Chiquinha Gonzaga – Gutie
FALANDO SOBRE CARNAVAL
CHIQUINHA GONZAGA
Ó ABRE ALAS
Chiquinha Gonzaga, nascida em 1847, compôs a primeira marchinha brasileira, Ó Abre Alas, em 1899, para animar o Carnaval do cordão Rosa de Ouro.
Além disso, foi a primeira mulher a reger uma orquestra, em nosso país. E teve como padrinho um personagem muito famoso da História de nosso país: Duque de Caxias.
Não suportando o jugo de seu marido, que tentava lhe impor suas vontades como, por exemplo, não trabalhar com música, enfrentou a mentalidade machista daquela época, separando-se dele.
Foi uma mulher de fibra e um expoente feminista, em quase todos os sentidos.
Viveu muitos idílios e terminou, quando tinha seus cinquenta e dois anos de idade, por amar um jovem de apenas dezesseis anos. Para regularizar a situação, adotou-o como filho e com ele viveu até o final de seus dias.
Sua vida artística foi um grande sucesso, tornando-se uma notável compositora de músicas, principalmente, para o Teatro de variedades e revistas. Uma das coisas que marcou sua vida, além das composições, foi sua posição de independência feminina e destaque na sociedade, tendo sido a fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
Foi uma mulher muito além de seu tempo.
Chiquinha Gonzaga foi tema de uma minissérie da Globo, em 1999, sendo interpretada por Regina Duarte e Gabriela Duarte. A Mangueira homenageou-a, no desfile de 1985, com Ó Abre Alas. Em 2006, foi personagem do filme Brasília 18%, onde foi interpretada por Bete Mendes.
Vejam o maravilhoso O Abre Alas, versos simples, singelos, despretenciosos, mas pioneiros e que se tornaram famosos e cantados até os nossos dias:
Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar
Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Vamos ouvi-la com Marlene, Emilinha e Angela Maria, com o clipe que encerrava os capítulos da minissérie da Globo
Embora fora do tema de Carnaval, não posso deixar de mostrar a música que mais gostava, composta pela Chiquinha, a Lua Branca, cantada por Cristina Mota:
Agora, a voz de Édson Cordeiro, na música Atraente, também de Chiquinha:
Este texto foi escrito, tomando por base, parcialmente, informações contidas na Wikipédia – Enciclopédia Livre, onde todos poderão conhecer melhor a vida de Chiquinha Gonzaga:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chiquinha_Gonzaga
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Gutie,
Estou tentando resgatar a memória de meu tio, Álvaro de Oliveira, um dos fundadores do Cordão da Bola Preta, em 1918. Quando criança ouvia muito essa história, cheguei a ouvir que seu apelido era Caveirinha, mas nunca me interessei. Agora vejo a riqueza que perdi. Todos os parentes mais velhos já se foram e a memória se perdeu. Quero ver se arrumo fotos da época pois nem a internet possui esses arquivos. Mas onde estarão? No lixo?
GUTIE respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 19:21
@Paulo Afonso,
PAULO
Em algum lugar, certamente, memórias sobre o cordão da Bola Preta, devem estar perenizados.
É evidente que, em se passando quase cem anos, as dificuldades para encontrar documentos sobre o assunto é muito difícil.
Mas continue buscando, pois há tanta matéria na internet, um mundaréu interminável.
Abraço.
Gutie
Em um país tão machista como o nosso, na época, é incrível que tenha sido uma mulher a compor a primeira marchinha carnavalesca no país.
Só isso, já dá para se der uma ideia da qualidade artística que carregava Chiquinha Gonzaga e de seu temperamento independente.
Sem dúvida alguma, ela está no rol das mulheres que lutaram pela emancipação do “sexo frágil”.
Assim como você, considero Lua Branca a sua mais bela composição.
Você fez um trabalho lindo, como sempre, de modo que nossas postagens se complementaram.
Abraços,
LuDias
GUTIE respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 20:51
@LuDiasBh,
LuDiasBh
Agora acertei.
Não quis dizer o nome, mas fui feliz na complementação de teu magnifíco texto.
Fiz questão de destacar o lado guerreiro de Chiquinha Gonzaga, que lutou, principalmente, pelo seu direito de poder escrever música.
É uma constatação terrivel perceber que a sociedade daquele tempo pensava na mulher como uma serva, obediente ao senhor dos senhores, o seu marido.
Contra isto, ela se levantou.
E, prezada amiga, havia mais outros preconceitos: Chiquinha Gonzaga era mulata, separou-se de seu marido, escrevia músicas para teatro de revistas ( o que era visto como um atentado à moral e aos bons costumes, na época ) e teve uma vida romântica intensa, inclusive acabando por se apaixonar por um jovem.
Imagine a pressão que sofreu, mas, sobretudo, venceu.
Foi um sucesso que chegou até nós, mesmo depois de setenta e cinco anos que nos separam do seu desaparecimento.
Faleceu com 87 anos, em 1935, e ainda em 1934 produziu músicas. Um fenômeno, uma pessoa iluminada, uma lutadora.
Obrigado por teus comentários e fiquei feliz em poder complementar o teu artigo, falando de uma extraordinária mulher, que muito representou para emancipação da mulher.
