Ceis vão sifu… e deixa o resto pra mim fazer, eu to falano! – LuDiasBH

Por LuDiasBH, 4 de junho de 2010 0:02

A briga entre aqueles que defendem o português culto, que deve ser ensinado nas escolas, e o português oral, cheio de erros e gírias, falado cotidianamente, continua no roteiro da língua portuguesa, hoje chamada de brasileira por muitos.

O linguista Ataliba de Castilho acaba de lançar A Nova Gramática do Português Brasileiro, onde não entra regência verbal ou análise sintática. Contudo, ele mostra a importância de se ensinar os verbos tafalano, sisquecer, etc. Sugere que o mais-que-perfeito do indicativo, que ninguém fala ou escreve, sofra uma mudança, como por exemplo, em vez de andara, deveria ser usado eu tinha andado, comum em todas as partes do país. Ou seja, deve siscrevê como sifala.

A gramática de Ataliba de Castilho propõe que a língua falada deve estar de acordo com a escrita, pondo de lado as regras e as exceções, de modo que não existe nem o certo e nem o errado. O importante é que a comunicação tenha sido feita. Assim como há distintos modos de escrever ou falar, dependendo da pessoa com quem nos comunicamos, ele acha que devemos ser belíngues ou trilíngues dentro de nosso próprio idioma. Cada forma em seu contexto, pensa ele. O lingüista acha ainda que em 200 anos portugueses e brasileiros não mais se entenderão, pois existem diferenças verbais, morfológicas e sintáticas enormes, entre os dois países. E, como somos mais pessoas a falar o português, o Brasil terá preponderância sobre o português.

Não resta a menor dúvida de que a língua é dinâmica. E, exatamente por isso é necessário que tenhamos uma base firme, para qual possamos voltar sempre. Caso contrário, a língua será mudada a cada geração e, ao final, estaremos falando um idioma totalmente desconhecido. Acredito que as boas gramáticas funcionam como um poço de águas limpas, para que os povos não percam a identidade com a língua de seu país, através dos anos.

O linguista acima diz que falamos “tafalano”, “ceisvão”, “As pessoa”, “viagi”, “Hoje tem aula”, “Isto é para mim fazer”, por exemplo. E que tais mudanças deveriam ser agregadas à língua escrita. É fato que muitos falam assim, principalmente as classes mais pobres, que não tiverem mais tempo de acesso aos bancos escolares. Mas, se aceitas tais mudanças, outras virão. Basta pegarmos o “vosmicê”, você, “ocê”, “cê”, para vermos que a idéia proposta pelo famoso lingüista não é tão viável assim. A língua passa a ser refém de cada época, perdendo a sua unidade. Chegará um tempo em que não nos entenderemos, num vasto país como o nosso.

Trabalhando com jovens, aprendi que “doido/sinistro/da hora/demais” significam “bonito/ charmoso/muito bom”. E que “véio” significa “irmão”. Tudo bem, essa é a linguagem incorporada por eles como grupo. Mas todos eles entendem que, quando o cliente pede uma camisa “bonita” ou quando pede para atender a seu “irmão”, do que se trata. Caso contrário, cada grupo teria uma gramática própria. A língua nacional perderia o seu fator agregador, apesar das diferenças geográficas, socioculturais e individuais. Penso eu que a exclusão e o preconceito seriam ainda maiores.

Para mim, o trabalho do linguista Ataliba é importante como ajuda no ensino da língua portuguesa, mostrando aos educadores, onde residem os erros mais comuns, para que os professores possam melhor trabalhá-los, mas usá-lo como base para se ensinar português é um desserviço ao idioma pátrio.

Afastados da língua portuguesa falada em Portugal, já estamos há muito tempo. A começar pela pronúncia das palavras e entonação da voz. O país lusitano está tornando a língua portuguesa cada vez mais consonantal, enquanto a nossa é cada vez mais vocálica. Tanto é que, segundo alguns turistas estrangeiros, o português falado no Brasil é açucarado, romântico e sensual, bem diferente do falado em Portugal, que é bastante áspero.

Sabemos que as línguas neolatinas (derivadas do latim): português, francês, espanhol, romeno, italiano, etc., são extremamente vocálicas (fazem uso da vogal em suas sílabas), enquanto certas línguas como o alemão, o inglês e outras mais, têm como base a consoante. O português falado em Portugal tem eliminado as vogais.

