Category: Falando de minha aldeia
Iguabinha – Pescadores e perumbebas
É muito bom quando acreditamos que nosso último trabalho foi melhor do que os anteriores. Isso mostra que aprendemos com nossos erros e continuamos a evoluir e a aprender.
Assim foi com este terceiro vídeo sobre Iguabinha. Ajustes no som, com mixagem mais adequada, privilegiando a música mas sem desprezar o som ambiente, economia no uso do zoom, takes mais curtos para aumentar o ritmo, mas sem acelerar demais, foram alguns detalhes com que me preocupei.
Este vídeo mostra a atividade da pesca artesanal em Iguabinha. Os pescadores colocam as redes à tardinha e as recolhem de madrugada. Geralmente conseguem muitos peixes, principalmente perumbebas, abundantes na lagoa. Particularmente, escolho os peixes com cuidado, dando preferência àqueles que ainda estão vivos. Alguns morrem na véspera e passam a noite nas águas mornas da lagoa, o que os torna impróprios para o consumo. Carne de peixe se decompõe muito rapidamente. É preciso ficar atento aos detalhes.
Espero que curtam a paisagem e o terceiro vídeo da série.
Elisete Cardoso (Eu não existo sem você e Outra vez) e Adriana Calcanhoto (Eu sei que vou te amar) no fundo musical.
Mais Iguabinha
Acordei cedo, peguei câmera e tripé, e lá fui eu para a orla tentar capturar algumas imagens. Ainda era muito cedo. Nem os pescadores estavam na praia, ainda deserta.
Não gostei de usar o tripé. A imagem fica estável, mas é difícil controlar a inclinação, principalmente nas panorâmicas.
Preferi voltar para casa e filmar meus cachorros.
Iguabinha, onde o sol passa o inverno
Não sei por que gosto tanto daqui. Na verdade, Iguabinha é um deserto, sem opções de diversões, nada para fazer. Talvez aí esteja o seu encanto. As noites de inverno são longas, embora ainda falte uma semana para o seu início. Noites frias e longas. Os dias, embora frios, são ensolarados e sem poluição. O azul é mais azul. Não há aquela névoa seca que envolve os grandes centros, principalmente o Rio de Janeiro, tão próximo e tão distante.
Quem passeia pela orla de Iguabinha achará, com certeza, que é um bairro de Araruama muito bem cuidado. Ruas limpas, asfalto, nada a dever aos bairros da zona sul carioca. Basta, no entanto, entrar por uma das ruas do bairro para constatar o descaso com que a Prefeitura trata o contribuinte. Veja, no final, a rua onde moro e minha casa.
Fiz este vídeo agora cedo. Não resisti ao lindo dia de sol. Foi até a beira da lagoa e registrei algumas cenas. Se vocês gostarem, posso repetir a dose indo a Cabo Frio, Búzios, Arraial do Cabo e outros pontos interessantes da região.
Espero que gostem. Aguardo comentários.
Foz do Iguaçu – amada por muitos, odiada por alguns – Jovimari Balotin
De novo estamos na mídia. Mas agora a chamada não é muamba e nem “laranjas” que não são frutas; tampouco contrabando ou descaminho; nem filas ou supostos terrorismos. Agora é um jovem assassino, que na fuga de seu louco mundo e após matar cartunista famoso e seu filho, e ferir um Agente Federal, é preso na fronteira com o Paraguai.
Foz do Iguaçu, “terra querida que é famosa, onde quer se que vá”, cidade do interior do Paraná, aparentemente como tantas brasileiras. Sua população estimada em 320 mil habitantes e centenas de “passantes”, Aqui convivem inúmeras etnias, diferentes credos e diversos pensamentos. Possui quadro social composto de trabalhadores, desempregados, estudantes, que em suas classes, sobrevivem na democracia e buscam sonhos sociais e realizações pessoais.
Já ouvi em viagens, comentários irônicos quando disse de onde era: “Ah, lá onde só há gente boooa?!”, “Lá na fronteira sem fronteiras?!”. Então, minha indignação desenhou a resposta, talvez não tão educada, mas sentida. E ao “lá” eu respondi:
Não, lá não há só gente boooa! Lá vivem, passam e morrem pessoas de todo o mundo, com qualidades e defeitos;
Lá escondem-se, mascaram-se, perdem-se e são achadas pessoas de todos os tipos;
Lá nascem pessoas do bem e do mal, com alma, coração e impurezas;
Lá chegam desconhecidos, turistas, compristas, traficantes, assassinos, políticos, famosos, amigos, parentes, estrangeiros… e não se sabe o que trazem em si e nem o que seus corações suportam ou comportam. Mas lá, ao recebê-los, somos talvez ingênuos! Imaginamos que os que chegam, possuem o melhor do ser humano – caráter, ética, amor. E por isso nossos braços sempre abertos ao incógnito caminhante.
