Category: Poesias declamadas

Poesias declamadas (32) José Nélson Dante (Resignação – Castro Nery)

Por José Nélson Dante, 25 de junho de 2010 4:49

RESIGNAÇÃO

CASTRO NERY

Ninguém te ama, ninguém te amou, nem há de
Amar-te, quando, enfim, à campa fores.
Medita, coração, nesta verdade:
Só não tem prantos quem não teve amores.

Tu só tiveste, no desbotar das flores,
Na lembrança do amor, felicidade.
Quem teve na existência tão só dores,
Tão só de dores pode ter saudade.

Feliz de ti, que, junto aos bens terrenos,
Tão só na terra viste carrascais
E na taça do amor tão só venenos,

Porque, experiente agora, quando cais,
Tens da esperança uma esperança menos
E da saudade, uma saudade mais!

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Poesias declamadas (31) José Nélson Dante (Rosas – Ciro Costa)

Por José Nélson Dante, 20 de junho de 2010 5:00

ROSAS

CIRO COSTA

Beijo-te as lindas mãos com que me feres.
As lindas mãos com que me feres, beijo.
Entre os desejos meus eu só desejo
ter a vaga ilusão de que me queres.

E é só. E é tudo. Entanto, se puderes
acolhe com um sorriso o meu cortejo.
Já não me iludo ao ver-te qual te vejo
uma mulher como as demais mulheres.

Ao teu jugo, ai de mim! estou sujeito.
Se há goivos que vicejam no meu peito
vivo contigo, amor, em pensamento.

Toda mulher é rosa – aroma e espinho.
Todo homem é um farrapo solto ao vento
mas, ai dele! sem rosas no caminho . . .

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Poesias declamadas (30) José Nélson Dante (Mal Secreto – Raimundo Correia)

Por José Nélson Dante, 9 de junho de 2010 7:20

MAL SECRETO

RAIMUNDO CORREIA

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

 

Postado por GUTIERRITOS

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Poesias declamadas (29) José Nélson Dante (Canção da Santa – Heusner Grael Tablas)

Por José Nélson Dante, 6 de junho de 2010 0:03

CANÇÃO DA SANTA

Autor: Heusner Grael Tablas

Quero uma santa para o meu milagre!
Não procuro dessas santas
intocáveis de nascença.
Quero uma santa pagã,
Santa de nenhuma crença
para eu mesmo batisar,
dar-lhe a minha religião
e eu mesmo erigir o altar.

Quero uma santa para o meu milagre!
Não quero santa apressada,
milagre de sopetão..
Procuro santa ajuizada,
santa de muita paciência
que vá tecendo o milagre
dia a dia, e progredindo
de acordo com a convivência.

Mas também não quero santa
que só reze, a tarde inteira.
Pois eu sou um crente pobre,
sem mordomo ou cozinheira;
porisso eu quero uma santa
que seja santa caseira,
que no intervalo das preces
entenda de frigideira.

Quero uma santa que reze
mas que ajude ao mesmo tempo.
Que enquanto limpe o quintal
vá desfiando o seu rosário
e enquanto arrume a cozinha
vá cumprindo o seu calvário.

Quero uma santa para o meu milagre!
Não quero santa antiquada,
que possua corpanzil,
que não güente o carnaval
ou não tenha quadril.

Só santa bem calibrada
é que há de ter o meu dote:
santa que adote o batom
e que utilize o decote.
Quero uma santa bem santa,
Santa da cabeça ao pé
que tenha um corpo de santa
além de sua santa fé.

O milagre há de vir quente
- um resto ou rastro de santa
que nasça naturalmente.

E hei de tantas estrelas
em minha santa encontrar
que construirei, sem delongas,
o meu céu particular
para fazer concorrência
a qualquer céu similar.

Postado por Gutierritos

 

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Poesias declamadas (28) José Nélson Dante (Renúncia – José Eduardo Mendes Camargo)

Por José Nélson Dante, 26 de maio de 2010 19:40

RENÚNCIA

José Eduardo Mendes Camargo

Não mais te quero em meus pensamentos
por mais lindos que sejam.

Não mais farei poesias retratando emoções e desejos
que transbordam os limites
do meu ser.
Não mais me levantarei de madrugada
em busca frenética de um lápis
que seja o transmissor
dessas minhas emoções
e um papel que seja
dele seu confidente.

Não mais te ligarei
com o coração sobressaltado de emoção
para te dizer que te desejo
e te amo.
Não mais te quero presente
em meus sonhos
em meu caminho
em minha vida.
Ah! Mas tu já te instalaste
no meu coração
e vives em minh’alma
consumindo o meu ser,
Encantando meu mundo.

Renúncia

 

Postado por Gutierritos

Observação: o autor é um notável poeta dois-correguense, que idealizou e criou o Instituto Usina dos Sonhos, um extraordinário projeto que foi reconhecido pela UNESCO (órgão das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Cultura).

Para conhecer melhor o Instituto Usina dos Sonhos basta acessar:

http://www.usinadesonhos.org.br/

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Poesias declamadas (27) José Nélson Dante (O Último Fantasma – Castro Alves)

Por José Nélson Dante, 25 de abril de 2010 16:39

O ÚLTIMO FANTASMA

Autor: CASTRO ALVES

Quem és tu, quem és tu, vulto gracioso,
Que te elevas da noite na orvalhada?
Tens a face nas sombras mergulhada…
Sobre as névoas te libras vaporoso…

Baixas do céu num vôo harmonioso! …
Quem és tu, bela e branca desposada?
Da laranjeira em flor a flor nevada
Cerca-te a fronte, ó ser misterioso! …

Onde nos vimos nós? … És doutra esfera?
És o ser que eu busquei do sul ao norte…
Por quem meu peito em sonhos desespera? …

Quem és tu? Quem és tu? — És minha sorte!
És talvez o ideal que est’alma espera!
És a glória talvez! Talvez a morte! …

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Poesias declamadas (26) José Nélson Dante (Soneto – José Albano)

Por José Nélson Dante, 19 de abril de 2010 6:43

SONETO

JOSÉ ALBANO

Poeta fui e do áspero destino
Senti bem cedo a mão pesada e dura.
Conheci mais tristeza que ventura
E sempre andei errante e peregrino.

Vivi sujeito ao doce desatino
Que tanto engana, mas tão pouco dura;
E ainda choro o rigor da sorte escura,
Se nas dores passadas imagino.

Porém, como me agora vejo isento
Dos sonhos que sonhava noite e dia,
E só com saudades me atormento;

Entendo que não tive outra alegria
Nem nunca outro qualquer contentamento
Senão de ter cantado o que sofria.

 

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