Falando sério – Operação Sorriso do Brasil
Por Berto Filho e Eduardo Leite
125 alagoanos de várias faixas etárias, predominando crianças, serão operadas de lábio leporino e fenda palatina na Santa Casa de Miserisórdia de Maceió entre os dias 17 e 21 de abril, das 7 da manhã até o último paciente selecionado.
Espera-se que a cobertura local dos meios de comunicação consiga atrair para a triagem na Santa Casa nos dias 13 e 14 da semana que vem, uma romaria épica vinda de todos os municípios do estado, com o apoio logístico da secretaria de saúde e da prefeitura de cada cidade.
Contada assim, essa história talvez não merecesse mais que um simples registro numa editoria de cidade, num telejornal ou numa rádio local, não fosse a necessidade vital de um grande número de pacientes para que esse número de cirurgias salvadoras seja alcançado e até superado. Vão operar nos 5 dias exclusivamente médicos brasileiros, coordenados em Maceió pelo cirurgião plástico André de Mendonça.
Segundo a OMS, 300.000 brasileiros vivem na obscuridade, nos porões da vida, separados do mundo, enfrentam toda sorte de preconceitos só porque têm lábio leporino, fenda palatina ou ambas as deformidades, ou tumores e queimaduras na face. Mas são intelectualmente normais. É a aparência que os separa do convívio social. É um tipo de auto-exclusão induzida pela completa desinformação. Quando a mídia joga uma luz na escuridão, informando que a Operação Sorriso está a caminho e como devem proceder as famílias, o “milagre” da reabilitação e inserção social completa vai acontecer.
Um em cada 650 brasileiros nascidos traz do berço a anomalia.
Embora as causas ainda não tenham sido totalmente identificadas pela ciência, autoridades médicas atribuem sua origem a fatores genéticos, ambientais e nutricionais, podendo ser derivada também de procedimentos de alimentação inadequados na gestação, principalmente em comunidades de baixa renda e baixo nível de esclarecimento seja em que país for.
No mundo, a ocorrência é de 1 portador para cada 500-700 nascimentos, a taxa varia consideravelmente conforme a área geográfica e/ou etnias.
De acordo com a Cleft Palate Foundation, dos Estados Unidos, fissuras lábio-palatinas estão entre as anormalidades genéticas mais comuns nesse país, à taxa de 1 para cada 600 nascimentos.
No mundo, 200.000 crianças nascem todos os anos com uma deformidade facial. Atualmente, dezenas de milhares ainda permanecem sem tratamento.
Deformidades no rosto são traumatizantes e, quanto mais a família vive longe da civilização e da informação, mais alimenta o preconceito a ponto de certos pais quererem matar seus filhos porque acham que (a deformidade, logo no rosto) é coisa do diabo… muitas crianças são incapazes de comer ou de falar ; algumas são tiradas da escola ou não frequentam as aulas como as demais, ficando prejudicadas nos estudos.
Este é o quadro geral do problema.
Mas existe uma solução.
Quem tomou a frente foi o cirurgião plástico e crânio-facial William Magee, amigo particular do dr. Ivo Pitanguy. Sua inspiração foi criar em 1982 uma organização humanitária com recursos gerados a partir de um bingo no fundo do quintal de sua residência. Mas antes da fundação da organização, chamada OPERATION SMILE (0S), o dr. Magee e sua esposa Kathleen, uma enfermeira de primeira grandeza, realizaram várias cirurgias nas Filipinas, em sucessivas viagens acompanhados de outros médicos, como um teste para a redenção que viria depois, em escala mundial, ao longo destes 27 anos. Hoje a OS está presente em 54 países e mais de 130.000 pacientes passaram a viver com a mesma qualidade de vida de seres normais, passaram a sorrir sem medo.
A experiência nas Filipinas foi determinante na decisão de fundar uma entidade internacional para operar pessoas com fissuras lábio-palatinas no mundo todo.
O dr. Magee logo percebeu que a demanda na Ásia, bastante expressiva, era igualmente significativa em um grande número de países emergentes, em regiões à margem da civilização ocidental e inteiramente excluídas de seus padrões de assistência médica e social.
A OS nasceu de uma vontade de fazer. De tirar as pessoas das sombras para a vida. A operação de lábio demora em média 45 minutos e a de fenda, 1 hora e meia. Tempo muito rápido para uma transformação tão grande.
O braço brasileiro da OS foi constituído em 1997 como fundação privada sem fins lucrativos.
Este ano vai realizar no Brasil 5 campanhas de cirurgias coletivas e programas educacionais, e estabeleceu a meta de superar 500 cirurgias :
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Abril 13 a 21 em Maceió
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Maio 25 a 29 em Barbalha (interior do CE)
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Agosto 6 a 14 no Rio de Janeiro
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Setembro 1 a 9 em Fortaleza
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Novembro 23 a 28 em Santarém (PA)
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Paulo
Fico contente que esta benfeitoria comece em Maceió, pois é de lá uma grande liderança deste país, que respeito muito, a nossa querida Heloísa.
Não é qualquer um que aceita abrir mão das benesses do poder, para batalhar para acabar com as diferenças sociais deste país.
Valeu.
Abraços.
Paulo Afonso respondeu:
abril 10th, 2009 at 10:40
@Mário Mendonça, Há muitas ONGs que trabalham sério. Esta é uma delas.
Também conheço ONGs sérias e tam´bém admiro Heloísa Helena. Pena que são admirações pontuais.
Paulo Afonso respondeu:
abril 10th, 2009 at 12:28
@Hila Flávia, Pois é. Chico Alencar… quem mais? Não lembro.
Paulo,
Esta é a real caridade – ‘ tirar as pessoas das sombras para a vida.’ Boa Páscoa! beijo. Ana
Parabéns a Berto Filho e a Eduardo Leite por divulgarem tão importante trabalho.
ASbraços,
TT