Andei atrás de ti num território selvagem
de pítons, visionários e videntes, no meio
de pessoas de palavras confusas, sem nexo,
nos quatro cantos do Oriente e do Ocidente.
Imaginei selar a paz com um beijo sob
o crepúsculo ou à luz do luar ou, quem
sabe, sob uma nuvem de um azul pálido
espumante, matando esta sede de amar.
Desejei muito mais que o gregarismo
gélido das pessoas em volta; queria só
tua afeição cristalina, e ser contigo
livre, como o alegre vôo das gaivotas.
Em todo lugar, o tempo era marrom
funéreo, a vida parecia um fingimento
turbulento; não havia calor em meu corpo,
que apenas cismava em vagar contra o vento.
A vida cambaleava num mórbido e cruel
desalento, apesar de meu olhar ardente, mas
sem foco certo, de quem já não mais sabe por
quais caminhos terrenos deveria procurar.
Um nó de sangue segurava a voz na garganta,
numa dolorosa avidez de gritar teu nome e,
nessa incerteza doentia, eu me perdia de mim
e de ti, mais e mais, outra vez, outro dia.
Morta de cansaço e de um exasperante vazio,
pus-me a pensar em ti como uma imagem
do meu deleite amoroso, então me abracei
ao ar, e nele apoiei a minha cruenta voragem.
Não há mais a tentativa esperançosa da busca,
nem o acesso desenfreado e louco por tua presença:
existe apenas um prazer refluído e absorto, cheio de
um amor simulado, mas paliativo, pra minha doença.
Eu sei que, igual à malária, essa febre intermitente
rondará minhas emoções vazias, inativas por um breve
tempo, como filhotes criados na servidão mas, que os
prazeres da liberdade, buscarão encontrar, um dia.
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26 de novembro de 2008 at 8:06
Lu,
Há sempre uma busca nos seus poemas. Naturalmente instigantes. O grito de liberdade uma constante -’ e ser contigo livre, como o alegre vôo das gaivotas’. Eu só entendo o amor que liberta. Parabéns! Beijo. Ana
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 12:27
Amigo Moá, não é possível dar uma ajudazinha a Lu, nesta procura insana?!
Afinal há muitos perigos e nada melhor do que prevenir! Ou é você o objeto maior desta procura! Ha! estes poetas contemporâneos!!!!
Abç
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 14:41
Lu,
Sua poesia “Busca ensandecida” nos sensibiliza, nos faz fugir do cotidiano amargo, realista, para o mundo da arte, do belo, do divino. Parabéns!
Abraço
Paulo.
P.S.: Em referência ao meu “A verdade de cada um:”
Pois é, amiga: o câncer é uma doença sem cura…
Sofri muito vendo o meu pai podecer e se acabar deste mal, daí lembrando-o, escrevi o conto “A verdade…”
Quanto ao final, é como já disse à nossa colega Haydée: enquanto o marido segue para o banho, ela, a moça grávida, fica pensando no cunhado, o Dirceu e, em seguida, vai esquentar a comida do marido.
Perdoe-me não me ter explicado melhor.
O mesmo.
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 15:57
Essa sêde não é nunca satisfeita. Mas precisa???
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 21:04
@Ana Lucia Timotheo da Costa:
Aninha
Você foi ao âmago da questão.
Eu realmente vivo numa eterna busca.
E nela estão imersos tantos sonhos.
Que em vida jamais verei acontecer.
Pobre de mim.
Restam-me apenas as minhas bravas companheiras:
AS PALAVRAS!
Obrigada pela ternura da visita.
Beijos,
lu
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 21:08
@messias:
Messias
A minha procura vai muito além do meu anjo Moá.
Ela tem a complexidade das mentes inquietas, como a minha.
Não me contenta só o amor de um homem versus uma mulher.
Se fosse só isso a vida não teria sentido.
É preciso buscar mais e mais, para que não nos tornemos omissos.
Paralisia é sinônimo de indiferença e morte.
Abraços,
lu
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 21:12
@Paulo Valença:
Paulo Valença
Embora o tema central de meu poema seja o amor, na verdade, no seu bojo encontram-se muitas outras procuras, que ficaria impossível denominar.
Como o amor é universal, faço dele o símbolo de meus poemas.
Mas esta busca diz respeito à paz, à equanimidade, ao respeito pelo outro, aos direitos humanos e ao amor em todos os corações.
Agora entendi tudo do seu belo conto.
Ficou bem claro para mim.
Obrigada pela visita e um grande beijo,
lu
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 21:17
@Carlos Manoel Marques:
Marques
Sim!
Ela nunca é satisfeita, até em função de nossas imperfeições humanas.
Mas é necessário que ela jamais pare de incomodar nosso corpo.
O que significa que ainda estamos vivos.
Quando nossas buscas se ofuscarem, já não somos mais donos de nosso discernimento.
