As mulheres na cultura indiana – Lu Dias
Não deve ser fácil, para uma mulher ocidental, viver num país cheio de crenças, superstições e rituais, onde ela, por exemplo, só pode pronunciar o nome do marido no dia do casamento e, jamais, poderá chamar sua sogra pelo nome.
Uma moça (ou menina) não pode escolher seu pretendente, pois o compromisso da união é com a casta a que pertence e não com seus sentimentos. E, para protegê-la contra a esperteza do coração, nada melhor que lhe providenciar um casamento, o quanto mais jovem possível. Por isso vemos tantas crianças viúvas, sofrendo o martírio do afastamento social.
Normalmente, a esposa vai morar na casa do marido, junto com os sogros e toda a família, servindo aos caprichos da sogra. Deve deixar suas roupas usadas para trás, levando apenas as novas. Essa é uma forma de não ficar apegada à vida anterior e levar sorte para a nova. O mais engraçado, nessa superstição, é que o marido não abre mão de coisa alguma. Trocando em miúdos: a mulher precisa se livrar do apego, mas o homem “never”. Isso que é democracia!!!
A esposa ainda deve usar o mangala (um colar que representa o compromisso de união, fidelidade, lealdade e boa sorte), assim como é um meio de mostrar que está casada. O mangala deve corresponder às nossas alianças, que pulam de uma mão para a outra.
E por falar em aliança (objeto que nunca usei), há uma razão, para mudar de uma mão para a outra. Vejamos (saindo um pouco da Índia):
1- noivos usam aliança na mão direita;
2- casados usam aliança na mão esquerda;
Como é perigoso o uso de aliança em certos tipos de trabalho, ela fica menos tempo na mão direita, passando, após o casamento, para a esquerda, uma vez que a grande maioria das pessoas é destra. Os sinistros são em número bem menor. Penso que, em razão da longevidade dos namoros e brevidade dos casamentos, essa norma deverá mudar logo…risos.
A situação da viúva é uma aberração, pois o “bendito” Código de Manu mais parece um instrumento de flagelo em sua vida. As leis embutidas em tal código dizem que, para honrar a memória do marido, uma viúva “decente” e exemplo moral para toda a família, jamais poderá conhecer o suor de outro corpo. Tem que definhar sozinha, honrando a memória do “digníssimo”, mesmo que esse tenha sido um carrasco em vida. Ela deve ser a personificação do bom exemplo, que é ser uma esposa ideal e devotada.
Mais terrível era a prática do Sati (Sutee), costume antigo, que obrigava a viúva a ser queimada na pira, junto com o corpo do marido. Esse costume teve início durante as invasões islâmicas, quando as viúvas eram queimadas com o esposo, para não se servirem ao invasor. Mas, depois, tal absurdeza passou a ser normal na vida da mulher hindu.
Mesmo que a Constituição indiana nada reze sobre a proibição de uma viúva casar-se de novo, o costume continua. A prática do Sati foi rigorosamente proibida, mas algumas mulheres, principalmente nas aldeias, ainda fogem da lei e a praticam (Eu gosto!).
Segundo certos historiadores, a prática do Sati possui algumas hipóteses:
-
o fato de o homem querer se proteger contra a mulher, com medo de ser assassinado, principalmente via envenenamento, numa sociedade onde a escolha do companheiro é feita pelos pais, ou seja, imposta, muitas vezes com uma cruel desproporção de idade (velho + criança);
-
o desinteresse da família do falecido em manter a viúva, que é vista como um peso morto para essa (ainda que ficando com todos os bens do filho morto).
Grande parte das viúvas, ainda nos dias de hoje, perde o seu prestígio dentro da sociedade hindu, passando por toda sorte de dificuldades. Ou elas ficam na casa da sogra como trastes velhos, ou na “casa das viúvas”, vivendo do que mendigam às margens do Rio Ganges. Devem usar o sari de cor branca, cuja cor só é notada, quando a viúva goza de uma boa posição (normalmente nas classes altas) junto à família, pois as esmolambadas viúvas do Ganges parecem vestir a cor cinza encardida.
