Camila abandona Ravi e a Índia – Lu Dias

Por LuDiasBH, 23 de julho de 2009 19:00

Apesar da docilidade e meiguice mostradas pela personagem Camila em Caminhos das Índias, não me causou espanto a sua partida para o Brasil, assim que se sentiu desrespeitada pelo marido. Não entro no mérito de definir, se ela estava certa ou errada. Isso fica a critério do julgamento de cada leitor.

O que tento mostrar aqui é o choque de culturas e como somos dependentes de nossas tradições. Mas, por que isso acontece?

Quatro jovens civilizações brotaram e germinaram no terreno da consciência humana, aproximadamente, entre 10.000 e 4.000 a.C.: a helênica, a abraâmica, a indiana e a asiática. E, ao longo dos milênios, elas se transformaram em densas florestas, de maneira tal, que a grande maioria da humanidade abriga-se sob suas copas, nos dias de hoje.

Essas civilizações nasceram em períodos diferentes, de maneiras diferentes e por razões e objetivos, também, diferentes. São as mais importantes civilizações do planeta Terra, abraçando mais de 80% da população, de modo que, qualquer perturbação, dentro delas ou entre elas, traz grandes conseqüências para o nosso mundo globalizado.

Também é interessante notar que as civilizações não permanecem estagnadas no tempo. Não são estáticas. Através dos séculos, elas se fundem em alguns aspetos, enquanto permanecem firmes e rígidas em outros.

O fato, é que cada civilização moldou a própria visão de como a consciência humana deve ser e agir. E, é exatamente por esta questão, que surgem os desentendimentos.

Embora, à primeira vista, enxerguemos nas cilivilizações, apenas o aspeto enriquecedor da diversificação cultural, quando nos aprofundamos com mais acuidade, podemos perceber o quanto os extremismos, dentre elas e entre elas, trouxeram de problemas para o mundo, tornando-o, por demais belicoso na convivência entre os seres humanos.

Em meio a tanta dissonância, encontramos pessoas comprometidas com a paz e, outras, que usam a guerra como uma maneira de submeter essa ou aquela cultura a seus desígnios.

Voltando à personagem Camila, fruto da civilização ocidental, que preserva o sentido da individualidade, é de se esperar que haja confrontos entre ela e o marido Ravi, rebento da civilização indiana, onde os mais velhos definem a vida dos mais novos, num sentido mais forte de coletividade, ainda que imposta.

Na civilização ocidental, as liberdades individuais garantem ao indivíduo gerar a própria vida, sem a preocupação com a avaliação de terceiros. Reza que é a própria pessoa quem constroi a sua história. Podendo ascender ou decair, de acordo com o modo como é capaz de direcioná-la.

Na civilização indiana, acredita-se que a existência individual é amplamente determinada pelo nascimento e pela casta. Assim como, também, um abismo separa o gênero masculino do feminino. Não há opção para desvios.

O destino controla tudo. Não há outro caminho, senão aceitar aquele em que nasceu e seguir nele até o fim de uma etapa de vida.

Quando Camila diz que vai embora, seu marido Ravi não acredita, pois sua cultura diz que a mulher deve ser submissa e tutelada pelo homem. Nasce daí o seu espanto, ao notar que, em vez de apelar, dizendo que vai se sacrificar no fundo do poço, ela busca a liberdade, para resolver seus problemas.

Na verdade, o embate entre Camila e Ravi foi a gota d água, para que a brasileirinha meiga se libertasse de uma postura humilhante e servil, a que se submetia, vivendo entre os Anandas, cuja casa, com suas tradições e costumes, vem desabando.

Culturas diferentes levam a comportamentos diferenciados.

Já lidamos com pequenas e incômodas diferenças dentro do país, de um Estado para outro, imaginemos isso numa escala infinitamente maior. Portanto, a relação harmônica dos dois, não se trata do certo ou do errado, para continuar existindo. Mas, apenas, da adaptação ou interação de dois mundos culturais em que se encontraram e se envolveram.

A saída compete apenas a eles (e a Glória Perez… risos).

Beijos no coração!

Nota: o meu texto é uma homenagem às leitoras Luzia, que namora um indiano, e a Luana que está apaixonada por outro. Olho vivo, meninas!

Fonte de pesquisa: O Caminho do Meio/ Lou Marinoff/ Editora Record

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21 comentários para “Camila abandona Ravi e a Índia – Lu Dias”

  1. Lu Dias Bh disse:

    Paulo Afonso

    A foto está deslumbrante!
    Are Baba!

    Obrigada,

    lu

  2. Jovimari disse:

    Lu,

    “O destino controla tudo. Não há outro caminho, senão aceitar aquele em que nasceu e seguir nele até o fim de uma etapa de vida.”

    Que triste!! Mesmo com nossas liberdades é frustrante, em muitos momentos, as nossas escolhas. Sofremos e nos distanciamos de sonhos por que escolhemos caminhos que não nos levam aonde pretendíamos.

    Boas reflexões podemos fazer. E essas meninas apaixonadas, que fiquem com um dedo na Índia e todos os outros aqui no Brasil.

