Adeus ano velho, feliz ano novo! – Augusto Vilaça

Por Augusto Vilaça, 29 de dezembro de 2009 11:37

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Passado o dia 25 de dezembro, todos ainda devem estar comendo sanduíches de peru no café da manhã e no jantar e reaproveitando as demais sobras da ceia natalina no almoço. É o momento de nos prepararmos para mais uma rodada de festividades e para a entrada de um novo ano que, como todos sabem, só começa mesmo em fevereiro, depois do carnaval.

Também é inquestionável que o final de mais um ciclo de 365 dias vem sempre acompanhado por alguns clichês indispensáveis para, efetivamente, acreditarmos que o ano acabou e que teremos de prestar mais atenção ao preencher as datas nos cheques pré-datados.

O primeiro deles é aquele arrependimento generalizado. Todos resolvem perdoar o que, até o mês anterior, era imperdoável, mesmo que venham a se arrepender disso já no começo do ano seguinte. Ou seja, é um grandessíssimo círculo vicioso.

Indo adiante, me respondam com sinceridade: quem consegue sobreviver à uma passagem de ano sem o “Especial de Fim de Ano de Roberto Carlos”? Nem mesmo quando pensávamos que a coisa não ia acontecer, por causa do tal problema de coluna, e alguns chegaram a temer que o ano ficaria estagnado, nem mudava para 2010, nem continuava em 2009 (na mesma linha de raciocínio do livro “As intermitências da morte”, de José Saramago), eis que o “Rei” ressurge e grava logo o dito Especial, antes que novas tendências da música (eu sugeriria: Batima e Robison – A dupla dinâmica sertaneja) especulassem em ocupar o seu lugar cativo. E por falar em tendências, saibam que o Roberto Carlos anda tão atualizado que vai cantar uma verdadeira pérola do cancioneiro popular: “Você não vale nada, mas eu gosto de você…”, já imaginaram? Pois tem gente no twitter que não só gostou da ideia como está pedindo para que ele inclua a “Dança do Créu” no show do ano que vem.

Um fim de ano não seria completo se não existissem as retrospectivas, que, na realidade, é uma ótima chance para nos lembrarmos de tudo de ruim que aconteceu: violência, corrupção, escândalos, dinheiro circulando em meias e cuecas (que falta de criatividade! Se fosse num espartilho ficaria bem mais sensual e daria até mais Ibope), operações, com nomes espetaculares (acho que deve ter alguém que fica só pensando nisso…), da Polícia Federal, apagões, tragédias no Brasil e no mundo, morte e surgimento de celebridades, seja graças a analgésicos ou a um vestidinho rosa-pink, e mais uma sorte de mazelas e problemas que só conseguem deixar o fim de ano ainda mais melancólico.

Para completar, este ano não fomos campeões do mundo no futebol, nem no tênis, nem na fórmula 1 (valeu, Rubinho!), não reduzimos a emissão de gases poluentes e, por mais que queiram me convencer de que a economia está fortalecida e a inflação esteja controlada, eu continuo pensando que tem algo de errado com o meu dinheiro, pois, ainda que eu me esforce, ele tende a caminhar na direção contrária ao que os analistas de finanças têm prescrito, mas tenho fé de que sou o único a pensar assim.

Outra coisa que não podemos esquecer são aquelas resoluções de ano novo, que sempre fazemos, entretanto acabam proteladas para o ano seguinte. Eu, por exemplo, não consegui pagar todas as dívidas que pretendia, não melhorei minha alimentação, não estabeleci uma rotina de correr 5 vezes por semana, não comecei uma poupança (o que foi plenamente justificado pelo primeiro item), não escrevi um livro e nem plantei uma árvore. Tudo bem, ano que vem eu tento novamente… já faz 33 (quase 34) anos que a coisa funciona assim comigo e penso que não deve ser tão diferente com vocês.

Mas sigamos em frente, como diria a Globo: “hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou…”. Vamos lá, nos vestir de branco (ou de amarelo, ou de azul, ou o que acharem melhor), comer romãs, guardar fitas amarelas na carteira, pular sete ondas, enfim, vale tudo, só não vale desanimar e perder esperanças no ano que vem chegando. Aproveitem a oportunidade, não apenas para encher a cara e fazer farra até o dia raiar, como também para refletir sobre o ano que passou, não como uma retrospectiva, mas como um aprendizado.

