A tela – Haydée Colussi
O perfumado frio da noite entrava pela janela do quarto de dormir no segundo andar da casa grande. O corpo sobre o leito estava calmo. Lembrava agora outra vez a sereia sobre a rocha naquela ilha distante bem além do horizonte azul. Em nada se assemelhava à amazona de longos cabelos escuros que o cavalgava nua nas madrugadas.
Num dia claro, tempos atrás, atravessando a loja de antiguidades, ele vira a tela pela primeira vez. Tinha um metro e meio de largura por dois de altura e estava afixada na parede lateral da loja, sobre um aparador art nouveau de mogno entalhado cuja cor lhe denunciava a idade avançada.
Fora uma paixão fulminante.
No mesmo instante parou e voltou para o interior da loja, até a sólida e bela escrivaninha onde estava o negociante de arte.
Sem regatear decidiu na mesma ocasião comprar a tela, retornando no dia seguinte para os trâmites finais.
Adequadamente embalada a peça era sua e depois de anos ele voltava para casa no novo continente.
Chegando, ficou poucos dias na capital para resolver alguns negócios pendentes com seus advogados e então, viajou para a fazenda.
Em seu quarto de dormir, a tela foi colocada sobre a lareira.
Na peça espaçosa, de portas e janelas abertas para a varanda a belíssima pintura tinha um efeito hipnótico.
Então numa noite de outono tudo começara.
Estava em sua poltrona. Os olhos fixos na tela pressentiram o leve movimento dos cabelos da jovem com a entrada do vento pela porta do quarto.
Como num sonho, naquela noite morna e agradável ela saiu lentamente da tela e chegou até ele que atônito mal conseguia respirar.
As mãos delicadas tocaram-lhe as faces e ele se deixou acariciar em êxtase enquanto ela o despia lançando suas roupas aos quatro cantos do quarto. Tamanha era a beleza da jovem que ele nem mesmo tentou buscar explicação para o que ocorria.
Deixou-se levar na fantasia louca.
O quarto, todo iluminado pela luz clara da lua que entrava forte apagando as sombras, parecia mágico. Na claridade branca ele podia ver nitidamente o corpo nu da mulher que o fascinara desde o primeiro instante.
Seus braços a enlaçaram e sentindo na boca o doce gosto que só o amor da gente consegue ter, o homem, com uma urgência impaciente, lhe percorreu o corpo degustando cada pedacinho fazendo-a gemer.
Então ele a colocou sobre a cama e penetrando-a começou a cavalgá-la.
Carinhosa, mas calma e dona de si, ela lentamente foi invertendo as posições e postando-se sobre o rapaz que a olhava enfeitiçado, montou-o como ele sempre fizera com as mulheres que tivera.
Então sugando-o fê-lo jorrar entre suas coxas enquanto a boca pequena se entregava macia à do homem a quem mantinha sob o jugo firme de suas pernas firmes.
Por mais que tentasse ele não conseguiu manter-se acordado depois do amor e pela manhã, com o sol entrando no quarto, apenas o desalinho dos lençóis e suas roupas espalhadas pelo chão denunciavam o ocorrido na madrugada passada. Provavam que ele não sonhara embora na tela estivesse a sereia como se dali jamais tivesse se ausentado.
Levantando-se rapidamente da cama ele caminhou até a pintura.
Observou-a mais atentamente. Deteve-se em cada pequenino detalhe como nunca fizera antes.
Então, tomado por um espanto agradável pelas futuras possibilidades ali escondidas, pode perceber com toda clareza que na expressão da linda mulher do mar havia agora um brilho novo.
Havia no olhar da jovem sereia a segurança. Lá estava o mesmo brilho que se pode ver nos olhos de qualquer mulher que descobriu um grande segredo.
O maravilhoso e tão desejado segredo de como realmente fazer amor.
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Amiga Déia
Que lindo texto! Fica a dúvida do ocorrido,e os possíveis fins: tará sido um sonho? Mais tarde, a sereia levará o seu amor para as profundezas do mar, como na lenda? Lindo conto! Muito bem desenvolvido em palavras e períodos fáceis de ler. Continue escrevendo porque vc tem futuro! (rs rs rs)
Beijos Sonia Quartin
Haydée Colussi respondeu:
janeiro 5th, 2009 at 22:36
Soninha querida,
O sonho sempre vale a pena assim como a magia.
Obrigada querida.
Bjs
Haydée
Deia
Que conto mais fantástico.
Muito lindo.
Lembrei-me de quando me apaixonava pelos artistas de cinema e os espalhava pelo meu quarto.
Cada noite dormia com um.
Mas a boquinha do Marlon Brando jamais dormiu sem um beijo.
Seu conto me reverteu ao passado.
Maravilhoso!
Beijos,
lu
Haydée Colussi respondeu:
janeiro 5th, 2009 at 22:40
Querida Lu,
Obrigada pelas palavras dizendo que gostou e que com meus escritos viajou.
Valeu.
Bjs
Haydée.
Oi viva, em tom de gracejo tenho de vontade de dizer:
- Mas que pesadelo tão doce !!!!
Falando sério, bonita história que roço a fronteira do irótico onde o leitor quase consegue sentir o cheiro do prazer no ar
Gostei
Abraço
Oi Elisabete,
Acho que gente ainda não se conhece virtualmente. Já comentei seu trabalho e agora você comenta o meu.
Que bom e obrigada.
Um beijo querida
Haydée