dez 31

Dispam-se alguns homens,

das medalhas e comendas,

que lhes enfeitam o peito;
retirem-lhes o uniforme elegante,

que os torna tão diferentes;
afastem-no do meio

daqueles, que se julgam eleitos;
deixem seu coração à mostra no

peito, pulsante, forte, perfeito.

Façam uma radiografia

desses arrogantes sujeitos,

tirando-lhes a vã fidalguia;
agora, extraiam os ditos

conhecimentos, que lhes

encalacram o intelecto;
e, com os olhos d`alma,
dêem a esses homúnculos,

um correto diagnóstico.

Hão de encontrar,

em pleno século XXI,
o homem nu, de priscas eras;

ainda enrolado em couros,

nas suas escuras cavernas,

fétidas pela sujeira e umidade;

todos eles sem um laivo de razão,

como feras embrutecidas, acuadas,

todos perdidos em sua ferocidade.

 

 

Peço a quem ler este poema que entre neste site e assine este pedido de paz entre Israel e Palestina. Obrigada!

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dez 30

Tudo me parece tão familiar
E ao mesmo tempo enigmático
Perdida que estou em teu rastro
Sem saber que direção tomar.

Eu te procuro pelas esquinas
E me perco em todos os atalhos
Dessa nossa vida em pedaços
Viver separados – eterna sina.
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dez 30

 

A publicação do meu post “O que não tem remédio, remediado não está”, trouxe-me uma abundância de comentários enriquecedores. Cada um deles valeria um novo post.

E, mais uma vez, me surpreende a riqueza da sabedoria popular de nossos antepassados.

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dez 29

Há dias, venho recebendo inúmeros e-mails sobre a importância do bicarbonato de sódio na cura do câncer (CA). Mas sempre fui pouco crédula nas curas miraculosas.

No entanto, ao ler A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS REMÉDIOS de Robert e Michele Root-Bernstein (Editora Campus), passei a compreender que tudo é possível.

Muitas receitas de raízes, ervas e larvas na cura de doenças, começam a ser aceitas na medicina alopática e homeopática. O grotesco passa a ser visto como normal pela medicina moderna. E certas crendices ou remédios populares assumem um novo patamar na nossa história medicinal.

O assunto é fascinante e, se não for monótono para os leitores, prometo destrinchá-lo aqui, sob a ótica dos autores, uma vez que não tenho “knowhow” para debulhá-lo por conta própria, mesmo que “de médico e louco, todos nós tenhamos um pouco”.

O livro já começa com uma epígrafe curiosa do médico Sir William Osler (1902):

“As filosofias de uma época tornam-se os absurdos da era seguinte e as tolices de ontem tornam-se a sabedoria de amanhã.”

Bem dizia a minha avó, que neste mundo não podemos duvidar de nada. E é com esta filosofia de vida, que me encontro hoje. Nem mesmo a borra de café, para estancar o sangue de cortes na cabeça, amedronta-me mais. Podem me lambuzar à vontade, na falta de um especialista. Perdida por pouco, perdida por muito.

É interessante, como as terapias consideradas absurdas ou nocivas, no mundo ocidental, são vistas hoje com um novo olhar, depois de descobertas as suas bases científicas. Dentre elas, os autores citam os banhos de imersão, as sangrias e a aplicação de larvas para curar feridas.

Imagino que, alguns dos leitores estejam se arrepiando, só de pensar em ter um monte de larvas sobre as feridas de seu corpo. Também estou na expectativa de encontrar alguns insetos, que possam remover as ulcerações de nossa alma e quem sabe, as chagas que nos provocam as paixões agudas.

Bastaria ligarmos para o larvrário mais próximo e pedir:

- Por favor, mandem-me uma dúzia de crisálidas, pois preciso me curar de uma dor de cotovelo, o mais rápido possível.

