ago 28

 

 

“Sucesso não é a chave para a felicidade; felicidade é a chave para o sucesso. Se você ama o que faz, você será bem sucedido.” 

 

 (Albert Schweitzer)

 

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ago 28

Perdoai, senhor, as mulheres

Que impedem seus filhos de nascer,

E sofrem.

Mas, perdoai, também, Senhor,

Todas as mulheres

Que têm seus filhos sem poder,

E sofrem.

 

Perdoai, Senhor, as mulheres

Que vendem seus corpos em bordéis,

Em motéis

E sofrem.

Mas perdoai, também, Senhor

As virgens que reprimem seus corpos

Jovens, heróicas e fiéis

E sofrem.

 

Perdoai, Senhor, as mulheres

Que dividem seu tempo

Entre o marido e o patrão

E sofrem.

Mas perdoai , também, Senhor

As donas de casa

Que se acusam de omissão

E sofrem.

 

Perdoai, Senhor, as mulheres

Que morrem sem nunca terem sido amadas.

E sofrem.

Mas, perdoai, também, Senhor

As mal amadas, casadas que choram

No leito a dor da traição

E sofrem.

 

Perdoai, Senhor, as mulheres

Que abandonam seus lares

E, machucadas, se acusam

De não terem tentado mais uma vez.

E sofrem.

Mas perdoai, também, Senhor,

As que não têm coragem

De se libertarem da eterna escravidão.

E sofrem

 

Senhor, eu Vos peço perdão

Por todas as mulheres que sofrem.

Porque, nós, as mulheres,

Seremos sempre o melhor

De sua criação.

 

 

 

 

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ago 28

— Tio Bráulio então me diga, e é preciso ser doido?

— Um pouco.

— Desses de precisar prender?

— Não, Fabinho. Só desses de ficar rouco…

— E precisa ser mentiroso?

— Mentiroso não, só inventivo…

— Desses que inventa as maluquices, é?

— Ih, você cismou com isso, menino!

— O senhor prometeu que ia me contar o que era preciso para ser artista!

— Estou fazendo isso, Fabinho… o que você quer saber mais?

— E pode conhecer o mundo?

— Pode sim, o artista viaja o mundo todo mostrando sua arte.

— E fica um tempo longe de casa?

— Sim, às vezes fica muito tempo por esse mundão de meu Deus, se apresentando longe de casa.

— Era isso que eu tinha medo…

— Por que Fabinho?

— Preciso conversar com papai um minuto e já volto.

O tio tentava não rir do menino que com o ar de muito sério, se dirigia ao pai deitado na rede da varanda calmo lendo o jornal matutino.

— Meu pai o senhor tem que me ajudar!

— Sim meu filho. Então você já se decidiu Fabinho, vai aceitar a sugestão de seu avô?

— Não senhor, mas vou precisar que ele aumente a minha mesada.

— Por que isso meu filho?

— O senhor sabe como é, agora eu preciso ser artista e até ter uma companhia das artes como o tio Bráulio, vai levar um tempão.

O pai fez um ar de consternado, puxou o filho para perto do peito e disse que ajudaria a conversar com o vovô à tardinha.

Naquela semana era já a quarta profissão que Fabinho decidira seguir, a coisa tomava um rumo inesperado, pois tinha combinado ser motorista no caminhão do seu Paulo, e professor como a irmã, e também advogado como o pai e o avô Costa, agora seria o artista que viajaria o mundo mostrando as coisas inventadas.

Não se sabe quanto tempo aquelas cenas permaneceram na cabeça de Fábio por todos os anos em que esteve à frente do seu escritório de Direito, mas nesta noite, no momento em que autografava o seu quinto livro de romances, com a alegria própria daquele menino , ele se lembrou do tio Bráulio e das viagens que finalmente faria pelo mundo através da profissão que sem o saber escolheu desde sempre.

Era reconhecidamente um grande escritor.

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publicado por ninaaraujo \\ tags:

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ago 28

O meu olhar de amor
é dissonante
não sai à cata do cio,
é quase santo, macio
não sucumbe a adrenalina
das noites de pegadas
no clima está calejada
é firme nas madrugadas
porque tem a doma cansada
dos ardores vazios
dos disparos da endorfina
do vão suspiro acrobático
que parecia simpático
mas amanhece em fastios
meu olhar de amor
é bravo conquistado
é calmo das noites banais
é curado das fantasias
é safo dos ares carnais
do discurso sensualizado
o meu olhar de amor
mora longe
não vive fácil nas ruas
não faz ares de fome
nem se trai com a coruja
meu olhar de amor
não se curva
e dorme na fonte do plexo
mora onde o beija-flor sonha
mora onde a pérola é ostra
que todo o coração espera
o meu olhar de amor
é fera
que não tem porque se apressar…

 

  

(Poema dedicado a Hila Flávia depois de ler seu texto ”O olhar impudico”)

 

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publicado por ninaaraujo \\ tags:

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ago 28

 

 

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

 

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

 

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

 

Porque a poesia purifica a alma
…e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

 

 

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ago 28

— Arre, homi, e é desse jeito, é?

