Category: Felipe Balotin

A deliciosa malinha – Felipe Balotin

Por Jovimari Balotin, 20 de março de 2009 19:15

Chegava triste de um longo dia de estudos em que, uma vez mais, matemática me tinha retirado as forças. Uma dúzia de acertos em exercícios de português não serviram de consolo. A decepção remoia intimamente. (São exercícios em nível de dificuldade, terminando com o mais complexo. E eu não conseguira fazer o primeiro!)

Caminhava para casa, gorro na cabeça para proteger do ventinho gelado – que não me é comum em março – e buscando inibir potenciais pivetes. (Que nunca me cruzaram o caminho, mãe. Por isso continuo a segui-lo.)

Entrei em casa (aquela típica de estudantes) e recebi a exímia notícia: a encomenda chegara. Minha memória falhara em lembrar-se de tal. Só lhe cabia xis mais dois menos dois ao quadrado sobre ene.

Nada na geladeira. Cadê? Foi ao entrar no quarto que a vi. Realmente, uma encomenda. Uma mala cheia! Bons momentos então se seguiram. Minha querida vó fez o pão que eu pedira. (Ineditamente ela adiantando a produção semanal de sábado para quarta-feira.) E fez muito mais.

Uma caixa de torrada de alho que alimentava deuses. Bolo de fubá, amendoim. Doce de uva caseiro e um salame colonial, com pouquíssima gordura, que me parece ser presente de um jovem senhor que tem muito conhecimento. Sobre muitas coisas. Seja na terra ou na água. (porco ou peixe…) meu avô.

E tinha mais, que adicionava e extasiava: duas caixas que vinham, sem dúvida, da metrópole da nossa casa. Possuía rubrica, deixando claro ser obra de minha mãe postiça.

Finalmente duas cartas. Uma da matriarca, “chefa” de cozinha, que possui magia espalhada não só nas mãos, mas por todo o (pequeno) corpo. Aquela que define, sem necessidade de complementos, a palavra ‘Avó’. Outra da mãe, a verdadeira, única. Ambas com mensagens carinhosas, de que a distância é só uma questão de tempo. (e que não há oceano nos dividindo agora. Latitude e longitude variam pouco.) Duas linhas de lembretes sobre atos e condutas, com a certeza de que foram devidamente ensinados.

Em suma, a encomenda me valeu o dia. O pedido que fora para uma fatia foi respondido com o pão inteiro. Com mais salame e geléia. Nosso ninho também sorri, pois, ainda que acolhedor, nunca fora tão caseiro.

Obrigado, Mães. Equações especiais de matemática, frente E, se extinguiram de minha cabeça. O conteúdo daquela mala me revitalizou. Agora preciso estudar física. De barriga cheia.

Bookmark e Compartilhe

Um brasileiro no Zimbábue – Resumo – Parte 1

Por Jovimari Balotin, 13 de fevereiro de 2009 20:13

Por Felipe Balotin

Bom dia, amigos do Blog ALMA CARIOCA – LITERATURA

Venho, aqui, em total agradecimento a este querido Blog. Paulo Afonso pelo apoio em colocar os textos, que não se compara aos textos “profissionais”, mas que eu espero tenha trazido algo de interessante. Lu Dias, querida tia – que ainda não conheço -, por todo o carinho que sempre demonstrou virtualmente. Aos leitores que fizeram em dar sequência com a idéia de escrever ao Blog. E principalmente a minha maior inspiração, ídolo e também fã, dona Jozyh.

Hoje é só um agradecimento. Mas eu gostaria que fosse da maneira mais efusiva possível. Por isso pensei em escrever um resumo deste meu ano. Como me despedindo do Blog ou melhor, me despedindo como um zimbabuano do Blog.

Madrugadas atrás estive fazendo um resumo do meu ano, somente rascunhos, para uma apresentação no meu clube do Rotary, que me apadrinhou na magnífica jornada. Agora, 5 horas da manhã, após horas na internet conversando com amigos dos quais estive longe, e mais uma hora para a leitura antes de dormir, percebi que não conseguiria fazer o que deveria estar fazendo a, no mínimo, 6 horas atrás…

Também separei fotos para esta apresentação. O que era para ser somente algumas fotos, melhores momentos, conseguiu se resumir em 150. Sem dúvida o ano mais rico da minha vida, em meio a toda pobreza. Me pego pensando nele a todo o momento. Mas diferente do que imaginara, não falo sobre isso com tal frequência. Digo que minha mãe, coruja que só ela, fala do meu ano melhor que eu. Mas ela tem o que eu lhe passo de informações, então vamos a elas.