Fico imaginando, se a proposta do lingüista Ataliba de Castilho pega e passamos a considerar correto o “gerundismo” cultuado pelos operadores de marketing & Cia:

- Nós vamos estar oferecendo mais vantagens…

Bem, essa é a minha opinião.

Qual é a sua?

 

Fonte de pesquisa: Galileu, junho/2010

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37 comentários para “Ceis vão sifu… e deixa o resto pra mim fazer, eu to falano! – LuDiasBH”

  1. gutierritos disse:

    LuDias

    É um absurdo.

    Ninguém vai ficar livre da gramática.

    Ela é a exposição metódica dos fatos da língua, ou seja, expõe-na e ao fazê-la fixa normas e regras, de forma a evitar o descalabro total, que nos levaria ao caos na comunicação.

    A Gramática, não resta dúvida, é o freio que impede o desmanche de uma língua, que nos une e que faz com que saibamos que somos brasileiros.

    A língua é um fator de integração e deve ser mantida.

    Evidentemente, as modificações teimosas são assimiladas e aceitas pela gramática, que, ao longo do tempo, passa a entendê-las como corretas.

    No entanto, como se viu, ainda há pouco, houve alterações profundas na acentuação, feitas à revelia da própria língua e que estamos sendo obrigados a seguir.

    Portanto, o prof. Ataliba que me perdoe, mas esse posicionamento é totalmente infeliz.

    Por falar em gerundismo, vou postar, aqui, em comentário o que penso a respeito.

    abraços.

    LuDiasBh respondeu:

    @gutierritos,

    Gutie

    Com a sua citação você resume toda a importância da gramática:

    “A Gramática, não resta dúvida, é o freio que impede o desmanche de uma língua, que nos une e que faz com que saibamos que somos brasileiros.”

    É claro que ocorrem mudanças na língua, mas não tão drásticas assim.

    O gerundismo é um horror que vem proliferando feito erva-daninha.

    Beijos,

    lu

  2. Paulo Afonso disse:

    Isso seria como oficializar a ignorância.

    O brasileiro fala mal e também escreve mal. A nova geração usa o internês e substituirá a língua portuguesa escrita que conhecemos. NAUM tenham dúvidas.

    Lamentável que alguém ainda pense nessa possibilidade e a aceite como fato normal, quando seria melhor pensar em educação.

    Já usamos habitualmente o verbo composto (eu vou fazer – eu farei) e, pasmem, a TV começa a usar o sujeito duplo. (“O presidente Obama, ele disse que…”)

    As línguas mudam, como disse João Ubaldo no filme “Vidas”. Se não mudassem, estaríamos falando Latim até hoje, mas mudar por ignorância, por falta de vontade em aprender o correto, é condenarmos a língua portuguesa. Passaremos a falar um dialeto.

    Passaremos? Agora fiquei em dúvida. Muitas vezes não entendo o que algumas pessoas falam.

    LuDiasBh respondeu:

    @Paulo Afonso,

    Paulo Afonso

    As mudanças que ocorrem nas línguas dão-se através de centenas de dezenas de anos.
    Mas sempre tendo a gramática como referência.
    Nâo há mudanças que se traduzam na língua mal falada.
    As línguas mudam sempre para melhor.
    Os gramáticos sempre tiveram muito carinho para com a língua.
    O uso do verbo composto é considerado gramaticalmente correto.
    Mas “tri-composto” como ocorre no gerundismo é um terror.
    O latim se exauriu com a queda do Império Romano, mas deixou muitas filhas.
    Talvez se o IR não tivesse caído em derrocada, o latim ainda estivesse vivo.
    Passaremos… está correto.

    Abraços,

    lu

  3. Ana Lucia disse:

    Lu querida,
    Sou radicalmente contra este tipo de mudança. Ao contrário – acho até que se deveria estudar língua portuguesa em qualquer curso de nível superior. O que se vê de médico, dentista, matemático e outros escrevendo é de fazer qualquer cristão chorar de vergonha. Só acredito em mudanças para melhor, para pior é passar recibo de ignorância. Beijo, querida.
    PS – no meu caso eu teria que desaprender para ensinar. Veja o horror…

    LuDiasBh respondeu:

    @Ana Lucia,

    Aninha

    Também penso como você.
    A língua portuguesa deveria estar presente na grade de todos os cursos.
    Desde o primeiro até o último período.
    A língua é o bem maior de um povo.
    E merece todo o carinho.

