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dez 04
Estilhaços de Babel

Estilhaços de Babel

 

Prezado leitor,

Temos o prazer de convidá-lo para a festa de lançamento do Estilhaços de Babel - Volume 2, de Érico Braga Barbosa Lima. O segundo volume do projeto Estilhaços de Babel (12.000 versos escritos sobre papel toalha, refletindo e ironizando a contemporaneidade de forma lírica / chã, filosófica / sarcástica, melódica / prosaica - em babel temática e estilística) virá a lume na quarta-feira dia 12 de dezembro, às 19h00, na livraria Letras & Expressões do Leblon. O sarau musical e poético terá início às 21h00 com a presença de compositores, performers e amigos. Aguardamos sua presença e participação.

Cordialmente

Editora Antigo Leblon
www.antigoleblon.com.br

 

O Bruxo do Leblon

Por que você, ó leitor, deve levar para o sossego do seu canto de leitura este livro que lhe convocou a abri-lo, a folheá-lo aleatoriamente e a dar uma espiadela em suas orelhas? E é engraçado como nós, os “ratos” de livrarias e bibliotecas, temos faro para o que nos interessa entre os inúmeros títulos e autores que se nos oferecem à vista, muito poucos ao tato. É uma espécie de magia, ao modo dos iniciados, à maneira dos bruxos.

Que o mundo das palavras dispostas em sentido poético, e especialmente quando o mundo da realidade é terrivelmente exposto em sua crueza, como nas páginas destes Estilhaços de Babel, é um mundo de enigmas e decifrações do humano, que os iniciados compreendem, e os neófitos anseiam compreender. Pois este novo livro de Érico Braga Barbosa Lima, continuação (?) do primeiro volume de Estilhaços, é bruxaria das boas, que surpreende os primeiros pela alta dosagem de conhecimento dos usos e apetrechos da magia poética, e aos segundos, pela imensa alegria da revelação do humano. A todos nós, pela coragem na exposição do homem, consciente de si e do seu universo, e pela sabedoria poética na decifração da alma masculina em seus momentos de plenitude, que só a poesia é capaz de revelar. Bruxaria das boas.

Pois Érico Braga Barbosa Lima é um bruxo. É um bruxo do Leblon. Pois o Leblon é o seu espaço natural. Não o Leblon das celebridades da TV, mas o Leblon dos “lebloninos”, o Leblon das praias desde menino, das tardes chuvosas que lembram Paris, dos seus antigos, que caminham invisíveis pelas ruas do bairro aos silêncios dos que sabem as estórias, o Leblon das suas musas, elegantes e discretas, sempre muito lindas. O Leblon dos bares que são moda desde sempre, que não entram na moda ou saem da moda. Um Leblon feito das eternidades do humano em suas individualidades. Um Leblon feito de niilismos, mas um niilismo suave como o seu sol a se pôr… A compreender as noites…

Aos modos de Baudelaire, o poeta desses estilhaços vai tecendo a noite do homem com um radicalismo de assustar os incautos, os hipócritas, os medrosos, os afoitos, os consumidores de moda, os novos-nobres da velha corte luso-brasileira, os novos-acadêmicos, que não pensam, não lêem, não buscam, como Elliot recomendava, os seus próprios poetas, preferindo os nomes sagrados, que lhe rendem aprovação automática, financiamentos, mídias e mercados. Escritos que já nascem velhos, gastos, cansados, que nada revelam do homem brasileiro.

Mas esse bruxo do Leblon, radical e contraditório, nesses seus niilismos que nada querem, para tudo querer, que tudo nega, de nada prescindindo, busca atingir o clímax máximo na afirmação da sua individualidade, do seu tempo e do seu espaço. Não se trata mais de derrubar ícones. Érico, impiedoso, bate em seres já derrotados, anjos caídos, aos pedaços, fragmentos. Sacode cada pedacinho dos “deuses do Olimpo” e grita, esbraveja: “Eu não disse? Vêem agora a (ao) que serviram? Nada!”.

Seu simbolismo, materialista ao extremo, parte para a reconstrução, a ressurreição dos ícones fragmentados, a ressuscitá-los em deuses mais calejados. Pois Érico crê em seus deuses soterrados. Por isso, faz da sua poesia uma dialética permanente: com os mitos, os sociais, as gentes, consigo mesmo – sobretudo consigo mesmo, que é onde moram os seus deuses. Por isso que seu individualismo é método, nunca finalidade. Se em Estilhaços de Babel I, tal um Henry Miller caminhando para a sua Crucificação Encarnada, o poeta recorreu às dispersas energias sexuais, nestes novos estilhaços, ele recorre às fugidias energias intelectuais, para a todos nós revelar, revelando-se poeticamente. Para além das confissões, para além das maldições, a poesia desse bruxo do Leblon nos assusta e nos comove, convidando-nos a examinar as próprias almas aos próprios espelhos. Aos cacos, aos fragmentos, que nos são dados recolher.

Paulo Bauler

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Um comentário para “Estilhaços de Babel - Convite”

  1. Paulo Afonso disse: Reply to this comment

    Dia 10 estarei lá, se Deus quiser. Aproveito para dar uma passadinha na Pizzaria Guanabara. Ninguém é de ferro.

    [Resposta]

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