Maria Cristina tinha os cabelos cor do sol e a pele cor de leite. Tinha um sorriso cor de promessas boas e tinha dezoito aninhos, como eu. Tinha uns olhos da cor castanha, ou cor de mel, ou cor de torresmo bem frito, na realidade de seus olhos não me lembro direito, até porque ela sempre os fechava nas horas de falar ou de rir para mim. Talvez fosse míope e eu nem percebesse.
Maria Cristina namorava um camarada que tinha as cores variando entre cor de tempestade com trovões e cor de luvas de boxe já sujas de sangue coagulado de adversários, que nunca permitiu que a ela eu me mostrasse todo avermelhado de paixão juvenil.
Embora revestida desse impermeabilizante protetor contra as pinceladas de vários matizes que a buscavam, Maria Cristina, suavemente pintada, recém saída da adolescência, já sabia ser sedutora e arisca como são as mulheres feiticeiras: agradava e recuava, sem, no entanto, estabelecer negativas definitivas; incentivava, sem conceder; queria ser presente, sem prometer futuro. E por causa dessas suas vontades, ou caprichos, fez-se modelo permanente de meus poemas escritos com a cor verde da esperança, guardados num caderno de capa azul que iria atravessar a minha longevidade.
Pois é, encontrei Maria Cristina ao descobrir esse caderno no meu monte de restos a inventariar, que, afinal, todos possuem. Ao abri-lo, já com seu azul esmaecido, vi-a pendurada onde a deixei, e a esqueci : ao início de cada parágrafo e depois de cada ponto final de meus escritos, como se fossem aspas em negrito.
Por ter sido esquecida, ela nunca me provocou saudades, nem coloriu meu caminho ao longo da vida tocada. Apenas, ao reaparecer dessa forma, tingiu de depressão a minha história processada, pois se materializou ainda com todo o viço de obra recém-criada, em contraponto à minha figura desbotada pelo tempo implacavelmente decorrido.
Sempre se ouviu falar que a prática de sexo emagrecia. Aliás, considerando somente o aspecto do esforço físico, sempre a comparei com uma luta de boxe: se terminada por abandono ou nocaute prematuro, a perda calórica seria mínima. Porém, se desenvolvida normalmente, repleta de “jabs” intermitentes, valeria por uma sessão completa de ginástica aeróbica.
Foi-se a assertiva. Virou lenda.
Pesquisas de especialistas em medicina de exercício, bem como de cardiologistas, indicaram que o sexo regularmente praticado não emagrece, nem cura hipertensão arterial, embora cause euforia, relaxamento, e ajude a manter o coração forte.
Segundo alguns desses profissionais, o embate sexual normal, sem contar as preliminares, dura aproximadamente cinco minutos, contados do início da, digamos, conexão, até o “grand finale”. Conforme seus cálculos, esses cinco minutos se assemelhariam a uma caminhada em ritmo moderado para o mesmo período de tempo. Além do mais, embora muita gente diga que, ao se ter o orgasmo, chega-se ao céu e passeia-se por estrelas, viagem que representaria uma jornada e tanto, os estudos revelaram que o orgasmo equivaleria tão somente à carga calórica despendida no ato de subir um ou dois lances de escada. Nada mais do que isso. Míseros dois lances de escada para tantos músculos utilizados no crispar das faces, no trincar dos dentes, no agitar do corpo, no sussurrar (ou gritar) ui, ui, uis e ai, ai, ais guturais…
Numa análise imediata, pensando-se somente no ato em si, talvez se entenda a lógica científica. Mas não dá para ignorar tudo que antecede e abrange uma relação sexual.
Começando pela preliminar da preliminar, por exemplo: não há dúvida de que ela pode ser muito desgastante. A fase da procura da pessoa pretendida sempre resulta num gasto significativo de energia, vale dizer, de calorias. Mal comparando, essa fase lembra a busca diária da gazela pelo leão feroz e esfomeado, nas savanas africanas. É verdade que há uma queixa generalizada de que os leões de hoje nem são mais tão caçadores e ferozes. Para compensar, as gazelas atuais nem são mais de empreenderem galopantes fugas: trotam, fingindo correr. De qualquer maneira, mesmo para os tempos modernos, essa procura ainda exige uma utilização considerável de esforços.
Mas não para por aí. Uma vez identificada e acessada a conquista (isto é, o leão conseguiu finalmente abordar a gazela), muitos chãos de shoppings serão percorridos, muitas ruas de quarteirões serão pisadas, muitas músicas serão dançadas, antes do sinal verde ser acionado. Mais desgaste, portanto.