Embora a atual presidenta da Índia, Prathiba Patil, seja uma viúva, as superstições, contra essas, continuam arraigadas, como dantes. A ignorância paira acima da lei.
Na Índia, existem bem mais meninos que meninas, fato raro, em quase todo o mundo. E a resposta, para quem quiser saber o porquê, está no fetocídio (retirada ou expulsão do feto, por “livre” vontade), apesar de proibido por lei (já sabemos que as leis na Índia são tão obedecidas, quanto as que vigoram no trânsito).
As famílias continuam prestigiando o nascimento do sexo masculino. Sendo uma tristeza para a linhagem o fato de ganhar só meninas (sem falar no tormento causado pela sogra).
O fetocídio agravou-se com a utilização do exame de ultra-sonografia nas mulheres grávidas, pois ficam conhecendo o sexo do bebê com antecedência. Sendo menina, os pais pedem a sua retirada aos médicos, como se tratasse de um cancro.
Mesmo nas classes mais altas, a visão é a mesma.
O fato é tão grave, a ponto de o governo do país já se preocupar com tal desproporção entre os sexos. E, como medida radical, o exame só pode ser feito em mulheres que tragam risco na gravidez. Mesmo assim, muitos médicos praticam o aborto seletivo, infringindo a lei. Nas camadas, que não podem pagar um obstetra, a criança (menina), na maioria das vezes, é jogada no Rio Ganges, logo após o nascimento.
O mais triste é saber que, em qualquer um dos casos, a decisão é tomada pelo marido, sem que a mulher possa participar, pois sua subserviência a ele não permite contestação. Quer queira ou não, terá que obedecer.
A escassez de mulheres na população indiana já está levando ao compartilhamento de esposa. É comum o irmão mais velho compartilhar sua esposa com os mais novos e com os primos.
Tem-se perguntado sobre o que é ser rechaçada, expressão muito usada na novela “Caminhos das Índias”. Significa que a mulher não será aceita por nenhum pretendente, normalmente por problemas de ordem moral. Como as famílias hindus não aprovam que os filhos fiquem solteiros, ficar encravada é uma triste sina. A vítima será humilhada por todos os entes familiares.
Até a presença de mulheres nos funerais de cremação é impedida. A justificativa é de que elas são muito frágeis na demonstração de seus sentimentos, fato que atrasa a reencarnação do falecido. Penso que elas choram mais por pensar no destino que as aguarda. E não é para chorar?
Mas, como tudo na vida possui uma janelinha positiva, a mulher é tida como a representação de Laksmi (deusa da prosperidade), por isso ela é responsável por guardar a chave do cofre. Resta saber se ela tem acesso ao cofre…
Nota: este texto é uma homenagem a nossos leitores de Portugal, em especial para Vila Real, sempre presente aqui no blog. Obrigada, amigos!
Namastê!
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Lu,
é meio revoltante, e repito isso em quase todos os seus textos… perdoe, que as coisas ainda se desenrolem em uma sociedade como se estivessemos na idade média (e creio que as coisas naquela época ainda eram melhores para as mulheres).
Beiro o descontrole…
Mas, como sempre, vc é maravilhosa em seus textos e sempre nos informa de uma maneira tão cativante que desejo que seus textos não acabem nunca.
Mais uma vez obrigada.
P.S: Li uma poesia sua a alguns dias que me apaixonei, mas por pura falta de tempo não comentei. Isto só prova mais uma vez que vc não é apenas uma boa instrutora, mas conhece bem a arte do uso da pena (como queria….).
Beijos
Lilian Sinfronio
Bem, revoltante é pouco para isto tudo, e esta é + 1 das coisas que me fazem ficar indignada. Ta quase igual a historia do uso do preservativo na África, esta semana vi uma reportagem onde a igreja proibe o uso dos preservativos, afinal….claro vai ver é melhor morrer de Aids do que preservar a propria vida, assim eles não desagradam os ‘deuses’. Q absurdo!!!!!!!!!!!!!!!!
