Ontem assisti a uma reportagem do “Fantástico“, a respeito de municípios que apresentam os piores índices de qualidade de vida do país.
A população sofre sem água, comida e depende da ajuda do governo, fornecida através de programas assistenciais, como o Bolsa Família.
Mesmo com essa ajuda, um quilo de cenoura ou tomate pode chegar a custar R$ 8,00 e muitos habitantes nunca tomaram um banho de chuveiro. Assim começa a matéria, que mostrou como é a vida em Jordão e Tarauacá, no Acre, Manari, em Pernambuco e Traipu, em Alagoas.
“É o Brasil dos excluidos, onde se encontram os menores índices de desenvolvimento humano do nosso país”, disse Zeca Camargo.
Traipu fica no agreste de Alagoas e tem 25 mil habitantes. Fica às margens do Rio São Francisco. A água do rio é suja e não serve para a população, que espera pela chegada do caminhão pipa. Isso se repete com frequência, pois a água fornecida é insuficiente para tanta gente. O caminhão do governo só traz água uma vez por semana.
Por que a abundante água do São Francisco não serve para o consumo? Quem garante que o caminhão pipa traz água de melhor qualidade? Muitas vezes o abastecimento acontece em barreiros, muito mais poluídos do que o próprio rio. Por que não ensinar a população a tratar a água do Velho Chico, através de uma filtragem eficiente e adição de gotas de água sanitária? O próprio sol poderia ser utilizado para esterilizar a água, como explicado no Dicas do Timoneiro.
Se em Traipu o maior problema é a água, em Manari, distante 130 km, no sertão de Pernambuco não é tão diferente. A população é cobrada por uma água que não recebe. Os habitantes de Manari não tomam banho de chuveiro nem usam banheiro. Quase todos em Manari são desempregados e dependem da ajuda assistencial. A cidade fica alegre quando chove. A população aproveita para encher os baldes e tomar banho.
No outro extremo do país encontramos Jordão, no Estado do Acre, onde vivem 6300 pessoas. Jordão fica a uma semana de barco de Tarauacá, que fornece um pouco do que Jordão precisa.
Em Jordão há muita gente que não conhece um chuchu e paga uma fortuna por uma dúzia de ovos ou um quilo de tomate (seis a oito reais o quilo). Em Jordão e Tarauacá não existe o problema da seca. É possível plantar, pelo menos legumes e verduras, e criar galinhas para ter ovos e carne. Quase todos têm um quintalzinho. Por que não plantar uma horta e criar algumas galinhas caipiras? Por que todos dependem do que chega pelo rio ou pelo ar?
O Bolsa Família ajuda a população, dá o peixe, mas não ensina a pescar.
Falta orientação no Brasil dos excluídos.
E a vida, apenas segue!
“Feliz do pobre quando tem a farinha, o arroz e o feijão”
Tá tudo errado. Bem cantava o velho Lua Luiz Gonzaga: Seu doutor uma esmola, para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.
É isto.
Paulo Afonso respondeu: março 2nd, 2009 at 11:05
Hila,
Bastaria distribuir, junto com o pagamento do Bolsa Família, alguns saquinhos de sementes de legumes e verduras, além de uma cartilha, ensinando a plantar e cuidar. Se cada família plantasse alguma coisa, poderiam, na falta do dinheiro, trocar entre si. Se essa distribuição fosse mensal, e variada, aos poucos estaria criada uma nova mentalidade.
Na rua em que moro, em Iguabinha, plantei alguns pés de milho na porta de casa. O objetivo era mostar, a quem passasse, que bastaria um pedaço de terra para ter algum alimento. Colhi algumas espigas e muita gente ficou surpresa. Enquanto isso o mato cresce nos seus quintais e eles reclamam que não tem o que comer.
Na minha calçada há um pé de alfavaca enorme, junto ao muro. Ninguém cuida. Vejo, de vez em quando, alguém passar e tirar um galho para usar como tempero. Por que não plantam?
Vou contrariar seu ponto de vista: o bolsa família é fundamental, mesmo que não ensine o homem a pescar.
É evidente que o Estado deve legar aos cidadãos o direito à educação e, à saúde, dando-lhes ainda condições para se transformarem, como quer, em pescadores.
Mas eu conheço a pobreza e convivo com todos eles.
Não há tempo para ensinar a pescar, sem que antes se oferte o que comer.
Sei que o bolsa família é pouco, mas ajuda e muito.