Quando o sinal finalmente é concedido, vai-se então para o ritual das preliminares. Se os envolvidos forem muito jovens, elas costumam ser rápidas, muitas vezes são até ignoradas, dão-se preferência aos atalhos, com benefício zero na matéria em questão. Se forem adultos experientes (quem sabe vitaminados), controladores de suas emoções e ansiedades, as preliminares podem ser voluntariamente longas, havendo, com certeza, uma queima calórica considerável, maior do que dizem as pesquisas. Resultado similar aos adultos experientes pode ser alcançado pelos idosos persistentes, pacientes, e ainda com boa memória, mas, nestes casos, seriam preliminares compulsoriamente demoradas. Por isso, recomenda-se que eles sejam assistidos pelos seus médicos, obviamente antes ou depois, não convém durante.
Há uma ressalva nos estudos: se o sexo for praticado diariamente, com bastante intensidade, e por um período razoável de duração (não valem as de rápida consecução) pode haver, sim, o tal benefício de perda calórica.
Como? Prática diária e, cada uma, intensa e prolongada?
Sei não… Como pretendo manter este meu corpinho esbelto, vou continuar fazendo as minhas três corridinhas semanais e, de vez em quando, subir os oito andares do meu prédio. Afinal, o adequado é que cada um tenha o seu programa particular de treinamento, não é o que recomendam os compêndios relativos à preparação física?
Acordo, tomo banho, faço a barba, tomo o café-da-manhã, saio de casa, trabalho, almoço, trabalho, lancho, trabalho, volto para casa, tomo banho, janto e durmo. Nos dias úteis, pego o mesmo ônibus, no mesmo horário, o qual passa sempre pelas mesmas ruas do bairro, conduzindo pessoas que conversam frequentemente sobre os mesmos assuntos. Três vezes por semana, caminho seis quilômetros, invariavelmente usando o mesmo trajeto, equivalente à metade da distância; portanto, voltando sempre ao ponto de partida. Segunda-feira, jogo a pelada semanal com a turma habitual; aos sábados à noite, percorro os mesmos points para jogar conversa fora com os mesmos colegas de baladas. Aos domingos, vejo quase sempre o meu time perder e, toda última semana de cada mês, sofro com o saldo bancário virado.
Puxa vida! É monotonia em excesso! A rotina chega a bocejar, enfastiada! Que pelo menos a água acabe justamente quando os cabelos acabarem de ser ensaboados, que um pesadelozinho bem leve atormente o meu sono, que eu quase seja pego em discreto atentado ao pudor, ao namorar na areia da praia, numa noite sem luar… Tudo isso é aceito se servir para agitar um pouco os dias tão comuns.
Mas, no fundo, é mais do que isso: é necessário que algo verdadeiramente importante aconteça. Anseio pelo sim que nunca é dado, angustia-me o telefonema que nunca acontece, espero o sorriso que não se abre, aguardo desesperançoso a capitulação de alguém diante da minha insistência, procuro insistentemente por uma idéia brilhante que me dê condições de fugir da mediocridade, torço pela materialização de um sonho tantas vezes sonhado, preciso encontrar a Rota 66 que me viaje.
A falta de surpresas é um saco! A repetição do já sabido é um tédio. A sucessão do tempo sem sobressaltos descolore a vida. Quero ser surpreendido pela aceitação ao cargo pretendido, pelo reconhecimento da obra executada, pela notícia da gravidez que nunca é dada, pelo aparecimento de uma paixão repentina e inimaginável.
É verdade que o acaso pode ocasionar um confronto com o indesejado, a exposição perante as incertezas talvez resulte em acontecimentos desagradáveis, feito uma topada aqui, uma demissão ali, um assaltozinho acolá. São os percalços da jornada.
Mas é preferível uma vida de perdas e ganhos, de vitórias e derrotas, de sorrisos e de lágrimas, de afetos e de raivas, do que a passagem do tempo sem emoções, completamente transcorrida em linha reta, como se fosse o marcador cardíaco, num CTI, de alguém que já morreu.
As mulheres do mundo ocidental têm o poder nas mãos. Qualquer pessoa que analise de maneira isenta as relações entre o macho e a fêmea do lado de cá do universo, vai chegar a essa conclusão.
As mulheres decidem a data de casamento, a compra da casa (bairro e dimensões), a decoração do imóvel, o local para passar as férias, o colégio onde os filhos estudarão, a cor do carro da família, os amigos que conviverão com o casal e o clube que frequentarão. A elas cabe, inclusive, decidir sobre a luminosidade do firmamento do casal, determinando em quais ocasiões se procurarão as estrelas habitualmente vistas nas noites iluminadas pelo amor. Aos homens cabem as tarefas de pesquisar, negociar, implorar, barganhar e encontrar meios e fórmulas de tornar as coisas exequíveis. Ou seja, as mulheres fixam as diretrizes; os homens as executam.
Como as mulheres conseguem exercer esse poder? Ora, de maneira inteligente. Pois, há que se reconhecer: elas são muito inteligentes. E explorando essa qualidade, elas usam todos os mecanismos de convencimento que lhes são próprios: candura, meiguice, e seus atrativos decorrentes dos hormônios femininos. Quando, mesmo assim, sentem dificuldades, apelam para as lágrimas, ou então se escoram nas injustas faltas de sensibilidade e compreensão masculinas.
