Braguinha usava o codinome João de Barro, quando não queria se ver publicamente conhecido pelos versos e pela música, que havia produzido.
Uma destas músicas não ganhou muito destaque na época de sua gravação e atualmente quase que restou no esquecimento.
Porém ela é muito importante, pois revela o romantismo que a carta de amor, o grande veículo de nossas confidências, trazia aos corações apaixonados.
A marchinha, guardada no fundo do baú musical, trouxe-me, assim, refletir sobre os dias atuais, quando escrever cartas de amor tornou-se uma raridade.
O atual instrumento na comunicação passou a ser o email, que é rápido e pode, quase instantaneamente, expor as feridas e iniciar o desencontro. E a explosão de ódio e ciúme, sem muito refletir, culmina no teclar veloz, que sepulta o amor.
Quando se escrevia uma carta a quem se amava, o raciocínio era mais vagaroso, delicado, refinado. Pensava-se mais sobre o que se iria escrever e até se chegar ao Correio…muitas vezes se desistia de um ato precipitado e a carta era rasgada.
Havia tempo para se raciocinar, esfriarem-se os sentimentos mais ardorosos da paixão e os raivosos provocados pelo ciúme, tão dolorosos e complexos, que nos levam à tristeza, à amargura e até à hostilidade.
Hoje, o email agiliza nossa impulsividade e exaltação, conduzindo-nos, com extrema facilidade, no ligeiro teclar, ao findar de um idílio, assim… num piscar de olhos !
Este sentimento vem, inclusive, muito bem exposto pela poetisa Lu Dias, que fez, recentemente, uma linda poesia, denominada Bill Gates e o Amor, que menciono seus versos finais:
“A internet tornou tudo tão rápido!
Os sentimentos vêm e dispersam a jacto,
Sem ao menos dizer “Adeus!”.
São prodígios da louvada evolução.
Deixemos Bill Gates cuidar de tudo.
Até mesmo das coisas do coração.”
Os versos da Lu Dias falam muito mais do que todo meu texto.
Realmente, a internet tornou tudo muito rápido tanto que vale a pena lembrar a marchinha de João de Barro, gravada, em 1939, por Carlos Galhardo, mostrando que, na carta, o amor parece ser muito mais forte que hoje.
Talvez nem seja pela carta ou pelo email.
Talvez os motivos tenham origem nestes novos tempos, que nos trouxeram a idolatria pela matéria, onde tudo parece se resumir no desejo de consumo. E a paixão romântica dos nostálgicos tempos revela-se agonizante no homem, que se afasta cada vez mais de seu espírito.
Dá saudade das lindas, deliciosas e dramáticas cartinhas de amor.
CARTINHA COR-DE-ROSA
JOÃO DE BARRO
A cartinha que eu ontem achei,
Na janela do meu bangalô,
Era tua, eu logo adivinhei,
Porque meu coração palpitou.
Pequenina de róseo matiz,
Perfumada tal qual uma flor
E me fez um instante feliz,
Pensando em teu amor.
Mas quando a li, a palpitar,
Que tristeza, que desilusão,
Eu vim a saber que infelizmente
Já não é só meu teu coração.
A cartinha que eu ontem achei,
Na janela do meu bangalô,
Era tua, eu logo adivinhei,
Porque meu coração palpitou.
Pequenina de róseo matiz,
Perfumada tal qual uma flor,
E me fez para sempre infeliz,
Pensando em teu amor.
Lembro-me, nos velhos tempos, que os envelopes e até as páginas para se escrever uma carta, uma cartinha de amor, era cor-de-rosa.
Talvez porque a rosa é inspiradora dos enamorados, isto naqueles tempos românticos.
Essa tradição – não sei – parece que acabou de vez.
E a música fala em cartinha cor-de-rosa, pois era uma carta de amor.
Fiz este texto porque gostei dos versos e até da música, que representou um momento importante do ser humano naqueles tempos mais felizes, mas que deixou de ser divulgada e até parece estar esquecida na prateleira da vida.
Assim como você fez, mudei o meu nome para LuDiasBH (tudo junto).
Você viu o mundaréu de LUs que existem na net.
Agora é apenas Lu ou LuDias.
Quanto ao texto, está excelente.
Como excelente é tudo o que você faz.
Põe em tudo muito amor e originalidade.
Apesar de fazer poemas, eu nunca fui uma pessoa romântica.
Tanto é, que gosto mais de temas sociais.
Sempre tive dificuldades em lidar com o romantismo.
E, também, de falar sobre ele.