Vamos parar para pensar: a fome traz a desnutrição e com ela a crueldade maior, a mortalidade infantil assustadora. Da nutrição depende a saúde e quem não se nutre nunca vai aprender.
Sem a desnutrição, milhares de reais não serão gastos em hospitais e remédios.
É o dinheiro do cofre governamentel saindo para a alimentação e deixando de gastar na Saúde.
Sei que a Saúde pública está, em muitos lugares, uma lástima, fruto principalmente de má administração, mas poderia ser ainda pior não fora os benefícios da bolsa família.
Eu o que vejo e o que sinto.
Acredito que há muitos erros nos governos, inclusive no atual, mas não posso aceitar passivamente censura ao programa bolsa família.
Muitos reclamam deles, principalmente em críticas dirigidas ao governo federal, mas a administração da bolsa família é quase totalmente municipal e os erros existentes, na verdade, são dos governantes locais.
Quando o benefício é mal distribuído, atrás disto está, infelizmente, a administração municipal.
Há outras centenas de programas sociais, nos municípios, nos estados e ainda os federais, que estão trazendo condições para que o povo mais humilde, pobre e faminto, possa um dia fazer para usar a vara de pescar.
Inclusive, há até empresas particulares, nas regiões que tem empreendimento, concedendo cursos profissionalizantes àqueles beneficiados com o bolsa famíla.
Comungo de sua opinião, quando não oferecem a todos os benefícios da educação, saúde, escolas profissionalizantes, mas penso que, como suporte de todos os programas sociais, pelo menos durante décadas, vamos precisar desta ajuda àqueles que sofrem na miséria
Não vou entrar no mérito da plin plin, porque ela não merece crédito; quem sempre apoiou as elites manipulando informações a seu bem entender, não deveria discorrer sobre o assunto de forma direcionada.
Editora Abril, Organizações Globo, Grupos Estado e Folha, são responsáveis pelo atraso do país.
No lote ao lado da minha casa, em Furnas, de 1000m2, plantamos o feijão das águas e colhemos 150 quilos. Pensa bem. Nosso intento é pedir permissão para plantar em todos os lotes vagos. Vai ser bom demais. A gente tem que começar de um ponto qualquer, então vou começar pelo feijão maravilha.
Não sou contra o Bolsa Família. Acho que a ajuda, neste momento, é fundamental. Sei bem o que representam R$ 82,00 no orçamento de uma família, que muitas vezes só recebe isso.
Mas, enquanto o governo federal faz a sua parte, caberia aos prefeitos o trabalho de ‘sargento’, o contato direto com a população, ajudando a resolver os problemas, que muitas vezes são de solução rápida e de baixo custo.
Infelizmente nossos prefeitos não estão muito ligados nisso, pensando apenas nas suas fazendas e nas maneiras de enriquecer mais rapidamente. Não são todos, mas uma grande parte deles, conforme lemos nos noticiários.
Caberia ao governo municipal ‘ensinar a pescar’, aproveitando o alívio financeiro que o governo federal forneceu.
Esperar que Brasília faça tudo e mande mais dinheiro, é não estar nem um pouco preocupado com a população ou com o Brasil. Para muita gente a miséria interessa e é fonte de lucros.
