Aqui, nas Minas Gerais, não temos tradição em escolas de samba. Nosso carnaval, de modo geral, é mais restrito aos blocos. Por isso, para entender os meandros do julgamento, que acontece no Sambódromo, durante os desfiles, recorri-me a um texto do Frederico (endereço citado abaixo do texto) e à Wikipédia, como fontes de pesquisa.
As escolas de samba, no Rio de Janeiro, trabalham, com esmero, para brilharem nos desfiles. Iniciam com os ensaios nos barracões e, posteriormente, com os chamados “ensaios técnicos”, para que possam cronometrar o desfile e fazer o posicionamento das alas.
A disputa entre as escolas de samba é acirrada. Elas são divididas, em quatro grupos:
Atualmente, o desfile é feito em dois dias (sábado e domingo), porque houve um grande crescimento, no número de escolas.
A campeã é declarada, na quarta-feira, logo após a contagem dos votos dos jurados. Também, anuncia-se a escola que foi rebaixada do Grupo Especial para o Grupo A
No sábado seguinte, a campeã e as colocadas em segundo, terceiro e quarto lugares, e a primeira do Grupo A, voltam ao Sambódromo para o Desfile das Campeãs.
Dez quesitos são levados em conta, no julgamento das escolas de samba, de acordo com o estabelecido pelo regulamento oficial. São eles:
1- Bateria
2- Samba-Enredo
3- Harmonia
4- Evolução
5- Enredo
6- Conjunto
7- Alegorias e Adereços
8- Fantasias
9- Comissão de Frente
10-Mestre-Sala e Porta-Bandeira.
Os jurados são indicados pela LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do RJ), de cuja entidade trinta membros participam. E, logo após a escolha, eles passam por um curso de treinamento, ministrado pela liga das escolas.
Durante o desfile das escolas, os jurados devem permanecer incomunicáveis, dentro de suas cabines, espalhadas pela avenida. Não podem, nem mesmo, fazer uso de celulares. As notas só podem ser reveladas, após a apuração dos resultados. Cada nota deve ser justificada, por escrito.
Cada quesito é avaliado por quatro jurados. Portanto, ao todo, são 40 jurados.
Para quem gosta de acompanhar os desfiles das escolas, nada como saber um pouco, sobre como se processa o julgamento dessas:
Bateria – É o coração pulsante da escola. E, dentro dela, muitos quesitos são levados em conta, tais como ritmo, criatividade, capacidade de empolgar os foliões, etc. A criatividade e a versatilidade são fundamentais, assim como a sua cadência, que deve estar em perfeita sintonia com o samba-enredo da escola.
Embora conste, na bateria, um grande número de instrumentos, é o conjunto do som, emitido, por eles, que é avaliado.
A bateria não é julgada pela quantidade de participantes inclusos, nela.
Aquele recuo, que todas (ou quase todas) fazem, já tendo um espaço destinado a elas, assim como a parada, em frente ao local, onde se encontram os jurados, não são obrigatórios.
Samba-enredo – Leva-se, em conta, a letra e a melodia do samba.
A letra precisa estar em perfeita harmonia com o enredo, sem falar na riqueza dos versos. E, deve ser cantada por toda a escola, durante o desfile.
Na melodia, devem constar as característica rítmicas inerentes ao samba. Ela também deve ser capaz de ajudar os sambistas a fluírem com facilidade e leveza.
Problemas com o carro de som não tiram pontos da escola.
Harmonia – Leva em conta o entrosamento entre o ritmo da música, a bateria e o canto de quem interpreta o samba. Os participantes da escola têm a obrigação de cantar a música, junto com o puxador do samba. A alegria dos foliões é fundamental para a harmonia.
Evolução – É o quesito, que julga a empolgação e a agilidade dos foliões, durante a passagem da escola pela avenida. É importante, que as alas estejam bem definidas. A escola tem que estar compacta, ordenada e coesa no seu deslocamento, sem correrias ou retornos. A alegria dos foliões é fundamental.
Enredo – É a apresentação do tema desenvolvido pela escola, assim como a sintonia entre esse e as alas. As fantasias e alegorias devem estar de acordo com o enredo. Antes de entrar em cena, a escola apresenta um roteiro de disposição de suas alas, que deve ser rigorosamente seguido.
Fantasias – Devem estar de acordo com o enredo da escola, além de ostentarem beleza, originalidade e criatividade. Devem ajudar a contar a história proposta pela escola.
O material usado também é avaliado.
Alegorias e adereços – Assim como as fantasias, elas devem ajudar a desenvolver o tema da escola cantado em seu samba-enredo. Material usado, disposição das cores, e significados são importantes no julgamento. Objetos que não fazem parte do desfile (isopor, caixas, papelões, etc.) não podem estar à vista.
Comissão de frente – É responsável por saudar o público e apresentar a escola na avenida. Deve se exibir de forma coordenada e criativa. Quedas ou perdas de acessórios, durante o desfile, são levadas em conta pelos jurados.
Mestre-sala e porta-bandeira – É o casal mais importante da escola. Os dois devem se apresentar com harmonia, graça e leveza, apresentando movimentos clássicos da dança.
A porta-bandeira leva o símbolo mais importante de sua escola, conhecido como Pavilhão. Ao casal cabe a tarefa de apresentá-lo ao público.
Conjunto – É a harmonia, a uniformidade e o equilíbrio artístico da escola. É o corpo da escola, responsável pela definição de sua nota.
Escolas empatadas, em primeiro lugar, serão desempatadas por sorteios, que determinarão qual quesito terá a nota válida para o desempate.
Observação: Segundo a minha fonte de pesquisa, suas informações são relativas ao Carnaval de 2007. Como o Carnaval é dinâmico, se algumas mudanças aconteceram de lá para cá, é mais do que natural. Mas, o núcleo da disputa continua o mesmo.
Peço aos leitores, que tiverem conhecimento de algumas mudanças, repassem-nas, na parte de comentários, para que o nosso texto esteja completo em 2011.
Fonte de Pesquisa:
Frederico (http://flexus.wordpress.com/2009/02/24/carnaval-conheca-os-quesitos-para-avaliacao-das-escolas-de-samba/)
Wikipédia