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 11:47
Anônimo
Realmente essas coisas são muito revoltantes.
São bizarras, cruéis, dolosas.
Estou chegando à casa dos 30.000 acessos nestes textos sobre a Índia, sendo lidos no Brasil e em várias partes do mundo.
Significa que muita gente está tomando conhecimento.
E quanto maior for o número de indignados, maiores possibilidades de mudança teremos.
Por isso, temos que enviar estas mensagens para nossos familiares, amigos e colegas, onde quer que estejam.
Vamos fazer uma corrente.
Conto com você.
E a cada um que mandar, peça que repasse.
A internet é um grande veículo, capaz de muitas mudanças.
Temos que embarcar no momento.
Obrigada pelo seu carinho e curiosa para saber o seu nome.
Beijos,
lu
Lílian
A melhor maneira de lutarmos contra tais preconceitos é denunciá-los o máximo possível.
É o que sempre tenho feito.
Estou chegando à casa dos 30.000 acessos nestes textos sobre a Índia, sendo lidos no Brasil e em várias partes do mundo.
Significa que muita gente está tomando conhecimento.
E quanto maior for o número de indignados, maiores possibilidades de mudança teremos.
Por isso, temos que enviar estas mensagens para nossos familiares, amigos e colegas, onde quer que estejam.
Vamos fazer uma corrente.
Conto com você.
E a cada um que mandar, peça que repasse.
A internet é um grande veículo, capaz de muitas mudanças.
Também escrevo poemas.
No blog há muitos.
Basta clicar em “autores”, logo no início da página á direita, e conhecerá toda a minha obra no blog.
São inúmeros poemas.
Obrigada pelo incentivo que sempre me traz.
Com leitores como você, só tenho que aprender a manejar a pena, com muito carinho.
Grande beijo,
lu
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 11:44
Lílian
A cada semana penso que vou terminar essa minha saga, mas aparecem novos assuntos, novos questionamentos.
Acho que devo ir até o final do presente mês.
Beijos,
lu
Lilian Sinfornio respondeu:
março 13th, 2009 at 14:26
Até o final do mês??
Mas pq somente isto?
Nos dê o prazer do conhecimento um pouco mais (sei que é egoismo, mas permita-me…)
Mas se não for falar sobre a índia que seja sobre qualquer outra coisa, mesmo que aparentemente desinteressante.. vc fara com que pareça interessantíssimo, eu sei.
Mais abraços,
Lilian Sinfronio
Paulo Afonso respondeu:
março 13th, 2009 at 16:43
Concordo plenemente.
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 19:18
Paulo Afonso
Vocês já estão precisando descansar um pouco de mim… risos.
Quando penso que não há mais nada a comentar sobre a Índia, eis que surgem novos assuntos.
Logo, logo, estarei dando palestras em todo o país… risos.
Abraços,
lu
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 19:15
Lílian
Pode deixar, acabamos por arrumar outros temas.
É que penso que já estão todos enfarados de tal assunto.
Mas há muitos temas que me encantam.
Não se preocupe, “vocês vão ter que me aturar!”
Beijos,
lu
Também concordo com as qualidades da Lu como pesquisadora e comentarista. Boa demais. Quando acabar esta história da Índia, vamos sugerir outro assunto tão palpitante quanto. Talvez outro povo, a biodiversidade da Amazônia, as pesquisas científicas advindas das descobertas feitas no Projeto Genoma, etc e tal. Todos poderemos lançar nossas ideias e a Lu resolve. Fico só com estas três para não tumultuar o processo. Agora, me acostumei a querer saber coisas que não sabia e estou adorando. Quem mandou, não é?
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 19:11
Hila
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Estou morrendo de rir de suas idéias.
Pra tudo a gente dá um jeito.
Daqui para governadora de Minas é um pulo.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Beijos,
lu
Mário Mendonça respondeu:
março 13th, 2009 at 21:51
Lu
O Aécio tá na frente; inclusive já atropelou ” nostro governadô”.