Por fim, como todo texto de fim de ano sempre tem que deixar alguma mensagem de sabedoria, eu não seria diferente:

Em um lugar qualquer no tempo e espaço, um discípulo conversava com seu mestre:

- Mestre, como faço para me tornar sábio?

- Boas escolhas.

- Mas como fazer boas escolhas?

- Experiência – diz o mestre.

- E como adquirir experiência, mestre?

- Más escolhas.

É isso aí, não devemos nos privar de fazer más escolhas, desde que elas nos sirvam de aprendizado e experiência no caminho das boas escolhas que caracterizam os sábios. Assim como eu espero sinceramente que, depois de tantos anos seguidos, alguém possa se tocar de que o “Especial de Fim de Ano do Roberto Carlos” já não é mais uma escolha tão boa assim, a não ser que faça parte de alguma estratégia do governos para que os lares brasileiros desliguem todas as televisões ao mesmo tempo e possamos poupar energia e evitar novos apagões. Bom, se for isso mesmo, tem funcionado bem na minha casa há alguns anos.

A todos os meus siceros votos de um feliz e próspero ano novo.

Do Timor, com carinho,

Gus

Díli, 27/12/09

Augusto Vilaça tem 33 anos e é brasileiro de nascimento, pernambucano de registro, sertanejo de coração, policial por vocação, honesto por convicção, cozinheiro por enxerimento e escritor por falta do que fazer. Querem mais?

Todas as segundas com uma novidade no Blog Notícias de Muito Longe: http://aavs1976.wordpress.com

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11 comentários para “Adeus ano velho, feliz ano novo! – Augusto Vilaça”

  1. Paulo Afonso disse:

    Augusto,

    Feliz 2010 para você e sua família. Que possamos continuar a ler suas deliciosas crônicas, bem elaboradas, que dizem de forma simples e objetiva o que gostaríamos de ler.

    Parabéns pelo seu dom da escrita. Que estejamos juntos em 2010.

    Paulo

    Augusto Vilaça respondeu:

    @Paulo Afonso, O ano de 2009, em que pese tudo o que eu mencionei no texto, me trouxe muitas surpresas boas, entre elas, a chance de integrar a missão em que estou, o que me levou a outras duas coisas muito interessantes: começar a escrever (meu primeiro texto é datado de junho de 2009) e descobrir esse espaço de amigos, onde minhas maluquices são lidas e comentadas com palavras tão gentis.

    A todos, eu desejo que, se esse ano foi bom, o outro seja ótimo. Se não foi bom, que o próximo seja fantástico, maravilhoso e inesquecível, mas lembro a vocês que 90% do nível de satisfação tem a ver com a forma com que nos sentimos e com a expectiva que criamos.

    É fato que quanto mais a gente espera, mais a gente se decepciona. A felicidade se constrói aos poucos, através de pequenos pedaços, e temos pela frente mais 365 dias, cada um com 24 horas, cada uma com 60 minutos, cada um com 60 segundos… para recolher o maior número possível de pedacinhos importantes para montar o grande quebra-cabeças que é ser feliz.

    No próximo ano, viva, ame, odeie, chore, seja feliz e faça os outros felizes. Se não der certo, “Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida… Tente outra vez!”

    Um bom 2010 a todos!

    Ao Paulo, muito obrigado pelo espaço que me foi cedido e por tudo que passamos juntos.

    Do Timor, com carinho,

    Augusto Vilaça.

  2. Ana Lucia disse:

    Augusto,
    O Paulo, nosso timoneiro, falou e disse. Seus escritos são ótimos. Continue levando a sério. Um beijo e um Ano Novo realmente com muita novidade boa. Um beijo, querido. Ana

    Augusto Vilaça respondeu:

    @Ana Lucia, Ana,

    Obrigado pelas palavras, mas tenho de admitir que estou ficando mal acostumado com os comentários, sempre gentis, às vezes fico pensando se eu os mereço realmente…

    Como eu disse na resposta ao comentário do Paulo, descobri a escrita há pouco tempo, meados deste ano, e pretendo continuar por muitos anos ainda. Enquanto tiver alguém que os leia (ainda que seja apenas eu), os textos continuarão a ser produzidos.

    No mais que o ano de 2010 seja ainda melhor do que o de 2009.

    Um grande beijo!

    Do Timor, com carinho,

    Augusto Vilaça.

  3. GUTIE disse:

    GUS

    Nestas alturas estás roncando feito doido.

    A quinta e última etapa do ronco, quase na hora de acordar, é a melhor de todos.