    Beijos,

    lu

  4. anarquista disse:

    A minha opinião é meio a meio.E explico.

    Ze Simão,humorista,culto e sagaz,da FSP digita uma frase antológica: ” No Brasil todo mundo fala e escreve errado,mas todos se entendem”

    Por outro lado,é necessário escrever e falar corretamente o idioma como símbolo de cultura e aprendizado pra quem quer aprender nosso idioma.

    Eu E Lula,não pensamos assim. Não cultuamos a ABL e tampouco estamos preocupados com críticas.Mais importante que o português correto, são ideias e ideiais nobres.

    É fato quando ouvimos FHC e seus trocentos idiomas jorrando com lucidez e correção pelo mundo.Eu,falo e escrevo os mesmos idiomas que ele( 2 mais, sorry a ”empáfia”),mas tanto o idioma nativo como outro, falo e escrevo errado.

    Mas me comunico em qualquer lugar do planeta.

    Quando estudei Esperanto,tinha a esperança que todos os idiomas do mundo iriam ser resumidos a um só. E que o mundo se comunicaria em apenas um idioma.

    Em pouco tempo a ideia foi descartada.Porque os idiomas e dialetos são o orgulho de cada povo.Há um certo mistério com essa besta vaidade.

    Finalizo dizendo: Não importa a gramática,síntase,pontuação e tudo que a gramática de nossa língua exige. O importante é ser entendido.

    ´Por isso não tenho compromisso em escrever certo.Meu compromisso é que as pessoas entendam o que escrevi.

    Xerto?( vocabulário da Xuxa que qualquer criança entende)

    LuDiasBh respondeu:

    @anarquista,

    Anarca

    Em todos os países acontece isso: entender o falar errado, principalmente por parte de quem domina o idioma.
    Mas quem “não tem leitura” tem dificuldade de entender o falar correto.
    Sendo necessário que o letrado desça ao nível do menos escolarizado.

    Existe uma diferença entre falar errado, ou escrever errado, por querer, e fazê-lo por não conhecer a própria língua.
    No seu caso, sempre que quiser, poderá optar por um falar correto.
    O que não acontece com muitos outros.
    Uma simples vírgula poderá mudar o sentido de uma frase totalmente:

    Não vou ao cinema hoje!
    Não, vou ao cinema hoje!

    Conhecer sintaxe é o único caminho para entendermos, muitas vezes, uma frase escrita na ordem indireta.

    Abraços,

    lu

  5. Jovimari disse:

    Lu,

    É sim, importante falar e escrever gramaticalmente correto. É como uma casa limpa, cheirosa, é como o banho… é agradável de ouvir, de ler. Claro que o entendimento acontece até por mímicas ou olhares, mas dentre as tantas facilidades que nosso cérebro possui e proporciona, uma é a capacidade de aprender… e nem é tão difícil assim.

    Vejo que meu filho, fala com seus “próximos” do grupo com gírias, mas escreve e fala com não tão próximos perfeitamente bem… por isso, deixemos que falem desta forma “feia” entre eles, apenas. Agora, não falar ou escrever por não querer aprender, já é outra história! porque a estória com “e”, já não querem mais que exista…

    Beijo!

    LuDiasBh respondeu:

    @Jovimari,

    Jovi

    Quando falamos, não temos a mesma preocupação de quando escrevemos.
    A própria mente fica mais relaxada e menos reflexiva.
    Sabemos que qualquer mal-entendido poderá ser resolvido, usando outras palavras, naquele mesmo momento.

    Contudo, quando escrevemos, deixamos a nossa marca com mais veemência.
    Nem sempre podemos dar uma nova roupagem ao que foi escrito, para que o receptor compreenda melhor.

    Sem falar que nossa língua pátria é nosso cartão de visitas.

