Falo alto, sim! – Jovimari Balotin

Por Jovimari Balotin, 11 de fevereiro de 2009 6:58

Que tal uma brasileira, duplamente descendente de italianos, que ama ler, praticar esportes, ter vida saudável, acordar cedo, comer pipoca com melado, beber muita água, namorar quando possível, falar alto com a voz, com as mãos e com a emoção.

Essa sou eu! Ah, e ainda sou forte como um touro, piso firme e pesado (meu avô já me dizia aos seis anos que eu tinha pés de chumbo). Nem tanto, afinal o chão da casa era de madeira! Ou seria porque sempre tive pernas grossas?

Sou muito “forte” mesmo, apesar de não passar de 1.60m e pesar menos de 58 kg. Tenho uma saúde de ferro e pretendo viver até os 120 anos, com saúde e corpo perfeitos, lógico!

Quando criança era robusta e minha avó sempre me chamava para lustrar o chão sem escovão. Entre chamar uma prima delicada e magrinha, ela completava: “Faz você que é mais forte!”

Talvez esta frase tenha influenciado para eu me tornar uma mulher um pouco rude e sem paciência para as manhas e delicadezas femininas. Quantas dores e dengos que querem somente chamar atenção dos homens, dos pais, dos filhos, dos humanos racionais.

Ah, mas não pensem que não gosto de batom, de cremes, perfumes, rímel, massagem, carinho, secador de cabelo, às vezes até unhas vermelhas.

Mas por que falo tudo isso? Porque estou hospedando uma menina de 18 anos, intercambista dinamarquesa; meiga e delicada, alta e robusta que fala baixo e aprendeu a cumprimentar com dois beijinhos e abraço aqui no Brasil. Sim, porque chegou aqui com apenas “oi” e a mão estendida para o cumprimento. Ela me disse: “Brasileiros todos falam muito alto.”

Sim, falamos alto, somos cheios de energia e “abraçamos grande”.

Sim, concordo sem traumas: “eu” falo alto sempre, grito às vezes, gesticulo constantemente, fico vermelha de emoção, choro de verdade, rio de nervosa. Não sou tão melosa, mas abraço forte e beijo estalado. Moro num país tropical, tenho sol quase o ano inteiro e corre em minhas veias o sangue de meus antepassados que me orgulham da coragem de cruzarem mares bravios em busca de novas esperanças.

Sim, e a esperança sempre será o vetor que move mundos e vidas.

Ah, gosto de vinho, claro! E também não me importo se me mandarem falar baixo. Respeito, regulo o volume, mas saiba que ele teima em aumentar gradativamente e sem precisar de ajuste.

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6 comentários para “Falo alto, sim! – Jovimari Balotin”

  1. lu dias bh disse:

    Jovimari

    Fale alto sim!
    Mas jamais perca essa doçura e hospitalidade que carrega em si.
    A nossa parte mais bonita é a que nasce dentro de nós.
    A externa não nos retrata com fidelidade.
    E você já deu mostras de sua beleza interior, em vários momentos.
    Eu bem sei disso.
    Parabéns pelo belo texto.
    E não suma!

    Beijos,

    lu

  2. GUTIERRITOS disse:

    JOVIMARI

    Estava ficando triste com sua ausência por aqui.

    E voltou falando alto.

    Melhor: escrevendo como sempre imaginei que você o fizesse.

    Abrisse sua alma e nos mostrasse a sua beleza interior, que nós todos aqui do blog percebemos no seus comentários sempre maravilhosos.

    Estou contente com o seu retorno e logo nos trazendo um artigo muito gostoso para ler.

    Parabéns.

    Até mais.

  3. Hila Flávia disse:

    Eu também começo falando meio baixo mas, com o entusiasmo, voiu aumentando o tom e dizem as línguas de trapo de minha família que ando falando alto que só vendo. Deve ser porque estou meio tiú e assim acho que os outros também não escutam direito. Tem um caso ótimo de minha amada e saudosa mãe que, no leito do hospital, recebeu a visita do médico que lhe falou: – Eu vou cuidar da senhora. Sou endocrinologista. Ela perguntou meio sem dosar o tom de voz: – O que? Então ele gritou: ENDOCRINOLOGISTA. Ela começou a rir e falou: – Não precisa gritar. Eu só não sei o que é que o senhor é. Escutei muito bem. É isto aí. Não tem jeito não.

  4. Jovimari disse:

    Obrigada minha gente e ando mesmo com vontade de escrever. Espero que logo eu tenha alguma outra observação cotidiana para transformar em texto. Engraçado em como eu fico contente quando penso em algo e vou transformando em palavras e frases e texto… conforme isso acontece eu sinto uma alegria diferente… talvez sejam os momentos felizes da vida… não precisa nada tão excepcional, apenas algo que toca o coração.

    Beijo!

  5. Felipe disse:

    Mãe, você mandou muito, mais um vez! sério, muito bom. boas palavras, boas frases e colocações.. isso no meu humilde e amador ponto de vista, hehe… gostei muito!

  6. Felipe disse:

    Olá, Blogueiros

    Inacreditável que meu último texto é de dois meses atrás. Peço perdão pela ausência, mas queria aproveitar ao máximo minhas últimas semanas em Zimbábue. E ao voltar, a saudade era enorme. Ainda não vi todos meus amigos, também não comi todas as comidas gostosas da vovó, mas aos pouquinhos farei tudo.

    Difícil dar tchau – não sabia se era um até logo ou um adeus – para todas as famílias e amigos por lá. Mas nas últimas semanas minha cabeça já estava meio a meio, uma parte estava por aqui. Tanto que a chegada ao Brasil não foi nada estranha. Não tive problema algum em readaptação.

    Tenho muito a escrever, mas este é só em agradecimento. Ao Paulo Afonso pela magnífica oportunidade dada, colocando meus textos no Blog. E àqueles que comentavam, ou que só faziam a leitura, só posso agradecer. Especial também para minha ‘tia’, Lu Dias. Suas mensagens sempre me traziam uma enorme paz. Ficava feliz antes mesmo de ler o conteúdo.

    Cogito a idéia de colocar todas as idéias em uma só. Colocar meu ano na África no papel, para que fique pra sempre registrado e guardado. Mas, pra mim, este é um ano difícil, estudando bastante no pré-vestibular, e também me decidindo no que fazer ‘para o resto da vida’. Muito relativo tudo isso, mas como disse a mãe, “é agora que começam as decisões difíceis da vida…”. Ainda assim, a idéia está viva em mim. Acho que as memórias nunca ficarão mais vivas do que estão agora.

    Muito obrigado, e isso é tudo hoje. Escreverei e com certeza, pedirei ajuda, com mais freqüência.

    Até logo.

    Felipe Balotin

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