A magia de teus olhos – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 5 de julho de 2010 19:22

Para Dix e Dudi, com a minha admiração e carinho:

Envoltos em fita violeta guardei teus olhos,
Dois focos de luz, minha prisão permanente,
A capturar-me em suas reluzentes gaiolas,
Cadeias perigosas e concupiscentes.

Perseguem-me, como se fora eu fugitivo,
De modo que os sofridos dos olhos meus
Quedam-se hipnotizados pela irreverência,
Que brota sôfrega das celas dos teus.

Em vão, tento me libertar dos fortes elos,
Que me prendem neste cárcere de fascínio,
Mas os luminares dos olhos teus estampam,
Que não posso me perder dos teus meninos.

Miro as árvores, que se dobram lânguidas,
Embaladas pelo maroto sabor do vento.
Suas folhas transmutam-se em teus olhos,
Guardas negros de meu encantamento.

A lua respinga em mim sua claridade,
De modo a continuar vendo os olhos teus.
Mais uma vez vejo-me preso ao cativeiro,
Destes fachos a me pejar de te dizer adeus.

Estes teus olhos afoitos me perseguem,
Como irreverentes luzeiros em alto-mar,
Dançam, em meio às pedras dos rochedos,
Pra minha frágil nau poderem guiar.

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Que droga de “aviãozinho”! – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 4 de julho de 2010 6:48

O corpo do garoto dilui-se em sangue na calçada,
Mal a noite quente do sábado acabara de romper.
Um emaranhado de olhares petrificados observa,
Tenta tomar ciência do que acabara de acontecer.

Tombou vítima da fúria justiceira dos traficantes.
Nem ao menos teve tempo de esboçar um grito.
A vida vale bem menos que duas pedras de crack.
Os aviões devem correr retos nas pistas do delito.

A mãe anda com passos indistintos após o aviso.
Clama aos céus por justiça à vista do filho morto.
Seus olhos estão repletos de reprovação e agonia.
Foi-se embora o menino, partiu cedo seu tesouro.

A vida já era tecida numa trama de sofrimentos,
Mas havia algumas gotas de esperança e amor.
Agora, nada mais lhe resta a não ser o inferno,
Em que se vê afundada na sua desesperada dor.

Mesmo com os olhos jorrando lágrimas amargas,
Sente a mão fria e calosa da vizinha no seu rosto.
Diz-lhe que a mesma sina tivera o primeiro filho,
Quando, pra seu desagrado, escolhera ser “piloto”.

O coração da sofrida mãe enche-se de vergonha,
Como se fora ela a responsável por tal comoção.
Toma o rosto do filho caçula nas mãos enrugadas.
Tudo ficou cinza, depois que abateram seu “avião”.

As rotas dos garotos pobres são feitas de “pedras”,
Onde nem como “mulas” conseguem se esgueirar.
As grandes naves encontram-se seguras nos céus,
Pois, na pista, os “aviõezinhos” só fazem tombar.

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Uberaba: A Cidade dos Espíritos – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 3 de julho de 2010 0:10

Embora a doutrina espírita tenha sido criada pelo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, cujo pseudônimo é Allan Kardec, no século XIX, o Brasil é o país que tem o maior número de seguidores.

Dentre o conjunto de princípios que regem a doutrina espírita, o mais conhecido pelos leigos é aquele que fala sobre a comunicação direta entre vivos e mortos. O segundo é o poder dos Espíritos na doutrinação dos seres humanos, através dos médiuns, sem distinção de raça ou escala social. De modo que a força do espiritismo, segundo os espíritas, encontra-se na sua universalidade, evitando, assim, cismas ou suscitando ambições tão comuns aos humanos, e na possibilidade de se confrontar as contradições de certos espíritos.

A doutrina espírita reza ainda que o “espiritismo, como verdade, não teme nem a má vontade dos homens, nem as revoluções morais, nem as comoções físicas do globo, porque nenhuma dessas coisas pode atingir os espíritos.”

No Brasil, o berço do espiritismo encontra-se na cidade mineira de Uberaba/MG, onde, curiosamente, há mais centros kadercistas do que igrejas católicas, numa proporção de 54 para 100. Sem dúvida alguma, tudo é fruto do médium Chico Xavier (Francisco de Paula Cândido Xavier), nascido em Pedro Leopoldo/MG, que se mudou para a cidade de Uberaba em 1952 até o ano de sua morte, ocorrida em 2002, deixando um trabalho fantástico.

