jan 06

O sotaque dos mineiros deveria ser ilegal ou imoral. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar lindo dos mineiros ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque!

Mineiro deveria nascer com tarja preta avisando: ouvi-lo faz mal à saúde. Se um mineiro, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ele me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma..

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: “pó parar”. Não dizem: onde eu estou?, dizem: “ôncôtô”. Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é “bom de sirviço”. Pouco importa que seja um juiz ou jogador de futebol. Mineiras não usam o famosíssimo “tudo bem”. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: -

“Cê tá boa?”.

Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer:

- “Mexe” com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc.).

O verbo “mexer”, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido.

Querem saber o seu ofício. Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. “Sôcê” (se você) acha que não vai

chegar a tempo, você liga e diz:

- “Aqui”, num vô dá conta de chegá na hora, não, “sô”.

Esse “aqui” é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção. É uma forma de dizer:

- Olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor. Mineiros também não dizem apaixonado por. Dizem, sabe-se lá por que, “apaixonado com”. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: - Ah, eu apaixonei “com” ele… Ou:

_Sou doida “com” ele (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).Elas

vivem apaixonadas com alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de “bunitim”, “fechadim”, “cupim” ( em vez de copinho), “PURQUIM”EM VEZ DE PORQUINHO, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir:

- E aí, “vão?”.

Traduzo:

- E aí, vamos?. Não caia na besteira de esperar um “vamos” completo de uma mineira. Não ouvirá nunca. Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram.

São barradas pelas montanhas. Por exemplo, em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - Eu preciso “de” ir. Onde os mineiros arrumaram esse “de”, aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam… Você não

precisa ir, você precisa “de” ir. Você não precisa viajar, você precisa “de” viajar. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:

- Ah, mãe, eu preciso “de” ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um “tanto de coisa”. O supermercado não estará lotado, ele terá um “tanto de gente”. Se a fila do caixa não anda, é porque está “agarrando” lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora! Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:

- “Ai, gente, que dó”.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelos mineiros. Não vem “caçar confusão” pro meu lado. Porque devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro “caça confusão”. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele “vive caçando confusão”. Para um mineiro falar que algo é muitíssimo bom vai dizer:

- “Ô, é sem noção”. Entendeu? É “sem noção”! Só não esqueça, por favor, o “Ô” no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu? Capaz… Se você propõe algo ela diz:

- “Capaz” !!! Vocês já ouviram esse “capaz”? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer “ce acha que eu faço isso”!? Com algumas toneladas de ironia… Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá:

-”Ô dó dôcê”. Entendeu? Não? Deixa para lá. É parecido com o “nem…”. Já ouviu o “nem…”? Completo ele fica:

- Ah, “neeeem”… O que significa? Significa, amigo leitor, que o mineiro que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz:

- Meu amor, “cê” anima “de” comer um tropeiro no Mineirão?

Resposta:

- “Neeeem….”. Não vai de jeito nenhum! Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.

A propósito, um mineiro não pergunta: - Você não vai?. A pergunta, mineiramente falando, seria: - “Cê” não anima “de” ir? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem…

Falando em “ei…”. As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o “ei” no lugar do “oi”. Você liga, e elas atendem lindamente:

- “Eiiii!!!”, com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade…

Há tantos outros… O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Elas chegam onde tem um tantão de gente junta e dizem “Eeeeeiss!”

Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:

- Ah, fui lá comprar umas coisas… ?

- “Que’ s coisa”? - ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que. Ouvi de uma menina culta um “pelas metade”, no lugar de “pela metade”. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:

- Ele pôs a culpa “ni mim”. A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas.

Ontem, uma senhora docemente me consolou: “preocupa não, bobo!”. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: “não se preocupe”, ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. E diz tudo.

Até o tchau, em Minas, é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: “tchau pro cê”, “tchau pro cês”. É útil deixar claro o destinatário do tchau.

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jan 05

No final do ano passado, Fernando Meirelles foi o ganhador do prêmio “Paulistanos do Ano 2008“, da Veja São Paulo.  Ao receber o troféu por muitos cobiçado, ele disse acreditar que havia um paulistano que, mais do que ele, merecia tão importante homenagem:  o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto de Sanctis, que condenou o banqueiro Daniel Dantas a 10 anos de prisão por corrupção ativa. “Repassou” sua  premiação a De Sanctis, dizendo-se  orgulhar de sua ”capacidade de resistir às pressões“. 

Sobre o paulistano Fernando Meirelles, diretor de “O jardineiro Fiel” e de outros grandes filmes que conquistaram o mundo, pesquise no Portal do Cinema ou no Google, pelo nome do diretor. Fará uma boa viagem na filmografia e outros feitos de Meirelles.