    Beijos,

    lu

  6. manoel rodrigues disse:

    Oi, Lu
    “Tô” com o João Ubaldo. A lingua tem que ser dinâmica, adaptando-se ao progresso, às novidades, obviamente sem perder suas raízes. Se a internet é hoje, talvez, o maior meio de comunicação, nosso idioma tem que se adaptar a ela.
    O grande problema não reside nesse aspecto. O ponto, e é aí que não concordo com o sr. Ataliba,é adaptar o idioma a “incultura”, ao invés de se melhorar a educação cultural do povo. O idioma tem, sempre que possível, de absorver os regionalismos e até as gírias, por que não?
    Não pode é dar espaço à forma analfabeta de falar, tipo, “di costas”, “menas”, “percas”, etc. E olha que nem me importo (aliás, quem sou eu para me importar) que usem cidadões como plural de cidadão. Existem algumas confusões linguísticas para as quais realmente não enxergo a lógica (e não vou pesquisar), tipo: o plural de mão é mãos e de cão é cães; de vão é vãos e o de pão é pães. Ou será que não (nães?)?
    Abrações
    Manoel

    Ana Lucia respondeu:

    @manoel rodrigues, querido,
    Eu tenho que te corrigir: é ‘dis costas rsrsrs’.Eu conheço um cardiologista que qdo ausculta a gente diz – ‘prende… salta’…deve ser para os batimentos ficarem mais acelerados depois dos saltos rsrsrs. Bjo

    LuDiasBh respondeu:

    @Ana Lucia,

    Aninha

    Você me fez dar boas gargalhadas.
    hahahahahhahahahaah

    lu

    LuDiasBh respondeu:

    @manoel rodrigues,

    Manoel

    A lingua é dinâmica, quer queiramos ou não.
    Quantas mudanças já aconteceram ao longo de poucos anos.
    Quantos acentos foram retirados, ph (como f) e assim por diante.
    O que não se pode agregar à língua são as gírias, pois essas são passageiras, correspondem a grupos, gerações, etc.

    Imagine que passemos a falar “a gente somos”, como ouvimos por aí.
    Como vai ser possível explicar que embora o sujeito traga a ideia de composto, o verbo é escrito no singular, para outros casos similiares (o povo, por exemplo)?

    Também acho que deve ser acrescentados os termos relativos `a internet.
    Não me refiro à nova escrita: tbm, vc, ñ …

    Se mudassem esses plurais descritos por você, seria uma maravilha.
    A causa disso está na origem da palavra.

    Obs.: Todas as línguas são dinâmicas…hahahahaha.

    Abraços,

    lu

  7. anarquista disse:

    Reparem uma expressão muito comum.Num desabafo qualquer,um setor do Brasil diz:”Caraio”( assim mesmo escrito) E nós sabemos que pênis tem um sinônimo diferente.

    Entretanto,todos entedem o que foi dito.

    LuDiasBh respondeu:

    @anarquista,

    Anarca

    É comum, as pessoas que possuem pouco conhecimento da língua, eliminarem o “lh” das palavras:
    caraio, ataio, teiado, fia (filha), foia, moio….
    E o mais engraçado é que isso também acontece no espanhol com “ll” (som de lh).
    Não sei se acontece o mesmo com o italiano “gl” (som de lh)

    O Aurélio já registra “caralho” como “pênis”.

    Assim como:
    “Pra caralho”. 1. Bras. Chulo Em grande quantidade, força ou intensidade; à beça.

    É possível ouvir “caraio” e “carai”.

    Abraços,

    lu

  8. Moacyr Praxedes disse:

    Nem tanto ao céu nem tanto à terra. O caminho do meio sempre será mais saudável. A flexibilização é necessária, porém sem deturpar a língua pátria. Há modismo, e estes são passageiros, portanto não devem ser levados em consideração para inclusão no vocabulário ou na gramática pois aí “avacalharia geral” e perderíamos uma de nossas principais característica de nossa identidade como nação.
    Continuemos a educar-nos, e às nossa criança para que em qualquer parte deste país possamos sempre nos comunicarmos na língua mais bonita deste planeta.
    Será que conseguiríamos entender aos que deturpam nossa língua “culta” se não a conhecêssemos?

    Beijos,

    Moacyr.

    LuDiasBh respondeu:

    @Moacyr Praxedes,

    Moá

    O trato com a língua escrita deve ser levado a sério, pois ela é o mais importante instrumento de trabalho de um povo.

