A Praça J. Triste – Gutie

Por Gutie, 17 de janeiro de 2010 17:26

A PRAÇA J.TRISTE

Fiquei muito contente quando soube que a Municipalidade de Rio Claro, através da lei municipal 3.329, de 24 de fevereiro de 2003, homenageou meu saudoso avô, João Baptista Pimentel, J.Triste, chamando carinhosamente de o poeta rio-clarense, dando o seu nome a uma praça, no bairro Vila Olinda, daquela linda cidade.

Meu avô J. Triste foi um poeta, cronista, charadista e, não se espante, um dramaturgo.

Durante a sua vida, escreveu em todos em jornais da cidade de Rio Claro SP. Compilou poesias e crônicas em dois livros denominados No Meu Silêncio e Simplicidade.

Todas as poesias dele refletem, sim, a época, sempre com a simplicidade nos versos, a ingenuidade hoje entendida assim, a malícia gatinhando, mostrando a ética maravilhosa que existia, onde o amor era o altar da vida de cada um.

O versar de meu avô é pura emoção, guardando o romantismo de sua época. Na simplicidade de suas palavras, sempre presente está o endeusamento da mulher, que todos os homens cavalheiros, como se sentiam os bons homens daquela época, deviam reverenciar as mulheres.

Aprendi lições com ele.

Não digo na arte de escrever, que é sua e própria, mas na essência de seus pensamentos, sempre voltados ao enaltecer o amor.

Além deste gênero de poesias, também fez o tipo caipira, imitando o falar do lavrador interior paulista.

Foi um excelente charadista e confeccionava palavras cruzadas, chegando a ganhar prêmios, em concurso promovido pelo Jornal O Estado de São Paulo, onde as publicava e ainda resolvia outras extremamente difíceis.

Foi um dramaturgo – gostava imensamente dos circos-teatros, e escrevia, gratuitamente, peças para serem, por eles, exibidas. Fez muitas amizades lindas e sinceras neste meio artístico, onde foi imensamente feliz.

As suas peças e poesias eram declamadas no palco dos circos-teatros e foram levadas ao mundo da época, através deles, até que o cinema e a televisão chegaram e essa atividade circense praticamente restou extinta. Foi uma pena, pois era um esteio da arte teatral e literária naquele tempo.

Não posso deixar que além de suas qualidades artísticas, reflexo do amor que possuía em seu coração, de lembrar que foi um homem simples, caridoso, bondoso, cheio de amor à família, à sua comunidade, ao seu torrão natal, um exemplo para ser seguido.

Eu amava meu avô, ainda o amo, pois restou intacto no meu coração.

Como Hegel dizia, nós somos os outros.

O seu amor transformou-me durante a vida, daí me perguntar:

Esse J. Triste sou eu também ?

Sim, acho que sou, acho que todos os seus descendentes o são e que isto está no coração de todos os seus filhos, seus netos e bisnetos, certamente, como eu, desejamos ser como ele foi, uma pessoa linda.

Através da Alma Carioca, em janeiro do corrente ano, ele voltou a ser lido por muitas pessoas – como sempre gostou, pois escrevia pelo prazer de ser lido.

Trouxe-o de volta – tenho a certeza – como ele gostaria que fosse, onde gostam de poesias que, principalmente, falam de amor, romântico como ele sempre foi e que se eternizou em nossos corações.

Quero finalizar esse texto, citando um comentário, em versos de Rosali, que me fez chorar sorrindo:

COMO EU GOSTO DESTAS TROVINHAS

Autora – ROSALI

Como eu gosto destas trovinhas!

Este jeitinho brejeiro me encanta!

Retribuindo a alegria que sinto,

Por esta poesia em questão.

Compus estes sinceros versinhos,

Bem simples, mas de coração.

Este poeta que ora falamos,

Era dotado de grande talento.

Falava de dor e tristeza,

Mas também de amor e alento.

Pelo tantinho que já conheci,

Aprendi a respeitar e gostar

Desta figura querida,

Que sempre mostrou o que é amar.

A família unida sente saudades,

Do tempo a perder de vista.

E hoje se envaidece,

Pelo sucesso do vovozinho artista.

Mas para encurtar essa prosa,

Falando de tão bom brasileiro.

O J. Triste mais se parece,

Um eterno J.Alegre, guerreiro.