Hila Flávia respondeu: março 3rd, 2009 at 10:11
Tenho sua opinião sobre a bolsa. Acontece que, ao mesmo tempo que mata a fome, apesar de com muito pouco, desistimula, pois nosso povo, infelizmente, está acostumado a ter um PAI DOS POBRES, desde sempre. É uma coisa parecida com a Síndrome de Cinderela, sofrida pela grande maioria das mulheres, que vêm no príncipe montado no cavalo branco a salvação de sua vida. É colocar a solução dos problemas nas mãos dos outros. Matar a fome é o essencial. Em conjunto com a perspectiva de um caminho a ser seguido, um ofício, um ganho por conta própria. Sabemos todos de pessoas que ganham o bolsa sem precisar, sabemos todos de gente que deixou de trabalhar para receber o auxílio, mas sabemos também do tanto que ajuda. Então, é uma árdua tarefa a educação para o trabalho, para a honradez, para o caráter. Vindo de dentro de casa. Olha, Paulo Afonso, minha amada e saudosa mãe repetia a toda hora para as filhas: vocês tem que ganhar seu próprio sustento. Vocês tem que ter seu ganho. A coisa mais bonita que existe na vida é uma pessoa viver às custas de seu trabalho. É uma honra poder ganhar o suficiente para viver. E por aí afora. Cresci ouvindo esta cantilena. Eu repeti a cantilena para meus filhos, quase que como um rosário. Realmente considero o trabalho uma honra. Triste é quem não pode trabalhar, não dá conta, não consegue emprego. Isto é uma desgraça. E também questiono muito a quantia que se recebe. Quem não sabe viver com pouco também não sabe viver com muito. Já ganhei pouquinho e me virei. Já melhorei, deu certo. Já voltei a ter pouco, também não me abalou. O essencial é o suficiente. Que, se olharmos bem, não é muito. Ninguém é centopéia para ter dez pares de sapato. E nem trinta corpos, para ter trinta roupas. E por ai vai. Quando se faz economia, até o sal deve ser contabilizado. Não gasto com muita coisa, como em restaurantes, por exemplo. É só uma eventualidade muito eventualidade mesmo. Família grande em restaurante é um desfalque no orçamento. Fica muito mais barato comprar apenas um determinado prato e inteirar com coisas de casa, se estão querendo variar, como por exemplo uma peça de carne de churrasco, para quem gosta muito. Adoro bijuterias e não tenho jóias. Não guardo tesouros que o ladrão pode roubar. Gosto é de me enfeitar e minhas bijus fazem isto com muita competência. Não sou exemplo de muita coisa não, mas dinheiro na minha mão tem destino escolhido e me guardo de tentações que sei vão me balançar. Estou quase escrevendo um tratado, por isso vou deixar outras considerações para depois. Acho que me empolguei com o tema.
Tu deveria conhecer o Bolsa Familia de perto, pois tenho certeza que mudará de opinião quando o ver.
Sabemos que existe um pequeno percentual de aberrações ( por culpa dos municípios, como disse o Paulo), exemplo destas que Vsas. elenca em seu texto, mas são irrisórias, perto do beneficio que ele traz, e que atormenta tanto os poderosos, porque eles não admitem ganhar um pouco menos.
Como disse acima, o estratagema midiático pautado pela elite golpista ( oposição cartelista + mídia editada ), infelizmente não deixa que a “nossa colaboração”, seja maior, e encaremos os problemas como deveriam ser encarados.
Há quanto tempo estes “coronéis, elite do brazil”, fazem o que querem do nosso gigante adormecido???
Há quanto tempo a miséria, que faz a ganância desses coronéis se acharem donos de tudo, até de nossas vidas, ronda nosso gigante adormecido, sem que apareça alguém para minimiza-la.
“E quando aparece um que veio das bases, não admitem bater continência”.
Mário, o que me levou a escrever este post foi ter assistido ao programa e não ter entendido por que as águas do São Francisco não podem abastecer a população da cidade ribeirinha. Se até transposição estão fazendo, por que a população depende dos carros pipas?
Aí lembrei de uma dica que coloquei no Dicas do Timoneiro, ensinando como purificar água utilizando garrafas pet e o sol.
Lembrei, também, de outra dica, sobre a facilidade em se fazer hortas. Quanquer varanda pode ter a sua horta. As sementes são baratas e poderiam ser distribuidas pelas prefeituras, junto com o pagamento do Bolsa Família. Não se justifica, em pleno Acre, ninguém ter verduras e legumes para comer. Eu, se lá morasse, teria uma horta plantada na porta de casa e outra na frente da prefeitura.
Sou meio maluco. (meio é modéstia)
Certa vez minha filha comprou umas persianas numa loja perto de casa e não iam instalar. Fui para a porta da loja, em pleno Shopping (Via Parque – Barra), numa noite de domingo, aproveitando a saída do teatro. Trazia um cartaz criticando a loja. Fiquei parado, com o cartaz na mão, na porta da loja. “Esta loja não cumpre o que promete… etc. Logo resolveram o problema.
Quando a IBM quis fazer comigo algo com que não concordava, causando-me prejuízo, ameacei me acorrentar num poste, na porta do prédio da Matriz. Um colega disse para uma funcionária do depto pessoal: “O Paulo é doido. Se ele falou, ele faz”. E me atenderam.