    Como você poderá repassar ideias ou se apossar delas se não sabe escrever ou ler?
    Não é possível ler textos mais complexos sem um bom conhecimento gramatical.

    Não resta dúvida de que a língua portuguesa foi o maior fator de agregação nacional.
    Se não fosse por ela, não teríamos um país continental.
    Por isso temos que ter uma gramática comum.

    Sempre soube que uma das exigências feitas a repórteres de tv é que eles falem um português enxuto, limpo e sem bairrismo.

    Se não conhecêssemos a língua culta, já teríamos criado um monte de dialetos.

    Abraços,

    lu

  9. Cristine disse:

    Olá Lu,

    Como trabalho com palavras e além disso, adoro ler, me arrepio toda quando leio coisas como “exessão”, “preguissa”, sem falar nos gerundismos que viraram uma verdadeira praga (e agora temos o “LEIÃO”, “CORRÃO”, especialmente na Internet, mas como brincadeira – até que vire o normal).

    Creio que boa parte da causa de os brasileiros não saberem escrever (aqui estou falando da ortografia) é porque não leem. Acho ótimo que as crianças e jovens estejam lendo Harry Potter, Percy Jackson e afins, pois vão pegando o gosto pela leitura. Quanto mais se lê,melhor se escreve.

    Quanto ao modo popular de falar, é aceitável até certo ponto. Compreende-se que pessoas incultas falem errado, mas quando isso começa a virar o padrão do país, aí é mesmo um problema. Sem querer entrar no mérito da política, acho perigoso quando as pessoas se orgulham de termos um presidente semi-analfabeto. Isso não é modelo para ninguém, e ele próprio poderia ter se esforçado mais para ampliar seus conhecimentos e cultura, visto que sempre pretendeu chegar ao cargo que ora ocupa. Mas, divago…

    Por outro lado, a evolução na ortografia e acentuação das palavras é um processo natural; lembro da Gramática da Emília de Monteiro Lobato, em que ele analisava a evolução da palavra espelho, que já foi “especulum” e evoluiu para espelho, e que provavelmente acabaria por se tornar “espeio” (espero que não); da mesma forma, o “vossa mercê”, que passou a “vosmecê”e chegou ao atual “você”. Uma certa evolução *natural* é aceitável, mas essa reforma ortográfica bagunçou o coreto mais que ajudou. Mas estou tendo de segui-la, fazer o quê?

    Beijos!

    LuDiasBh respondeu:

    @Cristine,

    Cris

    O nosso presidente não é semi-analfabeto.
    Os que dizem isso tentam menosprezar um homem que veio do Nordeste, foi metalúrgico e galgou uma posição que muitos “chamados intelectuais” não conseguiram.
    Já tive oportunidade de assistir a palestras do presidente (quando ainda não o era) e fiquei fascinada com sua inteligência, espírito crítico e citações feitas.

    Embora eu tenha um bom conhecimento da língua portuguesa, também me pego em escorregadelas, principalmente quando falo.
    Eu falo:
    “Eu estou te chamando, você não me ouviu?”… risos

    Cris, comentei com o Anarca que mesmo no espanhol o “LL”, correspondente a nosso “LH” é engolido, pelas pessoas menos escolarizadas. Optam sempre pelo mais fácil.

    Nessa nova reforma, ainda estou tendo dificuldades com as palavras com hífen.
    Aguardo 2012 para segui-la ao pé da letra… risos.

    Não resta dúvida de que ler e ler é o melhor meio de se aprender a falar e escrever bem.

    Beijos, doce amiga,

    lu

  10. Paulo Afonso disse:

    A diferença entre o homens os animais está, entre outras peculiaridades, na possibilidade de se comunicarem através de uma língua falada e escrita. Aceitando a proposta do linguista Ataliba, tudo indica que voltaremos a nos comunicar como faziam nossos ancestrais pré-históricos. Alguns erros de português são normais e aceitos com naturalidade. Oficializar o errado, no entanto, é como condenar a música clássica e trocá-la pelo funk.

    Onde fica a evolução? Evoluimos para melhorar, não para voltar à estaca zero.