Abraços
Mário Mendonça respondeu:
março 13th, 2009 at 22:20
Lu
” pensei que Tu tinha dito Presidenta ”
Já pensou que páreo:
- Minha professorinha ( hoje vereadora ), vai dá “trabaio”
- Tu ( seria nossa felicidade )
- A Dilma ( será vice do Aécio, que irá para o MDB ).
Abraço
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 23:43
Mário
Até 2010, dependendo das coisas, posso me lançar presidenta.
Vá preparando o Caixa 2.
Beijos,
lu
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 23:39
Mário Mendonça
Para mim, tanto um quanto outro, não faz diferença.
É a tampa com o balaio.
Beijos,
lu
Paulo Afonso respondeu:
março 13th, 2009 at 19:45
Hila,
Eu havia sugerido à Lu, escrever sobre o BBB, mas ela se revoltou (rsrsrsrsrs). Ainda bem que surgiu a novela. Eu não fazia muita fé, mas quando coincidiu publicar o texto sobre os Dalits no exato momento em que o Márcio Garcia confessou ser um deles… as coisas mudaram.
Sempre vai haver alguma novidade. Precisamos, apenas, ficar atentos e perceber, como a Lu fez.
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 19:58
Paulo Afonso
Prefiro escrever sobre as coelhinhas da Playboy a escrever sobre o inodoro, insípido e insuportável BB.
Você quer que eu queime os meus poucos neurônios?
Um jornalista precisa ter “faro” para dar o “furo”.
Buscar o assunto mais procurado no momento.
Veja o quanto temos aprendido sobre a Índia.
O que aprenderíamos no BBB?
Aquilo é cultura inútil e apelação sexual.
É verdade! O Paulo não fazia muita fé.
No texto O QUE É UM DALIT? ele me disse que iria chegar aos 500 acessos.
Hoje, até o final da novela, acredito que chegue a 10.000.
HARE BABA!
Mário Mendonça respondeu:
março 13th, 2009 at 21:53
Lu
” o que é bbb ” ???
“”" é dá bobo “”" ???
não tenho registro…………..
Fui.
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 23:41
Mário
E faz muito bem!
É a maior porcaria da tv brasileira.
Beijocas!
lu
GUTIERRITOS respondeu:
março 13th, 2009 at 21:57
LU DIAS
Falou e disse tudo.
Eu também tenho a mesma opinião.
Abaixo os BBB.
Paulo, agora com Mamadi nos 30.000, a meta é 40.000.
Enquanto houver a novela, a Lu Dias não terá direito nem a sábados, domingos e feriados.
Férias só depois que terminar a novela.
Viva o Blog Carioca Literatura.
Viva a Lu Dias.
Viva o Paulo
Desculpe-me, mais estou saindo de fininho, pois o trabalho ainda me espera.
Tenho que terminar uma apelação e um embargos de declaração para fazer.
Depois estarei livre para nadar na cachoeira do Paulo Afonso..
Na Índia é a mulher que sofre, aqui no Brasil é o advogado.
Tchau.
Mário Mendonça respondeu:
março 13th, 2009 at 22:14
Gutierritos
” quem mandou não ser amigo do procurador que virou STF, sem ter togado ”
Abraço
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 23:47
Gutie
Você quer matar a Mamadi?
Melhor seria a cerimônia do Sati.
Desse jeito vai cometer um mulhercídio.
E para quem vou apelar?
Quero o embargo de seu comentário.
Depois vou afogá-lo no Rio Ganges…
HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHA
Logo, logo estarei entrando de férias.
Beijos,
lu
Mário Mendonça respondeu:
março 13th, 2009 at 21:57
Hila
Se a Lu escrever sobre o projeto genoma, possivelmente chegará na clonagem, e ai verá que o homem não serve pra nada.