Segundo palavras do próprio médium, ele psicografou 412 livros ditados por inúmeros espíritos, dentre eles Olavo Bilac e Augusto dos Anjos. Mas seu reconhecimento deu-se, principalmente, ao trabalhar com o espírito do médico cearense Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que viveu no RJ no século XIX, que ele dizia incorporar. Segundo Chico Xavier, Adolfo Bezerra recitava remédios (fitoterápicos) através dele.

A cidade de Uberaba transformou-se no centro do espiritismo durante a vida de Chico Xavier e até hoje, 8 anos após a sua morte, ainda o é. Muitos ali chegam procurando pelos discípulos do grande médium. Normalmente procuram alívio para o trauma gerado com a morte abrupta de alguém da família. Os médiuns contatam o espírito do ente querido e transmitem as mensagens recebidas.

O médium Carlos Antônio Baccelli, com cerca de 100 livros editados (alguns psicografados e outros não) vem sendo o mais procurado, e é tido como o sucessor de Chico Xavier.

Contudo, uma polêmica ronda os centros de Uberaba, suscitada por Eurípedes, filho adotivo do médium. Embora médiuns de renome tenham confirmado que receberam mensagens de Chico Xavier, dentre eles Carlos Baccelli e Celso de Almeida, Eurípedes nega que isso tenha sido verdade. E rebate dizendo que o pai celebrou com ele um pacto antes de morrer, dizendo-lhe que as mensagens, que enviaria ao mundo dos homens, trariam um determinado código. Código esse não constante nas mensagens que ele considera “apócrifas”.

Os médiuns contrários à posição de Eurípedes rebatem trazendo à baila os textos psicografados de Allan Kardec, que não emitem sinais ou códigos e, na sua obra, O Livro dos Médiuns, fala que eles são reconhecidos apenas pela superioridade de suas ideias.

Infelizmente, como acontece em outras doutrinas, aqui também impera a má vontade dos homens, ou seja, a vaidade humana.

Contudo, há que se admirar uma doutrina que prega o amor aos inimigos, de modo que se deve pagar o mal com o bem e que reza que fora da caridade não há salvação, condenando ardorosamente a avareza, tão peculiar a nossos dias, e que incita o cuidado com o corpo e com o espírito, como um todo.

Nota:

O livro As Vidas de Chico Xavier, sua biografia, foi transformada em um filme de grande bilheteria. E seu livro Nosso Lar, com dois milhões de cópias vendidas, está sendo transformado em um filme, que será lançado em setembro próximo.

Fonte de pesquisa:

Wikipédia

Evangelho Segundo o Espiritismo

Revista Veja, Junho/2010

Trailer do filme Nosso Lar

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Gotas de chuva e palavras – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 2 de julho de 2010 5:37

O domingo amanheceu frio e molhado.
Uma chuva fina caía muda e persistente,
Salpicando de água a vida em derredor,
Pondo preguiça no coração da gente.

Ainda de camisola olhava pela janela,
Através dos vidros bordados com água,
O pequeno jardim, um pouco abaixo,
De onde um cheiro de terra emanava.

O frio empurrou-me de volta pra cama.
No chão, O Mundo de Sofia repousava,
No meio de revistas, poemas e jornais.
Meus olhos pelo quarto vagavam.

Alojei meus olhos preguiçosos na janela,
Onde a chuva descia em gotas festivas,
E me deixei levar pelo som e compasso,
Daquelas ágeis e pequeninas divas.

Uma gota caía aqui, outra pulava acolá…
Elas desciam dançando na superfície lisa
Do retângulo de cristal afumado e gélido,
Como bailarinas de uma estação polar.

Mais à frente, uma gota encontrava outra.
Abraçavam-se, formando uma nova pinga,
Bem mais rápida, encorpada e insinuante,
Rolando em direção de outra menina.

Fiquei pensando nas tantas palavras
Que, como gotas eu espalhei pela vida:
Umas com rimas pobres, bem sofridas,
Outras com rimas ricas, desalmadas.

Umas foram se ajuntando às outras,
Como as árvores tecem renda no chão,
Com suas sombras trêmulas e levadas,
Fluindo entre os dedos das mãos.

