“Sei por ouvir dizer” que nosso grande escritor Bartolomeu Campos de Queirós obteve recentemente, mais um prêmio de literatura infanto-juvenil. Ele mesmo_ o que comenta que não sabe dizer se escreve para gente miúda ou gente grande _ foi distinguido com o “Prêmio Jabuti 2008”, tido como o principal prêmio das letras deste país. Junto com a feliz notícia veio outra. Infeliz. Bartolomeu estava internado numa Unidade de Tratamento Intensivo de um hospital de Belo Horizonte, devido a complicações advindas de uma cirurgia.
Nesse final de outubro, duas boas novas. A de mais valor: Bartolomeu está em casa, recuperando-se, após dois meses de internação. A outra: ele é o vencedor da “IV Edição do Prêmio Ibero-americano SM” de Literatura Infantil e Juvenil, anunciado na última sexta-feira (24 de outubro), no México. A comissão julgadora do Prêmio SM, justifica que a obra de Bartolomeu foi escolhida em razão da “transcendência que se manifesta na profundidade dos temas que trata, no respeito ao leitor, no compromisso com a arte literária sem concessões e no caráter poético e filosófico de sua obra. A entrega do prêmio, no valor de 30 mil dólares, está marcada para o dia 2 de dezembro, durante a Feira Internacional do Livro em Guadalajara (México).
“Minerações” fazem recordar o cavar o chão para extrair riquezas. Além disso, lembra o lapidar palavras para encontrar matéria de poesia. É possível. Fizeram-se os “Apontamentos” no escuro das noites. Todos sonharam palavras…….. E ninguém precisa entender o poetar. É só se deleitar.
Uma vez, nasceu um poeta escritor, que segundo o próprio, nem tinha intenção de se tornar escritor. Queria unicamente contar uma história estória. Fez-se escritor poeta afeito a fantasias com jogo de letras, a divagações, “De letra em letra”. Emparelha uma aqui, às vezes deixa entrar uma no meio, mais outra atrás e mais alguma outra. Constrói palavras. Permeia palavras com espaços e põe sentido, melhor dizendo, atiça “Os cinco sentidos”. O aroma do pão induz ao paladar. Transtorna letras e “Raul” vira “luar”. No entanto, “Bichos são todos… BICHOS”, poeta o poeta. Divaga com as patas da vaca, do gato, do pato e do rato numa “Estória em 3 atos”.
Neste instante, “O piolho” _ ora_ esse mora na cabeça do repolho. Coitado. Do repolho _ ora. “O pato pacato”, pacato, só sabe perder para a lagosta que gosta de vencer. Outro(?) pato tem sapato e tem pé o sapo; sapo+pato dá sapato. Porém, a patroa do “seu” pato tem pé-de-pato e não nada patavina. E o “Papo de pato”? É pelado, penado…. ou depenado!
“A formiga amiga” é a que dorme no açucareiro. Desprendida. Que nem peixe; que nem pássaro. “O peixe e o pássaro”…Esses têm lá seus receios. Ou de anzol, redes, peixe maior, estiagem. Ou de estilingue (esse, ainda bem que virou coisa caída de moda), de alçapão, visgo ou chuva. Ela vai se tornando dona da cozinha.
Fazer o quê, hem? Se “Até passarinho passa”. Encontra e desencontra. Sabe-se que “Para criar passarinho” precisa de azul de céu, de aragem, de fruta no pé. Entretantos, vive o homem, convive, “Sem palmeira ou sabiá”, sem mar. Porém, chove e o meninomem põe sal na aguaceira que a chuva deixa no terreiro. Quisera poder trazer o mar pra frente do olhar. “Ah! Mar…” longe do mar inventa-se um oceano e navega. No sonho. Na poesia fantasia. Bom mesmo é para o “Mário” que é feito de mar, de ar, de rio. O Pedro brinca com tintas e tem o coração cheio de domingo. Aprecia pintar borboletas a voar, a baralhar cores no ar. Se “Coração não toma sol”, “Flora” passa o dia escutando o sol. Creio que faz isso para ouvir se é boa hora de soltar os renovos. “Antes do depois “o eu fala das dores do parir, do chegar sem o querer num mundo de cor demais, de som demais.
