Category: Dalva e Herivelto
Ele sabe tudo sobre Dalva de Oliveira
Em Congonhas, Minas Gerais, vive Paulo Henrique, de apenas 20 anos, um dos mais ardorosos fãs de Dalva de Oliveira.
Seu blog, “Dalva de Oliveira – Rainha da voz” é referência para quem deseja conhecer a vida da artista.
“Tenho 20 anos. Moro em Congonhas – MG. Sou funcionário Público e curso Graduação de História. Sou fã da Dalva de Oliveira, um amor que não existe palavras para explicar. Blog criado com intuito de homenagear a Grande Rainha da Rádio, Rainha da Voz, Rouxinol brasileira, a magnífica Estrela Dalva de Oliveira. Queremos divulgar a grande obra de Dalva, para que nossa geração conheça a Rainha da Voz, aquela que foi considerada por Villa Lobos a maior cantora nacional. Quem sabe também à partir desse blog, podemos reunir os fãs de Dalva espalhados pelo mundo! Fiquem com Deus! Grande Abraço. Sejam bem vindos! . E-mail para contatos: blogdalvadeoliveira@bol.com.br“
Parabéns, Paulo!
Dalva e Herivelto – O comentário de Pery Ribeiro
Querido Paulo!
A palavra que resume meu sentimento sobre a minisserie *Dalva e Herivelto* é: EMOÇÃO.
Emoção por ver a Globo abrir espaço para mostrar a importância que meus pais tiveram.
Emoção por resgastar músicas de tanta beleza e trazê-las para o público de hoje.
Emoção por reviver tantas histórias que marcaram a minha infância.
Emoção por viajar no tempo das minhas memórias.
Ainda falando de sentimentos, quero falar de um em especial: o da missão cumprida. Pois tenho consciência que o livro *Minhas duas Estrelas*, escrito com a ajuda da Ana, e lançado em 2006, detonou este resgate desses dois grandes artistas da canção brasileira, Dalva e Herivelto. Não é fácil ser filho de dois monstros sagrados da história musical brasileira. E procurei explicar isto em meu livro. E mais ainda, mostrar o brilho que tiveram em suas vidas, e a importância e o legado deles para os artistas que os sucederam, e também para o público.
Se os meios de comunicação preferem se ater ao lado mais pessoal de suas vidas, por ter sido mais dramático e passional, não posso evitar. Este lado de suas vidas também está no meu livro, pois é impossível contar a vida deles, sem contar os detalhes de sua separação. E como filho,a partir do momento que me propus a escrever sobre suas vidas, eu o fiz por inteiro, sem censuras, sem ‘maquiagem’. Pois eles foram muito maiores que tudo isto. E por isto estão vivos na memória dos fãs até hoje, e no inconsciente coletivo emocional dos brasileiros.
Como telespectador, somente posso elogiar a maravilha do trabalho de todos na TV Globo. O roteiro da Maria Adelaide, a direção do Dennis Carvalho, a equipe preciosa que resgatouos ambientes da época, os figurinos, etc. Tudo é de muita excelência. E o melhor de tudo: os atores. Adriana e Fabio brilharam. Se entregaram verdadeiramente a Dalva e Herivelto. Desde que conheci a Adriana vi nela a delicadeza e a emoção que minha mãe tinha. O Fabio se superou como ator, tão convincente que motivou o público a tomar partido. Claro que como familiar, eu poderia criticar alguns detalhes, que em nada comprometeram a magnitude do resgate aos artistas Dalva e Herivelto, mesmo porque entendo perfeitamente que a minisserie não teve a intenção de ser um documentário, pois é uma obra de ficção, baseada numa história real. E a Maria Adelaide tinha de nós, filhos, carta branca para contá-la.
Para resumir, meu amigo, estou vivendo um momento de muita alegria. Qual filho não estaria orgulhoso de ver um país inteiro (re)descobrindo o talento e a grandeza de seus pais? Somente posso dizer muito obrigado a Deus por me dar em vida este presente.
Aproveito para agradecer o espaço dedicado aos meus pais, e também para lembrar a você a importância deste seu trabalho, abrindo este espaço para valorizar a cultura brasileira.
