Domenico Modugno - “Nel blu di pinto di blu” Ausência de mim - Ana Lucia Timotheo da Costa



dez 01

Sentados no gramado da pracinha
Nervosa e impaciente ela falava
Pondo um fim ao nosso amor
Enquanto meus olhos marejavam.

Eu não lhe ouvia as palavras
Pois nada mais representavam
Apenas viajava pelo seu corpo
Que da minha alma fora morada.

Comecei por seus olhos castanhos
Que infinitas vezes beijara
Passando por seus lábios carnudos
Que o meu corpo abocanhava.

Os seios arfantes, agora de tensão
Quantas vezes pulsaram triunfantes
Sob o toque acariciante de minhas mãos
Meus tesouros, meus bebês, meus infantes.

Aquela cintura de boneca esguia
Meus braços atavam-na com paixão
Agora partia e me deixava solto
No mar revolto de minha perdição.

Debaixo das calças jeans, minha fenda
O meu porto de desejos e salvação
O meu jardim de delícias puras
O entroncamento de nossa união.

Ela partiu, beijando-me o rosto
Que pra mim nada representou
Pois eu acabara de morrer ali
Inumado na fenda de nosso amor.

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16 comentários para “Inumado na fenda do amor - Lu Dias”

  1. Carlos Manoel Marques disse: Reply to this comment

    Discussões, término, partida. Processos geradores de sofrimentos. E na grande maioria das vezes, sempre para um dos lados. Que vida pendular levamos, não? Paraíso, purgatório, paraíso…

    [Resposta]

  2. Ana Lucia Timotheo da Costa disse: Reply to this comment

    Lu,
    Que poema de despedida intensa. É como diz o Carlos - os altos e baixos das ligações vividas. O meu beijo. Ana

    [Resposta]

  3. Maria Avila disse: Reply to this comment

    Muito lindo, Lú
    Espero que não tenha cido uma real despedida.
    Beijos

    [Resposta]

  4. Mário Mendonça disse: Reply to this comment

    Querida Lu Dias

    Uma pequena colaboração.

    A MORTE, AMOR

    Sempre ouvi que tua sombra, perpassava
    pelos parques, entre os salgueiros,
    debruçando nos bancos a brancura
    de tua forma adolescente.

    Sempre ouvi que abandonavas
    teus vestidos no leito dos rios
    e surgias da noite repartindo
    teu corpo no ventre da cidade.

    Os mais velhos comentam ( apaziguados? )
    que na transparência de teus braços
    um segredo mais fundo espicaça
    os desejos ( espúrios? ) dos espíritos.

    Mas ninguém me falou nunca da distância
    que vai de minha angustia a teu silêncio.
    Nunca me disseram que existe um tempo
    refluindo a teu regaço de vertigem.

    E toda vez que me consomes o fôlego
    no torvelinho de teu mar, de dentro
    uma dobra da vida se desdobra
    e a morte, no amor, se gasta sutilmente.

    Autor : desconhecido.

    Abraços

    [Resposta]

  5. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    Marques

    É verdade.
    Penso que esperamos demais da vida.
    Mas para mim, muitas términos e partidas trazem me paz.
    Não sou de ruminar.
    E sempre, faço o possível para que não seja eu a estar no lado baixo da balança.
    A não ser quando a partida se dá por morte.
    Aí sim, eu me esfacelo.
    Grande abraço,

    lu

    [Resposta]

  6. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    @Ana Lucia Timotheo da Costa:

    Aninha

    É que estou despedindo do blog por uns dias.
    Acabei de chagar agora da Cruz Vermelha, onde trabalhei cerca de 10 a 12 horas.
    Estou um bagaço.
    Sou responsável pela seção de sapatos… separar e amarrar cada par.
    É um serviço que poucos gostam de fazer.
    Cheguei num grande cansaço.
    Tomei um banho, da cabeça aos pés e o corpo pede cama.
    Por isso devo me ausentar esta semana.
    Grande beijo,

    lu

    [Resposta]

  7. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    @Mário Mendonça:

    Mário

    Que lindeza de poema.
    Estou sentindo que o autor desconhecido é você.
    Depois de um dia laborioso, nada melhor que ouvir teus versos lindos.
    Veja o comentário que fiz para Aninha.
    Você é muito fofinho!
    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  8. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    @Maria Avila:

    Maria Ávila

    Não foi uma real despedida amorosa minha.
    Acho que caiu como uma luva para um amigo.
    Mas devo me ausentar do blog esta semana.
    Estou com muito trabalho na Cruz Vermelha.
    Veja o meu comentário para a Aninha.
    Agora estou numa overdose de cansaço, pois mal enxergo a tela.
    Beijos, minha lindinha,

    Lu

    [Resposta]

  9. GUTIERRITOS disse: Reply to this comment

    LU DIAS

    Passei correndo por aqui, inundado de trabalho.

    Li e gostei.

    Li também os demais.

    No final de semana, vou voltar e comentar.

    Desculpe-me, mas a Cidinha está me intimando.

    Já vou, Cidinha.

    Tão bão.

    Já vou.

    Tchau, se não a Cidinha vai dar um fim neste pobre Gutierritos.

    [Resposta]

  10. Massayuki disse: Reply to this comment

    Lú, gostei muito também deste texto, como das outras voce está maravilhosa.
    Abs.

    [Resposta]

  11. Paulo Valença disse: Reply to this comment

    Lu Dias,
    A sua poesia “Inumado na fenda do amor” é a despedida, a lembrança que fere, na volta do desejo… Excelente!
    Abraço
    Paulo Valença.

    [Resposta]

  12. Hila Flávia disse: Reply to this comment

    Tadinho!

    [Resposta]

  13. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    @Hila Flávia:

    Hila

    Eu também fiquei com um dó dele…
    Mas no mínimo deve ter merecido.
    HAHAHAHAHAHAHAH

    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  14. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    @GUTIERRITOS:

    Gutie

    Obrigada pela passagem por aqui, mesmo cansado.
    Voltei.

    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  15. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    @Paulo Valença:

    Paulo

    Obrigada pelo carinho do comentário.
    Estou de volta.
    Abraços,

    lu

    [Resposta]

  16. lu dias/bh disse: Reply to this comment

    @Massayuki:

    Padim

    É sempre uma alegria deparar com um comentário seu.
    Trabalhei igual a uma condenada na Cruz Vermelha.
    Espero ganhar umas férias no litoral catarinense… risos.

    Abraços,

    lu

    [Resposta]

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