Nenhuma novidade, não é? Engano seu!
Conforme artigo divulgado num jornal de grande circulação, há um arquipélago paradisíaco de 50 ilhas no Panamá, chamado de Kuna Yala ( ou San Blas ), terra dos índios Kunas, homens pequenos semelhantes aos pigmeus africanos, que já habitavam aquelas terras quando os espanhóis chegaram às Américas.
Pois entre esse povo, as mulheres têm mais poderes do que as do resto do ocidente. Lá, embora os homens cuidem dos negócios e da pesca, o dinheiro fica na mão das mulheres. Além disso, elas vendem artesanatos, cuidam da administração do lar e em seus nomes são registradas as moradias dos casais. Acrescente-se que, ao contrair núpcias, ainda sem o casal possuir patrimônio próprio, o marido obrigatoriamente vai morar na casa dos sogros, levando apenas algumas roupas e um machado. Por esse motivo, quando nasce uma filha a alegria da família é maior: é como se houvesse um ganho econômico, pois, mais tarde, haverá um reforço de mão de obra masculina barata.
As mulheres locais, além do poder descrito, são muito vaidosas. Cobrem-se com diversos panos multicoloridos (mais de um por vez), usam pulseiras de contas e miçangas (várias ao mesmo tempo) serpenteando tornozelos, pulsos, antebraços e as batatas das pernas, além de anéis em todos os dedos das mãos e, eventualmente, argolas em seus narizes. Não ficou muito claro na matéria, mas, com certeza, cabe aos homens locais acompanhá-las ao centro comercial do arquipélago, para carregar toda essa parafernália que elas constantemente adquirem. Talvez pelo peso da carga carregada em suas cabeças, durante várias gerações, os homens tenham decrescido em suas estaturas, ao contrário do que acontece nos dias atuais com os homens do resto do mundo.
Ressalte-se que não é mencionado em tal artigo se os homens locais têm direito às suas peladinhas semanais de futebol e aos seus chopinhos de finais de sexta-feira, concessão magnânima oferecida por parte da população feminina cá do mundo ocidental, sendo eles, portanto, aparentemente desprovidos de válvulas de escape que aliviem a dureza de suas vidas.
Diante dessa subjugação física, mental e social por que passam os machos de Kuna Yala, os homens do resto do mundo ocidental deveriam munir-se do sentimento fraternal de solidariedade e atuar em socorro desses indefesos espécimes, soltando um brado contra a opressão por eles vivida e sentida. Assim, para que eles tenham as mesmas condições de vida e idênticos direitos que os demais ocidentais, estes devem, entre outras providências, como, por exemplo, confeccionar abaixo-assinados, soltar em seus benefícios o grito que ecoará por todas as terras e que se espalhará como ondas até refletir naquela sociedade primitiva:
Não sou “expert” em música clássica, mas meus ouvidos e os poros da minha pele são capazes de reconhecer algumas obras primas pelos seus primeiros acordes. E por não ser um profundo conhecedor, nunca me atrevi a entrar numa loja para comprar um disco dessas pérolas, por não saber como escolhê-lo. Claro que identifico o “Bolero”, de Ravel”, o “Noturno” de Chopin”, o “Adágio”, de Albinoni, o “Clair de Lune”, de Debussy. Porém, embaralho-me todo quando as músicas são citadas pelos seus , digamos, registros técnicos de nascimento, tipo, sinfonia número “x”, abertura “ y”, movimento”z” .
Por que disse isso? Porque fui assistir, num sábado enluarado, dia 29 de maio de 2010, a uma apresentação gratuita da Orquestra Sinfônica Brasileira, como parte do Projeto Aquarius, em um palco montado sobre as areias da Praia de Copacabana. Motivo? A comemoração dos 70 anos da OSB.
Não esperava muito. Achava eu que iria ouvir algumas peças conhecidas, outras nem tanto e, provavelmente, na metade do tempo previsto para o espetáculo, de uma hora e quarenta e cinco minutos, dar-me-ia por satisfeito e poderia voltar para casa com o início da noite razoavelmente preenchido por uma atividade cultural.
Ao chegar ao local, tomei logo um susto: um palco gigantesco (71 metros de largura por 32 metros de profundidade) havia sido armado para receber todos os instrumentistas da OSB, mais os componentes do Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, mais solistas e bailarinos que se apresentariam. Contudo, não eram somente as suas dimensões que impressionavam o povo: a sua fachada, com vitrais, colunas, e outros relevos arquitetônicos, lembravam os teatros públicos das grandes cidades. Além disso, dois enormes telões laterais estavam preparados para trazer para próximo do público os detalhes que ele não conseguisse distinguir em face da distância que o separasse do palco, além de um telão no interior do próprio palco, este para receber imagens complementares temáticas das músicas em execução.