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dez 30

Drama, suspense e denúncia social

Em maio de 2002, dentro de uma sala de aula, ouvi um depoimento de um aluno, que havia sido convidado pela turma para falar dos costumes, da geografia e do povo de Guiné-Bissau, país cuja língua oficial é o português. Este jovem de Guiné-Bissau faz parte de um grupo de estudantes que participam de um projeto de intercâmbio da UFMG com países da África. No início de sua fala, ele comentou sobre o regime ditatorial que ainda domina em diversos países africanos, das lutas entre as tribos de nativos que moram em cada país, cada uma falando uma língua. Estas tribos, em geral, não se entendem, não apenas por causa da diversidade de língua, mas principalmente por causa da corrupção patrocinada pelas grandes potências estrangeiras. Segundo ele, existe lá uma corrupção tão arraigada e poderosa, que corrói toda esperança de uma vida mais digna para os habitantes do continente, no presente e no futuro.

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dez 29

(Uma homenagem ao diretor português Manoel de Oliveira, que completou 100 anos de vida.)

Uma professora de História de uma universidade de Lisboa faz um cruzeiro marítimo com sua filha de 7 anos. Ao final da viagem, pretende se encontrar com o marido em Bombaim, na Índia. Diz haver escolhido fazer essa viagem para conhecer os lugares de que tanto fala a seus alunos em suas aulas. Durante o percurso, o navio faz paradas em regiões mediterrânicas que marcaram a história da cultura ocidental. Ao saírem do Porto de Lisboa, a professora começa a narrar à filha fatos históricos de seu país. O relacionamento das duas parece espontâneo e feliz. A menina questiona, a mãe responde com mais História. Assim acontece quando o navio aporta em Ceuta, cidade espanhola encravada na costa africana, que por um tempo pertenceu a Portugal e foi de grande importância como ponto de apoio às navegações. Ocorre quando o navio pára em Marselha, cidade francesa que fora povoada pelos gregos no século VII a.C.. Repete-se na cidade italiana de Pompéia, cuja vida de seus habitantes fora bruscamente interrompida quando, no início da era cristã, o vulcão Vesúvio a cobriu por inteiro. Região que foi redescoberta após anos e anos de escavações, quando suas belas mansões, ruas pavimentadas, nomes de personalidades marcantes, obras de arte, o cotidiano e os costumes de seu povo, vieram à luz. Ocorre também quando o navio chega ao Egito, onde as colossais pirâmides, edificações de cerca dos anos de 2550 a.C ., que até hoje desafiam os conhecimentos e a inteligência do homem de hoje; e em Istambul, cidade situada em dois continentes, parte na Europa, parte na Ásia, que foi cenário da História pelos anos 7500 a.C.. Istambul foi a esplendorosa Constantinopla do império bizantino, antes de ser tomada pelos turcos, lá pelos 1500 d.C.

O capitão do navio fala diversas línguas, conhece quase todos os portos. Às tardes, à mesa do jantar, reúne gente de nações diversas. Falam de suas vidas, de seus desejos, de suas esperanças. Cada um se expressa na sua língua materna e se entendem. Mãe e filha são convidadas a roda. Então, falam de línguas faladas no mundo, da língua grega, que apesar de ter sido a língua base de toda a civilização ocidental é falada somente na Grécia; comentam que a língua portuguesa, por causa das grandes navegações dos portugueses e colonização das terras descobertas, tornou-se uma língua falada em todos os continentes.

Chega um momento, quase no final do cruzeiro, em que a embarcação entra no canal de Suez, que liga os mares Mediterrâneo e Vermelho, última parte de seu percurso. A menina continua curiosa, quem sabe fazendo perguntas que fazemos a nós mesmos quando estamos diante de fatos históricos. Quem foi D. Sebastião? E o infante D. Henrique? O que é um mito? O que é uma lenda? O que é um muçulmano? O que é um árabe? Porque que há guerras? Por que fazem guerras se morre tanta gente?

Sem sinal de guerra aparente, sem razão aparente, aquele navio fora “escolhido” para ser explodido. Se os passageiros foram avisados antes? Foram. Embarcaram em botes vestindo coletes salva-vidas. Sem explicação aceitável, por um atraso também não explicado, mãe e filha não tiveram tempo para deixar o navio com os outros passageiros. Ouviu-se um estrondo, viu-se o fogo. Uma expressão de espanto, de pavor, de indignação surgiu no rosto do capitão. Quem teria o direito de cortar a história de vida de mãe e filha que viajavam ao encontro do pai? Por que o terrorismo? Que diabo de ideologia é essa?