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Copa do Mundo: Bola na trave e lágrimas – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 30 de junho de 2010 5:41

Os moços chegam compenetrados, cheios de saúde, confiança e júbilo, usando roupas com logotipos de marcas importantes, no auge da juventude, desfilando garbosos em ônibus vistosos, com a certeza de que os olhos do mundo estão voltados para eles. São as estrelas!

Acompanhando os moçoilos, sorridentes, em sua maioria, vem um staff de fazer inveja a reis, presidentes e ditadores. Sem falar nos fãs extremados, que deixam o país da proeminente comitiva, para soltar a voz pelos estádios, onde os seus guerreiros (deixo os “heróis” para o Bial) vão dar o sangue. Pelo menos é o que se espera.

Jogadores, técnicos, preparadores, torcida e Cia são a imagem do deleite. Todo mundo em busca da felicidade plena, que é levar o galardão para casa, no final da batalha campal. Mas, como diria meu avô, é muito pouco farelo para muito pinto, de modo que a peleja é acirrada, para poder colocar a mão no caneco.

A busca pela felicidade costuma esbarrar em caminhos traiçoeiros, cheios de ciladas, de modo que os audazes chibantes vão caindo pela lateral esquerda ou direita, ao longo da caminhada. E não há benzedeiros, curandeiros ou gurus de auto-ajuda que os possam levantar. Perseguir o aprazimento a todo preço pode trazer aborrecimento e problemas para os incautos. O bom mesmo é não contar com o ovo no butico da galinha e ter muita humildade.

A Copa do Mundo é um torneio de tortura medieval, com direito a fantasias, vuvuzelas e mídia. Quem ri hoje, pode chorar amanhã. Corre-se numa corda bamba, onde o paraíso ou o inferno encontra-se dentro de uma rede singela, emoldurada por uma trave, que pode ser motivo de euforia ou de desespero. Na trave!!!!

Diz um ditado popular que quanto mais alto se sobe, mais dolorida é a queda. Quem entende disso muito bem é a Azzurra (seleção italiana). Campeões mundiais em 2006, seus jogadores chegaram à África do Sul, desfilando com seus donairosos paletós Armani, pousando com muita empáfia e sisudez para a mídia e desconjuntando os corações femininos. Mas havia muitas pedras no meio do caminho. Coitados! E eles nem sabiam.

Os meninos italianos entraram em campo com a corda toda, com aquele olhar de rei para os seus súditos. Mas acabaram por amargar um empate com o Paraguai. E, como se não bastasse o placar zerado do confronto anterior, os “ragazzi italiani” empataram, de novo, com a Nova Zelândia. Todo o glamour dos galãs começou a se esvair água abaixo. A Eslováquia tratou de abaixar o topete dos “bambini”, com um placar de 3 x 2. E a Zurra voltou para casa amargando o último lugar no grupo F. Tadinhos!

Chama a atenção o desempenho da América do Sul na atual Copa do Mundo. As equipes sul-americanas tiveram 100% de aproveitamento na segunda rodada, ficando como líderes de seus grupos, enquanto grandes times europeus caíram por terra. Fato que trouxe muita surpresa, uma vez que em 2006 os quatro semifinalistas foram times europeus: França, Portugal, Alemanha e Itália. Quanto à África, seus times continuam bruxuleantes, sem o fulgor do sol africano.

Nos meus parcos conhecimento sobre futebol, chego à conclusão de que, se os países europeus não investirem nos seus jogadores, vão acabar se estrepando. Com a mania de grandeza própria daqueles, que acreditam poder comprar tudo, vão adquirindo os talentos sul-americanos e africanos, por valores que fogem à racionalidade humana, transformando-os em objetos da mais extrema monta, mas que na hora da Copa do Mundo, voltam para servir seus países de origem, deixando o reino em grande desvalimento. Exemplo escancarado da Itália, cujos times, cheios de estrangeiros, ocupam grandes destaques na Europa.

Uma coisa me comove profundamente nas Copas: o choro dos garotões nos gramados. É de cortar o coração ver aqueles moços consternados, após serem eliminados da peleja. Há tanta decepção e dor em seus olhos! Pouco me importa qual seja a camisa usada, mas é uma judiação. Só melhoro o meu astral, quando penso na soma fabulosa que os moçoilos ganham nos gramados do mundo. E nós aqui, labutando para ganhar uns míseros trocados. E a vida é bonita, é bonita!