Paulo
” é uma temeridade “
GUTIERRITOS respondeu:
março 13th, 2009 at 22:32
MÁRIO
O único Gilmar que admirei foi o Gilmar dos Santos Neves, goleiro do Timão, que infelizmente terminou a carreira no Santos lá da Vila.
Depois ainda cheguei a admirar o Gilmar, volante raçudo do meio de campo do Timão.
Agora, por favor, nem de leve brinque com esses artigos !
Prefiro trabalhar até nos domingos.
lu dias bh respondeu:
março 14th, 2009 at 23:25
@Mário Mendonça,
meu amigo, não reforce a minha descrença, per favore!
Beijos,
lu
Lu,
A Índia com seus costumes, aberrações sociais, nos choca, e saber que eatamos no século XX, num mundo avançado, onde a tecnologia impera, em sinal de progresso, outra mentalidade, nova geração…
Tudo que você descreve nos parece um pesadelo. Como sofre a mulher na índia, que país selvagem, ignorante, sem nenhuma humanidade!
Parabéns por mais um artigo que nos mostra a real face da Índia, terrível Índia.
Paulo.
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 19:03
Paulo Valença
Apesar de tudo, ainda há pessoas deslumbradas com a Índia.
Como tenho lido muito e pesquisado sobre a quele país, todo o meu encantamento evaporou-se.
O melhor país do mundo é o meu, apesar de suas imperfeições.
Obrigada pelo carinho de sempre.
Beijos,
lu
A mulher indiana que ilustra esse artigo foi retratada por Sandra Honor ( http://telahonors.blogspot.com/2008/02/mulher-indiana_23.html ).
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 19:59
Paulo
Você teve muito bom gosto na escolha da foto.
É deveras maravilhosa!
Parabéns!
lu
Cara Lu,
Lendo seus textos sobre a Índia começo a pensar na nossa grande ignorância sobre os usos e costumes dos outros povos da terra.
Que tal pesquisar a vida na China? E nos paises muçulmanos? E nos paises da África? E na Rússia e demais paises eslavos? E os paises escandinavos?
E no Japão, como será o povo, suas mulheres e tradições milenares?
Você tem assunto para milhares de pesquisas já que sua aceitação é tão grande e você tem uma enorme capacidade de sintetizar e tornar agradável estes assuntos.
Parabéns e continue com seu talento e persistência.
Abrs. do GERALDO MAGELA
lu dias bh respondeu:
março 13th, 2009 at 23:57
Geraldo Magela
Você me deu uma boa idéia.
Como gosto muito deste tipo de assunto, tenho uma vasta literatura `sobre
a China, o Tibet e o Japão (meu padrinho de casamento é japonês. Seus pais jamais aprenderam o Português no Brasil) e o mundo islâmico.
Sobre a Rússia teria que pesquisar muito.
Talvez seja porque eu me envolvo na história e tento levar o leitor a fazer o mesmo.
Tenho um estilo meio irônico.
Um jeito de tornar menos crua a verdade.
Para que ao terminar de ler o texto, o leitor não se sinta muito para baixo.
Assim como você, gosto de aprender e dividir com os outros aquilo que apreendi.
Obrigada pelo seu carinho.
Beijos,
lu
Lu
Com relação as mulheres, entendo que o alcorão as tratam melhor que o código de manu.
Não confundir com os muçulmanos radicais, e nem com a falta de religião ocidental.
Apesar que pra mim, não deveria existir religião.
Abraço
lu dias bh respondeu:
março 14th, 2009 at 0:00
Mário
Sem dúvida alguma.
Estava lendo um livro que trata do Código de Manu, Mosaíco e de Hamurabi.
E, segundo os autores, nenhum outro Código foi tão cruel com a mulher, em toda a história, quanto o Código de Manu.
Mas a história está mudando na Índia, que hoje lidera a computação no mundo..
Não há como conviver com a modernidade e o arcaísmo, ao mesmo tempo, no mesmo lugar.