Continue assim, sempre firme. Muitas vezes não é fácil. Mas vale a pena, sempre.
Com carinho e admiração,
PERY RIBEIRO
Dalva e Herivelto – O outro lado da moeda – O comentário de Ana Duarte
DALVA E HERIVELTO SOB O OLHAR DE ANA DUARTE, SUA NORA – Lu Dias BH
Caros amigos leitores,
Acabamos de receber o comentário da escritora Ana Duarte, esposa de Pery Ribeiro, nora de Dalva de Oliveira.
Sem querer polemizar, ela rebate os textos, que eu postei hoje, Dalva e Herivelto – O outro lado da moeda – Lu Dias
Ana Duarte responde aos pontos levantados pelos senhores Argemiro e Henrique, no artigo anterior.
Convido-os a lerem.
Lu Dias
Nota do editor:
A respeito do artigo “Dalva e Herivelto, o outro lado da moeda“, publicado por Lu Dias e que dá destaque a comentários publicados no blog do Luis Nassif, recebemos o comentário de Ana Duarte, ex-esposa de Pery Ribeiro, coautora do livro “Minhas duas estrelas“, que conta a vida de Dalva e Herivelto.
Por Ana Duarte:
De maneira nenhuma queremos polemizar a respeito dos comentários feitos sobre a minisserie Dalva e Herivelto (ou sobre o nosso livro). O direito de expressão é liberdade garantida a todos. Apenas acho importante que as pessoas se informem melhor sobre o que escrevem.
E por isso quero esclarecer algumas informações que foram deturpadas nos comentários do senhores Argemiro e Henrique sobre o trabalho que tive a honra de partilhar com Pery Ribeiro: o livro Minha Duas Estrelas.
1) Absolutamente o livro de Pery foi escrito “as pressas”… o contrato com a Ed. Globo data de 1998, e o livro foi lançado em 2006. O que também o deixa fora desse comentário de ser uma “jogada de marketing” da Globo.
2) Pela delicadeza do tema, que envolvia as mais importantes relações afetivas de um ser humano (os pais), o livro que foi escrito em quase 2 anos, sofreu um longo processo de “maturação” na busca do equilíbrio que o filho Pery queria passar de todo o processo emocional vivido com seus pais. E este processo, de uma verdadeira catarse, foi muito bem entendido por quem leu o Minhas duas Estrelas.
3) É um relato das memórias de um filho apaixonado por seus pais. Não é um livro de fã e nunca pretendeu ser um livro jornalístico, mesmo que tenhamos feito a nossa pesquisa com o intuito de checar as lembranças de uma criança sensível com a memória de adultos que conviveram com Dalva e Herivelto, como Dorival Caymmi, Nelson Gonçalves, Jose Messias, Raul Sampaio, Marlene, etc.
4) O livro foi muito bem recebido pela imprensa e pelo público, e sempre esteve em catálogo na Ed Globo. Além do respeitado escritor Ruy Castro ter nos presenteado em seu prefácio ao dizer que “este é o melhor livro de memórias já escrito sobre um artista da música popular brasileira“, tivemos os mais belos comentários de personalidades como os escritores Nelida Pinon (imortal da Academia Bras. Letras), Afonso Romano Santana, Marina Colasanti, Maria Adelaide Amaral, Geraldo Carneiro, do jornalista Rodrigo Faour, do cartunista Chico Caruso, dos diretores de TV, Gloria Perez e Carlos Manga, somente citando alguns. Além de ter sido finalista em 2007, na categoria Biografia, do Premio Jabuti de Literatura, o mais conceituado do Brasil.
5) Com o advento da minisserie, foi natural que a editora Globo o relançasse com um chamada na capa fazendo o link com a minisserie. Aproveito para lembrar que a minisserie não é um documentário (estilo comprometido com os fatos), mas sim uma obra de ficção baseada numa história real. Portanto com direito a ” licenças poéticas” da autora e da direção.
Finalizando… quero contar a todos da alegria do filho Pery Ribeiro pela sensação de missão cumprida. Explico melhor: temos certeza que o nosso livro, lançado em 2006, desencadeou todo um processo de resgate dos grandes artistas Dalva e Herivelto, e de uma época de ouro da música brasileira, que culminou com a minisserie da TV Globo, de grande sucesso (31 pontos no Ibope).