Sim, mas lá, como em todo lugar, há esperança, há a palavra dita e escrita, há seres que pensam, há lutas para desmistificar e mostrar que vamos além de vontades implícitas de destruição.
Lá muitos passam, mas os que permanecem, têm grandes e simples sonhos – de ver suas crianças educadas, seus idosos respeitados, seus doentes curados, sua cidade segura, seus jovens plenos de ideais, seus homens e mulheres na labuta saudável e digna.
Sim, a minha cidade se diferencia pela beleza não tão falada e nem ampliada em sons e imagens. Talvez porque o bem, o bom, o bonito não dão grandes ibopes; talvez porque os interesses suspeitos e ocultos tenham apenas mistérios.
Aqui há harmonia, e encontramos o belo no verbo ter conjugado:
Temos aqui os caudalosos e silenciosos rios Iguaçu e Paraná, unindo-nos em pontes à Argentina e Paraguai. Temos a imponência das Cataratas do Iguaçu a maravilhar o mundo inteiro. Temos ainda, a imensa e altiva Itaipu a liberar sua energia e iluminar, sem preconceitos. Temos os lagos artificiais em que embarcações deslizam com amadores, esportistas ou profissionais pescadores. Temos o Parque Nacional do Iguaçu, que com sua mata verde e sua pureza ajuda-nos nos momentos em que é preciso “respirar fundo” para encontrar respostas às ironias ouvidas. Temos também um hino tão bem escrito por Francisco que traz estrofe parecendo oração:
Sim, mil graças por tanta beleza,
Ó Senhor! Sempre mais progredir,
que um passado de heróica nobreza,
seja o aval de um fecundo porvir!
E eu, inclusa nesta “Natureza imponente e garrida que, no mundo, mais bela, não há”, encontro-me do lado dos que amam e acreditam nesta cidade. Esta que era ainda pequena quando recebeu uma menina, cheia de sonhos.
Não pensem que aqui não sofri, não chorei ou não me decepcionei. Mas saibam que é por viver, amar e confiar nesta gente que aqui está, e é por sentir e perceber injustiças, que não calo meu grito de ira e não sufoco minha aversão aos que odeiam, prejudicam e nada fazem para melhorar o mundo e nem tampouco seus mundos.
E é por respeito aos destemidos exploradores que dedico minhas palavras e transcrevo outra estrofe de Francisco:
Honra eterna aos ingentes pioneiros
deste solo, onde é grande o labor;
aqui estão corações brasileiros,
palpitando com idêntico amor!
O Trampolim do Diabo – Rogério Barbosa Lima
O “Circuito da Gávea”, inaugurado em 1933, foi planejado com o auxílio do automobilista Manuel de Teffé, recém-chegado da Europa, onde obtivera certo êxito. A pista, idealizada para fugir da mesmice das retas e partes planas, estendia-se por uma variedade de pisos de paralelepípedo, asfalto, terra e cimento, a partir do Hotel Leblon, subindo a Av. Niemeyer, contornando o morro Dois Irmãos, via Rocinha e Estrada da Gávea e retornando pela Marquês de São Vicente até desembocar outra vez no canal da Visconde de Albuquerque, a reta principal, a reta final. Um trajeto empolgante, com uma sucessão de rampas acentuadas, precipícios e curvas de raio fechado, como o famoso “S”, em cujas proximidades os corredores alternavam, subindo ou descendo, dezesseis curvas perigosas.
O pavilhão de chegada, em frente ao hotel, abrigava o serviço de cronometragem, os juízes, as comissões técnicas, autoridades e convidados. A poucos metros dali ficavam os boxes de abastecimento e reparos das baratinhas.
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Hotel Leblon e seus sortilégios – Rogério Barbosa Lima
A restinga do Leblon, hoje recortada por avenidas, ruas e praças, cheias de suntuosos edifícios e ricas residências, quase se converteu em um vasto cemitério municipal, conforme projetou e quis, no início do século, o conhecido engenheiro André Rebouças. Não logrou seu intento, mas o que quer que tenha suspeitado de fantasmagórico, sobrenatural na região para respaldar sua predileção, parece ter se materializado muito mais tarde em mais de uma oportunidade e, por razões à primeira vista inexplicáveis, a maior parte dos acontecimentos sobrevindos guarda algum tipo de envolvimento com o Hotel Leblon.
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