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O Butim – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 29 de junho de 2010 7:17

Ele espera por ela no lugar combinado.
Em derredor, o vento fresco sussurra.
As folhas fazem cambalhotas na relva.
O parque continua fresco e calmo.

Junto ao gramado, às árvores e arvoretas,
Ele vislumbra o rosto de sua ardente diva.
Sentem-se, agora, no paraíso dos deleites,
Ele, o airoso Adão e ela – a divina Eva.

O sangue flui esperto pelos corpos nus,
Os beijos se atracam num doce embate,
Os seios intumescidos e arfantes se dão,
O gládio em riste embrenha-se no combate.

Nove meses depois nasceu o pequeno Eros,
O butim humano daquela tórrida altercação.

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África do Sul, Apartheid e Futebol – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 27 de junho de 2010 17:13

O futebol é um elemento de união entre as mais diversas culturas do mundo, com sua linguagem específica de alegria, emoção e surpresas. Até mesmo países, antes não afeitos à magia da bola, como Estados Unidos, Índia, Nova Zelândia e China, entre outros, hoje já se mostram visivelmente encantados.

Quem tem o costume de viajar pelas mais diferentes partes do mundo, não mais se espanta ao encontrar garotos jogando bola em campos improvisados ou nos parques abertos, fato muito comum em nosso país, por onde quer que se vá. Portanto, não resta a menor dúvida de que este é o esporte mais difundido em todo o mundo, gozando de uma popularidade, que ultrapassa quaisquer outros.

Nesta Copa do Mundo, o futebol tem um papel agregador de suma importância para a África do Sul, onde convivem inúmeras tribos e 11 idiomas nacionais, país recém saído de uma história turbulenta entre negros e africânderes. A mesma importância traz para o continente africano, o mais sofrido dos cinco da esfera global.

Os africânderes (ou afrikaans) são sul-africanos brancos, descendentes de europeus, que usam como língua o africâner, uma associação entre o holandês arcaico com o inglês e o francês. E que até 1994 tinham o domínio absoluto do país, embora fossem uma minoria. Os negros viviam segregados em bolsões específicos, os bantustões, onde eram controlados e explorados como massa trabalhadora pelos brancos.

Ao segregar os negros nos bantustões, os brancos tinham como objetivo tornar aqueles territórios independentes no futuro, de modo que a África do Sul ficasse para eles, tornando-se uma nação de maioria branca. Tanto é que os negros, que viviam fora dos bantustões, tinham de carregar um passaporte, para circularem dentro do próprio país.

Os negros viviam num sistema de trabalho migrante, que separava os homens de suas famílias por longos meses. De modo que os pais eram impossibilitados de prover suas famílias e passar aos filhos seus valores culturais. E, quando esses voltavam para casa, depois de longa ausência, tinham que se impor através da violência.

A escolha de países, que não se situam entre os grandes da economia mundial, para sediar a Copa do Mundo, tem um significado muito especial para o seu povo, pois provoca em todas as pessoas um sentimento de autoconfiança. Um exemplo disso é o clima que se vê na África do Sul, país que ainda carrega cicatrizes recentes do regime de apartheid.

Além das transformações vistas em todo o país sul-africano, destaca-se o que foi feito em Soweto, cidade segregada, contínua a Johanesburgo, onde a violência explodiu, trazendo o sistema racista para a mídia mundial, de modo que ninguém mais podia ignorar a brutalidade do apartheid, como prisões, exílios, desaparecimentos e mortes violentas. Contudo, nada conseguirá suprimir as injustiças em que viveram inúmeras gerações, sob o manto do racismo, da crueldade, do ódio e do sentimento de não se ter um país.

O tratamento dado aos negros era tão cruel, que os africânderes deram à Bíblia uma nova versão reescrita, para que essa se adaptasse a ideia de que “qualquer um que não fosse branco, não passava de um animal irracional.” Em suma, chegaram a adulterar a Bíblia para fazer valer a visão de grandeza, que supunham ter a raça branca. E, mesmo após a vitória dos negros, militantes da extrema-direita tentaram, através de atentados, negar a realidade de uma África do Sul liberta do apartheid. Para os africânderes a cor da pele determinava a superioridade ou a inferioridade do homem.

