Incansável diligência – LuDiasBH
Mesmo longe, nunca estive de ti tão perto.
Sigo teus passos, através das sombras.
Procuro-te, por todos os lugares da Terra,
Onde imagino teres, um dia, passado.
Na minha saudade, busco por teus rastros.
Olho tudo, em derredor, com olhos febris,
Perdidos na névoa da tristeza e angústia,
Andando por caminhos tortos e ignaros.
Por um tempo, tentei ficar distante de ti,
Mas, o brasume de teu corpo queimante,
Entrava pelos buracos de minha saudade,
Na maldita solidão, que tu me deixaste.
Até então, a felicidade habitava em mim.
Hoje, crepúsculos embotam minha paz,
Abafada pelo pesar, de quem partiu altivo,
Mas, não sabe agora, como voltar atrás.
Meus olhos estão turvos pelas lembranças,
Memórias perdidas, nas brumas do tempo.
Não consigo te esquecer e ainda insisto,
Em colher amores, apesar do desalento.
Não compreendo esta fúria alheia e voraz,
Que me impede de receber a doce ternura,
Quando o amor vem bater à minha porta,
Mas, padece, se ele recua e vai embora.
Na aridez de tantos sentimentos atordoados,
Crescem impiedosos feixes de intransigência,
Florestas densas de egoísmo e desamor,
Molhes de arrogância e malevolência.
Inda assim, busco-te no dia, noite e madrugada.
Procuro te encontrar nas palavras que proferes.
Sentir-te nas músicas, nos livros, nos sonhos,
No riso que exalas e nos poemas que escreves.
Busco-te, debaixo do arco-íris, além do horizonte,
Através das estrelas, em todo o universo, sem fim.
Pra depois, descobrir amargurado, ai meu Deus!
Que só te encontro, dentro de mim.
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Olá Lu querida!
Minha nossa, seu poema refletiu bem o amor obsessivo que não se conforma com a distância física e emocional, e busca reencontrar a pessoa amada a qualquer custo. Como você mostrou bem, a consequência disso é a inquietude e frustração.
Por que não deixar o que está morto repousar e apenas seguir em frente? Parece que o ser humano adora ficar remoendo coisas passadas, não?
Parabéns pelo belo e intenso poema, e grande beijo!
LuDiasBh respondeu:
fevereiro 2nd, 2010 at 19:52
@Cristine,
Cris
Obrigada por abrir o boteco, hoje.
Quem está atrasada sou eu.
Você retratou muito bem o meu poema.
Mas, eu também quis passar a postura de uma pessoa que só dá valor ao outro, depois que o perde.
Enquanto tem a pessoa perto de si, pouco se lixa e, quando esta parte, é que vê o quanto ela era importante para a sua vida.
Não é capaz de valorizar o outro.
Vê-o apenas como um objeto de sua posse.
Depois, vai chorar lágrimas de sangue… risos.
Beijos, lindinha,
lu
Busco-te, debaixo do arco-íris, além do horizonte,
Através das estrelas, em todo o universo, sem fim.
Pra depois, descobrir amargurado, ai meu Deus!
Que só te encontro, dentro de mim.
Lu, neste último verso esta o encontro da grande busca. Somos todos fragmento de um universo que também está contido em nós – a universalidade existencial está na capacidade em perceber e unir os pontos!
Messias
LuDiasBh respondeu:
fevereiro 2nd, 2010 at 19:57
@messias,
Messias
Mas, encontrar o outro apenas dentro de si, não é o suficiente.
Significa que ele está inatingível.
A pergunta é:
Por que ele só está dentro de mim?
O que aconteceu de errado?
Essa universalidade existencial em perceber e unir os pontos, indica que o amor tem que está em dois pontos diferentes: no outro e em mim.
Fora disso, não há o que unir.
Abraços,
lu
Oi, Lu
Deve ser terrível uma busca desse tipo, sem rastros, sem pegadas, sem pistas. Sem a possibilidade de se comprovar que ainda existe algo além do que está incrustrado dentro de si. Essa coisa devia ter um prazo de validade, e depos ser expurgada. Belo e doloroso poema, cheio de saudades enganadas.
Abraços
Manioel
LuDiasBh respondeu:
fevereiro 2nd, 2010 at 20:02
@manoel.rodrigues,
Menino Dhiga
Realmente é uma cadeia íntima.
Confesso que não gostaria de estar nela.
Como disse pra Cris, essa busca é própria dos que desdenhavam do amor que possuía e, quando ele parte, é que se dá conta de sua importância.
Aí irmão, o outro já está longe, em outros mares…risos.
Eu, é que não carrego peso.
Já chega o meu.
Não vou carregar ninguém dentro de mim, a menos que divida comigo a carga… risos.
Beijos,
lu
Muito bom, Lu!
Realmente o verdadeiro amor está dentro de nós mesmos.
Aliás, tudo o que acontece conosco é percebido pelo nosso cérebro, onde está nosso EU e o mundo ao redor é pura ilusão criada pelos nossos sentidos. Isto já disse Budha!