LuDiasBh respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 21:04
@GUTIE,
Gutie
Você falou sobre o seriado feito pela Globo.
Que bom seria, se fosse repetido, pela emissora.
Abraços!
lu
GUTIE respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 21:44
@LuDiasBh,
LU DIAS
Realmente, há muita qualidade nela.
Haveria, certamente, muita audiência. Poderia ser em horário diferente.
Também, a novela do Bem Amado foi fantástica.
Eu que não gosto de assistir a novelas, fui freguês desta.
Mais para frente, depois do carnaval, vou fazer matérias sobre esta novela.
@Paulo Afonso:
PAULO
Dei sorte: lei este texto, onde o seu tio é citado:
http://www.areliquia.com.br/Artigos%20Anteriores/60Rua13M2.htm
Viu: os membros precisavam ser alegres e bons de copo!
Era na base da chopada. Que delícia.
E há ainda muitos outros
http://www.sidneyrezende.com/noticia/26017+parabens+bola+preta/preview
Ah, esta citação está no site do Cordão, onde menciona o nome de seu tio, dizendo:
“O grupo liderado por Álvaro Gomes de Oliveira criou o grupo chamado SÓ SE BEBE ÁGUA e o símbolo era um barril de chope com 18 torneiras ligadas a boca de cada um dos seus membros.”
Paulo: grupo do SÓ E BEBE ÁGUA é demais de bom! Como deveria ser alegre.
Ai o endereço:
http://www.cordaodabolapreta.com.br/busca.php
E faça um comentário sobre o seu tio, no site:
http://www.cordaodabolapreta.com.br/post.php?cod_posts=10#comentarios
Ah, naquele site, existe possibilidade de entrar em contato com o Cordão e talvez haja fotos e documentos sobre a participação de seu tio.
Aqui, meus parabéns pelo seu tio, que deve ter sido uma honra tê-lo como um familiar.
@Paulo Afonso:
PAULO
PAULO
Encontrei até a foto de seu tio.
Acabei de encontrar a história toda, em um ótimo comentário.
No endereço que passo há vários comentários, você precisa ir descendo e irá encontrar tudo lá, até como ele ganhou o apelido de Caveirinha, um dos xerifes do Bloco, que enfrentou até a polícia para o bloco sair na rua.
Foi demais o teu tio.
E tem até a fotografia de seu tio e de como o bloco se formou pela dissidência entre os grupos, neste site:
http://sodoiquandoeurio.blogspot.com/2007_02_01_archive.html
Agora, podes fazer uma bela história.
Ah, por sinal, é K.Veirinha, que fica melhor, ele que comandava a turma da chopada, em um dos bares da Galeria Cruzeiro, que enfrentou ordem policial e conseguiu fazer o bloco sair na rua.
Missão cumprida.
Paulo Afonso respondeu:
janeiro 31st, 2010 at 21:51
@GUTIE, Lembro de meu tio já mais velho, mas parece muito com ele. Mandei a matéria para meu irmão dar uma olhada. Que falta fazem os mais velhos, que já se foram, e poderiam confirmar tudo isso. Mas seria muita coincidência eu ter um tio que se dizia fundador do Bola Preta e não ser este. Quem seria então?
Obrigado pela pesquisa. Voltarei com o resultado.
Abraços,
Paulo
“Ó abre alas”, Gutie! Muito bem lembrado! É simples, sim, talvez por isso concentre tanta beleza. Eu não sei se você já escreveu sobre, mas eu gostaria de saber um pouco mais sobre a famosa “Atire a primeira pedra”.
Grande abraço!
Charles.
GUTIE respondeu:
fevereiro 1st, 2010 at 21:53
@Charles Silva, CHARLES
O grande mérito do Abre Alas, e o próprio nome nos diz isto, é o primeiro grande passo para os cordões de carnaval. Abriu a fila enorme e imensa de marchas carnavalescas, um dos grandes componentes de nossa cultura, da arte musical.
A música Atire a Primeira Pedra, parece-me, é uma composição de Ataulfo Alves, não me lembro agora quem foi seu parceiro, pois Ataulfo era excelente músico.
Lembro-me de Ataulfo Alves cantando em um programa inesquecível,na Record, uma de suas últimas aparições, onde canta diversas músicas, diversos sambas maravilhosos.
E essa, que mencionastes, é uma delas, realmente, imorredoura.
Obrigado por teus comentários.
Oi, Gutie
Chiquinha Gonzaga é digna de admiração, não só pelo seu talento musical, mas, principalmente, por ter feito sucesso numa época em que a mulher era apagada, subjugada pelo machismo e pelas regras da sociedade.
Falando em novelas, todos concordam que o Bem Amado foi extraordinária, uma obra do Dias Gomes inesquecível, com interpretações magníficas, capitaneadas por Paulo Gracindo e Lima Duarte. Será, com certeza, um prazer escrever e comentar sobre ela. Se você resolver levar esse projeto adiante, veja se consegue material para, preliminarmente, falar sobre outra novela que mudou os rumos da dramatugia televisiva: a novela Beto Rockfeller, se não me engano da extinta TV Tupi.