A Copa do Mundo tem mostrado a união entre brancos e negros orgulhosos com o país. Assentam-se uns ao lado dos outros, sem a maldita segregação. O que não quer dizer que ainda não haja brancos prisioneiros do passado. Mas esses agora são uma minoria sem voz. Sem falar que, num país onde o hábito da violência enraizada vem de anos a fio, ver a população unida, em torno de um bem comum, já seria suficiente para justificar o país como sede da Copa, auxiliando para que a sociedade sul-africana seja mais justa e pacífica e tenha os olhos voltados para o futuro.

Curiosidades:

1 – Os craques da bola estão ficando cada vez mais altos e pesados. Dentre as razões encontradas pelos cientistas estão o fator genético, a mistura racial e a alimentação.

2 – Características exigidas de um craque de futebol: raciocínio acima da média, memória privilegiada e maior agilidade visual.

3 – A nação vencedora não leva a taça para casa. A estatueta de ouro de 18 quilates fica guardada a sete chaves, em um local desconhecido. O vencedor recebe apenas uma réplica dourada do troféu. Apenas os chefes de Estado e os vencedores da Copa podem segurar o troféu verdadeiro.

4 – O novo estádio de Johanesburgo, com 94 mil lugares, foi inspirado no formato de um pote tradicional africano.

5 – Os brancos possuem, na África do Sul, mais de 80% das fazendas com valor comercial. As reformas, até agora, resultaram em ínfimas parcelas de terra para os negros.

6 – Em Soweto muitos dos residentes ainda carecem de eletricidade e buscam água em baldes.

7 – Nelson Mandela foi o primeiro presidente eleito da África do Sul, sendo responsável pela desintegração dos bantustões. Também criou nove províncias para interligar os grupos étnicos.

8 – Os negros são 79% de uma população de 49 milhões de pessoas na África do Sul. Mas 44% deles ainda continuam abaixo da linha de pobreza contra 0,1% dos brancos.

9 – A AIDS, a tuberculose, a violência e o desemprego ainda são problemas sociais críticos que desafiam a África do Sul.

10 – O anfitrião do país da Copa, Jacob Zuma, de etnia zulu ainda se dirige pelos costumes tribais: possui três mulheres e já ruma em busca da quarta. Só que desta vez foi traído por uma de suas mulheres com um guarda-costas. A ala feminista delicia-se: “Se Zuma pode, por que não ela?”

Fonte de pesquisa: National Geographica/ julho de 2010

Wikipédia

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O cantar da Cotovia – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 27 de junho de 2010 8:10

As primeiras chuvas dissolveram a poeira
De longos meses de uma seca prolongada.
O dia amanhecera claro, de banho tomado,
Saudando a vida em desvairada alegria.

O capim inda estava molhado e nas folhas
Pingos de água reluziam como pingentes.
Os céus enchiam-se de novo com pássaros,
Numa festa de cores, vôos e cantorias.

Porém, minh`alma continuava melancólica,
Acabrunhada por um entorpecimento cruel,
Como se a seca inda rondasse meu frágil ser,
Que se despedaçava numa insana agonia.

Eu me afundava num vórtice de lembranças,
Imagens sufocadas há muito dentro de mim,
Enroladas nos mil véus de minha resignação,
Doridas como o cantar de uma cotovia.

Saudades de tantos anos, sem tempo definido,
Lembranças de tantos tempos, sem ano certo.
Eu pensara ter-me feito amnésica, mas tudo
Estava em mim, apesar da aparente letargia.

Vieram à tona fatos entranhados na memória,
Diálogos mal adormecidos na subconsciência,
Rostos adorados distanciados por tantas razões,
Emergindo num filme de cruciante melancolia.

Meu ser diluía-se em fragmentos de lama ocra,
Vazando lágrimas e amargor por todos os poros.
E eu chorei durante dias e noites, noites e dias.
Sem consolo, sem fé, sem paz ou eupatia.

Numa noite, minha mãe veio de Lá me visitar e
Com sua mão tranquilizadora tocou meu rosto.
Ao amanhecer, senti o cheiro de capim molhado,
E meu ser, apaziguado, voltou à calmaria.

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Prece de Cáritas – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 19 de junho de 2010 12:41

Amigos, eu me ausentarei do blog por uma semana, a partir do domingo, quando farei uma pequena viagem.
Deixo com vocês uma das mais belas preces que conheço.