Hila Flávia respondeu: março 4th, 2009 at 0:21
Eu conheço, amigo Mário. Convivo com quem precisa dela para comer o pão de cada dia. Mas sempre tive na idéia de que seria uma ajuda emergencial. Aguda. E não uma contribuição crônica. Esta seria para quem, realmente, não mais tivesse força de trabalho, como doentes e idosos. Sanar a fome é princípio fundamental. Mas também o é o resgate da dignidade do trabalho e do se bastar. Eu não duvido das boas intenções do governo nesta área, realmente penso que o presidente se preocupa com a fome do povo. Mas é preciso mais. Chegaremos lá, com certeza, se toda a nação se movimentar na direção de recuperar a capacidade produtiva do povo e acabar de vez, por exemplo, com o analfabetismo. Quando lecionei para adultos usando o método do saudoso Paulo Freire, depois das 40 horas de Angicos, ensinei a ler em realmente 40 horas. Ler, escrever e compreender. Mas o projeto foi ceifado logo a seguir. Hoje é adotado pelo Instituto Ayrton Senna e o Projeto Dom Bosco na formação de monitores. Fiz o curso e formei instrutores. Se houvesse vontade política e na proporção geométrica assustoramente crescente do grupo de monitores, em menos de seis meses não teríamos um analfabeto no país. Cobrei esta atitude de todos os meus conhecidos no governo, e não são poucos. Jamais recebi uma resposta. Tínhamos um projeto pronto e viável. Ainda temos. Por causa destas coisas é que discordo do bolsa na sua unicidade. Não o invalido, mas discordo por ser a única alternativa proposta efetivamente como projeto de governo. Um fraternal abraço. Hila Flávia
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Tá tudo errado. Bem cantava o velho Lua Luiz Gonzaga: Seu doutor uma esmola, para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.
É isto.
Paulo Afonso respondeu:
março 2nd, 2009 at 11:05
Hila,
Bastaria distribuir, junto com o pagamento do Bolsa Família, alguns saquinhos de sementes de legumes e verduras, além de uma cartilha, ensinando a plantar e cuidar. Se cada família plantasse alguma coisa, poderiam, na falta do dinheiro, trocar entre si. Se essa distribuição fosse mensal, e variada, aos poucos estaria criada uma nova mentalidade.
Na rua em que moro, em Iguabinha, plantei alguns pés de milho na porta de casa. O objetivo era mostar, a quem passasse, que bastaria um pedaço de terra para ter algum alimento. Colhi algumas espigas e muita gente ficou surpresa. Enquanto isso o mato cresce nos seus quintais e eles reclamam que não tem o que comer.
Na minha calçada há um pé de alfavaca enorme, junto ao muro. Ninguém cuida. Vejo, de vez em quando, alguém passar e tirar um galho para usar como tempero. Por que não plantam?
PAULO
Vou contrariar seu ponto de vista: o bolsa família é fundamental, mesmo que não ensine o homem a pescar.
É evidente que o Estado deve legar aos cidadãos o direito à educação e, à saúde, dando-lhes ainda condições para se transformarem, como quer, em pescadores.
Mas eu conheço a pobreza e convivo com todos eles.
Não há tempo para ensinar a pescar, sem que antes se oferte o que comer.
Sei que o bolsa família é pouco, mas ajuda e muito.
Vamos parar para pensar: a fome traz a desnutrição e com ela a crueldade maior, a mortalidade infantil assustadora. Da nutrição depende a saúde e quem não se nutre nunca vai aprender.
Sem a desnutrição, milhares de reais não serão gastos em hospitais e remédios.
É o dinheiro do cofre governamentel saindo para a alimentação e deixando de gastar na Saúde.
Sei que a Saúde pública está, em muitos lugares, uma lástima, fruto principalmente de má administração, mas poderia ser ainda pior não fora os benefícios da bolsa família.
Eu o que vejo e o que sinto.
Acredito que há muitos erros nos governos, inclusive no atual, mas não posso aceitar passivamente censura ao programa bolsa família.
Muitos reclamam deles, principalmente em críticas dirigidas ao governo federal, mas a administração da bolsa família é quase totalmente municipal e os erros existentes, na verdade, são dos governantes locais.
Quando o benefício é mal distribuído, atrás disto está, infelizmente, a administração municipal.
Há outras centenas de programas sociais, nos municípios, nos estados e ainda os federais, que estão trazendo condições para que o povo mais humilde, pobre e faminto, possa um dia fazer para usar a vara de pescar.
Inclusive, há até empresas particulares, nas regiões que tem empreendimento, concedendo cursos profissionalizantes àqueles beneficiados com o bolsa famíla.
