de deuses, contrariando o Niestzched que mandou Zaratrusta dizer que os deuses estão mortos ).

    De qualquer forma, gostei de conhecer essas coisas, alguma já havia tomado conhecimento, como a ioga, mas agora com um conceito mais bem definido.

    Lu, não dá para decorar tudo isto.

    Vou ficar, na minha reflexão, comentando apenas os Mantras, uma cantoria ininteligível que nos leva à meditação.

    É um tal de ouvir, parecendo uivar, assim:

    OM YAMANTAKA HUM PHAT – ( esse mantra acho ótimo para espantar os políticos brasileiros, pois elimina os padrões mentais negativos)

    ou ainda OM HRIM BRAHMAYA NAMAH ( esse mantra está baseada na cerveja Brahma, ou seja, Brahmayando por aí para elevar o estado de animo, para felicidade dos donos da cervejaria )

    ou ainda OM ADISHAYA NAMAH ( este eu gostei porque é como a Cidinha pura alegria e felicidade)

    ou ainda OM SRI LAKSHIMYAI NAMAH ( esse eu não preciso, pois não tenho medo e a insegurança)

    ou OM CHANDRAYA NAMAH ( esse mantra e da própria Lu Dias, ou seja, tranqüilidade e clareza de raciocínio)

    ou ainda OM SHANTI ( às vezes preciso deste Mantra, para combater minha insônia, embora tenha muita paz interior)

    Desculpe-me as minhas brincadeiras, mas não posso deixar de ler seus textos e fazer meus gracejos de agradecimento.

    Bonsoir.

    Lu Dias Bh respondeu:

    @GUTIERRITOS,

    Gutie

    Nós precisamos de criar um específico para expulsar os ladrões de Brasília e de,
    principalmente.
    Que tal?

    PO LI TI COOSS… SA…FA…DOSS… CA…IAM… FO…RA…OOOMMM.

    Amo os seus comentários pois me matam de rir.
    Portanto, não me peça desculpas… risos.

    Nóis brinca, mas nóis goza… rhahahahahahaha

    Beijos,

    lu

  5. Ana Lucia Timotheo da Costa disse:

    Lu,
    Paz para você também, querida.(Om Shanti). Bjo. Ana

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Ana Lucia Timotheo da Costa,

    Aninha,

    estava sentindo a sua falta.
    Ainda bem que a encontro aqui.
    Estou zen, minha linda.
    Só engordei dois quilinhos…
    Vixe Maria!

    Beijos,

    lu

  6. aline disse:

    Lu,

    Achei interessante a visão de doença pela “Ayurveda”. Muitas doenças começam por muitos fatores de estresse, que passam despercebidos, só com o passar do tempo as manifestações aparecem, se estes fatores não forem corrigidos. Isto vale para muitas situações de doenças, isto também é bem notado nos animais.

    Bjooos

    Aline

    Lu Dias Bh respondeu:

    @aline,

    Aline

    Não há como contestar isso.
    Na maioria das vezes, somos nós os criadores da doença.
    Sendo o maior fator o estresse.
    E o pior, o estresse está sempre aliado ao poder, ao espírito incorrigível de acharmos que somos insubstituíveis.

    Precismos aprender a olhar o mundo com outros olhos.

    Beijos,

    lu

  7. Lu,
    Percebo que todas as religiões tem seus rituais para manter os fiéis conectados e dentro dos parâmetros estabelecidos.
    Às vezes me parece até uma espécie de “lavagem cerebral”, como o terço na religião católica e no islamismo. Aquela repetição monótona com o intuito de livrar a mente de maus pensamentos e tentações do pecado. “Mente vazia, oficina do diabo”, não é mesmo?
    Não se deixa espaço para o espírito crítico porque não se admitem questionamentos. A fé é cega, não podem existir dúvidas, embora não entendamos bem no que estamos acreditando. Não sou ateu, mas as religiões me confundem e me dão idéia de poder, de dominação, a exemplo da teocracia dos paises árabes. Os governantes mantém o povo sob seu controle enquanto desfrutam de uma boa vida, com todas as riquezas do país.
    É religião ou dominação dos corações e mentes?
    Abrs. do GERALDO MAGELA