O Jornal Cidade de Rio Claro fez uma linda reportagem, com o título Praça da Vila Olinda guarda história do poeta João B. Pimentel – J.Triste, que convido todos a ler o  clicando aqui.

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22 comentários para “A Praça J. Triste – Gutie”

  1. Lu Dias BH disse:

    Gutie

    Hoje você está pondo o boteco pra quebrar.
    Deixando-nos zonzos com tanta beleza.

    Este texto de amor a seu avô é uma dos mais belos que já li, escritos por você.
    Você eterniza J. Triste no que escreve.

    Ele era um artista completo.
    Eu adorava as charadas.
    Como elas eram valiosas para aumentar a capacidade de abstração do aluno.
    Tive uma professora de matemática, que começava sua aula com uma charadas.
    O prêmio era um caramelo… risos.

    E que linda a poesia do RoseRubi.
    Ela é essa mesma doçura que se apresenta no poema.
    Inteligente, criativa e meiga.

    Refere-se ao vovozinho com muito carinho.

    Parabéns aos três:
    - vovô
    - net0
    - amiga do neto.

    Abraços,

    lu

    GUTIE respondeu:

    @Lu Dias BH,

    LU DIAS

    Viu como era esse ser maravilhoso,
    meu avô, tão saudoso,
    que me deixou de versos repleto,
    lindos, inesquecíveis, completos.

    Hoje estaria inaugurando, aqui, a Praça J. Triste e seria um dia de muita alegria.

    Entretanto, essa praça estará daqui há alguns dias fechada.

    Não teremos nela sentadinhos, nos seus bancos, contando poesias, contos, crônicas, falando de arte e cultura, o nosso timoneiro, Paulo Teixeira, a tua presença diária, querida amiga Lu, os nossos amigos queridos Terezinha, o Manoel, a Hila, o Gus, o Nélson Dante declamando, a Rosali, o Mário Mendonça, a Ana Lúcia, o Edgard, a Elisabete – lá de Portugal, a Jovimari, dona Vicenta, a Nina, o J. Carino, o José Roberto, a Haydée ( que iria voltar ), Jorge Rodini, Dirley e tantos outros mais, queridos amigos que nos faziam tão felizes.

    Era para ser um dia de muita alegria. Esta matéria estava sendo preparada há algum tempo.

    Mas hoje, já começo a sentir falta de todos.

    Um vazio total – esse é o meu sentimento.

    Ainda vou apresentar mais algumas poesias de meu avô – pelo menos para deixar essa praça mais alegre.

    E por que não uma poesia caipira ?

    Lu Dias, obrigado por teus comentários.

    Vamos ter fé.

    Quem sabe ?…

  2. GUTIE disse:

    @Lu Dias BH: @GUTIE,

    Não poderia esquecer a Cristine, minhas irmãos Elisabeth e Eliana, meus filhos Flávio Roberto e Marcela, ah, o Messias, a Sissi, o Moá, quantas pessoas se reuniam por aqui.

    Desculpem aqueles que estou esquecendo, de repente, pois me encontro entristecido.

    Sei que a vida passa, mas não gosto de perdas.

    E essa é uma grande perda.

    Abraços.

  3. josé nelson dante disse:

    Gutie, saudações. Lembro perfeitamente de seu avô, quando ia visita-los em Dois Córregos. Pai de sua mãe. Naquela época eu era Escrevente Autorizado do Cartório do Registro Civil das Pessoas Naturais e Anexos da comarca de nossa terra natal Dois Córregos e seus avô se não me falha a memória Oficial Maior da mesma classe de cartório, mas em Rio Claro, onde residia. Costumava colaborar com o nosso jornal O Democratico, com ótimas poesias. Apreciava muito o que ele escrevia. Boas lembranças!

    gutie respondeu:

    @josé nelson dante,

    QUERIDO AMIGO

    Continuo fazendo as postagens de tuas poesias declamadas. Agora, a última, uma daquelas que mais gosta, Via Láctea.

    Fico muito feliz com a tua presença e sei que é uma homenagem ao meu querido avô, o que muito me alegra.

    Realmente, meu avô colaborou com o Jornal o Democrático e trabalhou no Cartório em Rio Claro, no entanto, foi ferroviário, tendo ocupado a função de inspetor das Cooperativas, na extinta Cia Paulista de Estradas de Ferro.