Comungo de sua opinião, quando não oferecem a todos os benefícios da educação, saúde, escolas profissionalizantes, mas penso que, como suporte de todos os programas sociais, pelo menos durante décadas, vamos precisar desta ajuda àqueles que sofrem na miséria
Caro Paulo
No momento, ” matando a fome ”
Não vou entrar no mérito da plin plin, porque ela não merece crédito; quem sempre apoiou as elites manipulando informações a seu bem entender, não deveria discorrer sobre o assunto de forma direcionada.
Editora Abril, Organizações Globo, Grupos Estado e Folha, são responsáveis pelo atraso do país.
Próximo passo, ” introduzindo a cultura ”
Abraços
No lote ao lado da minha casa, em Furnas, de 1000m2, plantamos o feijão das águas e colhemos 150 quilos. Pensa bem. Nosso intento é pedir permissão para plantar em todos os lotes vagos. Vai ser bom demais. A gente tem que começar de um ponto qualquer, então vou começar pelo feijão maravilha.
Gutie, Mário e Hila,
Não sou contra o Bolsa Família. Acho que a ajuda, neste momento, é fundamental. Sei bem o que representam R$ 82,00 no orçamento de uma família, que muitas vezes só recebe isso.
Mas, enquanto o governo federal faz a sua parte, caberia aos prefeitos o trabalho de ‘sargento’, o contato direto com a população, ajudando a resolver os problemas, que muitas vezes são de solução rápida e de baixo custo.
Infelizmente nossos prefeitos não estão muito ligados nisso, pensando apenas nas suas fazendas e nas maneiras de enriquecer mais rapidamente. Não são todos, mas uma grande parte deles, conforme lemos nos noticiários.
Caberia ao governo municipal ‘ensinar a pescar’, aproveitando o alívio financeiro que o governo federal forneceu.
Esperar que Brasília faça tudo e mande mais dinheiro, é não estar nem um pouco preocupado com a população ou com o Brasil. Para muita gente a miséria interessa e é fonte de lucros.
Hila Flávia respondeu:
março 3rd, 2009 at 10:11
Tenho sua opinião sobre a bolsa. Acontece que, ao mesmo tempo que mata a fome, apesar de com muito pouco, desistimula, pois nosso povo, infelizmente, está acostumado a ter um PAI DOS POBRES, desde sempre. É uma coisa parecida com a Síndrome de Cinderela, sofrida pela grande maioria das mulheres, que vêm no príncipe montado no cavalo branco a salvação de sua vida. É colocar a solução dos problemas nas mãos dos outros. Matar a fome é o essencial. Em conjunto com a perspectiva de um caminho a ser seguido, um ofício, um ganho por conta própria. Sabemos todos de pessoas que ganham o bolsa sem precisar, sabemos todos de gente que deixou de trabalhar para receber o auxílio, mas sabemos também do tanto que ajuda. Então, é uma árdua tarefa a educação para o trabalho, para a honradez, para o caráter. Vindo de dentro de casa. Olha, Paulo Afonso, minha amada e saudosa mãe repetia a toda hora para as filhas: vocês tem que ganhar seu próprio sustento. Vocês tem que ter seu ganho. A coisa mais bonita que existe na vida é uma pessoa viver às custas de seu trabalho. É uma honra poder ganhar o suficiente para viver. E por aí afora. Cresci ouvindo esta cantilena. Eu repeti a cantilena para meus filhos, quase que como um rosário. Realmente considero o trabalho uma honra. Triste é quem não pode trabalhar, não dá conta, não consegue emprego. Isto é uma desgraça. E também questiono muito a quantia que se recebe. Quem não sabe viver com pouco também não sabe viver com muito. Já ganhei pouquinho e me virei. Já melhorei, deu certo. Já voltei a ter pouco, também não me abalou. O essencial é o suficiente. Que, se olharmos bem, não é muito. Ninguém é centopéia para ter dez pares de sapato. E nem trinta corpos, para ter trinta roupas. E por ai vai. Quando se faz economia, até o sal deve ser contabilizado. Não gasto com muita coisa, como em restaurantes, por exemplo. É só uma eventualidade muito eventualidade mesmo. Família grande em restaurante é um desfalque no orçamento. Fica muito mais barato comprar apenas um determinado prato e inteirar com coisas de casa, se estão querendo variar, como por exemplo uma peça de carne de churrasco, para quem gosta muito. Adoro bijuterias e não tenho jóias. Não guardo tesouros que o ladrão pode roubar. Gosto é de me enfeitar e minhas bijus fazem isto com muita competência. Não sou exemplo de muita coisa não, mas dinheiro na minha mão tem destino escolhido e me guardo de tentações que sei vão me balançar. Estou quase escrevendo um tratado, por isso vou deixar outras considerações para depois. Acho que me empolguei com o tema.