Abraços
Manoel
Gutie,
Viva Chiquinha Gonzaga!!! Eu vi o seriado na época e me apaixonei por ela: pela força, determinação, criação e músicas…
Sim, mulher além do seu tempo e que trazia em si um pouco de cada uma de nós, como as nossas angústias, amores, dores e preconceitos.
Sim, nosso tempo é outro, vamos nos transformando e somos moldadas muitas vezes, mas o grito contido e a esperança sentida serão sempre nossos pontos de partidas e recomeços.
Beijo!
GUTIE respondeu:
fevereiro 1st, 2010 at 22:07
@Jovimari,
JOVIMARI
Que lindo comentário:
“Sim, mulher além do seu tempo e que trazia em si um pouco de cada uma de nós, como as nossas angústias, amores, dores e preconceitos.
Sim, nosso tempo é outro, vamos nos transformando e somos moldadas muitas vezes, mas o grito contido e a esperança sentida serão sempre nossos pontos de partidas e recomeços. ”
O que posso responder diante de um comentário tão profundo e belo.
Posso te dizer que é isto mesmo que tentei, em meu texto, sintetizar – sintetizar pois a vida de Chiquinha é uum livro enorme e maravilhoso, que mostra a grandeza de uma alma, de um vibrante coração e a coragem magnífica de uma mulher.
Obrigado por teus comentários.
@manoel.rodrigues: MANOEL
Estou fazendo alguns textos sobre essa novela, o Bem Amado. Mas não me esqueço do Beto Rockfeller, que foi o primeiro grande sucesso de Luiz Gustavo – ele era um garotão naquele tempo, carinha de menino pobre, metido a rico.
Nesta novela, lembro-me de alguns grandes nomes – não me lembro os personagens, mas atores como Debora Duarte, Walter Forster, Bette Mendes, Irene Ravache, Plínio Marcos e por aí vai.
Só de lembrar destes nomes, dá para imaginar a qualidade da novela.
Realmente, Manoel, foi uma novela, que teve uma audiência muito grande e foi levada na TV Tupi, pelo menos ao que me lembro.
Obrigado por teus comentários.
Oi,Gutie:
Estou sempre espiando os seus textos, embora não tenha feito comentários.Estou adorando as marchinhas de carnaval, tanto que estamos nos organizando e você tem me ajudado muito em achar as marchinhas na internet. Pedi para a Janine que copie todas as que encontrar porque vamos fazer um carnaval na casa de uma prima minha só com estas marchinhas antigas e seus textos tem muito a ver com esta festa que se Deus quizer irá acontecer.
Você é demais menino!!Este texto da Chiquinha Gonzaga, então, me transportou para o seriado que a globo apresentou e que eu não perdi nenhum capítulo.Ela foi uma grande mulher e uma grande artista com todas as dificuldades que enfrentou na época, mas que não a fizeram desistir de seus objetivos. Eita mulher guerreira!! Não sabia que “Oh abre alas” era de sua autoria. Adorei e me emocionei ao ouvir Lua Branca, música que acho maravilhosa e que lembra minha juventude.
Aliás os seus textos são maravilhosos e me transportam para aquele tempo muito bom e que não voltam mais.Aquele carnaval onde realmente a gente se divertia e era uma diversão sadia. Por que as coisas têm que mudar tanto não é???? E como mudou…
Mas tudo bem, o importante é que temos muita coisa boa para recordar não é?
Um grande abraço e que Deus o ilumine sempre.
GUTIE respondeu:
fevereiro 2nd, 2010 at 22:36
@Maria Vicença,
Querida amiga
Que comentário mais agradável e bonito.
Percebo que tens também muito talento para escrever e poderia também estar nos brindando com seus pensamentos.
As marchinhas de carnaval – embora goste também de sambas-enredos – são mesmo imbatíveis e nos trazem muita alegria, animam-nos intensamente. São alegria pura, ingênua e que faz muito bem ao coração.
Que bom encontrar pessoas como tu, que traduzem realmente o sentimento de muita felicidade quando está ouvindo as inesquecíveis marchinhas de carnaval.
Agora, tens razão: a Chiquinha Gonzaga foi realmente uma mulher extraordinária, muito além do tempo, transcendeu todos os anos que viveu. Ela é muito atual, talvez até além.
Ah, quem me lembrou dela foi a LuDias. E aí fui recordá-la.
Tive que interromper, ontem e hoje, meus textos, mas amanhã, se tudo der certo, vou tentar escrever mais um.
Muito obrigado por teus generosos comentários.
Gutie,
Impressionante que, passados mais de cem anos da
composição desta música, ela ainda continua bem viva
na memória e nos corações do povo brasileiro.
Bela biografia de Chiquinha Gonzaga, essa excepcional
e exemplar mulher que sempre esteve à frente de seu tempo,
como ressaltastes. Na verdade, foi uma revolucionária.
Parabéns pela excelente pesquisa, a riqueza das ilustrações,
e também, por trazer aos leitores mais este ícone das marchinhas carnavalescas, causando-lhes saudosas lembranças.
Abraços,
Rosalí.