A “Escritura” faz o renascer do “Menino de Belém”. Mas…….. quem é mesmo esse menino de Belém? É um que possui o rio como rua. Flui livre. Em paz. O olho de quem que vê a “Matinta Perera”? “O guarda-chuva do guarda” guarda a chuva de quê ou guarda o guarda? “Onde tem bruxa tem fada”. Quem é bruxa? Quem é fada? Segredo. Guardo até amanhã. Quando chega amanhã fica para amanhã, que também tem amanhã. Mas o júri do Prêmio Jabuti de entende de bruxa, de fada, de literatura de grande importância.
Como tem o tempo que dá a conhecer a “Rosa dos ventos” que revela a quentura do sol do verão, o desfolhar do outono, a friagem do inverno e além, o desabrochar das cores das flores. No mais, valem os rumos da rosa, os do sol que acorda no leste e cai no sono no oeste. Contudo, a rosa não aponta os rumos dos “Ciganos” que surgiam “sem saber ao certo de onde vinham ou para onde iam, todavia, roubavam até o sono das crianças”. E também da comissão julgadora do “Prêmio Jabuti”- 1983.
Em “Indez”, o mundo não estava dividido em dois, um para as pessoas grandes outro para os miúdos. As emoções eram de todos. Ah! Palavras… Mistura de letras, umas de muitas leituras e sentido. Com elas se põe feitio ao “Diário de classe”: Menino, olha a janela! Ela. Jane. Nela. Olha a Jane na janela. E a Mariana, a Maria que do outro lado tem Ana; que tem Marina, marina, mana, Marina… É hora de saber “Ler escrever e fazer conta de cabeça”. Tempo de virar gente grande com coração de menino pequeno, que constrói sonhos e carrega lembranças de gentes, de fatos e de coisas de Pará de Minas.
O menino aumenta de comprimento e atina que “Mais com mais dá menos”. Está certo. Se junta mais tristeza com mais tristeza dá menos alegria. “Correspondência” é moldada com palavras, com permuta de palavras. Algumas que devem ser acordadas e outras que precisam dormir. Acorda trabalho, acorda justiça, acorda terra! Ora, ora. Por onde caminham os mitos dos “Cavaleiros das Sete Luas”?
“De não em não”. Se existe um ser (um ser?) que deva ser morto é a fome. Sob pena de essa devorar a vida. Vida que “Faca afiada” leva. Morte tramada na calada da noite por pai e mãe. Morte para amanhã. Faca no pescoço. O menino escuta e vive noite de terror, com piados de coruja e barulho de córrego e de vento nas árvores. No entanto, no final das contas, o almoço do dia seguinte é farto e feliz. Apesar do fato consumado. Quem lê sabe. “Somos todos igualzinhos”. Quando somos diferentes, todos, o mundo fica menos pobre, mais nobre. Ser igual é perder a diferença e não marcar presença!
“Por parte de pai”, o avô que é lembrado de um tempo que ficou na lembrança. Um avô de “O olho de vidro do meu avô”. Olho vivo azul de vidro buscado na cidade grande. Diz o escritor poeta que ele ainda vê o olho do avô, cor do mar, dentro de um pires, por sobre a mesa de seu escritório. O olho de vidro do avô é o que de mais vivo trouxe do passado. Quando vivo, o avô do olho de vidro que devia ser mágico, não cansava de espiar, mergulhava fundo.
Meio a palavras tantas, ocorre a “Vida e obras de Aletrícia depois de Zoroastro”. De A a Z. É momento do riso, do pensar coisas. Aletrícia, sem amor, com dor, faz sua rotina pela ordem das letras: de a a z. Letras ficaram no lugar de sua paixão ida. Zoroastro. A rotina diária envolve o acordar, o sair da cama e o deitar derradeiro na noite. As tarefas do dia, antes as começadas com a, depois com b,….. h…..j….Z. Tantas letras, tantas tarefas. Foi assim que Aletrícia viveu depois de Zoroastro ir-se. (aposto que o Zorro é seu astro e ela toma sopa de aletria).
Agora leitor, se você não entendeu nada, digo para não ligar. Deixe-se brincar com as palavras. Se quiser, releia o texto. As partes destacadas são títulos da obra de Bartolomeu Campos de Queirós, que nem pensava ser escritor, mas um dia quis escrever uma história estória, achou o jeito e não parou mais. Nasceu em Papagaios, diz. Logo que cresceu um pouquinho, passou a catar letrinhas na sua terra e na vizinhança. Em Pará de Minas, viveu um tempo e juntou pontos e vírgulas. Buscou interrogação e exclamação em Paris, no mundo, nas leituras. Hoje, são e salvo, vive em Belo Horizonte, a jogar com a fantasia, com o encantamento, seriamente. Acerta em gente pequena e em gente grande.
