O futebol não é apenas uma preocupação de técnicos, jornalistas esportivos e torcedores. Hoje se encontra muito mais gente no meio de campo, como economistas e antropólogos, estudando a fundo o esporte que faz sucesso na maior parte do planeta.
Vejamos se as respostas para certos questionamentos estão de acordo com a sua posição em campo:
1 – O time que joga em casa é favorecido pelos juízes?
Segundo a pesquisadora Vanessa Bellíssimo, não resta dúvidas de que a resposta é positiva. Analisando 2.352 jogos do Campeonato Paulista e do Brasileiro ela chegou à seguinte conclusão:
- os de casa levam, em média, dois cartões amarelos por partida, contra três dos visitantes;
- os de casa venceram 1.191 partidas, contra 592 dos visitantes;
- em 2002 a Coréia do Sul (dona da casa) foi beneficiada pela arbitragem ao jogar contra a Itália e contra a Espanha. O que a levou às semifinais;
- entre as seleções, que jogaram em casa e que chegaram até a final, seis venceram: Uruguai, Itália, Inglaterra, Alemanha, Argentina e França. Apenas Brasil e Suécia perderam em tais condições;
- segundo VB, ainda que inconscientemente, o juiz apita pelo time da casa.
2 – Por que outros países apaixonados pelo futebol não são competitivos?
Nesses países o futebol não é tido como um trabalho ou profissão. Não acontece como no Brasil, onde funciona como alavanca de ascensão social em contraposição ao baixíssimo prestígio das carreiras, que exigem estudo.
3 – Por que não para de aparecer bons jogadores no Brasil?
Segundo pesquisas, não se relaciona com o número de habitantes, como comprovam a história da China e da Índia. O fato é que aqui o garoto já nasce respirando e ouvindo futebol. Os escolhidos, além de começarem a jogar muito cedo, ainda têm uma carga muito grande de treinos. São 25 horas de treino semanais de futebol para 25 horas de escola. Sem falar nas peladas dos finais de semana e nos meses de férias. Na Holanda, por exemplo, o horário de treino é que tem que se adaptar à escola (fim da tarde e noite), e o rendimento escolar é sempre levado a sério.
4- A matemática ajuda a ganhar o jogo?
Uns acham que sim, outros que não. França e Alemanha levam a sério as estatísticas, possuindo um arsenal de economistas e matemáticos. Não despregam os olhos dos adversários, fazendo um verdadeiro raio-X de cada jogador e de olho esbugalhado no goleiro. Pelo visto somente a Alemanha fez o dever de casa com os números, pois a França, no atual campeonato, só conhece o número zero (não marcou nenhum gol até agora).
5 – O futebol ficaria melhor se os árbitros contassem com tecnologia para conferir lances difíceis?
A tecnologia está aí à disposição. Vão desde o ponto eletrônico para uso do juiz até o uso de replays em vídeo, para decisão sobre lances polêmicos. Mas, já foi constatado que a tecnologia também comete erros, o que já foi comprovado pelo tira-teima da Globo e da Bandeirante.
6 – Por que é tão comum que um time que joga melhor não vença o jogo?
No futebol, apenas um lance pode definir um jogo, o que não acontece no basquete, no vôlei, no tênis e mesmo no futebol americano. De modo que um time fraco, mas com uma jogada de sorte, pode vencer o favorito (ver Suíça X Espanha). Para muitos, é aí que reside a emoção do futebol.
7- O futebol ficaria melhor com dez jogadores em vez de onze?
Se for olhado o lado técnico, com apenas dez jogadores cada time teria mais espaço, para jogar. Devido às marcações, atualmente os jogadores correm entre 12 e 13 km, sendo que na década de 70 a média era de 5 km. Um jogador a menos de cada lado, redundaria em mais espaços livres, o que tornaria o esporte mais ágil e ofensivo.
8 – Decisões por pênaltis são justas ou pura sorte?
Uns dizem que sim, outros que não, pois envolve preparo físico, emocional e qualidade técnica. Mas o fundamental mesmo é suportar o estresse com a presença da torcida.
9- Por que a Inglaterra sempre fica pelo caminho?
Segundo estudiosos, a seleção inglesa é uma das mais consistentes e regulares das últimas décadas. Mas é preciso vencer menos amistosos e mais semifinais nas Copas (e não comer frango durante o jogo).
10 – Por que alguns jogadores brilham e não jogam nada nas Copas?
Em seus clubes, eles vêm de um trabalho em longo prazo, com colegas que conhecem bem. A agregação a um novo grupo, com um tempo muito pequeno de treinamento, e ter que lutar por resultados imediatos não é fácil para muitos. Nem todos conseguem essa adaptação instantânea. Em seus clubes, os grandes jogadores são o centro das atenções e o esquema tático gira em torno deles. O que não acontece nas Copas.
11 – Dá para confiar em exame antidoping?
Maradona, em 1994, foi protagonista do último incidente, pego com efedrina na urina, ficando proibido de jogar durante um ano. Mas estudiosos alegam que a situação no futuro será difícil, pois hormônios com o DNA do próprio atleta estão sendo desenvolvidos em laboratórios, há dez anos, o que dificulta a identificação de tal irregularidade. De modo que o doping continua acontecendo nos mais diversos esportes.
Curiosidades:
1- A Costa Rica é onde se joga mais futebol proporcionalmente (27% da população).
2- A Croácia e a Noruega possuem o maior número de TVs ligadas em partidas de futebol.
3- A Escócia é uma terra apaixonada por este esporte e foi o primeiro adversário da Inglaterra em 1874.
4- Mesmo nos Estados Unidos, são poucos os jogadores de futebol.
5- O Brasil é o país com o maior número de atletas deste esporte em todo o mundo.
Fonte de pesquisa: Revista Galileu, junho/2010