Um pouco antes das oito horas da noite o palco e telas se iluminaram, formando um conjunto multicolorido, grandioso, hipnotizando os seis mil expectadores sentados nas cadeiras colocadas pelos organizadores do evento, que estimaram em cem mil o público presente. Portanto, os outros noventa e quatro mil, espalhavam-se pela areia e pela calçada da praia mais famosa do mundo, acomodados da maneira que puderam: ou sentados em suas próprias cadeiras ou em pé. Durante todo o desenrolar, projeções no telão ao fundo do próprio palco, acompanhariam a apresentação, mostrando os motivos diretamente relacionados a cada obra apresentada: pássaros, florestas, mares, cavalos alados, etc, num verdadeiro festival de luzes e cores.
As oito em ponto o maestro Roberto Minczuk, regente da OSB, iniciou o concerto, passeando por jóias da música erudita dos últimos trezentos anos, cobrindo os estilos Barroco, Clássico, Romantismo e Modernismo. Assim, ouviu-se “Aleluia”, de Haendel, “A Primavera”, de Vivaldi, “Jesus, Alegria dos Homens”, de Bach, “Quebra-nozes”, de Tchaikovsky, “O Guarani”, de Carlos Gomes “O Trenzinho Caipira”, de Villa-Lobos, “La Donna è Móbile”, da ópera “Rigoleto”, de Verdi, “Cavalgada das Valquírias”, da ópera “As Valquírias”, de Wagner, e outras, culminando com a “Ode à Alegria”, de Beethoven.
Foram instantes de magia e encantamento, nunca interrompidos, nem desafinados, nada atrapalhou a emoção daqueles momentos: os celulares não tocaram, os gripados não tossiram, as crianças não choraram, as buzinas de carros não foram acionadas, os camelôs não apregoaram suas mercadorias e até as ondas do mar se aquietaram, diria mesmo que viraram marolinhas mais plácidas do que as presidenciais. No entorno, padres, pastores e pregadores, das diversas religiões e cultos, interromperam seus sermões a favor da bondade e da fraternidade entre as pessoas, pois não eram necessários na ocasião: as músicas falavam por eles. Até a lua, “cheiona”, prateada, ficou em segundo plano, sem se sentir injustiçada.
Ao final do programa previamente estabelecido, o maestro se retirou, mas, somente por segundos. Como um astro da música pop, retornou duas vezes, atendendo aos pedidos de bis da plateia. Quais foram as músicas complementares tocadas? Não lembro. Eu estava em transe. Só recordo que na última delas o maestro virou de costas para a sua orquestra e resolveu reger o público que o assistia embevecido, de pé, pedindo que as pessoas batessem palmas a cada compasso, ora lentamente, ora com vigor, conforme o movimento da sua batuta. E assim foi feito. As fragilidades eventuais dos mais idosos foram ignoradas e o vigor muscular dos jovens também. A cadência era idêntica.
Saí dali agradecendo aos que me proporcionaram momentos de êxtase musical e espiritual: ao maestro regente da OSB, Roberto Minczuk; ao maestro preparador do coral, Julio Moretzohn; aos solistas, Gabriella Pace, Edinéia de Oliveira, Atalla Ayan, Savio Sperandio, Pablo de Leon; aos bailarinos, Ana Botafogo e Francisco Timbó; aos componentes da OSB e do Coral; e também ao patrocinador (Vale) e ao apoio e realização do BNDES, Organizações O Globo, Prefeitura do Rio, Ministério da Cultura e aos demais organizadores do evento.
Enquanto caminhava em direção à minha casa, veio-me à lembrança o episódio que me tornou parte dessa história dos 70 anos da OSB. Pois lá pelos idos dos anos sessenta, como integrante do coral do Pedro II, acompanhei a orquestra numa apresentação dentro do nosso colégio. Naquela época, um maestro ainda bem moço, com cabelos compridos iguais aos do cientista maluco do filme “De volta para o futuro”, de sorriso amplo e traços sedutores, causou frisson nas meninas do coral, isto é, nas nossas meninas, causando-nos – a nós, os rapazes do coro – um ciúme não disfarçado. Seu nome? Isaac Karabtchevsky, uma personalidade que ajudou a engrandecer a orquestra.
Pela noite vivida, pela sua história, parabéns, Orquestra Sinfônica Brasileira! Saúde!
Algum tempo depois de haver descoberto que não aterrissei na casa de meus pais, egresso de uma moringa voadora, foi-me dito que eu era um produto do acaso. Que eu poderia ter tido o destino de milhões de irmãos que não tive, desperdiçados em encontros fora de época oportuna, ou em encontros que não existiram. Que, por obra dele, do acaso, eu estava no lugar certo, na hora certa, e era o primeiro da fila, ou o mais resistente na luta pela sobrevivência.
Essa colocação me deixou revoltado. Eu não conseguia aceitar que tivesse nascido sem propósito específico, sem uma finalidade pré-determinada.