E no outro dia amanheceríamos leves e soltos, como um monte de borboletas, prontos para uma nova temporada de paixonite. Mudaríamos apenas de agente infeccioso, pois as paixões são grandes amigas da arte. Não podemos exterminá-las.

Paixão vai, paixão vem… amém!

Ao ignorar, do alto de sua prepotência, certos tratamentos milenares de todos os povos em diferentes épocas, a medicina moderna traz um grande prejuízo à humanidade.

Sem falar nas ventosas das sanguessugas sobre o nosso corpo, aspirando o sangue ruim.

Poderíamos dizer sem medo:

- Aqui neste blog só há sangue bom! A começar do meu, ô xente!

Brincadeiras à parte, não podemos nos deixar levar por panacéias e tratamentos, sem nenhum embasamento científico, como deixar o nome do sujeito de nossa mágoa, dentro da boca de um sapo, com o intuito de feri-lo.

É bom que eu pare por aqui, depois de algumas taças de vinho, por sinal, excelente para o coração, pois já estou misturando, na minha panacéia, alhos com bugalhos.

Eu disse uma taça, ou foram quatro?

Beijos larvejantes para todos!

 

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dez 29

Imagino que Viviane brotou,
com seus meigos olhos azuis,
nas ruas centrais de Belô,
como uma mariposa busca a luz.

A pequena não foi à escola oficial, mas
aprendeu a usufruir do ápice do coito,
a manipular tantos e tantos falos,
sem nunca ter deixado ereto um lápis.

Ainda em botão, carregava no ventre,
um debilitado e inocente herdeiro,
filho dos bêbados e vadios da cidade,
bestializados pela cola de sapateiro.

Viviane rendeu-se à animalidade,
ouvindo apenas a voz da natureza,
e só a ela obedece; tornou-se
bicho, sem idéia, tino ou liberdade.

E hoje definha pelas calçadas,
agarrada ao saquinho de cola,
olhos embaçados, desdentada,
enquanto exala a alma na gosma.

Só faz mal a si, nunca aos outros,
em função da miséria e do desdém
com que lhe presenteou o mundo, pois
Viviane é o esboço de um anjo torto!

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dez 28

A velha casa com varanda,
enfeita a margem do rio morto,
enquanto a mulher olha o céu,
bisbilhoteira à procura de chuva.

O sol está velado por nuvens escuras,
o mormaço plúmbeo pesa o ar e
a monotonia toma conta de tudo:
do rio, da estrada, da casa, da figura.

Na entrada, a asa de um pássaro morto;
duas penas tremem sob o calor opressivo;
no chão de terra quente, cães magros
espalham-se na amplidão do espaço.

A mulher vê as nuvens pesadas e se
sente feliz no infortúnio de sua solidão;
abre os braços e gargalha, gargalha,
rindo de tudo, rindo do nada.

Gotas começam a cair, quebrando
o abismo do silêncio; aos poucos,
miúdas e envergonhadas; depois,
abraçadas, enlaçadas, entrelaçadas.

Ela se despe e oferece o corpo
enfraquecido, por longos meses
de seca, a esse amor molhado,
tão libidinosamente desejado.

Agora ela tem pele de chuva,
que penetra qual ardente amado,
na noite negra de seu corpo moreno
desnudo, brilhante, embriagado.

Ela se deita na terra e desliza
sobre o torrão ensopado, o
ventre tosco, fundindo ambos,
num demorado e gostoso coito.

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dez 28

Apesar da veemência das religiões em revitalizar o pecado, não podemos negar que as velhas admoestações religiosas encontram-se exauridas.

O mundo anda cansado do velho mantra da moralidade em detrimento da espiritualidade. O que vem colocando o tão temido pecado de outrora, fora de moda.

Nós, que vivemos no século XXI, temos dificuldade em absorver a noção de pecado, tal e qual nos colocam as grandes religiões. Ficou démodé!