Essa mesma expressão de perplexidade podemos ver no rosto do povo brasileiro ao saber da notícia da morte de uma criança ao ser arrastada, presa num cinto de segurança de um carro. Quem teria o direito de interromper a história dessa vida, de uma família? E pior. Esse é um fato que vem se repetindo dia a dia. Quem de nós não teria um caso semelhante para contar, de um parente, amigo ou conhecido, que tenha perdido a vida ou sido mutilado por um tiro ou outra arma qualquer em um assalto, na maioria das vezes, a troco de quase nada, ou seja um celular, um cartão bancário, uns poucos reais?

O caso do ataque às torres em Nova York. Quem teria o direito de aniquilar cerca de 3.500 vidas, interromper a história de tantas pessoas… A troco de quê? Cada um dos familiares das pessoas que morreram naquele dia deve ter se perguntado: porque aconteceu com meu pai, minha mãe, meu filho, meu amigo, com tanta gente que nem conheço?

Bem que podia chegar a hora do mundo se unir, apesar de todas as diferenças de línguas, raças, religiões, costumes, saberes, em favor da vida pessoal e coletiva. Afinal, em vista da História, a vida de cada um de nós é um período tão curto de passagem por esse mundo… Por que interromper ou mesmo desviar a história individual ou coletiva, se a própria natureza se encarrega disso, no momento devido? Deus, por quê? A vida se vai e todas as riquezas, todo o dinheiro, todo o petróleo ficam.

 

 

Crônica inspirada no filme “Um filme falado”, em que Manoel de Oliveira nos passa uma mensagem de indignação a respeito da falta de paz no mundo.

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dez 27

ano partido

viver não vivido
fazer mutilado
assim

exaurido
olvidado
o ciclo fechado
o querer ido
no que finda
para todo o sempre
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dez 23

Se o senhor é ou não, carne e osso como os daqui da terra, Papai Noel. Não importa. Vale que seja um símbolo. De alegria. De amor. Também não importa qual seja o Ser Superior, cuja imagem você simboliza.

Pedir-lhe presentes para mim, nem quero. O estar viva no dia de hoje é a maior bênção. Se usar de alguma medida para calcular o de bom e o de desagradável que a vida me deu, o de bom representaria o maior volume, peso, quantidade, o que for. Então, pessoalmente, devo-lhe agradecimentos. Muito obrigada!

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dez 20

Pode ser que eu embarque ainda neste domingo. Fujo. Se de mim, se de alguém ou se de… Sei lá… Ou sei… Comprei as passagens no início do mês, assim, sem mais nem menos, sem divulgar. É meu primeiro Natal longe de casa, da festa em família, sem a companhia de meu eterno marido. Quero distância de bebedeiras, excessos de comida. Quero um Natal de 2006 num lugar diferente, sem presentes, sem presenças habituais.

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dez 15

Como dona História conta sobre a vida de uma jovem falecida em 13 de dezembro de 303

Era uma vez. Aconteceu há mais de mil e setecentos anos, num lugar chamado Siracusa, que fica lá na ilha de Sicilia, Italia. Nesse tempo, como em outros, mocinha alguma, ao chegar a certa idade, podia ficar sem marido. Ainda mais se fosse órfã de pai! Todo ser mulher precisava de um poder masculino para cuidar de si_ pobre coitada, frágil, vulnerável, sem capacidade de se defender dos perigos do mundo nem dos seres do sexo oposto.

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dez 02

Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorro quente. Ele não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia o melhor cachorro quente da região. Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.

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nov 30
misteriodenatal

Jostein Gaarder é um escritor nascido em Oslo, Noruega, em 1952. É formado em filosofia. Trabalhou como professor durante muitos anos no ensino médio, ensinando História das Idéias e Histórias das Religiões.Tornou-se um autor muito conhecido no mundo inteiro, a partir do ano de 1991, com a publicação do livro “O mundo de Sofia”, que segundo ele, havia sido uma experiência e que ele nunca pensara que poderia se tornar um best-seller.

Quando soube do grande sucesso de “O mundo de Sofia”, o autor ficou imaginando o motivo e concluiu que seria porque as pessoas ficam fascinadas pela filosofia e tiveram a oportunidade de ler sobre Filosofia como se fosse uma história. E histórias são contadas em todo o mundo, em todas as línguas, a nossa própria vida é uma história. Interessante é que o nome da personagem principal_ Sofia_ em grego significa sabedoria. A partir da publicação de “O mundo de Sofia”, Jostein Gaarden deixou de ser professor e passou a se dedicar integralmente à literatura. E escreveu muitos outros livros que já foram publicados no Brasil e em mais outras 45 línguas.
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