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TT
A primeira coisa que você vai fazer é mandar este post para o Bartolomeu.
Tenho a certeza de que ele nunca leu uma crítica tão maravilhosa assim.
Quando eu virar gente grande no trato com as letras, quero receber um comentário seu, igual a este… muito chique.
E vosmicê, quando lançará o seu livro de contos?
Ainda não consegui encontrar um só dos livros pedidos, nos sebos.
Mas ainda não desisti.
Beijos,
lu
Lu,
Bartolomeu é jóia das raras.
Ainda bem que cuidaram dele direitinho no tempo longo demais que ficou no hospital.Um renascimento. Graças ao Pai Eterno. Ele ainda tem muito a deixar escrito nesta terra dos homens. E também, a coleção de óculos que ele faz ainda não está completa……..
Beijos,
TT
DONA TEREZINHA
Eu tive um amigo do peito, um irmão camarada, um doutor aí de Minas, político vencedor no interior paulista, que nós, seus amigos, o apelidamos de Mineiro.
Assim, eu já gostava de Minas Gerais, antes de chegar por aqui.
Depois conheci, na internet, a Lu Dias.
A Lu me trouxe até a Alma Carioca
Aí conheci a senhora, Dona Terezinha, que nos trouxe o Bartolomeu.
Tô desconfiado que a TT é também de Minas.
É a terra dos mil poetas.
Esta mineirada é mesmo boa.
Ò Paulo Afonso, Minas Gerais está invandido a alma carioca.
Paulo Afonso, você não é mineiro?
Mas parece que até está com vontade de ser.
É ou não é?
Logo, logo será a alma mineira.
Eu que sou paulista já estou ficando com complexo de inferioridade.
Sabe, vou fazer uma homenagem a todos vocês mineiros queridos.
E lembrar meu saudoso amigo, o Mineiro, que quando se elegia, em minha cidade, colocava a banda na rua e tocava:
Tuas terras que são altaneiras.
O teu céu é do mais puro anil.
És bonita, oh terra mineira,
Esperança do nosso Brasil !
Tua lua é a mais prateado
Que ilumina o nosso torrão !
És formosa, oh terra encantada !
És orgulho da nossa nação !
Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!
Teus regatos te enfeitam de ouro.
Os teus rios carreiam diamantes
Que faíscam estrelas de aurora
Entre matas e penhas gigantes.
Tuas montanhas são preitos de ferro
Que se erguem da pátria alcantil !
Nos teus ares suspiram serestas.
És altar deste imenso Brasil !
Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!
Lindos campos batidos de sol
Ondulando num verde sem fim
E as montanhas que, à luz do arrebol,
Têm perfume de rosa e jasmim.
Vida calma nas vilas pequenas,
Rodeadas de campos em flor,
Doce terra de lindas morenas,
Paraíso de sonho e de amor.
Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!
Lavradores de pele tostada,
Boiadeiros vestidos de couro,
Operários da indústria pesada,
Garimpeiros de pedra e de ouro.
Mil poetas de doce memória
E valentes heróis imortais,
Todos eles figuram na história
Do Brasil e de Minas Gerais.
Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!
Bonsoir.
Caro Gutierritos,
Uai, sou de Minas, sô.
Como você disse, é a ALMA MINEIRA que vai em busca do mar no Rio de Janeiro. Mineiros na praia. Invasão total!
Para ficar mais mineiro ainda, segue o Peixe vivo, a canção preferida de JK, o melhor presidente que já governou este pais, para mim e milhares de brasileiros.
TT
Peixe Vivo
Como pode o peixo vivo
Viver fora da água fria
Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia
Os pastores desta aldeia
Ja me fazem zombaria
Os pastores desta aldeia
Ja me fazem zombaria
Por me verem assim chorando
Por me verem assim chorando
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia
DONA TEREZINHA
Eu fui orfeonista e tive a honra de cantar essa bela canção.
Maravilhosa mesmo.
E sempre éramos aplaudidos de pé.
Quanta saudade.
Boa noite.