No dia 17 de fevereiro de dois mil e oito eu deixava Foz do Iguaçu e toda a minha família no Brasil. Partia em direção ao Zimbabwe. (que então era Zimbábue para mim.) Sim, foi difícil sair de casa. Nunca tive problemas em viajar sozinho, com o colégio ou com o time de futebol, mas dessa vez era um ano. Sem intervalo ou tempo técnico. No aeroporto eu chorava pela primeira vez, mas com a certeza de ter a passagem de volta marcada.

Apesar de ter a primeira semana banhada a lagrimas, logo me apaixonei pelo lugar. Morando na capital, Harare, com população de dois milhões de pessoas sempre crescendo. A primeira família foi excelente, pais jovens e uma irmã que eu nunca tinha tido. (Kumbirai, por quem eu já tinha me apaixona ao ver em uma foto recebida duas semanas antes). Na primeira semana fui a um supermercado – bem, talvez só mercado, não muito super – com os Guzha’s. Na ocasião me assustei ao ver os preços em milhões, variando de um a cem… Meu cérebro pedia ajuda do indicador para contar os zeros nas etiquetas. Também queria desesperadamente descobrir como processar tais números com apenas uma olhada. Meu pai havia dito que me acostumaria.

A primeira vez que troquei dólares americanos, no mercado negro, pois o câmbio era dezenas de vezes maior, um deles comprava 23 milhões de dólares zimbabuanos. Já me considerava um quase-bilionário, pois troquei US$30 para uma viagem e, após algumas ligações para conseguir a melhor taxa, tinha mais de meio milhão de dólares. (No plural, pois era mais de 60 notas.) E o câmbio subia, porque a inflação subia, porque a qualidade do governo continuava a mesma. E por isso não posso fazer um bom resumo sem falar de história.

Zimbabwe não é um país pobre da África, mas considerado um país intermediário. No passado, quando colônia britânica, era uma das potências. O dólar zimbabuano era tão forte quando o dólar americano. Há dez anos a educação também estava no topo do continente. Em 1980 o país conseguiu sua independência, liderada pelo coronel que então virou primeiro ministro, Robert Gabriel Mugabe. Que na época era um herói, mas com o passar dos anos provou ser o oposto. Entre os fatores que causaram a queda, não só da opinião pública, mas de todo um país, foi a Land Reform, uma espécie de reforma agrária. Ele expulsou os fazendeiros brancos de suas terras produtivas, dando esta terra aos veteranos da guerra de independência, que aclamavam por um pagamento pelo esforço feito duas décadas antes; e as terras que produziam para todo o país, e também para exportação – inclusive para a problemática África do Sul -, logo foram saqueadas e deixadas de lado. Terras férteis viraram matas.

Ao mesmo tempo em que me acostumava com os zeros da moeda, aprendia mais sobre o Zim, e me encantava mais com ele. Na terceira semana fui conhecer as famosas Victoria Falls (Cataratas Vitória) com minha família. Cartão postal do país, na divisa com Zâmbia. Quedas muito diferentes das “minhas” (Cataratas do Iguaçu), mas também de uma beleza única. (Qual acho mais bonita? Considerando meu patriotismo, que cresceu morando fora – e ser “nativo” de Foz do Iguaçu – as do Paraná são mais belas. Somente um quilômetro de vantagem. Não pude ir às conhecidas piscinas que se formam na beirada das quedas, pois isso é no lado de Zâmbia. Fico na perplexidade ao ver as pessoas lá, a menos de cem metros de mim. E a menos de 1 metro da queda. Mas o que eu mais queria eu consegui, o Bungi Jump. Apesar da reprovação da família no Brasil, eu não poderia dizer não. (Não mesmo, todos os Guzha’s pularam, menos a Kumbi.)