Para contrabalançar, a partir desse dia jurei que o acaso não iria também se arvorar em ser o meu condutor perpétuo, que não iria ser preponderante na formação do meu futuro. Para isso, estaria sempre prestando atenção à sua possível presença, principalmente cuidando de não percorrer caminhos aonde ele pudesse me surpreender.
Então, estabeleci as minhas diretrizes:
..A minha vida se conduziria da maneira que eu escolhesse previamente, e disso não abriria mão;
..O acaso inevitável só seria considerado como uma alternativa viável se pudesse ser enquadrado dentro da minha escolha antecipada;
..Sorte ou azar seriam aceitos como fatores de encurtamento ou alongamento do tempo ou da distancia a serem percorridos para o pleno alcance da minha perspectiva: contudo, seriam sempre considerados irrelevantes;
..Trabalho e determinação seriam as minhas ferramentas e meus meios de locomoção;
..Nunca abriria caminhos usando eventual poder econômico possuído, nem a ostentação de luxo que a outros apequenasse. Ao inverso, minha voz nunca clamaria por compaixão ou socorro;
..Para não me tornar uma pessoa egoísta e solitária, estabeleci que seria desejável rodear-me de amigos, não para usar os seus braços ou as suas mentes na consecução dos meus objetivos, mas sim para repartir com eles as minhas conquistas ou os parciais fracassos. Devo confessar que seus ombros foram bons companheiros.
Embora não tivesse considerado essas variáveis como prioritárias, o amor, a paixão e a emoção caminharam sempre ao meu lado e não posso negar que foi muito bom, pois atuaram diretamente na minha sensibilidade, não deixando que meus olhos e meu coração permanecessem áridos perante a beleza, a miséria e as injustiças e por combaterem eventuais inimigos do bem estar, como o rancor, o ódio, as incertezas e o tédio. E, cercado por eles, formamos um grupo parecido com o de uma celebridade atravessando o tapete vermelho de ingresso ao recinto, no qual ela, digo, eu, figura principal escoltada, concorreria ao prêmio de “melhor roteiro”.
Cheguei como planejei.
Algumas pessoas, as quais não consigo compreender perfeitamente, disseram-me que os anjos ajudaram em muitos momentos, pois enquanto eu olhava só para frente, eles cuidavam do meu entorno. Não sei. Não faço qualquer julgamento a respeito.
Porém, em sendo verdade, um dia a gente vai ter a chance de conversar sobre o assunto. Então, eles farão um relatório de suas atuações a meu favor e eu terei a oportunidade de reclamar das furadas em que eles me meteram, ou das que não evitaram.
Assim, roupa suja lavada, e com a sensação da tarefa cumprida, sairemos para tomar umas cervejinhas ou taças de vinho celestiais, sem álcool. E, juntos, cantaremos “My Way”, ou melhor, considerando as suas importantes participações, do “Nosso Jeito”.
Ninguém dá valor ao meu trabalho doméstico. Eu tenho de programar o cardápio diário, fazer a lista de compras para que nada falte, cuidar que as roupas estejam lavadas e passadas e a casa toda limpa, esticar o dinheiro do mês, cuidar que os filhos tenham educação e assumam suas responsabilidades, principalmente o adolescente, que só pensa na sua banda e em meninas, se bobear nem estudar ele quer, ainda bem que ele não tem vícios, e é tão lindo e algumas vezes muito carinhoso, puxou o avô dele, meu pai, e não ao pai dele, meu marido, um sujeito descuidado com a aparência e alem disso muito insensível, nem me procura mais com assiduidade, só quer saber de ficar no sofá assistindo o canal de esportes e tomando cerveja, nem sei onde eu estava com a cabeça ao casar com esse traste.
Pelo marido:
Devo reconhecer: a minha mulher trabalha muito, cuida do lar com um zelo incrível, o cardápio é sempre variado e as refeições muito gostosas, nada falta na despensa, até minhas cervejas sagradas estão sempre geladinhas, não sei como ela tem a paciência de ir três a quatro vezes por semana ao supermercado. A casa vive limpa, as minhas roupas e as das crianças estão sempre lavadas e passadas. Fico cansado só de pensar. E o mais importante, ela consegue tudo isso sem esbanjar muito dinheiro, é até econômica, ao contrário de muitas esposas de amigos meus. Além do mais, é muito agarrada e preocupada com o bem-estar dos nossos filhos, cuida da educação deles com esmero, embora exagere com o menino, nem deixa que ele fique com as suas namoradas aqui em casa, ela esquece que ele precisa ganhar experiência de macho.
Eu tive muita sorte ao casar com ela. Pena que tenha ficado tão desinteressada de sexo assim que se avizinhou a maturidade.
