Category: Crônica da madrugada

Cedae e a falta d’água

Por Timoneiro, 4 de julho de 2009 3:40

Crônica da madrugada

Jóia da Barra

Na semana passada a Cedae, finalmente, consertou um grande vazamento de água, na esquina da Av. Embaixador Abelardo Bueno com Rua Jorge Faraj, em frente ao Autódromo, na Barra da Tijuca. A água jorrava com muita força e, durante 15 dias, destruiu calçadas e canteiros, além de inundar as pistas de rolamento e a tubulação de cabos da NET.

Coincidência, ou não, a partir daí começou a faltar água no Condomínio Jóia da Barra, com cerca de 500 apartamentos, localizado nesta mesma esquina (ver imagem).

As equipes da CEDAE estiveram no local e informaram, após análise do problema, que a causa da falta dágua era algum problema interno no condomínio. Só não informaram por que a água, que antes chegava com pressão ao hidrômetro, agora chega bem fraquinha, praticamente um filete.

A CEDAE não admite a responsabilidade, não conserta, e ainda transfere a culpa para o usuário final. Conheço bem os serviços da CEDAE. O problema da falta d’água em Iguabinha (Araruama) só foi eliminado quando o fornecimento de água passou para a responsabilidade da empresa Águas de Juturnaíba.  Bastou tirar a CEDAE para acabar o problema. Estranho, não?

Vamos ver o que acontecerá no fim de semana, quando as mais de 2000 pessoas que vivem no Condomínio Jóia da Barra estarão em casa. Sem água!

Atualização das 11 horas:

No início deste sábado a administração do Condomínio encomentou carros-pipa.

Atualização das 17 horas:

Continua a faltar água no Jóia da Barra. Mais carros-pipa foram comprados. A CEDAE ainda não resolveu o problema, que ela acha que não é dela.

Carro pipa no Jóia da Barra

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Quinze anos sem inflação

Por Timoneiro, 29 de junho de 2009 0:30

Crônica da madrugada

Em 1º de julho de 1994 mudou a moeda brasileira. O REAL chegou para ficar, com promessa de acabar com a inflação.

O brasileiro, sempre esperançoso, já não aguentava mais tantos planos mirabolantes. Estava cansado de fechar supermercados, controlar preços, deixar de consumir, mas continuar pagando juros que consumiam mais da metade do seu salário. Quem resistia a juros de 50% ao mês?

Nesta época morava no Leblon, na Rua Artur Ramos, ponto nobre do bairro, e pude assistir ao aumento dos aluguéis e congelamento de salários. Tendo mudado de emprego, recebendo um salário menor, fui obrigado a deixar o bairro e a cidade, morando dois anos em Iguabinha, onde tinha casa, e os custos seriam menores. Chegava a acreditar que a oposição ferrenha que o PT, meu partido de simpatia, fazia ao Plano Real, tinha razão de ser.

Mas os juros do cheque especial, que consumiam metade do meu salário, deixaram de ser a assombração de todo final de mês. Algo mudara. Para melhor.

O tempo passou. Quinze anos se passaram.

Hoje, felizmente, podemos dizer que o Plano Real deu certo e foi o mais bem sucedido plano brasileiro de estabilização econômica. Se ainda houvesse inflação não teríamos os números impressionantes que nossa economia apresenta. A classe C, hoje tão favorecida, teria aumentado bastante, numéricamente falando, acrescida pelos sobreviventes da classe média. Com certeza não poderia usufruir de todas as vantagens que hoje recebe e o seu poder de compra não seria o mesmo.

Tudo começou há 15 anos.

 

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Patrulhamento ideológico

Por Timoneiro, 28 de junho de 2009 4:10

Crônica da madrugada

Paulo Afonso

Cursava o ginásio quando a vocação pelo jornalismo se manifestou claramente pela primeira vez. Fui responsável pelo jornal mural da terceira série e, praticamente, escrevia todas as matérias. Estudando em uma turma grande, com mais de 30 alunos, era o único que se interessava pelo jornal.

