Lembranças do holocausto

Por Paulo Afonso, 3 de junho de 2010 1:51

Crônica da madrugada

Ficamos indignados ao ouvir alguém, principalmente quando se trata do principal mandatário de uma nação, questionar a existência do holocausto. As imagens reais, de seres esqueléticos morrendo de inanição ou na câmara de gás, nunca serão apagadas de nossas mentes. O presidente do Irã, que nega o holocausto, tem o meu mais completo repúdio.

Parece, no entanto, que os sobreviventes desse horror, descendentes dos que morreram em campos de concentração nazistas, não se lembram de nada do que houve e tratem povos vizinhos com requintes de crueldade imperdoáveis em nossos dias. Afinal, de opressão eles entendem, ou deveriam entender.  O bloqueio que acontece na Faixa de Gaza é lamentável. Atacar navios que levam ajuda humanitária àqueles povos que lá vivem, estando em águas internacionais, é de uma violência inaceitável.

Sempre fui simpático à causa palestina. Se Israel recebeu, de mão beijada, terras para reunir seu povo, o mesmo deve acontecer com os palestinos, que lá já estavam antes de 1948. Também acho que as fronteiras de Israel deveriam retornar aos limites de 1948. Faixa de Gaza não é território de Israel.

gentileza

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Sei que esta matéria poderá desagradar a muitos. Reafirmo que não tenho nada contra o povo judeu. Apenas não aprovo a maneira violenta, com o apoio dos americanos, com que tentam resolver suas questões. Neste ponto concordo com o nosso presidente, sempre procurando soluções negociadas para as divergências (embora discorde de sua amizade com o presidente do Irã e com outros assemelhados mais próximos). A violência só agrava os desentendimentos e incentiva o terrorismo e as guerras.

Mais um navio está a caminho de Gaza, partindo da Irlanda. Que o bom senso prevaleça.

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6 comentários para “Lembranças do holocausto”

  1. anarquista disse:

    Negar o holocausto é coisa de maluco,tamanha são as provas e sobreviventes. Mas vamos ler com atenção um astro da crônica brasileira.Ele escreveu diversos livros sobre a ditadura brasileira, e é considerado um ícone no jornalismo.

    Seu nome: Elio Gaspari.

    Vamos lá:

    A CANDIDATA DILMA Rousseff e o companheiro Paulo Vannuchi, secretário nacional de Direitos Humanos, precisam ler “Death to the Dictator!” (“Morte ao Ditador!”), livrinho de 169 páginas que saiu nos Estados Unidos, contando a história de um jovem de 25 anos que foi preso pela milícia iraniana no dia 5 de agosto do ano passado, durante um protesto contra a posse de Mahmoud Ahmadinejad na Presidência.
    Ele passou 28 dias nos calabouços da República Islâmica. Ambos conheceram a rotina dos porões da ditadura brasileira e podem avaliar o que sucede no Irã enquanto Nosso Guia apoia a ditadura que esmagou a sociedade civil iraniana.
    Ex-presos políticos, Dilma e Vannuchi podem entender o que sucedeu ao ex-metalúrgico Mohsen (um pseudônimo, bem como o da autora, cujas qualificações foram verificadas pelo colunista Roger Cohen, do “New York Times”).
    Ele era um ativista periférico e participou de passeatas e quebra-quebras nas semanas seguintes à eleição. Preso, foi levado para a prisão de Evin, a Bastilha de Teerã, desde o tempo do Xá. Os presos ficavam nas celas algemados, encapuzados e obrigados ao silêncio.
    Na linguagem do porão, Mohsen “quebrou” na primeira surra. Isso ficou claro quando confirmou ter participado de reuniões e projetos inexistentes, inventados pelos interrogadores. Mohsen ficou poucos dias em Evin. Foi transferido para outro calabouço, onde o regime guardava bandidos, traficantes e cafetões.
    Lá, não mais o interrogavam. Os policiais o espancavam em nome do “Deus misericordioso e compadecido…” e um deles ordenou: “Engravide-o”. Outro disse-lhe: “Você quer de volta o seu voto?” Mohsen, como seus companheiros de cela, era violentado todos os dias, às vezes mais de uma vez. Três semanas depois jogaram-no numa beira de estrada.
    Quando reencontrou a família, pediu que o levassem a um médico que não o conhecesse.
    Na noite da eleição, em junho passado, o presidente Ahmadinejad ironizou esportivamente os protestos: “É como no futebol, todo mundo acha que vai ganhar”. No dia seguinte, Lula, recorreu à mesma metáfora: “Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos”.
    O médico que cuidou de Mohsen disse à sua mãe que vigiasse o filho, pois vira casos semelhantes e muitos jovens mataram-se.
    O que aconteceu no Irã depois que a Guarda Revolucionária se impôs nas ruas, nas empresas, nos meios de comunicação e no aparelho judiciário não foi coisa de flamenguistas ou de vascaínos.
    O beneplácito misericordioso e compadecido que, desde então, Lula dá a Ahmadinejad, suja com a marca da amoralidade a diplomacia brasileira. Esse beneplácito faz com que soe parcial quando condena as ações de Israel.
    Razões de Estado podem levar o governo turco, que tem uma extensa fronteira com o Irã, a cultivar uma política de boa vizinhança com Ahmadinejad, mas Brasília fica a 11 mil quilômetros dessa encrenca.
    Lula argumenta que exerce no Oriente Médio uma função pacificadora, porque o Brasil “cansou de ser tratado como segunda classe”. Expandindo contenciosos e importando conflitos que pouco têm a ver com o interesse brasileiro, pratica uma agenda de terceira.

    gutierritos respondeu:

    @anarquista,

    ANARQUISTA

    Sei de seus ideais. Compreendo-os bem.