PRECE DE CÁRITAS

DEUS, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai força àquele que passa pela provação; dai luz àquele que procura a verdade, pondo no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao aflito a consolação; ao doente o repouso.

Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor, que a vossa bondade se estenda sobre tudo que Criastes.

Piedade Senhor, para aqueles que não vos conhecem, esperança para aqueles que sofrem.

Que a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.

Deus, um raio, uma faísca do Vosso amor pode abrasar a terra. Deixa-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão. Um só coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento e amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh! Poder… oh! Bondade… oh! Beleza… oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte alcançar a Vossa misericórdia.

Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós. Dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas, o espelho onde deve refletir a Vossa Santa e Misericordiosa imagem.

Nota

A prece de Cáritas foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro, do ano de 1873.
Cáritas era um espírito que se comunicava através de grandes médicos de sua época.

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O que você gostaria de saber sobre o futebol – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 18 de junho de 2010 1:22

O futebol não é apenas uma preocupação de técnicos, jornalistas esportivos e torcedores. Hoje se encontra muito mais gente no meio de campo, como economistas e antropólogos, estudando a fundo o esporte que faz sucesso na maior parte do planeta.

Vejamos se as respostas para certos questionamentos estão de acordo com a sua posição em campo:

1 – O time que joga em casa é favorecido pelos juízes?

Segundo a pesquisadora Vanessa Bellíssimo, não resta dúvidas de que a resposta é positiva. Analisando 2.352 jogos do Campeonato Paulista e do Brasileiro ela chegou à seguinte conclusão:

- os de casa levam, em média, dois cartões amarelos por partida, contra três dos visitantes;

- os de casa venceram 1.191 partidas, contra 592 dos visitantes;

- em 2002 a Coréia do Sul (dona da casa) foi beneficiada pela arbitragem ao jogar contra a Itália e contra a Espanha. O que a levou às semifinais;

- entre as seleções, que jogaram em casa e que chegaram até a final, seis venceram: Uruguai, Itália, Inglaterra, Alemanha, Argentina e França. Apenas Brasil e Suécia perderam em tais condições;

- segundo VB, ainda que inconscientemente, o juiz apita pelo time da casa.

2 – Por que outros países apaixonados pelo futebol não são competitivos?

Nesses países o futebol não é tido como um trabalho ou profissão. Não acontece como no Brasil, onde funciona como alavanca de ascensão social em contraposição ao baixíssimo prestígio das carreiras, que exigem estudo.

3 – Por que não para de aparecer bons jogadores no Brasil?

Segundo pesquisas, não se relaciona com o número de habitantes, como comprovam a história da China e da Índia. O fato é que aqui o garoto já nasce respirando e ouvindo futebol. Os escolhidos, além de começarem a jogar muito cedo, ainda têm uma carga muito grande de treinos. São 25 horas de treino semanais de futebol para 25 horas de escola. Sem falar nas peladas dos finais de semana e nos meses de férias. Na Holanda, por exemplo, o horário de treino é que tem que se adaptar à escola (fim da tarde e noite), e o rendimento escolar é sempre levado a sério.

4- A matemática ajuda a ganhar o jogo?

Uns acham que sim, outros que não. França e Alemanha levam a sério as estatísticas, possuindo um arsenal de economistas e matemáticos. Não despregam os olhos dos adversários, fazendo um verdadeiro raio-X de cada jogador e de olho esbugalhado no goleiro. Pelo visto somente a Alemanha fez o dever de casa com os números, pois a França, no atual campeonato, só conhece o número zero (não marcou nenhum gol até agora).

5 – O futebol ficaria melhor se os árbitros contassem com tecnologia para conferir lances difíceis?

A tecnologia está aí à disposição. Vão desde o ponto eletrônico para uso do juiz até o uso de replays em vídeo, para decisão sobre lances polêmicos. Mas, já foi constatado que a tecnologia também comete erros, o que já foi comprovado pelo tira-teima da Globo e da Bandeirante.

6 – Por que é tão comum que um time que joga melhor não vença o jogo?

No futebol, apenas um lance pode definir um jogo, o que não acontece no basquete, no vôlei, no tênis e mesmo no futebol americano. De modo que um time fraco, mas com uma jogada de sorte, pode vencer o favorito (ver Suíça X Espanha). Para muitos, é aí que reside a emoção do futebol.