— Tô lhe dizendo compadre Lima, o homi tá avariado , num sabe? Olhe, o mestre Lucindo chegou agorinha mesmo bufando aqui, contou a história todinha… Diz que o amigo dele chegou cedinho lá da capital e o Patricio fez ele andar por três caminhos diferentes com a mala pesada, até chegar na casa grande. Ele agora está com essa mania de perseguição, acha que todos são espiões no seu encalço.

— Esse dinheiro não fez bem não, compadre… era melhor na pobreza…

— É verdade Bastião, dinheiro grande na mão de pobre besta, dá é muito problema num sabe? O amigo acha que ele fica por aqui?

— Vixe, se ele tá doido assim é melhor ficar… Lá na cidade eles vão internar o diabo num “manicômio” e ficar com a grana todinha ou o governo pega…

— É mesmo homi?

— Apois eu num sei… Vivi por lá cinco anos, aquilo é uma selva fechada, cobra engolindo cobra, quem tiver pé que corra!

— Eu penso em ir mais tarde cumprimentar a visita, sabe como é, fazer as honras do lugar já que sou o vizinho mais próximo…

— Vá sim compadre Lima, o senhor sendo homi respeitado, quem sabe até dê um alento a esse pobre viajante que foi se enterrar justo lá na toca do louco… não é mesmo?

— Sim mas se eles eram amigos lá na cidade, vão se entender…

— É verdade. Eu vou ficar aqui no meu cigarrinho de palha um pouco mais… inté compadre!

— Inté Bastião. Adepois eu conto tudo!

Assim os homens se despediram. Mas a conversa pela cidadezinha era a nova condição de Patrício que virou “homi” rico depois que o patrão lá da cidade de São Paulo, homem afortunado e solitário lhe deixou a fortuna.

Patrício voltou à terra natal comprou a ex-casa do prefeito, contratou quatro homens fortes e armados para sua segurança pessoal e vivia ali neurótico, na vida nova de fartura, ele que já havia gasto todos os seus dias submetido ao confinamento de cuidar do ex-patrão por vinte anos sem folgas. No fim, foi recompensado com a conta polpuda do velho diplomata e fanfarrão solteiro.

E já não confiava em ninguém, expulsou a velha companheira achando que ela fedia a querosene - por sorte não tiveram filhos, porque Patrício era estéril - conquistou uma dona muito bonita, filha solteirona do fazendeiro Lucas, que aliás, era agora seu sócio, e mandou chamar o amigo Luis, o professor das letras, para fazer as vezes de secretário pois no banco nunca confiou.

Tornou-se com o tempo um homem temido e abusado, dominou todo o comércio, sucateando as coisas e fazendo lobbies que lhe rendiam mais dinheiro e promoção junto aos políticos e coronés da redondeza, filho do lugar que era.

Viveu por mais vinte anos ao longo dos quais constituiu um império e quando morreu demente e doente das pernas, deixou a herança para o secretário Luis que passou também todo esse tempo de vida confinado, sem querer família, apenas cuidado dos interesses do coroné Patrício o homem mais invejado da região.

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ago 27

 

“Aquele que recebe um favor deve recordar-se dele; quem o faz deve esquecê-lo.”

 

(Cícero)

 

 

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ago 27

O olhar impudico farejava o amor. Procurava o amor por todo lado, em cada canto, jardim, quintal, praia, quarto, balada, carro, tela de cinema, de televisão, enfim, em qualquer cena de pretenso romance, de desejo, de afagos, por onde pessoas se encostassem, o olhar impudico lá estava, farejando o amor.

O amor, por sua vez, se escondia. Não aparecia mesmo, pois não estava onde o olhar impudico pensava que o encontraria. Estavam presentes a adrenalina solta, o cio descontrolado, a ânsia de acabar com a solidão, o ardor da carne, a intenção de se exibir, o malabarismo, a vontade de mostrar competência, mas o amor, não estava presente. Continuar lendo »

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ago 27

Devido a meu gênio renitente

Comecei a engolir palavras

Coitada, ainda em tenra idade

E foram muitas as danadas. Continuar lendo »

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ago 27

O nosso país, apesar de seu tamanho territorial, de suas belezas naturais, ainda é muito pobre em lazer para as classes mais pobres.

Sobrando para as famílias que vivem com um salário mínimo, apenas os maltratados parques com seus brinquedos enferrujados, seus barquinhos destrambelhados, suas montanhas russas rangentes. E mais algumas outras bobeiras. Continuar lendo »

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