Querida Hila
Tu deveria conhecer o Bolsa Familia de perto, pois tenho certeza que mudará de opinião quando o ver.
Sabemos que existe um pequeno percentual de aberrações ( por culpa dos municípios, como disse o Paulo), exemplo destas que Vsas. elenca em seu texto, mas são irrisórias, perto do beneficio que ele traz, e que atormenta tanto os poderosos, porque eles não admitem ganhar um pouco menos.
Como disse acima, o estratagema midiático pautado pela elite golpista ( oposição cartelista + mídia editada ), infelizmente não deixa que a “nossa colaboração”, seja maior, e encaremos os problemas como deveriam ser encarados.
Há quanto tempo estes “coronéis, elite do brazil”, fazem o que querem do nosso gigante adormecido???
Há quanto tempo a miséria, que faz a ganância desses coronéis se acharem donos de tudo, até de nossas vidas, ronda nosso gigante adormecido, sem que apareça alguém para minimiza-la.
“E quando aparece um que veio das bases, não admitem bater continência”.
Mas isto vai mudar…..
Abraços.
Paulo Afonso respondeu:
março 3rd, 2009 at 13:51
Mário, o que me levou a escrever este post foi ter assistido ao programa e não ter entendido por que as águas do São Francisco não podem abastecer a população da cidade ribeirinha. Se até transposição estão fazendo, por que a população depende dos carros pipas?
Aí lembrei de uma dica que coloquei no Dicas do Timoneiro, ensinando como purificar água utilizando garrafas pet e o sol.
Lembrei, também, de outra dica, sobre a facilidade em se fazer hortas. Quanquer varanda pode ter a sua horta. As sementes são baratas e poderiam ser distribuidas pelas prefeituras, junto com o pagamento do Bolsa Família. Não se justifica, em pleno Acre, ninguém ter verduras e legumes para comer. Eu, se lá morasse, teria uma horta plantada na porta de casa e outra na frente da prefeitura.
Sou meio maluco. (meio é modéstia)
Certa vez minha filha comprou umas persianas numa loja perto de casa e não iam instalar. Fui para a porta da loja, em pleno Shopping (Via Parque – Barra), numa noite de domingo, aproveitando a saída do teatro. Trazia um cartaz criticando a loja. Fiquei parado, com o cartaz na mão, na porta da loja. “Esta loja não cumpre o que promete… etc. Logo resolveram o problema.
Quando a IBM quis fazer comigo algo com que não concordava, causando-me prejuízo, ameacei me acorrentar num poste, na porta do prédio da Matriz. Um colega disse para uma funcionária do depto pessoal: “O Paulo é doido. Se ele falou, ele faz”. E me atenderam.
Hila Flávia respondeu:
março 4th, 2009 at 0:21
Eu conheço, amigo Mário. Convivo com quem precisa dela para comer o pão de cada dia. Mas sempre tive na idéia de que seria uma ajuda emergencial. Aguda. E não uma contribuição crônica. Esta seria para quem, realmente, não mais tivesse força de trabalho, como doentes e idosos. Sanar a fome é princípio fundamental. Mas também o é o resgate da dignidade do trabalho e do se bastar. Eu não duvido das boas intenções do governo nesta área, realmente penso que o presidente se preocupa com a fome do povo. Mas é preciso mais. Chegaremos lá, com certeza, se toda a nação se movimentar na direção de recuperar a capacidade produtiva do povo e acabar de vez, por exemplo, com o analfabetismo. Quando lecionei para adultos usando o método do saudoso Paulo Freire, depois das 40 horas de Angicos, ensinei a ler em realmente 40 horas. Ler, escrever e compreender. Mas o projeto foi ceifado logo a seguir. Hoje é adotado pelo Instituto Ayrton Senna e o Projeto Dom Bosco na formação de monitores. Fiz o curso e formei instrutores. Se houvesse vontade política e na proporção geométrica assustoramente crescente do grupo de monitores, em menos de seis meses não teríamos um analfabeto no país. Cobrei esta atitude de todos os meus conhecidos no governo, e não são poucos. Jamais recebi uma resposta. Tínhamos um projeto pronto e viável. Ainda temos. Por causa destas coisas é que discordo do bolsa na sua unicidade. Não o invalido, mas discordo por ser a única alternativa proposta efetivamente como projeto de governo. Um fraternal abraço. Hila Flávia