Futebol é pra quem sabe – Augusto Vilaça
Eu sei que havia prometido não falar sobre futebol e não tenho dúvidas de que posso gerar polêmica com este texto, mas não consegui cumprir a promessa, pronto! De qualquer forma, espero que os prezados leitores, mesmo aqueles que não apreciam o esporte, leiam até o final, quem sabe não concordam com as argumentações ou, pelo menos, não encontram algum ponto de desacordo para debate?
Sempre gostei de futebol, embora do lado de cá, da torcida, nunca fui bom com a bola nos pés e minhas únicas chances de entrar no time eram: quando a bola era minha, o que não falhava, ou quando só sobrava eu para ser escolhido, entretanto já houve situações em que o capitão do escrete preferiu jogar com um a menos a me ter como reforço. Enfim, ou eu chegava na quadra do prédio com uma bola “dente de leite” (lembram?) debaixo do braço, ou corria o risco de ficar na arquibancada ou, mais vexatório ainda, ser escalado como juiz, afinal, não há nada mais inútil função do que juiz de pelada, acho que nem mesmo a capa do Batman.
O tempo foi passando e eu aceitei ser diferente: ser brasileiro e não ter habilidade com a bola. Ainda bem que nunca tive nenhum trauma por conta disso. Tentei caminhos alternativos como o totó (ou pebolim) e o futebol de botão. Até jogo, razoavelmente, ambos, mas não é a mesma coisa… Por fim, me resignei e assumi o lado de fora dos gramados como sendo o mais adequado para mim.
No futebol eu tenho uma única paixão: o Santa Cruz Futebol Clube. É o único time para o qual eu torço, independente da divisão do campeonato que esteja disputando (ou não…). Já passei momentos felizes e tristes acompanhando o “Terror do Nordeste” e envergando, com todo o orgulho, o uniforme tricolor – preto, branco e vermelho.
Em todos esses anos como torcedor, já ouvi diversas gozações, como a última de que descobriram uma camada mais profunda do que o pré-sal: a Pré-Santa. Mas tudo bem, eu já tive meus momentos de piadista também, quando outros times, especialmente os rivais, estiveram em situação semelhante. Isso faz parte da alegria do futebol.
Para os que não sabem, meu glorioso Santinha está disputando a final da Copa Pernambuco. Ora, pode não ser um brasileirão, mas é o que temos no momento e temos que valorizar. Quando à disputa pelo título brasileiro, como dizem os baianos quando, finalmente, aceitam que o carnaval acabou: “ano que vem tem mais”.
Falando em campeonato brasileiro, que, mesmo distante, eu tenho acompanhado sempre que posso, vejo o quanto está competitivo. Faltando apenas duas rodadas para o final e ainda há, pelo menos, três times disputando o título, o que nunca aconteceu desde que implantaram a regra dos pontos corridos que, na minha opinião, é a mais justa e premia os clubes mais equilibrados e constantes.
Este ano, já que o Tricolor do Arruda não estava disputando o título nacional, eu torcia pelo Corinthians, mais especificamente, pelo Ronaldo. Quem quiser que discorde, mas o cara é mesmo um fenômeno. Só o fato de ter passado por tudo o que passou e continuar, mesmo “fora de forma” como insistem em adjetivá-lo, fazendo a diferença, já mostra o nível de craque que ele é.
Como eu disse, estava torcendo, porém não foi dessa vez, quem sabe na próxima? Quem sabe na Copa? Embora eu tenha visto em uma reportagem que o Dunga pedia para não o induzirem ao mesmo erro de 2006, insinuando que não escalaria o ronaldo por estar fora de forma. Não perco a esperânça. Será que ele está mesmo imprestável para a seleção? Queria eu ter um “obeso” como ele jogando no meu time.
Se o cara tá jogando bem, qual seria a razão para tal aversão? Será que ele só quer os sarados em campo, para garantir um “futebol bonito”? Se for, eu vou lembrá-lo de uma frase do grande Dadá Maravilha: “não existe gol feio, feio é não fazer gol”. Ouviu, Dunga? Jogo de futebol não é desfile de moda!
Mas é assim, eu não sou o técnico, se eu fosse, baseado em todo o meu conhecimento futebolístico, olha só o time que eu escalaria: Ronaldo, Romário, Kaká, Robinho, Vagner Love, Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Iarley, Diego Tardeli e Fred, no gol mais um goleador, Rogério Ceni. A estratégia era simples: se dizem que a melhor defesa é o ataque, isso não vai faltar no meu selecionado canarinho.
Se vai dar certo, eu não sei, mas não custa tentar. Posso garantir que o entrosamento ficou perfeito no meu vídeo game. Porém se ainda assim o time não ganhar eu não tô nem aí, eu quero mesmo é ver GOL!!!!!
Do Timor, com carinho,
Gus
Díli, 27/11/09
Augusto Vilaça tem 33 anos e é brasileiro de nascimento, pernambucano de registro, sertanejo de coração, policial por vocação, honesto por convicção, cozinheiro por enxerimento e escritor por falta do que fazer. Querem mais?
Todas as segundas com uma novidade no Blog Notícias de Muito Longe: http://aavs1976.wordpress.com
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GUS
Bom dia.
Adorei saber que torceu para o meu timão.
Tinha certeza que sim, pois um pernambuco gosta e muito do povo.
Pena, caro amigo, que é palpável os equívocos da novel diretoria, na contratação de novos valores, no desmanche que fez.
Como a esperança é a ultima que morre, vamos aguardar o ano vindouro.
Gostei muito de tua escalação; só faltou o Gutierritos.
Este é um craque.
Sabe tudo de bola.
Principalmente que é redonda e que rola.
Um bom almoço, continua sempre com tuas crônicas, repletas de humor, pois na situação atual, rir é o melhor negócio.
Parabéns.
Um feliz e próspero almoço, com frango assado, salada de tomates e uma trufa de cereja de sobremesa.
Augusto Vilaça respondeu:
novembro 28th, 2009 at 0:17
@GUTIERRITOS, Que pena que eu não sabia das suas virtudes como jogador. Mas não tem problema, ainda tem vaga no time, coloco você em campo e o Adriano, que tá com o pé queimado, vai pro banco. Por outro lado, vou logo avisando: ninguém tem vaga cativa como titular, ouviu? Vai ter que se esforçar.
É isso, depois das férias do nosso amigo Paulo, estou aqui, novamente, disseminando as minhas maluquices.
Bom vê-los novamente e voltar a receber os teus, sempre presentes, comentários.
Grande abraço!
Do Timor, com carinho,
Augusto Vilaça
P.S.: do dia 10 ao dia 30 de janeiro estarei no Brasil, quem quiser imprimir as crônicas e encadernar, eu autografo, ehehehehhe