Pelo filho adolescente:
Minha mãe é muita chata, mas reconheço que trabalha muito, e cuida bem de todos. É tremendamente careta a respeito do meu relacionamento com as gatas, mas sempre prepara um “rango” de primeira e mantém meus panos limpos e passados. Vive me abraçando, me beijando, e eu até gosto, menos quando estou perto dos meus camaradas, pois me dá uma vergonha danada. O que mais me incomoda, é a sua implicância com a minha dedicação à música, meus “brothers” da banda até ficam “grilados” quando ela está por perto. Ela não entende que quero viver disso e insiste que eu estude, enche o saco direto com esse assunto, como se estudar fosse a única maneira de subir na vida, existe um monte de exemplos importantes que desmistificam essa pseudo-verdade. E fica num blá, blá, blá sem fim a esse respeito. O dia em eu tiver poder, mudarei a palavra sermão para sermãe, tem tudo a ver.
Apesar de tudo isso eu gosto da minha casa, minha família é muito unida, e meus coroas vivem harmoniosamente, nunca vi o “bicho” pegar entre eles.
Esquecer alguém que significou muito para ti não é difícil: basta valorizar suas imperfeições e minimizar suas qualidades. Dentre os muitos defeitos comuns aos seres humanos, alguns podem ser perfeitamente aplicáveis à pessoa que gostarias de expurgar de teus pensamentos, e mantê-los em evidência deve fazer parte de tua fisioterapia mental diária. Por exemplo: lembrar sua roupa de baixo, suja, largada dependurada no banheiro e do seu hálito quando acordava. Ou ainda, recordar seus destemperos nas discussões, sua irresponsabilidade com os horários, suas manias enervantes, seus lapsos de memória, seus descontroles financeiros e sua falta de raciocínio lógico em questões que, a ti, pareciam tão simples.
Não é nobre, mas tenta sentir também um pouco de raiva. Da pessoa e das forças malignas de algum “Coringa” do desamor; afinal, escangalharam teu coração sem terem dado uma centena e meia de avisos prévios que poderiam evitar a avaria injustificada.
Outra medida passível de se colocar em prática é o alongamento do tempo em que és capaz de afastar a pessoa da tua mente. Começa com um minuto, depois passa para cinco, para dez, para uma hora, para um dia, para uma semana, para um mês… E premia-te, de alguma maneira, por cada etapa alcançada e vencida. Muita gente parou de fumar adotando esse método. Deve funcionar para isso também.
Claro que precisas fazer alguma coisa quando a tua pele sentir a ausência da outra, quando a imagem de seu sorriso aparecer, repentinamente, no sabonete recém- desembrulhado, quando a lembrança do jeito que a pessoa acariciava os teus cabelos arrepiar-te; ou quando, em teu delírio, reviveres os momentos especiais em que fizeram amor de maneira especial, ou recordares de sua língua lambendo os cantos dos lábios, sugando a mostarda sensual escorrida do cachorro-quente comido ao fim de um passeio inesquecível. Nessas ocasiões, pequenos truques podem resolver, como, por exemplo: vai efetuar o fechamento mensal de tuas receitas e despesas, tarefa que sempre ocupa a totalidade da tua massa encefálica, impedindo que nela se instale a zorra das recordações indesejadas. Ou, então, vai chutar uns paralelepípedos ou pedras na rua, vai cozinhar um macarrão instantâneo com bastante jiló, cebola e pimenta; vai fazer um pequeno comício contra alguns de nossos políticos. Aliás, esse último truque é uma terapia e tanto, mesmo que seja feito solitariamente, diante de um resignado espelho da tua casa. Com essas providências, há uma grande probabilidade de afastares de teu pensamento a figura que tanto te perturba.
Complicado mesmo é ignorar algo chamado “sentimento”, nascido em um momento não-identificado plenamente, que se alimentou de algumas coisas aparentemente tão insignificantes, que cresceu internamente como um Alien, e que não quer morrer. Pensando bem, tu nem deves tentar apagá-lo de tua memória; afinal, ele é tua propriedade. É a tua obra. A pessoa era só a moldura; só a pousada da ocasião. Não o renegues, nem tentes abandoná-lo no passado. Ele é um dos companheiros da tua viagem. Procura pensar nele como algo bom que tu plantaste, criaste e curtiste, e cuja existência prova que possuis sensibilidade e emoções na medida adequada. Guarda-o, adormecido, mas não morto, em algum escaninho cerebral. E, assim, bem guardado, poderás reconhecê-lo de imediato quando ele resolver se transmutar para outra história, porque, não tenhas dúvida, ela acontecerá novamente.
Porém, se, em determinado instante miserável, nenhuma medida ou truque ajudar-te a esquecer a imagem que te atormenta, e se essas lembranças fizerem-te oscilar entre a loucura, a demência e a insanidade, resta, tão somente, uma saída: vai até a janela, escancara-a e grita bem alto:
Saio do trabalho por volta de oito horas da noite. Havia sido um dia calmo, nenhum acontecimento me deixou irritado ou nervoso, quase todas as tarefas que se me apresentaram eram rotineiras.
Entro no carro, boto o disco da banda mexicana Maná para tocar pela ducentésima trigésima vez e fico pensando na inutilidade do dia que está terminando: nada aconteceu de destacável, para o bem ou para o mal, e quando a meia-noite chegar ele será apenas mais um risco no calendário.