VIVA DALVA E HERIVELTO!!! Mitos eternos.
Por Lu Dias:
Ana Duarte,
Conforme disse a meus leitores, devido à brevidade da minissérie, eu não consegui fazer nenhuma pesquisa, com mais profundidade. Limitei-me às pesquisas feitas no Google, por sinal muito pobres, e ao que assisti na minissérie.
E, em meio a tudo isso, teci meus próprios comentários, deduções relativas ao que li e assisti.
Como deixei claro, não tenho clareza efetiva, em muitos pontos, pois não tive fontes diferenciadas, para arvorar meus argumentos. Na medida do possível, tentei ser o mais imparcial possível.
Por isso, ao tomar conhecimento dos textos, citados na minha postagem anterior, repassei-os aos leitores do blog, para que tirassem suas próprias conclusões.
Gostei de receber a sua visita e, tenho o prazer de repassar seu comentário, a a meus leitores.
Inclusive, já recebi alguns pedidos, para que eu indicasse alguns livros sobre o assunto.
Aí está o MINHAS DUAS ESTRELAS, que também farei questão de ler.
O seu comentário será levado ao conhecimento dos leitores.
Se possível, gostaria que respondesse aos que apresentarem algum tipo de questionamento.
Atenciosamente,
Lu Dias BH

Dalva e Herivelto – O outro lado da moeda – Lu Dias
Caros amigos
Ao escrever sobre a minissérie Dalva e Herivelto, uma canção de amor, o meu compromisso maior foi ser o mais imparcial possível.
Entretanto, como só conhecia do casal, algumas poucas músicas e composições, optei por buscar dados no Google. O tempo era muito escasso, para que eu pudesse ler algumas biografias, referentes à dupla, em que pudesse me basear, também..
Outros comentários, eu os fiz tomando, como base, a própria minissérie. E, posteriormente, através da interpretação pessoal que fiz dos fatos apresentados.
Contudo, ao tomar conhecimento de novas informações, inclusive se contrapondo à tv Globo, sinto-me na obrigação de repassá-las a meus leitores.
E, que cada leitor tire as suas próprias conclusões.
Os textos, abaixo, foram retirados do blog de Luis Nassif (ver Fontes, abaixo)
Abraços,
Lu Dias BH
Texto 1 – Por Argemiro Ferreira
Infelizmente, por razões diversas, não pude ver a mini-série da Globo sobre Dalva e Herivelto. No passado – como milhões de brasileiros – também acompanhei aquela briga musical. Hoje acho saudável tanto o empenho da Globo em investir na história de nossa música popular (mesmo com eventuais tropeços, às vezes inevitáveis) como também é saudável, de nossa parte, partirmos de uma visão cética ao analisar a possível veracidade do que nos é contado na TV.
Um comentário no blog alegou que Herivelto, apesar de “grande sambista, grande compositor e grande músico”, foi um grande canalha. De certa forma foi essa a imagem maniqueista e provavelmente injusta que ficou da briga do casal. Mas a conclusão do comentarista pareceu-me reveladora. Disse ter chegado a ela “com base nas informações da maior testemunha de toda essa história: o filho mais velho do casal, Pery Ribeiro”.
Ora, ele se refere às conclusões do livro assinado por Pery Ribeiro e sua ex-mulher Ana Duarte. Um livro feito às pressas pela editora Globo, subsidiária da mesma corporação cuja rede de TV produziu a série, para a mesma jogada de marketing. Nada contra a sinergia dos impérios de mídia, sempre boa receita para fazer muito dinheiro. Mas terá mesmo o Pery Ribeiro escrito o livro? E se escreveu, será ele testemunha confiável?
À época da briga do casal Pery tinha uns cinco anos, creio, e morava com a mãe. Já adulto, passou a dar palpites até sobre a visita ao Brasil do cineasta Orson Welles, numa época em que era quase bebê. Num filme sobre a visita de Welles, Pery “testemunhou” como se lembrasse de tudo, embora a única relação dele com o fato fosse o detalhe de ser filho de Herivelto, que assessorava o cineasta em matéria de música, samba, carnaval, etc.