7- O futebol ficaria melhor com dez jogadores em vez de onze?

Se for olhado o lado técnico, com apenas dez jogadores cada time teria mais espaço, para jogar. Devido às marcações, atualmente os jogadores correm entre 12 e 13 km, sendo que na década de 70 a média era de 5 km. Um jogador a menos de cada lado, redundaria em mais espaços livres, o que tornaria o esporte mais ágil e ofensivo.

8 – Decisões por pênaltis são justas ou pura sorte?

Uns dizem que sim, outros que não, pois envolve preparo físico, emocional e qualidade técnica. Mas o fundamental mesmo é suportar o estresse com a presença da torcida.

9- Por que a Inglaterra sempre fica pelo caminho?

Segundo estudiosos, a seleção inglesa é uma das mais consistentes e regulares das últimas décadas. Mas é preciso vencer menos amistosos e mais semifinais nas Copas (e não comer frango durante o jogo).

10 – Por que alguns jogadores brilham e não jogam nada nas Copas?

Em seus clubes, eles vêm de um trabalho em longo prazo, com colegas que conhecem bem. A agregação a um novo grupo, com um tempo muito pequeno de treinamento, e ter que lutar por resultados imediatos não é fácil para muitos. Nem todos conseguem essa adaptação instantânea. Em seus clubes, os grandes jogadores são o centro das atenções e o esquema tático gira em torno deles. O que não acontece nas Copas.

11 – Dá para confiar em exame antidoping?

Maradona, em 1994, foi protagonista do último incidente, pego com efedrina na urina, ficando proibido de jogar durante um ano. Mas estudiosos alegam que a situação no futuro será difícil, pois hormônios com o DNA do próprio atleta estão sendo desenvolvidos em laboratórios, há dez anos, o que dificulta a identificação de tal irregularidade. De modo que o doping continua acontecendo nos mais diversos esportes.

Curiosidades:

1- A Costa Rica é onde se joga mais futebol proporcionalmente (27% da população).

2- A Croácia e a Noruega possuem o maior número de TVs ligadas em partidas de futebol.

3- A Escócia é uma terra apaixonada por este esporte e foi o primeiro adversário da Inglaterra em 1874.

4- Mesmo nos Estados Unidos, são poucos os jogadores de futebol.

5- O Brasil é o país com o maior número de atletas deste esporte em todo o mundo.

Fonte de pesquisa: Revista Galileu, junho/2010

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Tuaregues e camelos – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 17 de junho de 2010 0:10

Este poema é uma homenagem ao povo da África do Sul, que em 16 de junho de 1976, durante um protesto anti-apartheid, que ficou conhecido como “Levante de Soweto”, milhares de estudantes entraram em conflito com a polícia do regime de segregação racial, quando mais de 500 pessoas morreram.

Figuras negras singram o deserto,
Escanchadas em seus fiéis camelos.
Deixam de fora as mãos ressecadas,
E os olhos negros perdidos na areia.

As dunas cobertas pela luz do sol,
São bailarinas da paisagem quente.
Dançam a procura de alguma coisa,
Lá longe, bem além do horizonte.

Os camelos são dóceis navegantes.
Seguem eretos sem mudar a cadência,
Pisando firmes sobre o solo arenoso,
Cheios de uma submissão sem urgência.

Os paredões de poeira, vez ou outra,
Erguem-se rudes, revoltos e afobados,
Fazendo descontinuar a obediente nau,
No seu exaustivo e poeirento traslado.

Poucos homens conhecem aquela rota:
São os hábeis timoneiros do deserto,
Que navegam sérios sobre a areia seca,
Reverberando seu amparo à frota.

Vêem-se ao longe certas agulhas verdes,
Perdidas naquela imensidão sem trégua,
Onde viajantes e seus camelos sedentos
Procuram um oásis em busca de água.

A noite chega com seu véu de negrume.
O céu fica belamente salpicado de estrelas.
A temperatura cai drasticamente no deserto.
Tuaregues e animais descansam na areia.

Nota:
A tragédia ficou eternizada com a imagem de um estudante carregando o corpo do colega Hector Pieterson, de 13 anos, que morreu no massacre. A foto tirada pelo fotógrafo sul-africano Sam Nzima chocou o mundo.

Sam Nzima

Sam Nzima

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