    Mas são diferentes dos meus, principalmente quando os utiliza para criticar, nesta postagem, Dilma Rousseff, que foi vítima da ditadura, a quem se expôs com o risco de sua própria vítima.

    E Élio Gaspari, o que ele fez nos anos de chumbo?

    Não é suficiente, para mim, fazer livros, mas participar efetivamente. Esconder-se, para ao depois falar e mudar o seu rumo, adentrando-se em jornais e mídia que se opõe à esquerda brasileira, é muito mais fácil.

    abraços.

  2. manoel rodrigues disse:

    Oi, Paulo
    Essa é, com certeza, a zona de conflito de mais difícil resolução. Aparentemente, ambas as partes diretamente envolvidas têm suas razões; o impasse, portanto, teria que ser resolvido com uma dose elevada de boa vontade, que está longe de acontecer.
    Para piorar, o fanatismo e a agressivade desmedida, tornam a aproximação ainda mais dificil.
    Só mentes muito arejadas e espiritos desarmados,dispostos a pedir, mas também a conceder, conseguirão resultados profícuos.
    Manoel

    anarquista respondeu:

    Um conflito gerado desde 1947 não pode ter uma solução rápida.Aliás,nem demorada.

    O grande erro foi dos vencedores da segunda guerra mundial.Jogaram Israel num lugar cercado por ideologias diferentes. Ah, dirão alguns. Então,tirassem os outros de lá.

    É humanamente impossível a convivência de culturas tão diferentes.Ou Israel é um estranho no ninho, ou todos os outros são.

    Israel é apatrádida desde 1600 anos atrás( aproximadamente)

    E continua dominando o mundo,espalhada em todos os cantos do planeta. Se não fosse seus decendentes milionários, o planeta estaria se lixando pra ela. Principalmente o ”aliado” EUA.

    Maldito dinheiro que afasta os necessitados e abriga os abastados.

    gutierritos respondeu:

    @anarquista,

    ANARQUISTA

    Penso que há um exagero em seu pensamento. Israel não se contentou com o que lhe deram, inclusive tirando as melhores áreas, onde havia água e sem ela não há vida.

    Quis mais e conquistou esses territórios. E se puder, avançará mais e mais.

    Portanto, não é somente questão de dinheiro. Temos que dizer não. E todos os povos do mundo convencerem Israel a se fixar no seu território, aquele que a ONU lhe ofertou. Que fique ali. Certamente, a paz poderá voltar.

    abraços.

  3. gutierritos disse:

    PAULO

    Os países mais poderosos ( Israel é um deles, inclusive possui artefatos nucleares), na verdade, mandam no mundo.

    Mesmo que busquemos a paz, eles estarão lá, para continuar o seu implacável e tirânico comando sobre os países sob a sua influência.

    Quando há uma pressão internacional para que o Irã não venha a ter condições de criar artefato nuclear, concluo sobre a inutilidade disto tudo, pois há, por exemplo, o Paquistão, com similares condições para o início de tragédia mundial.

    O fato é que Israel tem medo do fanatismo iraniano, mesmo possuindo armamentos atômicos. E o Irã tem medo de ser vítima de uma tragédia, pois os tem seu inimigo maior ( e Israel é assim lá considerado ). E este medo recíproco pode ser explosivo.

    As grandes potenciais, que dizem estar negociando desarmamento, mesmo com todas as perdas que estão a propalar, ainda possuem armas para destruir nosso planeta por centenas de vezes.

    Participando ou não o Irã do tal clube atômico, o mundo está em perigo e temos que rezar e sempre para que ninguém atire a primeira pedra.

    Sou favorável a que todos os países acabem com todos os seus artefatos nucleares, mas isto eles nunca farão. E continuarão a mandar.

    O Brasil será – mais ao longe – vítima destes países, como hoje acontece com o Oriente Médio, o que muitos acham que nunca acontecerá.

    Será suficiente bater a necessidade para a manutenção do poder e sobrevivência daqueles países, forçados pelos interesses econômicos contrariados. Daí a intervenções militares serão suficientes desculpas esfarrapadas, como arma química no Iraque, e pronto estaremos sendo invadidos.

    Nem a ajuda humanitária foi aceita e imagine o que acontecerá no futuro.

    De qualquer forma, sempre há esperança que os homens busquem a paz, pois somente assim escaparemos de um triste final.

    abraços.

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