Category: Poesias declamadas

Poesias declamadas – 24 – José Nélson Dante

Por José Nélson Dante, 10 de março de 2010 21:10

MALDIÇÃO

OLAVO BILAC

Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
Hoje, velha e cansada de amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.

E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão…

Maldita sejas pelo ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!

Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!…

 

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Poesias declamadas – 23 – José Nélson Dante

Por José Nélson Dante, 27 de fevereiro de 2010 0:15

EXPLICANDO UMA FOTOGRAFIA

EUCLIDES DA CUNHA

Se acaso uma alma se fotografasse
de sorte que, nos mesmos negativos,
A mesma luz pusesse em traços vivos
O nosso coração e a nossa face;

E os nossos ideais, e os mais cativos
De nossos sonhos… Se a emoção que nasce
Em nós, também nas chapas se gravasse
Mesmo em ligeiros traços fugitivos;

Amigo! tu terias com certeza
A mais completa e insólita surpresa
Notando – deste grupo bem no meio -

Que o mais belo, o mais forte, o mais ardente
Destes sujeitos é precisamente
O mais triste, o mais pálido, o mais feio.

 

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Poesias declamadas – 22 – José Nélson Dante

Por José Nélson Dante, 21 de fevereiro de 2010 5:38

VELHO TEMA

VICENTE DE CARVALHO

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.

 

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Poesias declamadas – 21 – José Nélson Dante

Por José Nélson Dante, 31 de janeiro de 2010 21:11

TU, MOÇA; EU, QUASE VELHO

Vicente de Carvalho

Tu, moça; eu quase velho… Entre nós dois, que horror,
Vinte anos de distância. Entre nós dois, mais nada.
E hoje, pensando em ti, pus-me a sonhar de amor
Somente porque vi por acaso, na estrada,
Sobre um muro em ruína uma roseira em flor…

Versos da poesia Mimi

Publicado em Poemas e Canções


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Poesias declamadas – 20 – José Nélson Dante

Por José Nélson Dante, 30 de janeiro de 2010 8:20

ILUSÕES DA VIDA

Francisco Otaviano

Quem passou pela vida em branca nuvem

E em plácido repouso adormeceu;

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu,

Foi espectro de homem – não foi homem,

Só passou pela vida – não viveu.

 

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Poesias declamadas – 19 – José Nélson Dante

Por José Nélson Dante, 24 de janeiro de 2010 19:38

VISITA À CASA PATERNA

Luís Guimarães

Como a ave que volta ao ninho antigo,
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo:

Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos,- olhou-me, grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.

Era esta a sala…(oh! Se me lembro! E quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
Minhas irmãs e minha mãe…O pranto

Jorrou-me em ondas… Resistir quem há de ?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.

 

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Poesias declamadas – 18 – José Nélson Dante

Por José Nélson Dante, 17 de janeiro de 2010 17:16

VIA LÁCTEA

OLAVO BILAC

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E,ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas”

 

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