Da infância à morte,
envolve-nos em sua teia,
uma infinitude de ilusões,
que a nossa existência norteia.
Ilusão de amizade
Ilusão de ambição
Ilusão de poder
Ilusão de paixão.
Essa felicidade incessantemente
esperada, propulsão de vida
enrolada num papel de pão, sem
cor, amarfanhado, em decomposição.
As ilusões sempre enganam
os nossos próprios sentimentos,
em relação à sensibilidade alheia,
tal como a chuva é levada pelo vento.
Se as ilusões intelectuais são decentes
e raras, as afetivas são cotidianas
e ainda tentam decifrar emoções
envoltas nas trevas do inconsciente.
Elas são argutas e nos persuadem
a tomar como prazer ardente,
tudo aquilo que a realidade, com
o tempo, torna-nos indiferente.
Fazem-nos, as ditas, acreditar
na perpetuidade dos sentimentos,
condenados a desaparecer, com
a maior brevidade - no tempo.
Todas elas nos ajudam a viver,
embora muitas rocem o abismo,
quando nele não nos jogam, mas
sem essas, seremos só imobilismo.
Algumas a razão consegue resolver,
outras, o tempo sabiamente engana,
pois viver é se enredar em ilusões,
sustentáculos da existência humana.
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28 de novembro de 2008 at 10:29
Querida Lu
Adorei quando disse “viver é se enredar em ilusões”. Falou bonito! Resumiu o viver! Que mais posso dizer? Adorei ! Só esse verso ( cada frase é um verso) valeu pela poesia toda.
Beijos Sonia Quartin
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 12:25
Nem ao céu e nem à terra, Lu. E você, PRINCIPALMENTE você, sabe muito bem disso: nem tudo é ilusório! Existe concretude também. O caminho do meio deve nortear nossas vidas. Para que ela seja LEVE!
Beijos
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 15:19
@Sonia Quartin:
Sonia
E cada vez me convenço disso.
Mais parece que somos marionetes de um poder que vai além de nossa razão.
Por que alguns precisam sofrer tanto?
Deveria haver justiça até no receber do sofrimento.
Tenho estado muito triste, desencantada e desiludida.
Perdi um primo querido, que ainda não chegara aos 30 anos, morto num acidente com uma patrola na estrada.
Deixou a esposa com duas filhinhas.
A minha tia já havia perdido um outro.
Está arrasada!
“Eta vida besta, meu Deus!”
Obrigada por sua palavras sempre tão carinhosas.
Pois há momentos em que nos tornamos tão frágeis, quanto uma formiguinha no açucareiro.
Beijos,
lu dias
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 15:22
@Carlos Manoel Marques:
Carlos
Eu não vejo caminho do meio, agora.
Vejo apenas precipício.
Você está certo, dentro do contexto que está vivendo e que espero dure mais e mais.
Mas hoje estou sofrida, machucada, magoada, ressentida, triste…
É uma fase.
Vai passar.
Abraços,
lu
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 15:36
Lu,
Não concordo com tudo, a infelicidade não me convence de pronto, mas de concreto eu recebo a beleza e o talento na sensibilidade de sua poesia!
Beijos poéticos,
Nina.
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 16:07
Lu, querida,
Banho de sensibilidade. Você é sempre transparente. Beijo. Ana
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 16:44
@Ana Lucia Timotheo da Costa:
Aninha
Tenho que ter cuidado com você, pois possui muita facilidade de me desnudar.
Quando falo oralmente, limito-me apenas ao necessário. E me fecho como um caramujo.
Sou muito mais de ouvir do que falar.
Posso passar uma noite inteira com você, apenas ouvindo-a.
Mas, quando escrevo poemas, solto todas as minhas feras.
Fico realmente transparente!
Beijos,
lu
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 19:19
Lu,
Lindas palavras do texto… triste a tragédia com seu primo, dor infinita de sua tia e familiares. É assim essa vida, tão cheia de paradoxos e de momentos tão diferentes.
…
Beijo.
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 20:41
@Jovimari:
Jovimari
Sabe amiguinha, eu pensava que na vida todos tinham a mesma dose de sofrimento, ou seja, ninguém passava impune.
A verdade é que ninguém passa impune, mas as variantes são por demais injustas.
Obrigada pelo carinho!
Beijos,
lu
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 20:54
@Nina Araújo:
Nina
Saltei a minha lindinha, que estava lá no meio.
Quanta judiação!
A beleza está na diversidade e na diferença de opiniões, também.
E de concreto e maravilhoso para mim é a sua presença no meu post.
Beijos,
lu
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 22:28
Querida Lu Dias
Meus sentimentos pela perda de um ente querido.
CORROSÃO
É preciso tentar o lado escuro desta ausência,
É preciso consentir no privilégio de compor a noite
o teu perfil de sombra e transparência.
É preciso também ver e pensar
o verde testemunho dessas árvores
e acompanhar o largo movimento
de todas a imagens pretendidas.
Só não será preciso armar a rede,
compor artes de amar e outras artérias
e ardis que restringimos a leitura
de acasos e viagens calculadas.
Cada instante corroí o mais precário
sinal de nossa convivência.
E cada coisa nos comunica o desperdício
de tanta liberdade e solidão.
Melhor é conjugar, tecer no escuro
o azul de nossos verbos imperfeitos
e falar para dentro, repetindo
o nosso próprio silencio dividido.
Autor : desconhecido.
Abraços.
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 22:42
@Mário Mendonça:
Mário
Que linda!
Fiquei emocionada.
Obrigada pelo carinho e pelo ombro amigo com o qual sempre sei que posso contar.
É a vida, não é Mário?
Seguir em frente!
Beijos,
lu
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 22:48
LU DIAS
“pois viver é se enredar em ilusões,
sustentáculos da existência humana.”.
São lindos esses seus versos finais.
Mas nem sempre ” as ilusões são miragens “.
Às vezes, elas podem ser um oásis de felicidade, perdido ao meio deste deserto humano, ávido por amor, ternura e compaixão.
[Resposta]
28 de novembro de 2008 at 23:06
@GUTIERRITOS:
Gutie
E de preferência com a Sarita Dix por perto, não é mesmo?
E são ilusões, elas não podem existir.
Acho que estou perdida no meio desde deserto humano.
O pior é que não queria enxergar e sentir tanto.
Quisera ser uma madeira à prova de água, em vez de uma esponja.
Beijos,
lu
[Resposta]