Se eu fosse um padre - Mário Quintana A profissão de Fabinho - Nina Araújo



ago 28

O meu olhar de amor
é dissonante
não sai à cata do cio,
é quase santo, macio
não sucumbe a adrenalina
das noites de pegadas
no clima está calejada
é firme nas madrugadas
porque tem a doma cansada
dos ardores vazios
dos disparos da endorfina
do vão suspiro acrobático
que parecia simpático
mas amanhece em fastios
meu olhar de amor
é bravo conquistado
é calmo das noites banais
é curado das fantasias
é safo dos ares carnais
do discurso sensualizado
o meu olhar de amor
mora longe
não vive fácil nas ruas
não faz ares de fome
nem se trai com a coruja
meu olhar de amor
não se curva
e dorme na fonte do plexo
mora onde o beija-flor sonha
mora onde a pérola é ostra
que todo o coração espera
o meu olhar de amor
é fera
que não tem porque se apressar…

 

  

(Poema dedicado a Hila Flávia depois de ler seu texto ”O olhar impudico”)

 

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