Abrs do GERALDO MAGELA
LuDiasBh respondeu:
fevereiro 2nd, 2010 at 23:41
@GERALDO MAGELA,
Gê
Nós somos a essência da vida.
Ao nosso redor está a ilusão.
Mas, sem ela a vida não teria sentido.
Doce ilusão!
Vida vã!
Obrigada por sua visita!
Beijos,
lu
Lu,
Realmente não consegui ver o amor verdadeiro que
supostamente está consumindo o personagem.
Só percebo uma pessoa confusa, que quando o seu
companheiro está perto, não consegue passar-lhe
segurança e nem absorver o amor e carinho oferecidos.
“Na aridez de tantos sentimentos atordoados,
Crescem impiedosos feixes de intransigência,
Florestas densas de egoísmo e desamor,
Molhes de arrogância e malevolência.”
Diante disso, o companheiro se decepciona e vai
embora, e então, egoísta como ele só, o personagem
não suporta a solidão e o abandono e inutilmente procura
de todas as maneiras readquirir o seu “saco de pancadas”.
“Não compreendo esta fúria alheia e voraz,
Que me impede de receber a doce ternura,
Quando o amor vem bater à minha porta,”
Mas aí já é tarde, pois o ex-companheiro não tem motivos
para voltar, pois tem dignidade.”…de quem partiu altivo.”
Então, concluindo, não vejo amor, vejo um baita egoísmo,
bem enraizado em seu ser, que é confundido com um
sentimento de posse mal resolvido.
Que poema excepcional, que nos dá oportunidade de
interpretá-lo sob vários aspectos. Parabéns!
Abraços,
Rosalí.
LuDiasBh respondeu:
fevereiro 2nd, 2010 at 23:49
@Rosalí,
O importante de um poema é dar ao leitor várias opções de interpretação.
A arte é democrática, em todos os sentidos.
Esse é um dos aspectos deste poema: o egocentrismo.
É quando não se dá valor o que se tem.
E, só concebe a burrice do comportamento, depois que se perdeu algo de valor, pra si.
Há pessoas que se julgam acima do bem e do mal.
Pisam e repisam em quem está a sua volta.
Até, que um belo dia, percebem que a realidade é bem outra.
Alguns, machucam pelo prazer de parecer especiais, inatingíveis…
Eis que um dia caem na esparrela.
De modo que merecem viver numa eterna diligência.
Por século, seculorum, Amém.
Beijos,
Lu
LuDias
Agora acertei.
Acabei de ler teus versos emocionantes.
Mas fiz o seguinte: cliquei no Reverie de Debussy, que o Paulo inseriu para encantar mais ainda esta página.
Li os teus versos ao som de Reverie.
Imaginei, ao som da música, e a emoção de teus versos, e os declamei em meu pensamento.
Lu, fiquei arrepediado.
Não preciso de muitas palavras para descrever esta poesia.
Linda poesia.
Linda não.
Maravilhosa.
Parabéns.
LuDiasBh respondeu:
fevereiro 2nd, 2010 at 23:55
@GUTIE,
Gutie
Quem sabe, algum dia, o Nélson possa declamar um poema meu?
Ai, meu Deus!
Aquela voz!
Também gosto deste meu poema.
Acho-o bem denso e real.
O personagem, para mim, é alguém que fazia pouco caso de tudo e de todos.
Até o dia em que percebeu que estava só.
E quão grande era a sua perda.
O personagem somos todos nós, que não valorizamos o que temos.
Que vivemos com lanças afiadas… até percebermos que, nem mesmo, temos mais a quem espetar.
Caímos no ostracismo total.
Obrigada pelo carinho.
Beijos,
lu
Ei Lu!
Lindo.
A busca pelo amor é incessante isto é muito bom.
O personagem parece perdido. Em busca não sei bem se de um amor ou do amor interno que a muito perdeu? A beleza é a procura por este sentimento tão nobre que muitos tem medo, alguns o declaram e todos devem vivencia-lo.
Bjos amorosos.
LuDiasBh respondeu:
fevereiro 5th, 2010 at 13:38
@Patrícia,
Pat
O personagem que retrato é alguém que teve o amor em suas mãos, não fez caso e, quando o perdeu, sentiu-se só e desesperado.
Então, passou a procurar o amor perdido por toda parte, mas ele já havia indo embora.
Só se encontrava dentro dele.
Isso acontece muito, com as pessoas que não valorizam as pessoas especiais que têm ao lado.
Depois, ficam apenas na saudade.
O personagem está mais perdido que cego em tiroteio.
Obrigada, amiga, por sua presença carinhosa.
Beijos,
lu
Só prá dar um alozinho, Lu e dizer que seu poema remói muitas dores, dores daqueles que parecem buscar imagens no espelho… ah, gostei, viu, Lu. muito, muito inspirada nestes versos.
beijo
Luz
Estava com muitas saudades.
Meu poema é um alerta para os ditos “especiais”, pois podem quebrar a cara, mais cedo de que imaginam.
Luzinha, não suma, senão fica tudo escuro.
Beijos,
lu