Minha escola lá eu nunca gostei muito. Não que eu não goste de estudar, mas concordava com meu conselheiro, era um intercambio cultural, muito mais relacionado ao país e suas pessoas, do que ao colégio em si. O sistema do país é britânico, todas as escolas eram integrais, com treinos dos esportes da temporada, aulas de instrumentos musicais, menos a minha. Consegui, com qualidade boa no chute, jogar Rugby e, tocando violão, entrar numa banda de Jazz em outro colégio que me recebeu bem. Até tentei trocar, mas não deu. E com isso o colégio me baniu de atividades extras. Paciência, eu não era aluno mesmo.

Bookmark e Compartilhe

Um brasileiro no Zimbábue – Resumo – Parte 2

Por Jovimari Balotin, 13 de fevereiro de 2009 20:11

Por Felipe Balotin

Shona é a principal língua tribal falada no país. País com 80% de população negra. E uma coisa que valeu a pena no meu colégio foi o curso de shona que fiz. Por três meses, principalmente a língua, mas também bastante sobre a cultura muito rica do Zim e das suas amáveis pessoas. O Rotary fez o pagamento. Turbulento pagamento. No dia que perguntei o preço era 3,000,000,000 de ZimDolar – três bilhões. Menos de uma semana depois, quando foram confirmar já era seis bilhões. E era bom fazer logo porque com inflação oficial, que não chega nem perto da real, sendo de duzentos milhões de por cento ao ano, com mais um ou dois dias poderia dobrar novamente.

Curso ajudou muito, aprendi como não aprenderia só em casa, mas segui conselho de que o shona seria interessante, mas somente no Zimbabwe. Já o inglês eu levaria para a vida toda, sendo a língua internacional dos dias de hoje. E tendo uma população muito bem educada, mesmo os negros mais humildes, das áreas rurais, falam bom inglês. Em casa falavam entre si em shona e comigo em inglês. Mas depois de um tempo eu participava das conversas, escutando shona e falando inglês.

Outras viagens, uma para Lusaka, capital de Zâmbia, para conferência do Rotary. Bom para uma visão diferente de África. Um país histórico e culturalmente mais pobre que o Zim, mas que está crescendo com investimentos estrangeiros. Uma pena descobrir que, por dificuldades nos países que são do distrito rotário, eles não receberão intercambistas no ano seguinte. (O que há de errado em morar no Zim? Melhor experiência seria impossível.)

Viajei também para Mutoko, com a única intercambista do Zim, uma brasileira de Curitiba, que no decorrer do ano se tornou minha melhor amiga. Área rural e pobre, para visitar o Shalom Orphanage, orfanato destinado a crianças que tinham pais com Aids e que contaminaram os filhos. Tudo bem primitivo, sem energia elétrica, comida feita no fogo de lenha, construções básicas com teto de palha e um banheiro muito especial. Uma construção de tijolos, que tinha nada dentro. Não tinha nem buraco, quem dirá papel higiênico. E ele servia para número um, número dois, banho…

Entre época histórica de eleição, primeiro e segundo turno, o colégio ficava de lado. Não só um dia por recesso, mas por duas semanas, uma antes de uma depois, devido ao medo de violência política que todos tinham. O medo era de ser obrigado a votar no presidente, ou se não… Diziam ser perigoso caminhar sozinho ou pegar kombis, principalmente eu sendo branco. Eu nunca deixei de fazer nada, tomava uma vida de shona na essência. As Kombis são o transporte que movimentam não só o Zim, mas dezenas de países no centro-sul do continente e, devido a problemas no fornecimento de combustível e o preço dele, com menos de um mês eu já estava familiarizado com isso. E também com lifts, caronas que se pega na rua, seja lá com quem parar, que movimenta a outra parte da África, principalmente quando a grana é curta. Por ter pegado quase 200 caronas e kombis eu poderia ter cansado, mas não cheguei a cansar. Era sempre tão bom estar no meio de outra raça, sabendo que eles não se importavam que eu estivesse lá, pois isso já provava que eu era diferente das ‘white people’ normais. Nunca vi branco pegando carona, quem dirá nas caçambas de caminhonetas e caminhões.