Beijos,
lu
Lu querida, acho que os leitores estão, de certa forma, incidindo no erro dos norte-americanos, ou seja: julgar culturas e povos distintos, totalmente diferentes em sua visão de vida, até em ritmo interno de vida, a partir de valores nossos, ocidentais. Como se fôssemos o protótipo da civilização.
Tenho minha sérias dúvidas sobre o valor dessa chamada civilização. Uma civilização que detonou duas bombas atômicas, que prosperou à custa de miséria de uma grande parte da humanidade, que fala em democracia mas não hesita em romper com direitos universais em nome de combate ao terrorismo, em manter prisioneiros em cárceres que não admitiria em outras nações, ou em assassinar sem punição um homem inocente sob pretexto de imaginá-lo um terrorista, como o fizeram os ingleses.
Lu, gostaria de ser entendida. Eu não sou vegetariana, não pratico yoga, não sei dançar danças indianas, nunca fui à Índia, jamais seria mulher de Gandhi, enfim, sou uma mulher urbana e ocidental, que acredita em Deus mas tem medo da fragilidade de sua própria fé, mas posso perceber que a Índia tem suas razões, sua cultura milenar que a permitiu sobreviver a todas as invasões e violências sem se perder de seus valores essenciais; antes, conseguiu, caso raro no mundo, resistir ao avassalador processo de marketing dos Estados Unidos e preservar sua cultura.
Por mais estranhos que esses cultos, superstições e regras nos pareçam, creio que não nos cabe julgar. Até porque, estamos muito distantes de ter resolvido de forma digna nossos próprios problemas de violência contra a mulher, contra nossos “harijans”, barbarizando diariamente na nossa bela cidade.
Ver nossas mulheres tentando virar celebridade a qualquer preço, com fama de fácil e oportunista , para não dizer pior, no mundo inteiro, me choca mais do que os problemas da Índia. Talvez porque estão próximos de mim, diferente do oriente, tão distante e tão misterioso.
Pensar que se paga fortunas em telefonemas para um programa chamado BBB é, para mim, absolutamente vulgar. E ninguém critica publicamente.
Desculpe meus pontos de vista, tão conflitantes com a maior parte dos leitores.
Um beijo.
Eliana
lu dias bh respondeu:
março 14th, 2009 at 0:21
Nana
Eu tenho um olhar diferente sobre cultura.
Apenas considero cultura aquilo que não depõe contra a dignidade do ser humano, seja no Ocidente ou no Oriente.
Seja aqui, na China, no Japão ou no Tibet.
Onde houver degradação, eu considero superstição.
E acho que deve ser combatida.
Como foi feito com a tal de raça ariana.
Como é feito com as meninas que possuem os seus clitóris cortados na África, para não sentirem prazer.
Cultura para mim é a que ergue, levanta, alegra, vivifica, dignifica, enobrece.
Caso contrário eu teria que aceitar a cultura do nazismo, a cultura da Inquisição, a cultura da queima de bruxas na Índia, do infanticídio, da dizimação dos índios americanos, incas, astecas e maias, a cultura das
máfias italiana, japonesa, chinesa, a cultura das Cruzadas
Infelizmente, o BBB vem sendo uma “cultura” espalhada em todo o mundo, mesmo nos ditos países civilizados.
O que deve ser combatido.
Assim como o culto aos astros de cinema, esporte, tv, e outros tantos mais.
Cami, a Índia hoje, é o quintal do tio Sam.
Todas as fábricas do tio, mudaram para lá.
Até o IR dos americanos é feito na Índia.
Com mão de obra barata.
E, segundo um livro recente que li, nenhum país explora tanto os seus irmãos quanto os indianos abastados.
Veja, no texto, passado, se não me engano, onde conto o depoimento de uma pessoa que morou e trabalhou na Índia por dois anos.
Vivendo diariamente com indianos.
Penso, que nós ocidentais mitificamos a Índia, como fizemos outrora com a China e o Japão.
Eu mesma, era encantada com esses países.
Hoje, meu pensamento é bem diferente.
Seus pontos de vistas não são tão conflitantes.
É o seu modo de ver a Índia.
