Marchinhas de carnaval – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 15 de janeiro de 2010 13:15

O GRANDE SUCESSO DO PÉ DE ANJO

No primeiro texto que escrevi sobre as marchinhas de carnaval, foi mostrado que elas se originaram de Portugal – mas sentiram logo, nas décadas seguintes, a influência do jeitinho brasileiro, que as modificaram, dentro de cada época, no contexto social e humano de nosso povo.

A primeira música, feita no Brasil, voltada para o carnaval, foi composta, em 1899, por Chiquinha Gonzaga, Ô Abre Alas, homenageando o cordão Rosa de Ouro, com o refrão mais repetido na história do carnaval:

Ó abre alas, que eu quero passar.
Ó abre alas, que eu quero passar,
Rosa de ouro é que vai ganhar.

Mas até 1920, todas as marchinhas de carnaval não eram composições feitas por brasileiros, até que José Barbosa da Silva, o Sinhô, fez esta pérola, com o refrão mais cantado no final da década de vinte:

Ó pé de anjo, ó pé de anjo,
És rezador, és rezador,
Tens um pé tão grande
Que és capaz de pisar Nosso Senhor.

E ainda trazendo nele esses versos que, penso, ainda hoje poderiam ajudar muita gente criticada injustamente:

Eu tenho uma tesourinha,
Que corta ouro e marfim.
Serve, também, para cortar
Línguas que falam de mim.

E outros versos da mesma composição que revelam aquela tendência ao hilário, às chistes e pilhérias, criticando agora a mulher, que, acredito, não os viu com bons olhos:

A mulher e a galinha
São dois bichos interesseiros,
A galinha pelo milho
E a mulher pelo dinheiro.

Esta música foi gravada, em 1919, com muito sucesso, por Francisco Alves. É claro que esses últimos versos foram cantados por aqueles que tinham muita dor de cotovelo, jamais pelos apaixonados.

Dali para diante, principalmente nas décadas de 30 a 50, impulsionadas pelo sucesso de Pé de Anjo, as marchinhas de carnaval caíram no gosto do povo brasileiro, que nunca mais as esqueceram. E é uma história que contarei na sequência destes artigos.

Para encerramos este texto, falando de nossas marchinhas maravilhosas, trago mais uma delas, com aquele espírito brincalhão, tão ao gosto do povo, sucesso em carnavais mais recentes:

A MARCHA DA CUECA

Composição de Carlos Mendes, Livardo Alves e Sardinho

Eu mato, eu mato!
Quem roubou minha cueca
pra fazer pano de prato.

Minha Cueca tava lavada,
foi um presente que ganhei da namorada.

Eu mato, eu mato!
Quem roubou minha cueca
pra fazer pano de prato.

Minha Cueca tava lavada
foi um presente que ganhei da namorada.

Aqui a apresentação de Gulherme Arantes, cantando e se divertindo, no programa da Hebe Camargo, no SBT:

Mas o melhor da história toda é ver que o povão gosta tanto de marchinhas de carnaval que até o papagaio Zeca acabou por cantá-la. Esperem o vídeo por uns trinta segundo, que logo o Zeca passa a cantá-la e afinado. Imperdível.

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4 comentários para “Marchinhas de carnaval – Gutierritos-SP”

  1. Lu Dias BH disse:

    Gutie

    Neste artigo você faz um verdadeiro carnaval de marchinhas.
    Tive até vontade de sair pulando.
    Adorei aquela que fala da mulher e da galinha.
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Reamente, nisso nos parecemos muito.

    A da tesourinha é fantástica…
    Haja tesourinhas… risos.

    Coitado do pé de anjo.
    Deveria ser anjo do mal, pra pisar em Nosso Senhor.
    HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAAHAHAHA

    Observo que as marchinhas foram aumentando de tamanho.
    A Marcha da Cueca quebrou o recorde.

    Muito… muito… muito boa.
    Menino, em que baú você está encontrando essas gemas?
    Vixe Maria!

    Estou amando e, aguardando as próximas.
    Quero todas.

    Mãos no baú…
    HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA

    Beijos,

    lu

    gutie respondeu:

    @Lu Dias BH,

    LU DIAS

    Este trabalho – sobre música – é apaixonante.

    E estou me divertindo, pois me lembro da maioria delas, desde que foram, muitas e muitas, cantadas durante todo o século passado e até nesta década.

    Inclusive, com as pesquisas, busco também comparar os versos com a época na qual foram escritos.

    Então, há muita coisa para ser feito, pena que preciso trabalhar tanto e quase não sobra muito tempo.

    Eu tenho que ser dois. Lembra-se: trabalho por dois.

    E a Cidinha é Dix, quer dizer: vale por dez.

    Então o tempo é excasso.

    Ah, deixastes de comentar sobre o nosso querido Zeca, o grande intérprete das marchinhas de carnaval.

    Coitado, ficou muito magoado.

    Quietinho, preso lá na gaiola.

    Abraços e obrigado por teus comentários.

  2. manoel.rodrigues disse:

    Oi, Gutie
    Dessas músicas citadas, eu só lembro da música da cueca. Naquele tempo da cueca samba-canção, erá inevitável: depois de muito uso ela virava pano de limpeza..
    Hoje a cueca, no estilo sunga, tem dois usos nobres: o segundo é guardar dinheiro.
    Maravilha esse seu trabalho de pesquisa.
    Abraços
    manoel

    gutie respondeu:

    @manoel.rodrigues,

    MANOEL

    Não pensara sobre o dinheiro na cueca.

    Pois é: essa marchinha podia dar um bom plágio ?

    Pode até ser um sucesso no carnaval de 2010.

    A marcha da cueca.

    Vou continuar fazendo pesquisa, trazendo alguma contribuição para conhecermos melhor a história de nossas maravilhosas marchinhas, uma das heranças da península.

    Obrigado por teus comentários.

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