Também penso como o Mário:
O romantismo é inerente a certas pessoas (e você é uma delas). Nada vai acabar com ele.
Tenho uma amiga que faz coisas maravilhosas, no computador, ao passar e-mail pro namorado.
Nunca vi tantos anjos e borboletas voando.
Por pouco não faz um filme.
Sou uma pessoa terrivelmente cética.
Pessoas céticas, jamais serão românticas.
Sou como S. Tomé…. e olhe lá… que ainda pode ser “efeito especial”.
Já pus os meus sentimentos nas mãos de Bill Gates.
Sem retorno!
Uma carta de amor era mais caprichada, lida várias vezes, a coisa era muito pensada, refletida.
Então, tua amiga, que escreve lindas mensagens de amor ao namorado é porque está está realmente muita apaixonada, mas, de repente, pode pintar uma decepção, um mal entendido e….
O email trouxe-nos a possibilidade da imediata explosão dos sentimentos. Uma emoção, uma palavra mal colocado, e pronto: puft…… C´est fini !
Escrever sobre o amor, no teclado, muitas vezes é ” efeito especial ” também.
O importante é o que diz o coração.
Agora, falas que não és romântica, mas o que todos os seus leitores, um deles sou eu, pensam diferente.
Por sinal, o romantismo não se subssume apenas à relação amorosa, mas envolve temas como o social, que o diga Victor Hugo, um dos maiores românticos da literatura francesa.
Tu és romântica, sim.
Agora, esta tua afirmação vai deixar Lamartine decepcionado. Com ele, vão chorar Luc Ferry e o danado do Espanhol Fernando Savatier. E deve ter muitos outros escritores e filósofos, que desconheço e que adoram ser lido por ti e que vão chorar.
E bastante.
E terão que ter ciúmes do Bill Gates?!
Oh, no ! There is not possible !
I d´ont understand, “, todos eles dirão.
Agora, os versos da cartinha cor-de-rosa são lindos.
E só poderia ser azul mesmo, pois o Moá é cruzeirense fanático.
Mas aqui, gozado: eu sou corinthiano e a Cidinha Mille é sãopaulina. Fazemos assim: eu torço para o S.Paulo, quando ela quer. E quando eu quero, ela torce para o Timão.
Não vá dizer que torces para o Galo ?
Mário Mendonça respondeu: janeiro 31st, 2010 at 11:47
Pelo menos no aniversário, eu sempre a presenteei com um buquê de rosas ( vermelhas, é claro ) e um cartãozinho bem amoroso, e mais um beijo, um abraço apertado, um suspiro dobrado e um amor sem fim.
Agora, presentes ela não precisa, pois está com o talão de cheques nas mão dela ( conta conjunta) – rsrsrsrsrsrsrsrsrs.
“Quando se escrevia uma carta a quem se amava, o raciocínio era mais vagaroso, delicado, refinado. Pensava-se mais sobre o que se iria escrever e até se chegar ao Correio…muitas vezes se desistia de um ato precipitado e a carta era rasgada.”
Realmente, escrever uma carta denotava cuidado, carinho e atenção à pessoa amada, nos leva a pensar em quanto tempo a pessoa gastou pensando exclusivamente em nós e colocando alí todo o seu sentimento. Fora o cuidado com a gotinha do perfume num cantinho da carta e o beijo de batom no outro cantinho..rsrs bons tempos!!!
Por e-mail, ficamos mais objetivos e realmente não gastamos muito tempo pensando ou sentindo as palavras/frases.
Eu já terminei um relacionamento por e-mail. Foi ruim, de certa forma me arrependi,porque uma vez enviado … “babau”! Não tive a oportunidade de ponderar mais um pouco, de ter mais paciência. Paciência!! Fazer o quê?!!
Parabéns por trazer mais esta lembrança! Parabéns!
É verdade, não me lembrei destes detalhes: o perfume na carta e o beijo com baton. Até chegavam a colocar pétalas de rosas vermelhas…. etc
Puxa vida, este assunto poderia dar até um livro.
Obrigado por teus comentários, sempre muito ricos e generosos.
Cris Lacerda respondeu: janeiro 30th, 2010 at 23:52
@GUTIE, rsrsrs…
Pétalas de rosas nunca coloquei nas cartas, mas eu “namorava” com um rapaz que mora longe daqui e trocávamos muuuiiitas mensagens pelo celular, super-românticas, então tive a idéia de fazer cartõezinhos escritos à mão com as mensagens para que elas não se perdessem na memória (a operadora apagaa depois de certo tempo), escrevia as mensagens com canetas coloridas, coloquei perfume, beijo com batom, corações, cheios de “flu-flus”..rsrs Coloquei tudo numa caixinha, igualmente trabalhada e perfumada e enviei pelo correio. rsrs
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Gutie
Acho que nada acabará com o “tocar”, quando se trata de romantismo. Receber uma carta, falar pessoalmente, tocar.