    Beijo!

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Jovimari,

    Jovi

    Você diz:

    “Que triste!! Mesmo com nossas liberdades é frustrante, em muitos momentos, as nossas escolhas. Sofremos e nos distanciamos de sonhos por que escolhemos caminhos que não nos levam aonde pretendíamos.”

    Mas, pelo menos somos nós os donos de nossas próprias decisões.
    Se errarmos ou acertarmos, a escolha foi nossa.
    Podemos recomeçar de um outro jeito.

    O mais triste é saber que outras pessoas podem escolher os nossos caminhos.
    E que não há como nos desviarmos dos sonhos que elas deveriam viver apenas para si.
    Deixando os nossos de acordo com a escolha que fizermos.

    Veja bem, se a Camila errou, pelo menos ela vivenciou parte de seu sonho, enquanto a Maya, coitada, é um joguete do destino.

    Lindinha,
    obrigada por sua presença carinhosa.

    Grande beijo,

    lu

    Jovimari respondeu:

    @Lu Dias Bh, Sim, concordo plenamente. Minha intenção também foi dizer isso, mesmo que seja frustrante, podemos escolher, mudar, recomeçar… mais triste é deixar que outros decidam por nós.

    Beijo!

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Jovimari,

    Verdade, amiga!

    Mais beijos,

    lu

  3. Sissi disse:

    Mamadi

    Num certo ponto, a Camila não se adaptou,porque nas casas indianas, não se tem respeito pela individualidade um do outro.
    Are baba! Morar numa casa em que não se pode fechar uma porta e tudo que tem de ser dito entre marido e mulher, todos ficam sabendo, não dá.
    Beijos da
    Si

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Sissi,

    Sim filha,
    o respeito à privacidade do outro, é uma das maravilhas que o ser humano pode gozar, num mundo civilizado.

    Também não aguentaria viver daquele jeito.
    Ao optar por viver numa cultura diferente, é preciso fazer uma boa reflexão depois de conhecer como é o modo de vida ali.

    Obrigada por participar!

    Beijos,

    mamadi lu

  4. Ana Lucia Timotheo da Costa disse:

    Lu querida,
    Certo ou errado assim como ela decidiu ir, decidiu voltar. Mostrou que é dona do seu nariz. Beijo. Ana

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Ana Lucia Timotheo da Costa,

    Aninha

    Também acho que a vida é dela e somente ela poderá decidir o que deve fazer.
    De qualquer forma, está buscando seu próprio caminho.
    Beijos,

    lu

  5. GUTIERRITOS disse:

    LU DIAS

    Não posso conceber um mundo sem o respeito às mulheres.

    Olha, este mundo, na verdade, não teria graça nenhuma sem que as mulheres existissem.

    A Cidinha disse que a Camila fez muito pouco. Deveria, segundo ela, ter dado uma boa sova no tal de Ravi, uns petelecos, que ele saísse com os olhos roxos e ter partido logo para o Brasil e uma semana depois mandar-lhe uma foto, com seu novo amor brasileiro e pronto.

    Gostamos muito de seu texto.

    Parabéns.

    Lu Dias Bh respondeu:

    @GUTIERRITOS,

    A minha resposta hoje vai para a Dix:

    Amiga, você está com a razão.
    Já pensou como deve ser enfadonho casar com uma família e não com o homem escolhido?

    E, depois, sentir que o marido não passa de um joguete na mão dos seus?

    Mulher brasileira não se submete a isso.
    Narrin!

    A Índia deveria estar cheia de Camilas.
    Quem sabe assim, a mulher sairia do servilismo em que se encontra?

    Beijos,

    lu

  6. GERALDO MAGELA disse:

    Lu,
    O que se percebe e, no seu texto está bem claro, o uso das religiões para a dominação dos corações e mentes, na eterna busca do poder, do controle dos povos pelo tempo afora.
    Por que a religião vai proibir a bebida alcoólica? Por

    Lu Dias Bh respondeu:

    @GERALDO MAGELA,

    Magela
    HAHAHAHAHAHAHA

    Vou passar para o texto abaixo.

    Beijos,

    lu

  7. GERALDO MAGELA disse:

    Lu,
    Desculpe a falha mas o texto saiu incompleto.
    Dizia sobre a busca do poder pelas religiões.
    Por que a religião proibe as bebidas alcoólicas? Por que a proibição de se comer carne de porco? Por que o islamismo permite a poligamia?: Por que o catolicismo proibe a poligamia? Por que os padres católicos não podem se casar?
    São sempre legislações feitas para uma determinada época, e nota-se claramente isto na Bíblia. A carne de porco e os frutos do mar, proibidos para os judeus, são facilmente deterioráveis e podem provocar graves epidemias nas suas populações, dai o medo dos judeus para o seu consumo.
    Os árabes, sempre perseguidos durante muito tempo, tinham que ter o direito de se casar com mais de uma mulher para gerar mais filhos e evitar a diminuição da população, sempre envolvida com guerras.
    E dai vai, que o “poder divino” dos reis, grande mentira, para justificar seu domínio e preservação dos privilégios da “nobreza”, do “sangue azul” (rsrsrs!).
    Assim são as tradições, as culturas rígidas e imutáveis, que certamente estão beneficiando as classes dominadoras e poderosas, não é mesmo?
    Abrs. do amigo
    GERALDO MAGELA

    Lu Dias Bh respondeu:

    @GERALDO MAGELA,

    Magela

    Comungo com sua crença.