O carro desliza lentamente pela Praia de Icaraí, em Niterói, e o meu olhar distraído se alterna: ora passeia pelas pessoas que se exercitam no calçadão, ora se deslumbra com a imagem da cidade do Rio de Janeiro à minha direita. As luzes da “cidade maravilhosa”, as silhuetas dos seus prédios e o contorno de suas montanhas, são repousantes.
Subo a Estrada Froes. À minha esquerda, o morro do Cavalão, com uma ou outra mansão encarapitada, não me prende muito a atenção, até o aparecimento de uma lua cheia, completamente redonda, saída repentinamente de detrás dele, como se resolvesse espiar a minha passagem, logo eu, um mortal quase invisível. E, entre sumidas e ressurgimentos do nosso satélite, conforme se desenvolvem as curvas da estrada, percorro aquela via e chego à Praia de São Francisco.
Dobro para entrar na Avenida Presidente Roosevelt em direção à Estrada da Cachoeira. A lua agora se desprendeu do morro deixado para trás e, à minha frente, parece pedir que eu a siga, como se indicando que Alguém importante acabasse de re-encarnar e, em algum lugar adiante, necessitasse da minha presença; ou como se houvesse um pote de dólares a me esperar no fundo de alguma reentrância do morro do Maceió.
– É uma lua, seu idiota! – comento para mim mesmo. Não é uma estrela, nem um arco-iris!
Pense bem, você nem é tão religioso! Além do mais, você deixou de ser criança há mais
de meio século, fica até ridículo relembrar historinha infantil. – continuo falando, aos
murmúrios.
Termino de subir a Estrada da Cachoeira, passo pelo Largo da Batalha e dobro à direita, em direção às praias oceânicas. Em seguida, dois ou três quilômetros percorridos, ela aparece outra vez, por sobre o Morro do Cantagalo, bem acima do Cemitério Parque da Colina. Finjo que nem a vejo, cemitérios não são meus lugares favoritos para olhar ou explorar, mesmo que me tenham convidado a somente conhecê-los, e mesmo que sejam do estilo de campos floridos, tipo área de lazer.
Contudo, continuo a pensar por qual motivo ela vem se mostrar a mim, a todo momento, exuberante e majestosa, em diversos trechos do percurso. Será que deseja me atrair para alguma “furada”, como vingança por eu ter esnobado alguma dragoa a ela simpática, que tenha topado comigo ao longo da vida, depois de ter sido expulsa da superfície lunar pelo seu guardião, o valente São Jorge guerreiro? Ou, simplesmente vaidosa, faz questão de se mostrar bela para que eu, pobre misturador de letras, a homenageie com um texto definitivo? Ou tenta provar ser ainda possuidora do glamour e mistério com que enfeitiçava namorados e artistas sonhadores, antes de ser reduzida a uma simples cobaia sideral por cientistas e navegantes espaciais?
Dobro à direita para descer a serra em direção às praias, depois à esquerda, direita, esquerda, etc. E nessa sucessão de guinadas chego à minha rua, justo quanto o solo do guitarrista do Maná dá a introdução para iniciar a música em homenagem ao nosso herói ambientalista, Chico Mendes. Embico o carro para entrar na garagem, desligo o motor, porém permaneço sentado, de olhos fechados, curtindo as variações das notas musicais e a harmonia existente entre os instrumentos, formando um som impressionante, que se amplia no ambiente fechado e silencioso. Há uma paz dentro e em torno de mim, uma paz semelhante à que se obtém após se conseguir a resolução de algum problema meio insolúvel, ou após se concluir uma tarefa que se demonstrava extremamente complicada, ou, definindo mais adequadamente, uma paz semelhante à sensação de dever cumprido.
Desço do carro, abro o portão de casa e olho para cima. Lá está ela, exatamente em cima da casa, roçando as telhas, formando um círculo plenamente preenchido e com um halo em volta, parecendo uma hóstia meio prateada, meio dourada, como se estivesse abençoando aquele espaço, como se querendo dizer aquilo que eu já sei.
– Oi, eu sou o Anarquista!
– O Anarquista de Bagé?
– Como?
– É, Bagé, aquela cidade que tem um bocado de gaúchos.
– Sei qual é, mas não estou entendendo.
– Você já vai entender, o Veríssimo fala sempre desse personagem que citei.
– Que Veríssimo? O escritor? Se for ele, o personagem é Analista e não Anarquista.
– Desculpe, mas os nomes são parecidos. Mas, para ter certeza, estou falando do escritor que, se
não me engano, é parente afastado do Justo Veríssimo.
– De quem?
– Daquele político bigodudo, que só queria se dar bem.
– Fiquei na mesma, existem vários.
– Um que aparecia sempre na televisão querendo que os pobres se explodissem.
– Não, você confundiu personalidades famosas. O sujeito do bigode televisivo é uma criação humorística do Chico, nada mais do que isso.