    É o ronco profundo, tão profundo que até o velhinho – o ano de 2009 – que já está nos seus extertores, acabou por acordar e reclamar comigo, por eu estar lendo o teu excelente texto.

    Muito bom mesmo.

    De fato, o velho e repetido Roberto Carlos pode estar na base de 2009, mas ainda é uma grande audiência, máxime quando a terceira idade está se tornando uma grande fatia de nossa população.

    Penso que começou a ficar menos palatável quando saiu da esfera do seu tempo. Ele não tem espaço entre os jovens, deveria continuar no seu cadilac fazendo bi, bi, bi, bi….. e tudo mais. e trazer convidados par cantar músicas daquele tempo, não só da jovem guarda, mas principalmente da inesquecível bossa nova, esta que nunca se envelhece.

    Gus, um feliz ano novo.

    Em 2010, como já contastes, voltarás para o nosso país, ainda um paraíso, pelo seu povo principalmente.

    Quem sabe a gente não se encontra?

    Um grande abraço e muitas felicidades.

    Augusto Vilaça respondeu:

    @GUTIE, Grande amigo Gutie,

    Gosto de várias músicas do Roberto Carlos, falar a verdade é preciso, em especial aquelas que eu não as ouvi quando foram lançadas mas que conheci através da coleção de compactos e LPs de meus pais.

    Acho que, assm como a música brasileira em si, o Roberto Carlos “evoluiu” por um caminho onde perdeu a sua identidade. Há bem pouco tempo, era muito mais fácil ver outras pessoas cantando as músicas dele do que ele interpretando sucessos como “Você não vale nada mais eu gosto de você”.

    Ainda acho que temos tempo para resgatar as grandes emoções, os detalhes das cavalgadas, e de nos lembrarmos dos caracóis dos teus cabelos, já que, na estrada de Santos, que você vai me conhecer.

    Mas, falando sério, ao invés de Batima e Robson (que é uma dupla que existe de fato), eu sugeriria um remake do Globo de Ouro, lembra?

    Bom, finalizando, que 2010 seja ainda melhor do que esse ano possa ter sido. Espero que nos encontremos muitas vezes, não só aqui quanto no Brasil. Estarei em férias na nossa terra maravilhosa entre os dias 10 e 30. Aliás, no dia 10 estarei de molho por algumas horas no aeroporto de Guarulhos, se quiser imprimir e encadernar todas as crônicas que eu escrevi, leva lá que eu autografo, eheheheh.

    Tudo de bom!

    Do Timor, com carinho,

    Augusto Vilaça.

    GUTIE respondeu:

    @Augusto Vilaça,

    Por incrível que pareça, já imprimi.

    Mas infelizmente, estarei viajando pela Europa. Estarei em conferência de Luc Ferry, na França. Depois irei dar um pulinho em Moscou, para visitar um grande amigo meu. Não se conheces: um tal de Wlademir Putin.

    Depois, se der tempo, irei até o México – dar um papo com a família Gutierrez.

    Então, infelizmente, não vai dar.

    Feliz ano novo e boas férias.

  4. Jovimari disse:

    Gus,

    …”eu continuo pensando que tem algo de errado com o meu dinheiro,…” EU TAMBÉM!!!!

    Gostei de todo texto, muito, muito bom. Eu também gosto do RC… e concordo com o Gutie quanto a continuar no seu Cadilac. Gostei mais do outro show que foi em agosto, tinha Erasmo, Wanderléia…

    Beijo e Feliz 2010!

    Augusto Vilaça respondeu:

    @Jovimari, UFA! Achei que era só eu que sofria com isso, eheheheh.

    Também tenho saudades do tempo em que quando falávamos de Roberto Carlos, lembrávamos de: Detalhes, Debaixo dos Caracóis, Cavalgada, Estrada de Santos e por aí vai… E olhe que eu nem tinha nascido quando ele lançou algumas delas…

    Mas vamos ver o que nos reservam para o ano que vem.

    Que seja bem melhor que o que vai terminando.

    Do Timor, com carinho,

    Augusto Vilaça.

    JJCarlassara respondeu:

    Faltou “E que tudo vá para o inferno”

    Abraço,

    JJCarlassara

  5. JJCarlassara disse:

    Caro Augusto,

    Continue não tendo o que fazer para nos brindar a cada dia com suas crônicas ou textos extremamente criativos.
    É melhor não ter o que fazer, e fazer muito, do que aqueles (políticos) que tem muito a fazer e não fazem nada.

    Feliz você e sua família em 2010.

    JJCarlassara

    

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