    LuDiasBh respondeu:

    @Paulo Afonso,

    PA

    Se a gramática do senhor Ataliba for tomada apenas como orientação, para que se combata com mais eficiência os erros mais comuns no nosso idioma, ele está de parabéns.
    Mas se for para tentar oficializar a burrice, seria bom que ficasse encalhada.

    Concordo consigo:
    “Alguns erros de português são normais e aceitos com naturalidade. Oficializar o errado, no entanto, é como condenar a música clássica e trocá-la pelo funk.”

    Abraços,

    lu

    Ana Lucia respondeu:

    @Paulo Afonso,
    Assino embaixo meu querido. Esta história de ‘nois mesmo canta, nois mesmo apraude’ não dá. Beijo

  11. Caminada disse:

    Lu, querida, hoje estou um pouco melhor e me animei a enviar uma mensagem apenas para concordar com você.
    Sim, esta gramática pode ser o começo do fim da língua brasileira, como o autor há de preferir. Ou seja: adotá-la significará a destruição de um dos nossos bens mais preciosos.
    Muito mais importante, em minha modestíssima opinião, é a contribuição de Mário de Andrade quando se lançou ao estudo do falar brasileiro. Até porque, como grande poeta que era, captava detalhes que fogem ao comum dos mortais, como eu, que só me dei conta do que percebia, sem saber explicar, a partir das observações dele, Mário (certamente ele não gostaria dos “possessivos franceses”: “das suas observações”).
    Exemplos? Ele diz que português ordena, brasileiro pede. Isso explicaria o Me dá em lugar do Dá-me. O pronome depois do verbo imprime um sentido de ordem que a forma contrária não sugere.
    Outra beleza é sua defesa do gerúndio (não confundir com o gerundismo anglo-saxão, horroroso) ao comentar com Drummond como a a forma “lá vai a aleijadinha, manquejando, manquejando…” tinha tanto mais movimento do que o infinitivo português, que usaria “lá vai a aleijadinha a manquejar, a manquejar…”
    Isso é lindo, isso reflete a índole do povo brasileiro, mas não sua ignorância.
    Desculpe me meter no que não domino, tampouco conheço, mas amo esse nosso idioma e ando muito incomodada com os “tu fez, tu vai”, hoje institucionalizados no sul e já sendo adotados por nossas bandas até na televisão, via celebridades como Fernanda Lima. Um chopes e dois pastel, não, pelo amor de Deus.
    Bjssss.

    LuDiasBh respondeu:

    @Caminada,

    Cami

    Estou feliz com a sua presença aqui.
    A minha doce e meiga bailarina ficou muito tempo distante.
    Fez uma falta danada.

    Nossa língua é realmente linda, doce como um favo de mel.
    E não merece ser maltratada.

    Achei legal a sua opinião, contrastando o português falado no Brasil e o português falado em Portugal.
    Não resta dúvida de que o falar das bandas de lá é bem áspero.
    Eu estou escrevendo… é bem mais bonito do que “eu estou a comer”.
    O infinitivo é menos delicado do que o gerúndio.

    Como disse anteriormente, a língua é o principal instrumento de trabalho de um povo.

    Cami, não suma.
    Eu fico muito saudosa.
    Abraços ao Fred.

    Beijos,

    lu

  12. luzete disse:

    oi lu, quanto tempo.
    li os comentários e até vi que o seu anarquista tá no pedaço! bom isto… (ele tá briguento, tá?)
    mas vamos ao que interessa.

    claro que a proposta do moço é uma absoluta estupidez. educação sempre significa a elevação do sujeito a níveis mais elaborados de pensamento e sua expressão acontece pela língua falada e pela escrita (além, naturalmente de outras formas de linguagem, como as artes plásticas, cinema…)

    gramsci, autor que gosto muito, diz que é papel da filosofia elevar o sujeito do senso comum, a partir dos elementos de bom senso nele contidos, à expressão filosófica, jamais, portanto, mantê-lo pensando e elaborando o mundo da mesma forma sincrética expressa no ponto de partida.
    educar é justamente elevação do homem a novos patamares do pensar e do fazer.

    mas isto não quer dizer que as pessoas devam ser condenadas porque se expressam cometendo erros linguísticos e nem quer dizer que aqueles que falam elaboradamente sejam portadores de conteúdos de pensamento validados, apenas porque a forma está correta!

