Peregrinar - Ana Lucia Timotheo da Costa Onde está a felicidade? - Greice da Costa



nov 26

Andei atrás de ti num território selvagem
de pítons, visionários e videntes, no meio
de pessoas de palavras confusas, sem nexo,
nos quatro cantos do Oriente e do Ocidente.

Imaginei selar a paz com um beijo sob
o crepúsculo ou à luz do luar ou, quem
sabe, sob uma nuvem de um azul pálido
espumante, matando esta sede de amar.

Desejei muito mais que o gregarismo
gélido das pessoas em volta; queria só
tua afeição cristalina, e ser contigo
livre, como o alegre vôo das gaivotas.

Em todo lugar, o tempo era marrom
funéreo, a vida parecia um fingimento
turbulento; não havia calor em meu corpo,
que apenas cismava em vagar contra o vento.

A vida cambaleava num mórbido e cruel
desalento, apesar de meu olhar ardente, mas
sem foco certo, de quem já não mais sabe por
quais caminhos terrenos deveria procurar.

Um nó de sangue segurava a voz na garganta,
numa dolorosa avidez de gritar teu nome e,
nessa incerteza doentia, eu me perdia de mim
e de ti, mais e mais, outra vez, outro dia.

Morta de cansaço e de um exasperante vazio,
pus-me a pensar em ti como uma imagem
do meu deleite amoroso, então me abracei
ao ar, e nele apoiei a minha cruenta voragem.

Não há mais a tentativa esperançosa da busca,
nem o acesso desenfreado e louco por tua presença:
existe apenas um prazer refluído e absorto, cheio de
um amor simulado, mas paliativo, pra minha doença.

Eu sei que, igual à malária, essa febre intermitente
rondará minhas emoções vazias, inativas por um breve
tempo, como filhotes criados na servidão mas, que os
prazeres da liberdade, buscarão encontrar, um dia.

Bookmark e Compartilhe

Share/Save

Publicado por Lu Dias Bh \\ tags:

Imprimir Imprimir


17 comentários para “Busca ensandecida - Lu Dias”

  1. Ana Lucia Timotheo da Costa disse: Reply to this comment

    Lu,
    Há sempre uma busca nos seus poemas. Naturalmente instigantes. O grito de liberdade uma constante -’ e ser contigo livre, como o alegre vôo das gaivotas’. Eu só entendo o amor que liberta. Parabéns! Beijo. Ana

    [Resposta]

  2. messias disse: Reply to this comment

    Amigo Moá, não é possível dar uma ajudazinha a Lu, nesta procura insana?!
    Afinal há muitos perigos e nada melhor do que prevenir! Ou é você o objeto maior desta procura! Ha! estes poetas contemporâneos!!!!

    Abç

    [Resposta]

  3. Paulo Valença disse: Reply to this comment

    Lu,
    Sua poesia “Busca ensandecida” nos sensibiliza, nos faz fugir do cotidiano amargo, realista, para o mundo da arte, do belo, do divino. Parabéns!
    Abraço
    Paulo.

    P.S.: Em referência ao meu “A verdade de cada um:”
    Pois é, amiga: o câncer é uma doença sem cura…
    Sofri muito vendo o meu pai podecer e se acabar deste mal, daí lembrando-o, escrevi o conto “A verdade…”
    Quanto ao final, é como já disse à nossa colega Haydée: enquanto o marido segue para o banho, ela, a moça grávida, fica pensando no cunhado, o Dirceu e, em seguida, vai esquentar a comida do marido.
    Perdoe-me não me ter explicado melhor.
    O mesmo.

    [Resposta]

  4. Carlos Manoel Marques disse: Reply to this comment

    Essa sêde não é nunca satisfeita. Mas precisa???

    [Resposta]

  5. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Ana Lucia Timotheo da Costa:

    Aninha

    Você foi ao âmago da questão.
    Eu realmente vivo numa eterna busca.
    E nela estão imersos tantos sonhos.
    Que em vida jamais verei acontecer.
    Pobre de mim.
    Restam-me apenas as minhas bravas companheiras:
    AS PALAVRAS!

    Obrigada pela ternura da visita.

    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  6. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @messias:

    Messias

    A minha procura vai muito além do meu anjo Moá.
    Ela tem a complexidade das mentes inquietas, como a minha.
    Não me contenta só o amor de um homem versus uma mulher.
    Se fosse só isso a vida não teria sentido.
    É preciso buscar mais e mais, para que não nos tornemos omissos.
    Paralisia é sinônimo de indiferença e morte.

    Abraços,

    lu

    [Resposta]

  7. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Paulo Valença:

    Paulo Valença

    Embora o tema central de meu poema seja o amor, na verdade, no seu bojo encontram-se muitas outras procuras, que ficaria impossível denominar.
    Como o amor é universal, faço dele o símbolo de meus poemas.
    Mas esta busca diz respeito à paz, à equanimidade, ao respeito pelo outro, aos direitos humanos e ao amor em todos os corações.

    Agora entendi tudo do seu belo conto.
    Ficou bem claro para mim.
    Obrigada pela visita e um grande beijo,

    lu

    [Resposta]

  8. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Carlos Manoel Marques:

    Marques

    Sim!
    Ela nunca é satisfeita, até em função de nossas imperfeições humanas.
    Mas é necessário que ela jamais pare de incomodar nosso corpo.
    O que significa que ainda estamos vivos.
    Quando nossas buscas se ofuscarem, já não somos mais donos de nosso discernimento.
    Já habitamos o mundo dos esquecidos, dos sem memória, dos sem coração.