    Acredito que se lembra do sr. Reali, pai do Valmir, ele era gerente da Cooperativa da Paulista. Meu avô fazia inspeções nas cooperativas.

    Obrigado por teus comentários, fiquei muito contente.

  4. célia disse:

    Gutierritos,

    Que vovozinho maravilhoso este seu, hein! Parabéns, mas quem sai aos seus
    não degenera, por isto esse DNA poético que vc herdou e que nos encanta sobremaneira.

    beijinhos

    GUTIE respondeu:

    @célia,

    CÉLIA

    Fico imensamente feliz com tua presença e fazendo comentários sobre um dos meus textos, que escrevi com a alma e com o coração.

    Não se trata, porém, só de DNA, mas ter recebido dele, meu avô inesquecível, uma lição de vida. Ser como J.Triste é uma meta em minha vida, mas nao de conseguir escrever como ele, mas chegar a ser um ser humano maravilhoso como ele o foi.

    Obrigado por teus generosos comentários.

  5. Rosalí disse:

    Gutie,

    Mais uma vez colocas a tua emoção e admiração, nesta linda
    homenagem ao ‘nosso’ vovô, tão querido por todos.

    E compartilha conosco esse que foi o momento em que se
    agrega à sua extensa e rica biografia, mais este título de poeta
    rio-clarense, na verdade, personalidade rio-clarense.

    Parabéns pelo belo texto, e fico muito lisonjeada por ter contribuído
    para o seu enriquecimento , com este meu poema, simples, mas
    sincero e que retrata o que meus olhos vêm nas poesias dele, que
    são postadas por você.

    Que bom que continuaremos a nos deliciar com poemas tão
    especiais.

    Abraços,
    Rosalí.

    GUTIE respondeu:

    @Rosalí,

    ROSALI

    Guardei carinhosamente esta poesia que fizestes, em um comentário, pois fiquei imensamente feliz com ela.

    Postei-a pois foi um dos comentários que me deixaram muito feliz e sei que ele, meu saudoso avô, gostaria que eu o destacasse pelo encanto e simplicidade e muita ternura, com que o escrevestes.

    Meu avô – querida amiga – foi sempre um homem simples e bom. Gostava de escrever e ter amigos e estar presente em todos os momentos de seus familiares, fossem alegres ou tristes.

    Tenho dele não só a imagem de um poeta, mas de um ser humano muito carinhoso e bom. Tão bom que dá vontade de chorar a sua ausência, mas ao mesmo tempo de sorrir por ter Deus nos ter permitido ser nosso maravilhoso avô e amigo.

    Ainda, quero lembrá-la que tens um talento nato e estamos esperando por novos textos, novas poesias ou crônicas lindas que tão belamente as faz.

    Muito obrigado por teus comentários.

  6. Elisabeth Buttros disse:

    Ah!….Dudi….que saudades do vô João….do poeta que sempre ´permanecerá vivo através de suas lindas poesias….e saudades do ser humano maravilhoso,carinhoso e tão meigo que foi com todos nós!….Fiquei muito feliz ao saber que ele foi lembrado e homenageado com essa praça!…foi um merecimento por seu trabalho tão digno e que encantava a todos…..Eu também fui premiada ,pois tive a satisfação de declamar algumas de suas poesias….Agradeço a sua amiga Rosali pelos singelos versos dedicados ao nosso J.Triste…..e agradeço a voce,meu querido,por todo esse trabalho maravilhoso que voce faz ,mostrando a todos o poeta saudoso,mas eternizado…J.Triste.
    E parabéns,meu querido ,pelos seus textos maravilhosos!…voce é um grande escritor!…..
    Beijos de sua irmã Beth

    GUTIE respondeu:

    @Elisabeth Buttros,

    QUERIDA IRMÃ

    Clicou na reportagem do jornal Cidade de Rio Claro, que fez a publicação, homenageando o nosso querido avô ?

    Se não o fez, faça-o, pois está lindo.

    Aparece nela a foto da praça e do nosso querido avô.

    E mais: o tio Joãozinho é entrevistado.

    São coisas maravilhosas que, graças a Deus, conseguimos ver, ou seja, um reconhecimento público maravilhoso.