E, qualquer mudança, só poderá haver a partir de seu próprio reconhecimento.
Acho muito importante, encontrar maneiras de pensar diferenciadas.
Só nos enriquecem.
Grande beijo e obrigada pelo carinho de aqui expor seu pensamento.
Beijos,
lu
Lu,
Sabe que no sudoeste da Índia existe uma ilha? Bom. Não é bem essa ilha que vem à nossa cabeça, um pedaço de terra cercado de água por todos os lados. É Kerala.
Kerala já foi Calicut. Fica a sudoeste da Índia. À oeste, é envolvida pelo mar. No resto, é a própria terra indiana. Dizem, que Kerala nada se parece com o resto do país. É uma região rica, bela, com costumes mais parecidos com os ocidentais. Algo como o centrão do Piauí e São Paulo. (uma ilha no meio da pobreza, que praticamente não tem mais os costumes arcaicos que são vistos no resto do país.)
Na semana passada, assisti a uma palestra ministrada por uma professora de Yoga que acabava de chegar de Kerala. Ela havia ido lá fazer um curso de Ayurveda. De lá, trouxe um pouco de conhecimento da medicina e muitas fotografias. Paisagens totalmente diferentes das que já havia visto. Fiquei surpresa.
Sobre o mito da vaca em Kerala: a vaca é muito importante porque fornece o leite. É bem cuidada, bem alimentada e vive confinada, mas não tida como “sagrada”. É respeitada pelo que produz. Mas, da vaca não se come a carne.
O gato é outro animal respeitado. As pessoas sempre têm gatos em casa. Porém, nunca dentro de casa. Lá, nunca são acarinhados. Seu valor: protegem as casas dos ratos e outros animais.
Mundo, vasto mundo……..
Beijos,
TT
lu dias bh respondeu:
março 14th, 2009 at 11:58
@Terezinha
Eu entendi… risos.
Não completei corretamente a frase:
“Já tinha ouvido falar em Calicut, mas não como uma ilha…. da modernidade”
A culpa foi minha.
Obrigada pelo carinho da resposta,
lu
TT
Legal essa ilha de modernidade em meio à Índia.
Esta aí um lugar que eu gostaria de conhecer.
Já tinha ouvido falar em Calicut, mas não como uma ilha.
Que boas informações você nos passou.
Quem sabe a nova Índia não toma Kerela como exemplo?
Fiquei feliz ao saber disso, pois significa que as mudanças são possíveis.
Grande beijo e obrigada pelo enriquecimento do texto.
Lu
Lu,
Talvez tenha me explicado mal: referi-me a Kerala como ilha, mas, não no sentido de ilha cercada de água por todos os lados.
Kerala, é um pedaço da Índia que tem como limite a oeste o Mar Arábico e a leste montanhas. É conhecido como terra dos coqueiros e como o maior produtor de especiarias da Índia, aquelas coisas que Vasco da Gama e outros navegadores buscavam lá pelos mil e quatrocentos em Calicut, que hoje tem o nome de Kozhikode.
É uma região que pode ser comparada com os países mais desenvolvidos do mundo ocidental. Tem sua própria cultura e seu próprio idioma, o Malayalam e um índice de alfabetização beirando os 90%. Lá, mulheres têm boa posição social, fazem cursos superior, são doutoras, etc. É a terra do Yoga, da meditação, da Ayurveda, das artes marciais.
Eta mundo véio sem porteras!
Beijos,
TT
lu dias bh respondeu:
março 14th, 2009 at 11:59
@Terezinha,
Veja resposta acima.