    Obrigada pelo carinho de sua visita.
    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  9. Mário Mendonça disse: Reply to this comment

    Querida Lu Dias

    COMPLACÊNCIA.

    Do ponto mais ambíguo do meu quarto
    Pesquiso a complacência que resvala
    na plana aceitação dos privilégios da vida.

    E vejo iluminar-se a solitude das paredes.
    E desenhar-se a forma de alfabetos
    precários como a noite interrompida.

    Mas tenho medo e sinto que se perde
    o que buscamos sem buscar, buscando.
    E sinto no real não o realce, mas a sombra perdida.

    Que vale agora decifrar o enigma
    da persistência dos minutos?
    Cada Instante já vem cheio da grandeza
    de ser a coisa acontecida.

    E cada pensamento já disfarça
    seu ritual de contingência,
    a sua mais nítida certeza de que tudo
    tem seu preço de amor como medida.

    Abraços

    [Resposta]

  10. GUTIERRITOS disse: Reply to this comment

    LU DIAS

    Sua poesia atinge o coração amargurado e triste.

    Foi feita para ele.

    E tem assim a beleza poética que encanta todos amantes da arte literária.

    Você já me conhece e sabe perfeitamente que vivo a esperança, respiro a esperança e adora a esperança.

    Outro dia, até a Cidinha ficou ciumenta. porque achava que estava amando a esperança.

    Outro dia, a Ana Lúcia disse que o poeta é fingidor.

    Eu acho que, lá no fundo do baú, você também tem muita fé e esperança, embora negue, cruzando os dedinhos.

    Mas fazer o que?

    É uma poetisa.

    Parabéns, mais uma vez, pelos seus versos, próprios da excelência.

    Agora, mais uma vez nosso amigo Mário Mendonça trouxe-nos uma pérola:

    Veja, cada vez melhor:

    “E cada pensamento já disfarça
    seu ritual de contingência,
    a sua mais nítida certeza de que tudo
    tem seu preço de amor como medida.”

    É o romantismo escondido na alma de uma pessoa extraordinariamente bela.

    Bonsoir.

    [Resposta]

  11. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Mário Mendonça:

    Mário

    Mil perdões, pois não percebi que o poema fazia parte do comentário.
    Acabei enviando-o para o Paulo Afonso.
    Vamos ver o que ele vai fazer.
    Está lindo.

    Grande beijo,

    lu

    [Resposta]

  12. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @GUTIERRITOS:

    Gutie

    Quisera eu dominar a arte do romantismo para poder fazer para você e a Cidinha, lindos poemas de amor.
    Mas, minhas palavras são selvagens e ferinas, como o espinheiro do agreste.
    Perdoe-me, mas não perco um só momento mergulhada na esperança.
    Considero-a um atraso de vida.
    Mas tampouco me omito.
    Sempre ponho a mão na massa e acho que se eu fizer o melhor possível hoje, não preciso me preocupar com o resultado de amanhã.
    E sem falar que o mundo não atende às minhas ambições.
    Eu sou o sujeito delas.
    Mas sou feliz a meu jeito, embora pareça desastrado a muitos.

    Você leu o resposta do comentário, onde convido a Dix para o levante contra a sua tirania?
    hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah
    Está no post onde falo de casamento, acho que foi ontem.

    Acabei com o meu amiguinho…
    hahahahahahahaha
    Liberdade para Sarita Cidinha Dix!

    Estou num post do blog do Nassa…

    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  13. GUTIERRITOS disse: Reply to this comment

    PREZADA LU DIAS

    A Sarita Cidinha Dix sempre foi uma santa.

    Mas ao contrário do que você pensa, ela tem mais liberdade do que eu, que fico preso aos prazos e arrazoadas quase infindáveis.

    E faz tudo que quer da maneira que acha que deve ser.

    Por isso, Lu, é é dez.

    E eu sou dois.

    [Resposta]

  14. GUTIERRITOS disse: Reply to this comment

    LU DIAS

    E o Mário?

    Você viu a poesia?

    Maravilha.

    [Resposta]

  15. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @GUTIERRITOS:

    Gutie

    Agora você não me engana mais.
    Vou pegar no seu pé.
    Quem sabe irei fazer uma concentração aí na porta de sua casa contra o escravagismo feminino?
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA

    O Mário está cada vez mais afiado na poesia.
    E vejo que faz o gênero mais instigante, mais provocativo.
    Vamos formar uma dupla de dois… risos.
    Mais beijos,

    lu

    [Resposta]

  16. Mário Mendonça disse: Reply to this comment

    Queridos Amigos Lu Dias e Gutierritos

    Este poema não é de minha autoria, recebi de uma colega e resolvi postar no comentário da Lu. Não sei onde vi coincidência. Mas vi.

    Abraços.

    [Resposta]

  17. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Mário Mendonça:

    Mário

    Obrigada pelo lindo poema postado e me desculpe pela gaffe.
    Se você viu é porque há.
    Enxergamos as coisas de acordo com a nossa lógica e as emoções do momento.
    Meu grande beijo,

    lu

    [Resposta]

Escreva um Comentário


Dicas do Timoneiro

Pesquisa personalizada