Seria bom saber que tipo de pesquisa fez Pery ou Ana Duarte para produzir o livro bancado pela editora e pela mini-série. Jonas Vieira, jornalista e pesquisador de nossa música popular, fez juntamente com Natalício Norberto, o único livro em que o lado de Herivelto de fato apareceu. Se eu fosse o Jonas, a esta altura estaria procurando um advogado para processar eventuais plagiários que podem ter faturado muito surrupiando o que só ele apurou – e, pior, tomando o partido do outro lado.
Num programa de duas horas na Rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro o Jonas já ofereceu sua análise crítica da mini-série. Tem autoridade para isso: o último depoimento do compositor foi feito a ele, para o livro “Herivelto, uma escola de samba”, lançado em 1992, poucas semanas antes de sua morte naquele mesmo ano (uma reedição está prevista para as próximas semanas).
A visão bem fundamentada de Jonas aparentemente entra em choque com o relato oportunista da Globo, que no fundo limitou-se a perpetuar a impressão dada na época pela cobertura leviana da mídia. Impressão que obviamente seria ainda a da testemunha não confiável (por ser criança e vítima da separação), que no máximo daria um bom estudo psicanalítico sobre os efeitos nocivos das brigas de casal e da má conduta da imprensa.
O excelente programa de Jonas na Roquette Pinto, “Rádio Memória”, foi minucioso na análise. Expôs um amontoado de erros grosseiros da mini-série – citando até personagens reais que eram negros e na Globo viraram brancos de olhos azuis (que diabo, Ali Kamel, nós somos ou não somos racistas?). Os interessados podem ouvir a gravação no website da rádio (http://www.fm94.rj.gov.br) e depois, no próximo domingo, ouvir também a continuação prometida por Jonas.
Por Henrique Marques Porto
Argemiro,
Se não me engano, o lançamento do livro de Pery Ribeiro foi cercado de alguma polêmica. Houve mesmo quem tentasse impedir sua publicação, discordando da visão pessoal de Pery sobre o relacionamento entre Dalva e Herivelto.
Em certos casos, o olhar sobre a vida de alguém é tão pessoal que se aproxima das biografias romaceadas, que não têm compromisso com a verdade factual. Em vários momentos a microssérie da Globo (a vida de Dalva bem que merecia mais uns cinco capítulos, no mínimo) se deslocou para o campo da ficção. Mas tudo foi apresentado como sendo realidade, história verdadeira.
Dou um exemplo: o último companheiro de Dalva não se chamava “Dorival” e nunca “pegou um Ita no Norte”. De verdadeiro ali, apenas o fato de que foi garçon e que “era bonito como um modelo”, como descreveu Hermínio Bello de Carvalho e eu confirmo. Era português de nascimento e se chamava Manuel Nuno Carpinteiro. Era bom sujeito e homem trabalhador. Depois do falecimento de Dalva, Nuno casou e teve filhos. Era técnico em eletrônica e dono de uma loja de reparos em Botafogo. Faleceu em 1996, ironicamente em mais um desastre de automóvel.
Convivi com Dalva e Nuno. A história dos dois também daria uma mini-série. Éramos vizinhos em Jacarepaguá. Dalva, uma mulher simples e afetiva, viveu seus últimos anos em solidão. Mas gostava de visitas, então convidava os vizinhos mais próximos. Lembro bem de Dalva mostrando orgulhosa os confortos da nova casa que levara anos para ficar pronta -casa construída em grande parte por Nuno, que também sabia virar massa.
Os colegas de profissão, que sempre iam a Jacarepaguá nos finais de semana, sumiram antes mesmo do acidente, em 1965. A filha Gigi morava na Argentina com o pai, Tito Clement. Os filhos Pery e Ubiratã também não a visitavam. Sabiam tão pouco sobre a vida particular da mãe nesse período e sobre o ambiente da casa em que cresceram que após sua morte venderam rapidamente o imóvel com uma preciosidade dentro: uma placa em bronze em homenagem a Pixinguinha com a assinatura do próprio. Relatos bem recentes dão conta de que a peça ainda está lá, na mesma parede onde Dalva a mandou fixar. E existem colecionadores particulares querendo comprá-la.