No terceiro mês tive que mudar de casa, com a minha família. Muito difícil pra mim que nunca sequer tinha mudado de casa no Brasil. Sem contar que a qualidade de vida baixou gritantemente. O que antes era distante virou uma realidade próxima: eletricidade e água potável não eram mais facilidades constantes. O país inteiro sofria com o racionamento, mas algumas áreas mais que as outras. E essa nova casa, longe do centro e de tudo mais, perto do aeroporto, sofria bastante. O longo banheiro de banheira que me acostumara a tomar todos os dias foi logo substituído por um rápido banho de bacia, com água esquentada no fogão. Mas, tento em vista que os fogões de lá eram 99% ligados à energia elétrica, comida com “fogão à lenha” no quintal era diário, mas banho quente uma tarefa extremamente mais difícil do que só ligar a torneira. Com menos de duas semanas raspei meu cabelo.

Os jantares à luz de vela que no começo eram diferentes logo cansaram. Meu celular sempre acabava a bateria quando eu escrevia no meu diário com a lanterna dela acessa. E descarregar tudo bem, mas carregar onde depois?

E a inflação não parava de subir. O mesmo um dólar comprava, no mercado negro, vinte milhões de zimdolar em março, dois bilhões na segunda semana de junho e já cem bilhões no mês seguinte. Eu troquei duas dezenas de dólar americano e virei um multi-trilhonário. Pela primeira vez a moeda nacional havia chego à casa dos bilhões e logo em seguida cortaram dez zeros da moeda, como uma tentativa (frustrada) de estabilizar a economia.

Após 4 meses com Guzha’s, depois de aprender e sentir falta de comer meu sadza pesado toda noite com as mãos, hora de mudar de casa. Em outro lado da cidade, diferente das duas primeiras, com os Chibanda’s. Outra vida, com pais com mais idade, já eram avós. Também classe média em uma realidade normal, mas que não pode ser medida na vida que se leva por lá. Não há como medir pela casa que a pessoa tem porque em época de crise ninguém compra casa. Ninguém compra carro, porque tem que vir dos países vizinhos. As pessoas têm o dinheiro, contado, para fazer a compra do mês. Isso se, no mês, conseguir achar tudo no mercado. Devido a falta de produção as prateleiras foram ficando cada vez mais vazias. O que antigamente era inimaginável agora se fazia: importar comida. Era mais viável arranjar uma maneira de ir à fronteira – seja Zâmbia, Moçambique, Botsuana ou África do Sul – e comprar tudo que o dinheiro permitir, ou que o meio de transporte trouxer. Ainda assim, ter fruta em casa ou chocolate na mochila é luxuria. Comer fora eu fiz por duas vezes, bem ao final do ano…

E com o tempo fazia mais viagens… Uma bela praia no litoral moçambicano, banhado pelo Oceano Índico. Onde finalmente aprendi onde o sol raia, pois acordei cedo todos os dias para ver sua ascensão. (E a leste de Moçambique não há nada mais que água.) Com isso crescia mais o meu amor pelo céu da África, que tem colorações e detalhes que perdemos em outros lugares.

Bookmark e Compartilhe

Um brasileiro no Zimbábue – Resumo – Parte 3

Por Jovimari Balotin, 13 de fevereiro de 2009 20:00

Por Felipe Balotin

Visitei também Mana Pool, reserva nacional na beira do Rio Zambeze, na divisa com a Zâmbia. O programa de todo dia era Game Drive, um digno Safari, mas com nosso carro. Viajava sempre por convite da Charlie, presidente do Rotary. Com seu filho e amigos dele ia sentado no teto do carro, procurando por pegadas e animais na mata. Vi todos os animais africanos que se pode imaginar. Só em um dia vi quatro dos “Big Five”, cinco gigantes da África. No primeiro dia ver um elefante era: “Olha, olha um elefante! Um elefante! DOIS ELEFANTES!!! Ele ta com o bebê.” No último dia era mais como: “Olha um elefante bem grande e gordo. Próximo bicho”.

O resultado das eleições foi vitória da oposição, o que nunca saiu do papel. O presidente/ditador se recusava e ainda se recusa a sair. Após meses de negociação um acordo foi assinado. Um governo de transição, com poder dividido entre o partido antigo (ZANU-PF) e o Movimento para Mudança Democrática (MDC). Mas 3 meses se passaram e o líder do MDC continuava viajando a Europa pedindo apoio de líderes para trazer um reconhecimento.