    e quando eu digo erros linguísticos não se deve confundir com o uso de gírias (sempre dinãmicas), nem com as (lindas) formas regionais do falar, nem com a formas orais com as quais nos expressamos,e que incorporamos, muitas vezes, com a escrita rotineira, sem compromisso.

    língua é identidade nacional. a criação dos Estados-nação se estabeleceram não apenas com a fixação de um território, mas com a definição de uma língua nacional. então é isto, né? temos uma língua padrão que serve de referência de qualquer projeto educativo e é ela que deve ser a meta, os percalços ao longo do caminho (e são muitos e nunca completamente superados) são percalços, mas, nem por isto, ou por causa disto, deveria servir de justificativa para defender o absurdo que este senhor propõe.

    enfim, não é porque se fala errado, ou porque se é pobre, que devemos abrir mão do ensino da língua padrão. ao contrário, só mostra que o caminho é mais árduo.

    ei, beijo procê.

    LuDiasBh respondeu:

    @luzete,

    Luz

    Quanta saudade, minha doce amiga.
    Estava faltando a sua luzinha por aqui.

    Não resta dúvida de que educar é mudar posturas, abrir horizontes, aprender a pensar, ensinar a usar o pensamento crítico.

    De nada adianta falar maravilhosamente uma língua, sem saber usá-la reflexivamente.
    Seria o mesmo que manter uma bela pedra preciosa dentro de uma caixa no banco.

    Quem conhece bem a sua língua lê mais, compreende melhor e raciocina com mais facilidade.
    Em suma, possui um pensamento crítico mais apurado.

    Pode haver letrados espertalhões, mas não estúpidos.
    Eles possuem consciência plena do que fazem.

    Para mim, a língua é também um instrumento de igualdade, pois ela se traduz em educação.
    Ela torna igualitária as sociedades.
    Estudos provam que os menos escolarizados são sempre os mais pobres.

    Pode-se passar para trás uma pessoa que entende mal a sua língua.
    Nunca uma que a entende e a maneja bem, pois as palavras fazem toda a diferença.
    Sem falar que as pessoas que pouco conhecem a sua língua sentem vergonha de expor o próprio pensamento.
    Ficam mudas ao defenderem seus direitos.

    O Anarca está aqui enriquecendo o nosso debate.
    O que é um grande prazer para o blog.

    Espero que a senhorita não suma.
    Estou de olho!

    Beijos,

    lu

  13. Cris Lacerda disse:

    Lu.. eu não concordo muito com a gramatica do autor Castilho. Acho que a escrita deve ser o mais correta possível. Não é horrível pegar um texto cheio de erros?? Ninguem gosta! Mas o regionalismo tem que ser respeitado. Eu particularmente falo inúmeras palavras pela metade: “tô”, “cê” por exemplo (estou e você no correto). Eu gosto de falar “diferente”, “pela metade” .. mas e daí?? nosso jeito mineiro de falar é o diferencial … os homens de outros Estados, diga-se de passagem, ADORAM! rsrsrsrs

    Eu vou continuar falando errado e escrevendo certo! Não perdi meu valor por isso! Ponto.

    bjuusss!!

    Cris Panterinha

    LuDiasBh respondeu:

    @Cris Lacerda,

    Panterinha

    Por isso mesmo o falar não pode ser repassado ao escrever.
    Cada uma região ou grupo fala de um modo diferente.
    Imagine se fôssemos mexer na gramática por isso!
    Quantas gramáticas haveríamos de ter?
    O falar regional é lindo, mas a escrita deve ser única, até porque as diferenças regionais, no uso das palavras, estão contidas no dicionário.
    Até “caralho” está lá no dicionário do Aurélio.

    Continue comendo as palavras… risos.
    E escrevendo como o faz.