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Geraldo Magela,

    Gerado Magela

    É incrível como temos a mesma linha de pensamento.
    A função da religião é não deixar espaço pra o questionamento, pois poderá despertar a razão.
    Ela é a mais ditadora dos poderes terrenos.
    É cruel… pois rouba o homem naquilo que ele tem de mais belo – a razão.

    Amiguinho, adoro seus comentários.
    Você é minha alma gêmea.

    Desculpe a demora na resposta.
    Estava em Caldas Novas.

    Beijos lu

  8. EDIMA MATOS disse:

    LU,
    BOM DESCANSO E BOM PROVEITO!!! Parabéns

    PARA QUEM QUISER APROFUNDAR Dicas de leituras :

    -Uma Visão profunda do Yoga (TEORIA E PRÁTICA) Autor Georg Feuerstein
    -A Tradição do Yoga-( HISTÓRIA , LITERATURA, FILOSOFIA E PRÁTICA) Autor Georg Feuerstein
    –Cadernos de Yoga – EDITOR Tales Nunes

    Abraços
    E’dima Matos

    Lu Dias Bh respondeu:

    @EDIMA MATOS,

    Édima Matos

    Em primeiro lugar, obrigada pela sua presença no nosso blog.
    Gostaria de vê-la sempre por aqui.

    Quanto às sugestões, só me resta agradecer, pelo fato de enriquecer o meu artigo.
    Já anotei os nomes.
    Vou fazer uma busca na Estante Virtual, onde os preços chegam a 1/4 das livrarias.

    Obrigada, amiguinha, mais uma vez.

    Beijos,

    lu

  9. Cristine disse:

    Oi Lu!

    Gostei especialmente das palavras de Tagore; com tanta sabedoria acumulada ao longo dos séculos, a Índia foi se acomodando e adotando o caminho fácil dos rituais, sem que houvesse a mudança e o aperfeiçoamento interior; com isso, creio que a nação adquiriu um carma pesado que terá de ser corrigido (se é que isso já não está acontecendo).

    No livro de Yogananda (Autobiografia de um Iogue) ele fala sobre as ‘yugas’ ou ciclos, que acontecem em intervalos de 12000 anos, com arcos ascendentes e descendentes. Talvez a Índia tenha abandonado a essência de suas religiões e mantido apenas os rituais exteriores, e precise voltar a eles para recuperar sua harmonia e integridade espiritual como nação.

    Esperamos que isso realmente aconteça; é realmente chocante ler seus relatos e os da Sandra, e ver as imagens que recebi em seu último e-mail; são cenas inconcebíveis, que nos dão vontade de ‘chacoalhar’ aquele povo, para ver se alguma coisa muda…

    Desculpe o desabafo, nós que gostamos da Índia e queremos aprender mais sobre ela ficamos um pouco chocados com esses contrastes tão grandes entre a linda teoria, com Yoga, Ayurveda, Mantras, e a crua realidade e a pobreza do povo.

    Grande abraço, e Om Shanti

    Cristine

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Cristine,

    Cris, minha lindinha

    Que chegar aqui e deparar com um comentário seu.
    Já estava sentindo saudades.

    Compartilho consigo todos os seus pontos de vista.
    Não posso conceber espiritualidade, onde não se pode fazer caridade.

    Os contrastes são aberrantes, bizarros.
    Só mergulha na mentira, quem quer, depois do que temos tentado mostrar.

    O mais triste é descobrir que, na raiz de tudo está o poder, na sua vestimenta satânica.
    O resto é tudo faz de conta.
    Mas alguns ainda embarcam nessa onda.

    Grande beijo,

    lu

    

Panorama Theme by Themocracy