Apesar de tudo, as chances de guerra civil são quase nulas no Zim. Em qualquer outro país isso já teria acontecido, no mínimo, há 5 anos. Lá não aconteceu e não acontecerá. Os Zimbabuanos, especialmente os shonas são muito calmos. Até demais. Uma coisa cultural, que vem de séculos, e nem uma vida assim faz mudar. Só conseguem esperar por uma mudança que um dia virá. Impossível ficar assim para sempre, dizem eles. O que pra mim foi bom, pois são amigáveis e hospitaleiros de uma maneira que eu não imaginaria ser possível. Se não tivesse um povo tão acolhedor o ano passado inteiro seria muito tempo no Zim.

Após muito tentar, por meio de rotarianos dispostos a ajudar, viajei para África do Sul. Com minha amiga Renata, passei 7 semanas neste país. Uma realidade a parte de todo sul da África. Um país que me lembrou muito o Brasil. Um espelho para toda a África, mas com fantasmas que já começaram a atacar. O medo é que chegue à situação em que o Zim chegou, mas é difícil ir tão fundo ao poço. Uma semana em uma cidade diferente, tendo a chance de conhecer mais intercambistas de todas as partes do mundo.

Na pequena cidade de Klerksdorp que fui levado à caça pela primeira vez. Com direito até um batismo como caçador. Passei pelo litoral de Durban, movimentada cidade de Johanesburgo e Cidade do Cabo com sua exuberância e estilo europeu, ou qualquer outra coisa, menos África. Depois de 7 semanas, oito mil quilômetros rodados em ônibus, estava de volta no Zim. E que aquela alegria de voltar para minha África, minha “verdadeira” África. Apesar da vida fácil economicamente da África do Sul, as diferenças e reflexos do Apartheid ainda são grandes.

Na volta tudo estava mais verde com o começo da temporada de chuvas, que vai de novembro a fevereiro. Antes disso eu não havia visto chuva no Zim. E a tristeza de que quando esta temporada acabasse eu já não estaria mais lá.

Mais duas viagens, uma para o Lago de Kariba e outra para Masvingo, nas redondezas de Great ZImbabwe, ruínas onde moraram os primeiros povos do país. Pensei em voltar para casa antes do Natal e Ano Novo, mas fiquei. Minha passagem de volta era para o dia 7 de janeiro e não mudei. Logo um mês passou, e o curto tempo de passagem pela terceira – e também muito boa família – acabou.

Um dia de viagem, desta vez sem muito choro, e minha vida voltou ao normal. Exatamente como estaria se eu tivesse passado o ano inteiro por aqui. A maior diferença está mesmo em mim. Mesmo que o físico seja o mesmo, e também as piadas e trocadilhos ruins também. Dentro de mim eu sei que estou diferente, tenho outra vida dentro de mim. Vida que eu não consigo reviver sozinho sem ajuda de papéis e anotações. Talvez eu nunca venha a assimilar tudo. A certeza é de que a visão do mundo e os sonhos são outros.

Eu tentei resumir um ano, mas mesmo sendo um resumo, faltaram coisas. Para finalizar, fica a certeza de que nós conseguimos nos adaptar onde quer que estivermos, basta querer, estar aberto a isso. Que o paladar muda muito, basta ficar com o pouco. Se houver negação o pouco pode virar nada.

Nos piores momentos não adianta perder a cabeça. Nas piores das realidades um sorriso pode vir. Mas também, o que é ruim pode piorar, não sente para assistir! O tempo passa rápido, quer você queira ou não. (mas é mais fácil perceber isso quando ele acaba.) E nos momentos bons, especialmente viagens, ele tende a ir mais rápido.

Uma escolha diferente leva a uma mudança diferente. Por isso, uma escolha diferente pode mudar sua vida. Mas não há como saber o impacto dessa mudança só pela imaginação dela. A vivência ultrapassa qualquer limite. Nunca haverá tanto para comparar e aprender quanto quando vivendo uma nova cultura.

“Nada, acima de tudo, se compara à vida que uma pessoa que reflete experimenta quando observa uma terra desconhecida. Apesar de eu ainda ser sempre eu mesmo, acredito que fui mudado até a medula de meus ossos.” Goethe.