    Beijos,

    lu

  14. Sandra Aguiar disse:

    Lu, certa vez, fiz uma redação quando ainda estava na faculdade e o título era “A língua como função social”, me lembro de que comparei a língua como uma roupa. Pois, adequamos a roupa à ocasião. Com a língua acontece a mesma coisa, dependendo do nosso público alvo, mudamos nossa maneira de falar. O importante é que, tanto uma quanto a outra cumpra a sua função, cobrir o corpo e se comunicar. Entretanto, ter conhecimento é a base para não darmos “vexame” em ocasião alguma. Agora, você não imagina o quanto é complicado trabalhar essas questões em sala de aula… Creio que já estamos vivendo o caos escolar, mas se as ideias desse linguista vingar, sinceramente, desistirei da minha profissão.
    Abraço
    Sandrinha

    LuDiasBh respondeu:

    @Sandra Aguiar,

    Sandrinha

    Com certeza elas não vingarão.
    Até acredito que ele não alcançará muitas vendas.
    Bela comparação é essa que você faz com a língua e a roupa.
    Cada roupa dentro de um contexto, assim como a língua.
    As gírias e os falares regionais funcionam como a moda que vem e passa.
    A roupa básica é a gramática, que nunca fica fora de moda.
    Os babados, os laços e quaisquer outros enfeites vem, vão e retornam.
    Mas o básico é “for ever”.

    Continue na sua profissão e lute contra tais heresias.
    Obrigada por sua presença.

    Beijos,

    lu

  15. messias disse:

    Lu,

    Óbvio que a capacidade de comunicar é fundamental, o objetivo maior. Agora, a proposta do Ataliba seria a instituicionalização do caos linguistico, e no final, a salada não iria agradar a todos os gostos e cada um iria denominar os ingredientes e temperos de forma diferente!
    Fico imaginando programs do MTV, gordo e outros babacas…são incapazes de construir raciocínio lógicos…onde vai parar isto?!!!!

    messias

    LuDiasBh respondeu:

    @messias,

    Messias

    É impossível construir raciocínios mais elaborados sem um bom conhecimento da linguagem.

    Se a língua não fosse tão vital, o homem primitivo não teria mudado de patamar.

    Imagine como seria difícil a vida dos escritores.
    Os livros iriam sofrer alterações a cada emissão.

    Abraços,

    lu

  16. Paulo Valença disse:

    Lu,
    Sim, a nossa gramática deve ser respeitada, é o “freio” para as “aberraçôes” que sabemos e convivemos no dia-a-dia, contudo, em um país cujo Presidente da Repúbica diz discussando: “Aí bota o dedo na coisa!”… Tudo pode e… acontece.
    Excelente texto. Parabéns.
    Abraço carinhoso.

    LuDiasBh respondeu:

    @Paulo Valença,

    Paulo

    Não é que eu queira defender o presidente, mas o uso do verbo “botar” está correto.
    Inclusive existe uma crítica às pessoas das grandes cidades que eliminaram o verbo “botar” da língua portuguesa.
    Usam apenas “colocar”.
    Ambos possuem o mesmo significado.
    Portanto, nessa, o presidente está correto.

    Não acredito que haja alguém que não escorregue na fala ou na escrita de sua língua.
    Vejo isso até no Jornal Nacional.
    O que não podemos é aceitar as aberrações, como as citadas no texto.

    Nos textos que escrevo, eu noto, depois, erros cometidos (gramaticamente falando).
    Mas, parece-me que ninguém nota… risos.

    Obrigada pelo carinho da visita.

    Beijos,

    lu

  17. Patrícia disse:

    Ei Lu!

    Oh coitada! Da nosssa gramática. Sou a favor de um texto bem escrito com um vernáculo rico e uma língua que soa bem aos ouvidos seguindo nossa gramática.
    Sabemos o quanto é difícil nossa lingua principalmente para os jovens que hoje escrevem meia palavras o acento só quanto querem reforçar uma giria ou algo mais.
    Tente ler uma conversa entre eles pela internet, parabéns se entender alguma coisa, eu já me esforçei foi como ler grego um total horror.
    Cabe a pais, escolas e educadores valorizar o bom português como nossas raíz ou perderemos toda sua beleza.
    Nosso futuro será escrever 1/2 e falar por símbolos e gestos e salve-se quem puder.
    Bjos.

    LuDiasBh respondeu:

    @Patrícia,

    Pat

    Lá no Bazar Show aprendi um monte de palavras que significam “bonito”:
    bizarro
    muito doido
    por ordem

    Fico imaginando o que será da língua pátria daqui uns anos.

    Nada como um português limpo, bem falado e escrito.
    Os que fizerem bom uso dele terão os melhores empregos.

    Beijos,

    lu

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