Vemos tudo como uma espécie de cinismo, uma vez que a prática e a palavra não coabitam no mesmo plano. E para sair de tal enfado faz-se necessário que uma nova linguagem, voltada para a espiritualidade, seja adotada.

Não é necessário abraçar religião alguma, para vivenciar a espiritualidade, que hoje, mais que nunca, significa comunhão, responsabilidade, humanidade, vida.

E somente através das lentes da espiritualidade podemos enxergar com clareza que o nosso planeta está morrendo, em razão do nosso descaso com a vida. E quiçá possamos compreender os limites entre mantê-lo vivo ou perecer juntos.

O maior perigo reside na natureza humana, pois MAL e BEM são inerentes a ela. Por isso somos humanos e não deuses.

Mas não podemos imaginar, como nas velhas pregações religiosas, que o homem maligno tenha chifres. Dedução que nos afetaria enormemente, pois só daríamos conta da maldade depois que certos humanos concluíssem a sua ardilosa destruição.

Devemos ter a certeza de que existem muitos Hitlers em potencial, espalhados pelo nosso mundo, sem chifres ou olhos de fogo. Até mesmo com rosto de anjo.

A raça humana, no seu antropocentrismo, tende cada vez mais a desligar-se do planeta, como um todo. E, em conseqüência, torna-se cada vez mais enfastiada e violenta, na tentativa de preencher o vazio que devora suas vísceras.

A crise espiritual é que vem provocando a crise material, com a ausência de solidariedade, de justiça e amor entre nós. Logo, o planeta está duplamente em crise, beirando o caos.

A nossa capacidade infinita de criatividade e imaginação é um poder perigoso, que precisa encontrar freios. E a contenção do dique cabe a cada um de nós, em particular.

Só não podemos nos esquecer de que estamos todos no mesmo barco.

Não há “salve-se quem puder!”.

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dez 27

Hoje eu quero ficar nua
Assim como ficam as árvores
Na parte gélida dos hemisférios
Desnudas de tapumes e mistérios.

Olhar acima deste planeta azul
Repressivo, mas ainda irresistível
Privando-me da divisão fria
Entre realidade e fantasia.
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dez 27

Quem somos nós como espécie, uma vez que, em pleno século XXI, ainda não aprendemos como domar nossas forças e corrigir nossas fraquezas?

A nossa capacidade de destruição, de ódio por nós mesmos e pelos outros (sem falar nas espécies diferentes), a avareza, a indiferença pelo planeta, a arrogância e a maldade que em nós habitam, mostram-nos que a mudança é uma tarefa árdua, mas necessária.

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dez 26

 

Deixo o Brasil, a buscar outros rincões
Pra me ver livre da saudade
Contaram-me que tal “beldade”
Só existe na língua de Camões.
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dez 21

Se me amas,
por favor, não me cobres
nada, se nem mesmo eu,
sou capaz de saber
o que ainda sou.

Se possível, contentas-te,
apenas, com a miragem,
que represento
sob a ótica generosa
do teu amor.

Nem mesmo sei,
porque me queres e
te apegas a mim,
quando já parti
há tanto tempo.

A tua dedicação,
sempre incansável,
é uma luta inglória,
com o propósito
de me trazeres alento.

Lutas por mim
qual soldado
heróico e valoroso,
cuja vida depende
do colega de batalha.

Tratas-me sempre,
como se o seu viver
estivesse ao meu atrelado,
ou se dependêssemos
da mesma mortalha.

A força do teu amor,
compassivamente,
ainda me mantém de pé,
embora disso,
eu não mais faça caso.

Não sei, se
estou no limiar
de um novo tempo,
ou se já me encontro
nas pegadas do ocaso.

Mesmo assim,
ainda consigo fôlego,
para murmurar
uma palavra coerente,
embora inaudível
e acanhada, ao último elo
que me prende à vida:

OBRIGADA!
Meu amor,
OBRIGADA!

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