    Obrigado por teus comentários

  7. Elisabeth Buttros disse:

    Dudi,eu li a reportagem….adorei…..
    Eu tinha conhecimento da praça,inclusive eu a visitei…….fiquei emocionada!…..
    Um abraço
    Beth

    GUTIE respondeu:

    @Elisabeth Buttros,

    QUERIDA IRMÃ

    Na reportagem há uma afirmação encantadora: “A praça é uma das poucas que ainda guardam a placa com o nome do homenageado ”

    É sinal que, mesmo passando tantos anos de seu falecimento, o povo o respeita.

    Obrigado.

  8. manoel.rodrigues disse:

    Oi, Gutie
    Teu avô era de uma capacidade intelectual fantástica e um grande ser humano. Realmente há muito sentido no orgulho que tens da sua figura.
    Parabéns
    Manoel

    GUTIE respondeu:

    @manoel.rodrigues,

    MANOEL

    Meu avô foi um homem simples e bom.

    Ele era inteligente e gostava muito de escrever.

    Tenho orgulho de ser seu neto, principalmente pelo ser humano que sempre foi.

    Obrigado por teus comentários.

  9. Jovimari disse:

    Gutie,

    Este seu texto deveria se chamar “Declaração de amor”. Que lindo, que sensibilidade e admiração ao seu avô e que avô maravilhoso esse, que todos aqui adotamos.

    Li agora a pouco uma frase no texto do Manoel, e acho que se encaixa neste seu amor sem contestação “amor entre mãe e filho é o único que dura enquanto houver vida numa das partes envolvidas”… falemos que amor entre avô e neto também.

    Beijo!

    GUTIE respondeu:

    @Jovimari,

    JOVIMARI

    Primeiro, reitero meus parabéns pela grande conquista de teu filho.

    E a tua alegria é o amor entre mãe e filho e haja muita, mas muita vida para curtir essa alegria maravilhosa.

    Realmente, enquanto eu viver, vou me lembrar demais meu avô, pois há um liame de muito amor estabelecido entre nós.

    Obrigado por teus comentários.

    GUTIE respondeu:

    @Jovimari, JOVIMARI

    Primeiro, reitero meus parabéns pela grande conquista de teu filho.

    E a tua alegria é o amor entre mãe e filho e haja muita, mas muita vida para curtir essa alegria maravilhosa.

    Realmente, enquanto eu viver, vou me lembrar demais meu avô, pois há um liame de muito amor estabelecido entre nós.

    Obrigado por teus comentários

  10. Ana Lucia disse:

    Gutie querido,
    Diz o ditado que ‘filho de peixe, peixinho é’. Imagine neto, que é filho com açucar. Você é doce como vovô João. Beijo.

    GUTIE respondeu:

    @Ana Lucia,

    PREZADA AMIGA

    Lindo o teu comentário.

    Fiquei muito honrado.

    Mas penso que meu avô tinha muito mais jeito com os versos.

    Agora, realmente sofri dele muito influência, graças a Deus.

    Muito obrigado.

  11. Ana Lucia disse:

    @GUTIE:
    Você merece, querido. Beijo.

  12. Eliana Pulini disse:

    Gutie… querido irmão

    Que linda a homenagem feita ao nosso querido avô… com a praça que guarda o seu nome, bem como a a história desse grande poeta João B. Pimentel..”J. Triste.

    Li todo o comentário do nosso tio Joãozinho e me emocionei muito.

    A foto mostra a praça da Vila Olinda muito bem arborizada e uma das poucas que ainda guardam a placa com o nome do nosso querido avô.

    Essa homenagem foi mesmo um prêmio que envaidece a todos nós da família e a toda cidade Rio Clarense que conhecia o exemplo de homem simples e humilde que era e pelo simples fato que tinha… o de …prazer que tinha em escrever e mostrar isso para todos… isso era muito transparente nele… eu bem o conhecia.

    Assim como nosso tio João disse: um homem simples que não deixou fortuna, mas deixou os versos, e isso tudo,demonstrou que Rio Claro deu valor a isso pelo nobre e maravilhoso poeta que foi.

    Li toda a reportagem e até chorei, pois nosso avô sempre será lembrado e estará no coração de todos nós…seus filhos, netos e bisnetos como pessoa linda que era.

    Gutie…sempre me reservo essa pergunta também… Por que será será que sou sempre tão sorridente e alegre para com todos? Será que herdei isso do meu querido avô??? rsrs

    Beijos mil a você meu irmão… te admiro muito… sabia???

    Eliana

    

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