– Chico Veríssimo?
– Não, Chico Anísio! Esquece o Veríssimo.
– Está bem. E aí? Seu nome é Anarquista?
– Óbvio que não! É pseudônimo.
– Por quê? É disfarce contra dívidas de jogo? Marido traído? Pensão judicial?
– Nada disso, acontece que escrevo em vários blogs, então uso um pseudônimo para cada um. Mas, anarquista é o meu preferido, até porque adoro cair de pau em cima do governo.
– Quem não gosta?
– Além do mais eu sinto prazer em confundir…
– Parece minha mulher…
– De enrolar…
– Fazia muito isso com o meu patrão, quando era empregado…
– Mas, então? Seu site é muito famoso! Você é o titular? Como é seu nome?
– Modéstia à parte, meu blog é muito bem conceituado, e eu sou o blogueiro único deste espaço. Meu nome é William P. Jardim, mas pode me chamar de Bill.
– Bom, Bill, eu gostaria de participar de seu blog, com alguns trabalhos pessoais.
– Terei imenso prazer em recebê-lo como colaborador, seu Anarquista.
– Pressuponho que existam regras, correto?
– Claro, não podem ser publicados textos preconceituosos ou ofensivos a pessoas, povos ou instituições.
– Muito justo. Pode-se falar sobre sexo?
– Eu evitaria, há leitores e colaboradores bem jovens, muitas mulheres, e também alguns senhores da terceira idade, não convém ficar mexendo com esse assunto, somente se for de uma maneira sutil.
– Deixa pra lá, sexo não combina com sutilezas. Vou procurar escrever sobre algumas outras matérias do meu gosto, por exemplo, atacar as modernidades.
– Você é contra o progresso?
– Em alguns casos, sim. Só pra lhe dar uma amostra, foram instalados sensores nos banheiros do escritório onde trabalho, de modo que as luzes se apaguem quando não houver alguém dentro, com a desculpa de se economizar na conta de luz. Ocorre que, se a pessoa ficar algum tempo lá dentro, imóvel, a luz se apaga e ela fica no escuro. Para que isso não aconteça, é necessário fazer-se algum movimento. Pense bem: há coisa mais prazerosa do que levar o jornal e ficar sentadinho, quieto, atualizando-se nas notícias? Então, nesse caso, pra não acontecer a escuridão, há que se mexer de vez em quando, por exemplo, abanar-se usando o jornal como leque. Você há de convir que, não obstante esse ato oferecer algumas vantagens, como o de refrescar o ambiente fechado, traz o incômodo da interrupção da leitura.
– Realmente, é desagradável.
– Outro assunto que me satisfaz é o de criticar, porém sem ofender, o governo, as oligarquias e os imperialistas em geral, sejam públicos ou privados. Pra você ter uma idéia de meu estilo e meu gosto, aprecio temas como “A Revolução dos Bichos”, “1984”, “Z”, e por aí vai.
– Seu gosto é forte. Não dá pra temperar com “O Pequeno Príncipe”?
– De jeito nenhum, não sou miss.
– Estava brincando. Seja bem-vindo!
Este barquinho me acompanha desde que criei o primeiro site, há 10 anos. Sempre me inspirou e deu muita sorte. Sou o Timoneiro que lá aparece. Sinto-me navegando, singrando os mares, conhecendo novos portos, novas pessoas, exatamente como acontece neste blog. Por causa deste barquinho criei o "Dicas do Timoneiro", que tanta informação importante fornece aos que o visitam, proporcionando um navegar mais tranquilo, seja no mar, seja na web, seja na vida. br>
Recentemente o barquinho descobriu novos portos, navegando pelos mares da informação, em busca da verdade. E nasceu o "Blog do Timoneiro".
Você, que nos visita pela primeira vez, sinta-se em casa. Se gosta de escrever, encontrou o lugar certo. A arte e a cultura são nossos assuntos prediletos.
Seja bem-vindo!
Caro visitante, caso deseje publicar algum artigo de sua autoria, por favor envie para o e-mail participe@almacarioca.net, lendo antes as instruções emCOMO PARTICIPAR.
Os textos aqui publicados são de total responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do editor do blog.
O mesmo se aplica aos comentários.
Direitos Autorais: Ao enviar um texto para publicação, o autor está ciente de que é o único responsável por qualquer violação às leis de direitos autorais. Saiba mais, lendo a nossa Política de Privacidade e Direitos Autorais.
Caso haja neste website qualquer texto, áudio, foto, ilustração ou outro elemento, sem autorização expressa do autor, a menos que seja de domínio público, e com a exceção do direito de citação definido na lei, favor nos informar para que providenciemos sua retirada. Nosso e-mail é: participe@almacarioca.net
Serão recusados textos ou comentários que possam provocar polêmica ou que sejam preconceituosos, ofensivos a pessoas, povos ou instituições.
Para mais informações, leia as instruções disponíveis em "Como Participar".