    Fatos que no passado, fizeram parte de uma cultura, até como forma de preservá-la, depois de passado o perigo, transformam-se em dogmas.

    Ou seja, o poder se apossa deles de forma a eternizá-los, desde que lhe traga mais poder.

    Assim foi e será com essa humanidade ávida de holofotes.

    Falando em reis, eu não consigo imaginar que países como Inglaterra e Espanha, dentre outros, ainda cultuem reis.
    Acho isso o cúmulo do barbarismo.

    Nunca me passou pela cabeça que um homem possa ser superior a outro.
    O poder é uma capa temporária.
    O tempo encarrega-se de transformá-la em farrapos.

    De certa forma, é muito importante esta brevidade da vida.
    Já pensou, se o homem fosse eterno?

    Precisamos ser finitos para combater a nossa infinita prepotência.

    “Assim são as tradições, as culturas rígidas e imutáveis, que certamente estão beneficiando as classes dominadoras e poderosas, não é mesmo?”

    Verdade!
    Sempre!

    Beijos, meu amigo querido.

    Abraços,

    lu

  8. Sandra Bose disse:

    Lu

    Na verdade NAO eh coletividade, pois indianos nao fazem nada pelo bem comum. Eles vivem para a sociedade, ou seja, o que o outro vai dizer e pensar de mim; so isso, mais nada. O que vale sao as aparências, o que a sociedade (parente, vizinhos, amigos, colegas, conhecidos etc) pensa da pessoa.

    Como diria Sarney: “tudo pelo social” hahahahahaha em sentido inverso, claro ;)

    Paz e Luz no seu caminho.

    Profª Sandra
    http://www.indiagestao.blogspot.com
    http://www.respeitoanatureza.blogspot.com

    Lu Dias BH respondeu:

    @Sandra Bose,

    Sandra

    Ninguém melhor de que você para nos passar a realidade desse país.
    Na novela, fica bem claro, esse cuidado com as aparências.
    Haja espiritualidade!

    Beijos,

    lu

  9. messias disse:

    Lu,

    Ainda recentemente fiz dois amigos, um casal, ela brasileira e muito autônoma, ele muçulmano do Libâno. Diverti com ambos na abordagens de diferentes temas. Mas ao que me parece, o território é dela, pois conseguiu trazê-lo para o Brasil – em nome do amor não sei o desfecho desta história -
    Seu texto me fez melhor refletir sobre este simpatico casal.

    messias

  10. Lu Dias BH disse:

    Messias

    A capacidade de ele se adaptar ao Brasil é muito maior do que a capacidade dela aceitar os costumes dele.

    Até o ar é diferente… risos.

    Repasse para eles o endereço do nosso blog e aconselhe-os a lerem as pesquisas sobre a Índia.

    Grande abraço,

    lu

  11. Luzia disse:

    minha querida brigadinho… rsrsr se eu tiver de pular no poço eu pulo p/ cá mesmo..rsrsrsrr é complicado mesmo,as culturas qdo batem de frente é q vemos o qto temos q enfrentar,mas meu love é mais brasileiro do q eu indiana.. eu gostei mto do topico q vc colocou,como o nosso amigo respondeu é mais facil adaptar oas nossos costumes do q nós aos deles,mas vale o esfroço.. TUDOPOR AMOR.. rsr
    eu envie o texto p/ ele..
    imagine a cara q ele ficou rsrsrsr
    mas com jeitinho eu contornei a situação disse q não é bem assssimmmm..rsrs Lu adoro seus artigos sobre a india…
    me ajudou muito …se voce gosta de boas musicas ouve e procure por videos do Adnan Sami… um cantor excelente…estou aprendendo hindi minha amiga…rsrsrs daqui uns anos eu to falando alguma coisa..
    NAMASKAR ………
    bjkas linda..obrigado + uma vez e perdoe por eu não ter lido ok

    Lu Dias BH respondeu:

    @Luzia,

    Luzia

    Não vá ficar arrastando o seu sári pelo chão dos mercados da Índia… risos.

    Se tiver de pular no poço, jogue ele lá dentro e pegue o primeiro avião para c´pa

    Quanto à naja, dê o remédio que a Norminha dá para o marido… risos.

    Passe pelo menos um mês, antes de pintar as mãos com rena.

    A coisa é braba.

    Não deixe de ler o blog Indiagestão (endereço entre os links do blog).
    Aí, irá acompanhar a Índia, diariamente.

    Mas não suma daqui, ouviu mocinha?

    Continue nos dando notícias desse love interracial.

    Beijos,

    lu



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