Bookmark e Compartilhe

Um brasileiro no Zimbábue – 12 dez 2008 – Felipe Balotin

Por Jovimari Balotin, 12 de dezembro de 2008 5:28

Olá, olá.

Voltei de Kariba e troquei de família. Terceira e última, mas por bem menos tempo comparando com as outras. Menos de um mês para minha volta! Claro que estou muito feliz de voltar pra minha família e amigos. Mas como deixar toda uma vida para trás? Posso voltar para visitar, mas nunca terei esta vida de novo. Todas estas casas que eu considero minhas, famílias e que eu faço parte… Elas continuarão dentro de mim, mas eu não estarei aqui. Tenho menos de um mês para me preparar psicologicamente para tal mudança.

Continue lendo 'Um brasileiro no Zimbábue – 12 dez 2008 – Felipe Balotin'»

Bookmark e Compartilhe

Um brasileiro no Zimbábue – 09 dez 2008 – Felipe Balotin

Por Jovimari Balotin, 9 de dezembro de 2008 15:00

Estava eu em casa arrumando minha mala. Tinha que colocar roupas com cores de mato: verde, marrom, bege – mas nenhuma camiseta branca, por favor. E eu não poderia cometer nenhum erro, pois já era a segunda vez indo para o mato, sabia que branco não faz os animais muito felizes.

Seguimos para lago Kariba no sábado de manha, 350 km de estrada. No caminho cruzamos com vendedores de Anaconda Worms (minhocas Anaconda). E mesmo os ‘minhoqueiros’ estão vendendo seus produtos em Dólares Americanos. Também cruzamos com muitos caminhões, vindo da África do Sul e seguindo pra Zâmbia. Pouca coisa ficando ou saindo de Zim. Chegando à cidade de Kariba havia um elefante cruzando a estrada, como que dizendo ‘Bem vindos’. Tive o (des)prazer de ver o sexo do bicho… E cada vez mais eu percebo como nos – humanos – somos pequenos.

Continue lendo 'Um brasileiro no Zimbábue – 09 dez 2008 – Felipe Balotin'»

Bookmark e Compartilhe

Um brasileiro no Zimbábue – 30 nov 2008 – Felipe Balotin

Por Jovimari Balotin, 30 de novembro de 2008 6:35

Ola, olá! Bom dia, boa tarde, boa noite. Maswera here? Uri bho? Após algumas semanas que estive quieto. Bom, estou vivo! Muito bem, obrigado. Agora de volta ao Zim…

Bom, 3 semanas na África do Sul foram incríveis. Boas demais. Tentarei escrever um e-mail contando detalhadamente tudo que eu fiz e os lugares que conheci, meu diário ficou muito mais cheio. Tenho detalhes anotados de tudo. Se for escrever livro de verdade mesmo, precisarei de muita ajuda, especialmente para me organizar. Eu tenho tudo escrito comigo, anotado, mas não sei direito como contá-los.

Continue lendo 'Um brasileiro no Zimbábue – 30 nov 2008 – Felipe Balotin'»

Bookmark e Compartilhe

Um brasileiro no Zimbábue – 25 out 2008 – Felipe Balotin

Por Jovimari Balotin, 27 de outubro de 2008 17:04

A continuação da semana em Johannesburg foi boa. Fomos jantar fora uma noite, um restaurante português – Portugal, Brasil, Moçambique e Angola. Nada de muito brasileiro, mas muito gostoso. Nem lembrava mais como era ir a um restaurante, folhear o cardápio, analisar as opções. Debater com a família o que e bom, o que um já comeu. Não consegui lembrar de nenhuma ocasião em que jantei fora, em restaurante, no Zimbábue. E cada vez mais noto como as conversas na África do Sul são diferentes. As perguntas feitas são diferentes. Em Zim parece que o mundo se fechou, não ha motivo para perguntar coisas que não podem ser realizadas. Aqui as pessoas falam mais das viagens, historias. Em Zim teríamos muito mais orgulho em falar que não falta energia na minha casa, que tenho água todos os dias, qualquer hora, do que falar de viagens.

Continue lendo 'Um brasileiro no Zimbábue – 25 out 2008 – Felipe Balotin'»

Bookmark e Compartilhe

Panorama Theme by Themocracy