Por Fecmar1
Dalva Lúcia Climent é filha adotiva da cantora Dalva de Oliveira e do comediante e compositor argentino Tito Climent. Atualmente, Dalva Climent está desempregada e mora em Vigário Geral. Seu último emprego foi como cobradora em ônibus coletivos.
A Rede Globo, para fazer a minissérie “Dalva e Herivelto” ouviu os dois filhos do casal, o cantor Pery Ribeiro e o produtor de televisão, da própria Rede Globo, Ubiratã, que consentiram que o problema do alcoolismo da Dalva fosse retratado na minissérie.
Porém, Dalva Lúcia, a filha adotiva, não foi ouvida. E não daria o consentimento. Por isso tentou proibir a minissérie, mas não conseguiu (não deu tempo). O processo ainda está correndo.
Maiores informações:
Processo originário:
0392053-07.2009.8.19.0001
COMARCA CAPITAL (RIO DE JANEIRO) 37 VARA CIVEL
MEDIDA CAUTELAR
Não está em segredo de justiça. Qualquer pessoa pode folhear o processo. Nele, cópias de jornais e revistas mostram o reencontro da mãe com a filha em um quadro do programa Sílvio Santos, de décadas atrás, além da infância da filha adotiva, entre outras provas, que fazem parte da história. Dalva Lúcia Climent não teve muita sorte na vida.
Fontes:
1 – Texto de Argemiro Ferreira (primeiro)
2 – Texto de Henrique Marques Porto (segundo)
3 – Texto de Fecmar (terceiro)
Blog do luisnassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/)
Herivelto Martins: até onde é culpado pelo sofrimento de Dalva? – Lu Dias
É fato, que os espectadores da minissérie, que trouxe à tona a vida turbulenta do casal artístico Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, em sua maioria, tomaram o partido de Dalva. Isso acontece, porque somos muito mais, movidos pelos sentimentos, de que pela razão. Mas, até que ponto o outro é responsável por nossas atitudes, por nossa maneira de sentir o mundo e agir?
Não é fácil bloquear ou romper nossas relações, uma vez, que o relacionamento é a essência do existir. Por isso, o ato de cortar relações foge à natureza humana, tornando-se uma atitude hostil à realidade. Quando isso acontece, de certa forma, prejudica todos os envolvidos. Todo rompimento traz sangramento, assim como acontece com qualquer órgão de nosso corpo. É uma perda de energia, mesmo que, em longo prazo, ela possa nos fazer bem.
Não podemos negar que, na vida, todos os seres sofrem. Mas, a verdade é que uns sofrem bem mais de que outros. A indagação a ser feita é por que uns sofrem mais e outros menos. Suponhamos que Emilinha Borba ou Marlene estivesse no lugar de Dalva. O sofrimento teria sido o mesmo? E por quê?
Sinto que certas predisposições biológicas tornam-nos mais ou menos afeitos ao sofrimento. De forma que, cada um, reage diferentemente. E, ninguém pode nos tornar tal fardo mais leve, a não ser nós mesmos. Como fazer isso é uma tarefa que nos cabe, individualmente.
Não é possível negar que fazemos mal, uns aos outros. Assim como não podemos negar que as conseqüências do mal recebido, variam de conformidade com o receptor. Ele é o responsável por colocar sua dor ao sol e fazê-la secar, reduzindo-a ao pó. Ou colocá-la na água com fermento, alimentando-a para que cresça e frutifique. A opção é pessoal. E, por isso, diminui a capacidade de o observador fortuito analisar o responsável maior, por esse ou aquele sofrimento.
A cultura humana ensina que o mal maior é aquele, que recebemos, e não o que fazemos ao outro. A nossa avaliação é, portanto, muito mais exterior que interior. Por isso, eu me pergunto se, o nosso sofrimento, muitas vezes, não é uma forma inconsciente de punir o outro, que julgamos não ter o direito de nos ter feito sofrer? Vemos isso, principalmente, nas relações entre casais, ou entre familiares. Enquanto esquecem, com facilidade, o sofrimento a eles impingido, por estranhos, têm dificuldade em esquecer o que lhes é direcionado pelos que amam.
