Menina, menina,
Pobre Colombina!
Um dia seus olhos
De sonhos guardados,
Pousaram encantados
Em um Pierrot:
Que ser tão estranho
Que vinha de longe!
Que olhar tão distante,
Tão cheio de dor!
Por que tanta mágua
No fundo do peito?
Colomba era pura.
Colomba donzela,
Fazendo-se bela,
Morrendo de amor,
Lhe trouxe o perfume
De puros carinhos,
Lhe deu o seu colo
Pra ele deitar.
Se fez mais bonita
De laços de fita,
Se fez mais dengosa
Pra lhe agradar.
Mas como tirar
Tristeza tão grande
Do fundo do peito
Do seu Pierrot?
Pierrot já desfeito
Por máguas antigas,
Não teve carinho
Pra oferecer.
E aquela donzela
Tão cheia de vida,
Pela vez primeira
Aprende a sofrer.
Menina, menina,
Pobre Colombina!
O tempo passado,
Pierrot já distante,
Colomba menina,
Formada mulher,
Pousou seu olhar
De sonho esquecido,
Nos olhos brejeiros
De um Arlequim:
Que se tão ardente
Que vinha de longe!
Que olhar desafio
No brilho do olhar!
Olhar exigente,
Que queres de mim?
Colomba carente,
Colomba mulher,
Fazendo-se gente,
Sabendo querer,
Lhe trouxe o veneno
De beijos guardados,
Lhe deu o seu corpo
Pra ele brincar.
Despindo seus laços
De doce menina,
Viveu em seus braços
A nova mulher.
Mas como fazer
Um ser tão perfeito,
Tão jovem, tão puro,
De amor entender?
E Arlequim menino
Tão pouco sofrido,
Não teve carinho
Pra oferecer.
E, aquela mulher
Carente de vida,
Só quer desta vida,
Deixar de viver.
Colomba, colomba,
Pobre Colombina!
Colomba menina,
Colomba mulher.
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18 de novembro de 2008 at 7:49
Soninha
AH!! As colombinas que somos…
Talvez por sermos mulheres sejamos às vezes seres tão trágicos.
Que lindo texto escreveste.
Um beijo minha linda
Haydée
[Resposta]
18 de novembro de 2008 at 10:42
Soninha,
Que bonito poema, amiga! Colomba se envolve e sofre. Afinal Colomba é mulher… Bjo. Ana
[Resposta]