Já habitamos o mundo dos esquecidos, dos sem memória, dos sem coração.
Obrigada pelo carinho de sua visita.
Beijos,
lu
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 22:25
Querida Lu Dias
COMPLACÊNCIA.
Do ponto mais ambíguo do meu quarto
Pesquiso a complacência que resvala
na plana aceitação dos privilégios da vida.
E vejo iluminar-se a solitude das paredes.
E desenhar-se a forma de alfabetos
precários como a noite interrompida.
Mas tenho medo e sinto que se perde
o que buscamos sem buscar, buscando.
E sinto no real não o realce, mas a sombra perdida.
Que vale agora decifrar o enigma
da persistência dos minutos?
Cada Instante já vem cheio da grandeza
de ser a coisa acontecida.
E cada pensamento já disfarça
seu ritual de contingência,
a sua mais nítida certeza de que tudo
tem seu preço de amor como medida.
Abraços
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 23:12
LU DIAS
Sua poesia atinge o coração amargurado e triste.
Foi feita para ele.
E tem assim a beleza poética que encanta todos amantes da arte literária.
Você já me conhece e sabe perfeitamente que vivo a esperança, respiro a esperança e adora a esperança.
Outro dia, até a Cidinha ficou ciumenta. porque achava que estava amando a esperança.
Outro dia, a Ana Lúcia disse que o poeta é fingidor.
Eu acho que, lá no fundo do baú, você também tem muita fé e esperança, embora negue, cruzando os dedinhos.
Mas fazer o que?
É uma poetisa.
Parabéns, mais uma vez, pelos seus versos, próprios da excelência.
Agora, mais uma vez nosso amigo Mário Mendonça trouxe-nos uma pérola:
Veja, cada vez melhor:
“E cada pensamento já disfarça
seu ritual de contingência,
a sua mais nítida certeza de que tudo
tem seu preço de amor como medida.”
É o romantismo escondido na alma de uma pessoa extraordinariamente bela.
Bonsoir.
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 23:25
@Mário Mendonça:
Mário
Mil perdões, pois não percebi que o poema fazia parte do comentário.
Acabei enviando-o para o Paulo Afonso.
Vamos ver o que ele vai fazer.
Está lindo.
Grande beijo,
lu
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 23:34
@GUTIERRITOS:
Gutie
Quisera eu dominar a arte do romantismo para poder fazer para você e a Cidinha, lindos poemas de amor.
Mas, minhas palavras são selvagens e ferinas, como o espinheiro do agreste.
Perdoe-me, mas não perco um só momento mergulhada na esperança.
Considero-a um atraso de vida.
Mas tampouco me omito.
Sempre ponho a mão na massa e acho que se eu fizer o melhor possível hoje, não preciso me preocupar com o resultado de amanhã.
E sem falar que o mundo não atende às minhas ambições.
Eu sou o sujeito delas.
Mas sou feliz a meu jeito, embora pareça desastrado a muitos.
Você leu o resposta do comentário, onde convido a Dix para o levante contra a sua tirania?
hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah
Está no post onde falo de casamento, acho que foi ontem.
Acabei com o meu amiguinho…
hahahahahahahaha
Liberdade para Sarita Cidinha Dix!
Estou num post do blog do Nassa…
Beijos,
lu
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 23:39
PREZADA LU DIAS
A Sarita Cidinha Dix sempre foi uma santa.
Mas ao contrário do que você pensa, ela tem mais liberdade do que eu, que fico preso aos prazos e arrazoadas quase infindáveis.
E faz tudo que quer da maneira que acha que deve ser.
Por isso, Lu, é é dez.
E eu sou dois.
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 23:42
LU DIAS
E o Mário?
Você viu a poesia?
Maravilha.
[Resposta]
26 de novembro de 2008 at 23:49
@GUTIERRITOS:
Gutie
Agora você não me engana mais.
Vou pegar no seu pé.
Quem sabe irei fazer uma concentração aí na porta de sua casa contra o escravagismo feminino?
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA
O Mário está cada vez mais afiado na poesia.
E vejo que faz o gênero mais instigante, mais provocativo.
Vamos formar uma dupla de dois… risos.
Mais beijos,
lu
[Resposta]
27 de novembro de 2008 at 22:32
Queridos Amigos Lu Dias e Gutierritos
Este poema não é de minha autoria, recebi de uma colega e resolvi postar no comentário da Lu. Não sei onde vi coincidência. Mas vi.
Abraços.
[Resposta]
27 de novembro de 2008 at 22:44
@Mário Mendonça:
Mário
Obrigada pelo lindo poema postado e me desculpe pela gaffe.
Se você viu é porque há.
Enxergamos as coisas de acordo com a nossa lógica e as emoções do momento.
Meu grande beijo,
lu
[Resposta]