Beijos,
lu
Vou ficar atenta para sugerir a próxima pesquisa da Lu. Esses comentários são parecidos com o samba do crioulo doido. Tem de tudo. E tudo misturado. Uma delícia que só o Paulo Afonso fabrica. Comecei a ler hoje um livro do português Luís Miguel Rocha sobre a morte de João Paulo I, o doce cardeal Albino Luciani. Chama-se O Último Papa. Tivesse eu talentos investigativos, esse assunto não me seria indiferente de forma nenhuma. E seria uma maneira de denúnciar para melhorar. Eu amo um livro do Morris West chamado Os Fantoches de Deus, bem como gosto de todos os livros dele que foram publicados no Brasil. Quem sabe, hein Lu? Você entra no universo papal? Aí volto a Roma para ajudar você. Que Roma mexe comigo de verdade. Sabe que quando cheguei pela primeira vez no começo da Via Ápia fechei os olhos e comecei a escutar as passadas dos legionários?
lu dias bh respondeu:
março 14th, 2009 at 12:09
@Hila Flávia,
minha doce Rapunzel, pena que eu não know-how para este assunto.
Sou agnóstica e poderia escrever muita besteira.
Compraria muitas brigas… pois a vida papal, outrora, foi escandalosa.
Mas você sim, escreve maravilhosamente bem e poderia nos enriquecer com tais assuntos.
E possui um extenso conhecimento sobre essa seara.
Há uma escritora maravilhosa que lhe recomendo: Karen Armstrong.
Ele escreve sobre o cristianismo, judaísmo e islamismo.
E de uma maneira fluente e gostosa.
Escreveu EM NOME DO PAI…
Nós íamos adorar seus textos.
Basta fazer o primeiro, que o resto flui.
Escrevi um sobre a Índia que já redundou em mais de 35.
Estou aguardando, com ansiedade.
Beijos,
lu
Amigos
Não deixem de ler o texto maravilhoso AUTO-ESTIMA de Hila Flávia.
É uma viagem fascinante dentro dos nossos sentimentos e maneira de ver a vida.
Beijos,
lu
Hila Flávia respondeu:
março 14th, 2009 at 12:35
@lu dias bh, você é um doce. Minha resposta ao seu comentário foi um testamento. Ficou grande demais. Desculpe o entusiasmo.
lu dias bh respondeu:
março 14th, 2009 at 12:59
Hila
Seus comentários são sempre prazerosos.
Por favor, não me prive deles.
E quanto maior, melhor.
Beijos,
lu
É com certeza de longe um dos melhores textos que eu ja li……..
e melhor que isso!! (por livre e espontanea vontade). Uma vez que só me bastava copiar e colar no word… rsrs
Ja vi muitas pessoas serem criativas em elaboraçoes de textos e redações (eu por exemplo). Mas foi ótimo ler vc tratar de um assunto tão triste com tanta “ironia” e “humor”. Seu texto me lembrou muito a um seriado q eu assisto Gossip Girl (pode se sentir privilegiada por essa comparação), pois as frases ditas em GG, sao tao polemicas q geraram até Comunidades em orkut…
Muito Bom!!!
Amanda
Que bom começar o dia com um elogio deste calibre.
Qualquer escritor famoso ficaria fascinado, agora imagine eu, uma mera aprendiz das letras….
Obrigada!
Amanda, acho que a tristeza não nos ajuda a consertar o mundo.
Apenas nos traz impotência e omissão.
Somente o conhecimento pode nos levar a tomar decisões corretas.
Sempre gostei do estilo irônico, bem dosado, pois além de nos fazer rir do grotesco, ainda nos mostra que podemos participar das mudanças, sem ficar apenas lamentando.
Onde passa o Gossip Girl?
Fiquei curiosa, agora.
Mas a minha alegria será maior ainda, se contar com a sua presença constante.
É bom saber que alguém gosta da maneira como escrevemos.
Um beijo no seu coração,
lu
Oi Lu,
Gostei demais dos seus textos,tanto que fiz questão de reproduzi-lo em meu blog.
Saiba que farei visitas constantes a sua página!
Beijos e parabéns
Sandra
Sandra
Será um prazer.
Acho que tudo de bom que fazemos na vida, deve ser compartilhado.
O seu gesto é uma prova da sua grandeza.
Gosto de pessoas que compartilham.
Quando voltar aqui, deixe o endereço de seu blog.
Beijos,
lu