O e-mail ainda é meio profissional, e quado se trata de assuntos do coração, nada como enviar uma cartinha cor de rosa.
Alias, porque quando se falar de amor, lembramos da cor rosa ???
Abração.
GUTIE respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 11:56
@Mário Mendonça,
MÁRIO
Lembro-me, nos velhos tempos, que os envelopes e até as páginas para se escrever uma carta, uma cartinha de amor, era cor-de-rosa.
Talvez porque a rosa é inspiradora dos enamorados, isto naqueles tempos românticos.
Essa tradição – não sei – parece que acabou de vez.
E a música fala em cartinha cor-de-rosa, pois era uma carta de amor.
Fiz este texto porque gostei dos versos e até da música, que representou um momento importante do ser humano naqueles tempos mais felizes, mas que deixou de ser divulgada e até parece estar esquecida na prateleira da vida.
Obrigado pela leitura e pelos comentários.
LuDiasBh respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 13:11
@Mário Mendonça,
Gutie
Assim como você fez, mudei o meu nome para LuDiasBH (tudo junto).
Você viu o mundaréu de LUs que existem na net.
Agora é apenas Lu ou LuDias.
Quanto ao texto, está excelente.
Como excelente é tudo o que você faz.
Põe em tudo muito amor e originalidade.
Apesar de fazer poemas, eu nunca fui uma pessoa romântica.
Tanto é, que gosto mais de temas sociais.
Sempre tive dificuldades em lidar com o romantismo.
E, também, de falar sobre ele.
Também penso como o Mário:
O romantismo é inerente a certas pessoas (e você é uma delas). Nada vai acabar com ele.
Tenho uma amiga que faz coisas maravilhosas, no computador, ao passar e-mail pro namorado.
Nunca vi tantos anjos e borboletas voando.
Por pouco não faz um filme.
Sou uma pessoa terrivelmente cética.
Pessoas céticas, jamais serão românticas.
Sou como S. Tomé…. e olhe lá… que ainda pode ser “efeito especial”.
Já pus os meus sentimentos nas mãos de Bill Gates.
Sem retorno!
Abraços,
ludias
GUTIE respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 20:12
@LuDiasBh,
LuDiasBH
Já passei pelos momentos que descrevi.
Uma carta de amor era mais caprichada, lida várias vezes, a coisa era muito pensada, refletida.
Então, tua amiga, que escreve lindas mensagens de amor ao namorado é porque está está realmente muita apaixonada, mas, de repente, pode pintar uma decepção, um mal entendido e….
O email trouxe-nos a possibilidade da imediata explosão dos sentimentos. Uma emoção, uma palavra mal colocado, e pronto: puft…… C´est fini !
Escrever sobre o amor, no teclado, muitas vezes é ” efeito especial ” também.
O importante é o que diz o coração.
Agora, falas que não és romântica, mas o que todos os seus leitores, um deles sou eu, pensam diferente.
Por sinal, o romantismo não se subssume apenas à relação amorosa, mas envolve temas como o social, que o diga Victor Hugo, um dos maiores românticos da literatura francesa.
Tu és romântica, sim.
Agora, esta tua afirmação vai deixar Lamartine decepcionado. Com ele, vão chorar Luc Ferry e o danado do Espanhol Fernando Savatier. E deve ter muitos outros escritores e filósofos, que desconheço e que adoram ser lido por ti e que vão chorar.
E bastante.
E terão que ter ciúmes do Bill Gates?!
Oh, no ! There is not possible !
I d´ont understand, “, todos eles dirão.
Agora, os versos da cartinha cor-de-rosa são lindos.
Combina e muito com os do meu avô.
Muito obrigado por teus comentários.
LuDiasBh respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 20:16
@GUTIE,
HAHAHAHAHAHAHHA
Eu romântica!!!!!
Só quando tomo uma garrafa de vinho.
O Lamartine e o Luc também acham que não sou romântica.
ahahahahahhaahhaha
Abraços,
lu
LuDiasBh respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 13:12
@Mário Mendonça,
Mário
Nunca gostei da cor rosa.
O amor, para mim, tem a cor azul.