Estávamos no início da década de 60, pouco antes da revolução. O jornalista Carlos Lacerda governava o Estado da Guanabara e fazia uma excelente administração. Os políticos daquela época pareciam diferentes dos atuais. Pelo menos eu os via assim. Mesmo os opositores eram pessoas que mereciam respeito. Eu vinha de uma família lacerdista e, acompanhando a sua vida política, apreciava sua inteligência, o dom da oratória  e grande capacidade administrativa. Tinha prazer em escrever sobre suas obras, principalmente porque eram realizadas no Rio de Janeiro, cidade que tanto amava.

Como nenhum colega se animasse em escrever para o jornalzinho, passei a assinar todas as matérias, a maioria delas descrevendo o que estava sendo realizado no Estado da Guanabara, a nossa cidade-estado. Muitas fotos ilustravam os textos. Nascia o embrião do Alma Carioca. Eu tinha pouco mais de 15 anos.

 Alguns alunos do científico não gostavam dos meus artigos, principalmente quando estes elogiavam o governador Lacerda.  No entanto, até hoje, todos afirmam que Lacerda foi um excelente administrador e, na minha opinião, o melhor governador que o Rio já teve em toda a sua história. Uma de suas características foi escolher técnicos para os cargos importantes, sem qualquer conotação política. Quanta diferença dos tempos atuais.

Mas, como dizia, o pessoal do científico não gostou daquilo que leu. O alagoano Vladimir Palmeira fazia parte dessa turma mais adiantada. Não lembro o nome dos demais, pois Vladimir foi o que ficou mais conhecido por lutar contra a ditadura, sendo preso e libertado em troca da liberdade do embaixador americano. Um grupo de alunos foi à secretaria reclamar do conteúdo do Jornal Mural.

A direção do Mallet Soares pediu-me para não escrever mais sobre as obras de Lacerda ou sobre política. Poderia escrever sobre qualquer outro assunto, menos política.

O jornal mural da turma 34 foi a minha estréia no jornalismo, tendo sido calado por colegas que não concordavam com a minha opinião. Senti na carne os efeitos da censura e do patrulhamento ideológico. E ainda nem estávamos na ditadura.

Tenho acompanhado comentários em diversos blogs políticos, tanto naqueles que defendem o governo, quanto nos que se opõem a ele.  Infelizmente não percebo, nesses comentários, um duelo de idéias, mas uma troca de ofensas e intimidações, algumas veladas, outras bem diretas, com o objetivo de calar o blogueiro ou os comentaristas. É o patrulhamento ideológico.

A experiência que tive no ginásio despertou um sentimento que carrego até hoje: podemos discordar da opinião de alguém, mas devemos defender o direito desse alguém se pronunciar. Tentar calar quem pensa diferente, como fizeram comigo, é uma violência contra a liberdade de opinião e os direitos individuais.

Neste blog, felizmente, o assunto é literatura. 

 

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O universo de cada um

Por Timoneiro, 27 de junho de 2009 4:14

Crônica da madrugada

São quatro horas da madrugada. A falta de sono me trouxe ao computador. Sonolento, leio e respondo emails, publico textos de colaboradores, acompanho notícias e me preparo para escrever a crônica da madrugada.

Penso nos emails que recebi. Vem a idéia de que cada um de nós é um universo em separado; universo de idéias, de sentimentos, de opiniões, de conflitos. Cada um se considera, e até com razão, o centro do universo maior. Problemas pequenos se agigantam na ausência de problemas reais e maiores. Até que um dia… tudo acaba.

Esses pensamentos aconteceram motivados pelo email que recebi da nossa escritora Lu Dias. Trata-se de um texto que circula pela web há alguns dias e que já foi publicado em vários sites e blogs. Não sei a autoria e nem posso confirmar a publicação original, mas vale a pena ler e refletir. Quem sabe seja a hora de repensar a nossa vida. O passado não pode ser mudado, mas o futuro pode. Depende da nossa vontade. Aqui está:

Carpe Diem!

Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.

Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste.

Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado.

Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.

Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.

 

 

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O fim do Kodachrome

Por Timoneiro, 23 de junho de 2009 7:49

Crônica da madrugada

kodachrome

Após 74 anos de história, o filme Kodachrome, utilizado para slides (transparências ou diapositivos), deixará de ser fabricado.