A paixão tem a capacidade de nos toldar a razão e de nos cobrir com o manto da ignorância. Não me refiro apenas à falta de conhecimento, mas, também, à incapacidade que adquirimos de ver, ouvir e sentir, de modo a negarmos a realidade, em que estamos inseridos.
Uma união em desequilíbrio não é só prejudicial aos atores principais, como a todos que estão à volta. Se, não é possível reformá-la, o melhor é desfazer-se dela. Sem falar que, nenhum dos cônjuges pode, em sã consciência, comprometer-se com a durabilidade dos sentimentos, que o levou a se unir ao outro.
Quando, um dos lados opta por deixar o relacionamento, seja lá qual for o motivo, o outro nada pode fazer, a não ser aceitar e continuar buscando a sua felicidade, em outra seara. Talvez, seja isso o que a nossa querida estrela devesse ter feito, uma vez que Herivelto sacrificara o amor que tinha por ela, em função do machismo que carregava. Postura que carregou até à morte da cantora.
Dalva era uma mulher vibrante, batalhadora e moderna demais para a época. Enquanto, Herivelto ainda se apegava à falsa moralidade de que o homem podia fazer tudo sem manchar o nome, mas, qualquer coisa maculava o "sexo frágil". Ele era, apenas, fruto dos preconceitos de seu tempo. Sem falar, que o sucesso de Dalva pesava sobre o seu machismo. Ela era a grande diva do Trio de Ouro. Um casamento não poderia sobreviver a tamanho descompasso.
Ainda, com a emoção à flor da pele, podemos condenar Herivelto. Mas, não podemos lhe imputar a obrigação de ter continuado, num relacionamento que não mais lhe dava satisfação, quaisquer que sejam as suas causas pessoais. O fato de Dalva não ter aceitado a separação e sofrido em conseqüência dela, não o torna melhor ou pior.
O sofrimento de Dalva foi uma escolha pessoal. Herivelto não pode ser culpabilizado, por ela não ter superado o desenlace amoroso. Ele não queria mais continuar preso àquela união. E ninguém pode o julgar por isso. Podemos questionar a sua conduta, no acirramento da discórdia. Mas, jamais pelo fato de ter se separado da cantora.
Como observadores atentos e justos, não podemos simplificar ou intensificar a complexidade da relação do casal Oliveira Martins, sem que compreendamos, primeiro, o contexto em que, cada um, se encontrava inserido, levando em conta o modo diferente como viam a moralidade da época.
Ouso pensar, que a não aceitação de se separar de Herivelto, teve um complicador maior, no caso de Dalva: o sentimento de rejeição.
Coloquem-se na posição de uma mulher rica, importante, famosa no país inteiro, desejada por muitos homens, sendo trocada por outra, aparentemente desconhecida.
O sentimento de rejeição mexeu com a auto-estima da cantora, apesar de todas as batalhas vencidas. Ela tinha tudo, menos o amor “daquele homem”. E era ele, quem ela desejava, para sua infelicidade.
Todo drama é, no fundo, fruto de um amor mal dirigido, o desejo desordenado de um bem, que não mais se tem e, em que se perde a essência do amor, para se deter apenas na sua causa.
Qualquer tipo de paixão extrema destrói e devora. É a anulação do sujeito em função do objeto de seu desejo. É o deixar-se engolir, por inteiro, por sentimentos e circunstâncias. É a incapacidade de elevar-se acima da própria dor. E, por mais que saibamos disso, sempre caímos na mesma armadilha.
Ainda que, inconscientemente, é possível deduzir, que Dalva optou pela postura de vítima, a ponto de se colocar na mão de um homem, que já se encontrava, definitivamente, com outra. Esquecendo-se de que era uma cantora deslumbrante, que arrebatava o país e outros cantos do mundo. Ela não conseguiu se fortalecer, diante dos obstáculos enfrentados, nessa união tumultuada, permitindo que Herivelto determinasse a qualidade de sua vida interior, como se houvesse lhe entregado as chaves de seu destino, quer pro bem, quer pro mal.