Rosa lembra-me a boneca Barbie….
lu
Mário Mendonça respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 17:58
@LuDiasBh,
Lu e Gutie
O que quiz dizer é quando um homem pensa em enviar um presente para uma mulher, a primeira cor que vem na cabeça é o rosa.
Abraços
LuDiasBh respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 20:17
@Mário Mendonça,
Mário
Por favor, não me mande nenhum presente na cor-de-rosa.
HAHAHAHHAHAAHHAHAHAHAHAH
Beijos,
lu
Mário Mendonça respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 11:45
@LuDiasBh,
Lu
Toda regra, tem excessão.
Abração
GUTIE respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 20:16
@LuDiasBh,
LU DIAS
Vou entrar no meio desta.
E só poderia ser azul mesmo, pois o Moá é cruzeirense fanático.
Mas aqui, gozado: eu sou corinthiano e a Cidinha Mille é sãopaulina. Fazemos assim: eu torço para o S.Paulo, quando ela quer. E quando eu quero, ela torce para o Timão.
Não vá dizer que torces para o Galo ?
Mário Mendonça respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 11:47
@GUTIE,
Gutie
Por ser sãopaulina, com “certeza será rosa”…..rsrsr
Abração
GUTIE respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 16:12
@Mário Mendonça,
MÁRIO
Pelo menos no aniversário, eu sempre a presenteei com um buquê de rosas ( vermelhas, é claro ) e um cartãozinho bem amoroso, e mais um beijo, um abraço apertado, um suspiro dobrado e um amor sem fim.
Agora, presentes ela não precisa, pois está com o talão de cheques nas mão dela ( conta conjunta) – rsrsrsrsrsrsrsrsrs.
Adivinhe a cor da folha de cheque do talonário ?
É cor-de-rosa.
( HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)
Abraços.
Oi Gutie
“Quando se escrevia uma carta a quem se amava, o raciocínio era mais vagaroso, delicado, refinado. Pensava-se mais sobre o que se iria escrever e até se chegar ao Correio…muitas vezes se desistia de um ato precipitado e a carta era rasgada.”
Realmente, escrever uma carta denotava cuidado, carinho e atenção à pessoa amada, nos leva a pensar em quanto tempo a pessoa gastou pensando exclusivamente em nós e colocando alí todo o seu sentimento. Fora o cuidado com a gotinha do perfume num cantinho da carta e o beijo de batom no outro cantinho..rsrs bons tempos!!!
Por e-mail, ficamos mais objetivos e realmente não gastamos muito tempo pensando ou sentindo as palavras/frases.
Eu já terminei um relacionamento por e-mail. Foi ruim, de certa forma me arrependi,porque uma vez enviado … “babau”! Não tive a oportunidade de ponderar mais um pouco, de ter mais paciência. Paciência!! Fazer o quê?!!
Parabéns por trazer mais esta lembrança! Parabéns!
Cris Panterinha
GUTIE respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 23:37
@Cris Lacerda,
CRIS
É verdade, não me lembrei destes detalhes: o perfume na carta e o beijo com baton. Até chegavam a colocar pétalas de rosas vermelhas…. etc
Puxa vida, este assunto poderia dar até um livro.
Obrigado por teus comentários, sempre muito ricos e generosos.
Cris Lacerda respondeu:
janeiro 30th, 2010 at 23:52
@GUTIE, rsrsrs…
Pétalas de rosas nunca coloquei nas cartas, mas eu “namorava” com um rapaz que mora longe daqui e trocávamos muuuiiitas mensagens pelo celular, super-românticas, então tive a idéia de fazer cartõezinhos escritos à mão com as mensagens para que elas não se perdessem na memória (a operadora apagaa depois de certo tempo), escrevia as mensagens com canetas coloridas, coloquei perfume, beijo com batom, corações, cheios de “flu-flus”..rsrs Coloquei tudo numa caixinha, igualmente trabalhada e perfumada e enviei pelo correio. rsrs
Cris Panterinha
GUTIE respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 1:15
@Cris Lacerda,
CRIS
Pascal disse, em um texto dele, ” Pensées “, que “le coeur a ses raisons que la raison ne connaît point “.
E aquela célebre expressão: o coração tem razões que a própria razão desconhece.
Então, no caso da cartinha de amor, o coração tem razões e que a própria razão conhece e muito. Já no email, ……
Ah, as pétalas de rosas perfumavam também a cartinha, ficavam esmagadas e o seu aroma se impregnava nela,então era como um romântico perfume.
O coração sabia todos estes detalhes.
Obrigado por teu retorno.