A fotografia digital, até pouco tempo olhada com desconfiança pelos fotógrafos experientes, ganhou a simpatia e preferência de amadores e profissionais. O aumento na resolução, com a consequente qualidade de imagem, e os preços cada vez menores, foram os responsáveis pela grande aceitação.

Nos primórdios da fotografia digital a câmera Mavika, lançada pela Sony, atraiu a atenção dos consumidores. As imagens, em baixa resolução, eram gravadas em disquetes. De lá para cá muita coisa mudou. Os preços caíram e a qualidade das imagens aumentou consideravelmente. Fotógrafos amadores utilizam câmeras compactas, bem baratas, com resolução acima de 8 megapixels.

As câmeras analógicas foram perdendo espaço. Todos queriam ver o resultado na hora, sem necessidade de revelar filmes, e com custo zero. A câmera digital atendia a tudo isso, além de estar presente na maioria dos telefones celulares.

E o filme, após resistir bravamente, se aposenta para entrar na história.

 

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A volta da crônica

Por Timoneiro, 20 de junho de 2009 19:36

Crônica da madrugada

Faz algum tempo que tenho pensado em reativar a “Crônica da Madrugada“. A seção, criada nas noites insones, deixou de existir quando passei a deitar mais cedo. Sempre achei que a crônica deveria ser escrita no silêncio da noite, quando todos estão dormindo, e os mistérios povoam a mente.

Continuo dormindo cedo. O dia tem sido cansativo, com muitas atividades, algumas nada agradáveis, mas não posso deixar que o blog, minha distração e meu trabalho, seja negligenciado.

Entre tantos assuntos, como selecionar um que agrade aos leitores e não magoe os companheiros que, sem que me dê conta, podem não concordar com alguns conceitos? Mais cedo publiquei uma charge que recebera por email. Já havia prometido não fazer mais isso; mas esqueci. Peço desculpas aos amigos que magoei. Mudei o foco do blog, trazendo a política e a discórdia para nossas páginas. Não é o que desejo. Não se repetirá.

Excepcionalmente a “Crônica da Madrugada” de hoje vai ao ar mais cedo. Nos outros dias, seguindo a tradição, será publicada após a meia-noite, mesmo que seja preparada com algumas horas de antecedência.

Desejo a todos um bom domingo. Amanhã, 21 de junho, começa o inverno. Minha mulher, Lucia, faz aniversário. Que seja um dia muito feliz e que possamos comemorá-lo por muitos anos, com todos reunidos.

 

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Martelinho de ouro

Por Timoneiro, 6 de maio de 2009 0:10

Crônica da madrugada

Sexta-feira passada assisti, no Globo Repórter, a uma matéria interessante. Mostrava uma técnica de funilaria, chamada “Martelinho de Ouro”, que permite eliminar amassados em lataria de automóveis, sem necessidade de pintura. Além de muito eficiente, o processo é rápido.

Os profissionais especializados são poucos, e pagos a preço de ouro. Há quem chegue a ganhar mais de vinte mil reais por mês. Alguns, instalados em concorridas oficinas, ganham muito mais.

Os cursos, oferecidos por algumas dessas oficinas, não tem vagas para as próximas turmas. O interesse é muito grande.

Só fiquei sabendo desses detalhes depois que publiquei uma dica no “Dicas do Timoneiro”, onde anexava um vídeo mostrando o trabalho sendo feito. É realmente impressionante.

Percebi um imediato aumento nas visitas e comecei a receber emails de pessoas interessadas em fazer o curso. Muitos queriam saber onde havia um, perto de suas casas.

Fui parar no Google, destino daqueles que procuram uma informação e sabem que vão encontrá-la. Publiquei mais três artigos sobre o assunto:

Agora, cá entre nós, melhor do que aplicar o “Martelinho de Ouro“, é ensinar a técnica aos interessados. Os cursos de uma semana, todos lotados, custam entre mil e cinco mil reais, por aluno. As turmas têm, geralmente, sete alunos.  

Em época de crise, ou mesmo fora dela, quem não gostaria de ter uma profissão bem remunerada e ser um profissional respeitado pela sociedade? Os tempos mudaram. A caneta deu lugar ao martelo. E com toda razão.

 

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