[Mudando de conversa] Interferindo na natureza

Por Paulo Afonso, 26 de março de 2009 20:35

gatos

Certa vez salvei dois filhotes de bem-te-vis que caíram do ninho. Cuidei deles até ficarem adultos. Antes disso tentei soltá-los, mas não se afastaram de mim. Quando adultos, finalmente, foram devolvidos à natureza, mas não sobreviveram. Seus próprios pares se encarregaram de matá-los.

Fica a pergunta: Até que ponto devemos interferir na natureza? Teria sido melhor fechar os olhos e ignorar os dois filhotes agonizando no chão?

Neste momento enfrento situação parecida, quando tento obter abrigo para uma dezena de gatos nascidos e criados nas ruas de Iguabinha. A dupla inicial se transformou em 10, que já são 14 desde o último fim de semana, e deverão ser 50 até o meio do ano. Isto, se não morrerem antes. Um condomínio resolveu o problema do crescimento populacional sem controle de uma forma drástica: exterminou todos eles.

A esterilização gratuita não existe por aqui. Os veterinários cobram R$200,00 por fêmea e R$150,00 por macho. Este preço é apenas para a esterilização, sem medicamentos e vacinas.

Conseguimos, no Rio, uma veterinária humanista que faz, simbólicamente, a esterilização por R$20,00 (vinte reais), oferecendo um pós-operatório de 5 dias e vacinação. Considerando o custo da ração, esse valor nem cobre as despesas. O transporte de ida e volta, caso não sejam adotados até o dia de retorno, custa R$ 300,00 para as duas viagens.

Assim, peço a quem ama os animais e possa colaborar com qualquer quantia, que ajude na obtenção dos R$500,00 necessários para a empreitada.

Estamos pedindo a ajuda da Cora Rónai, conhecida pelo seu amor aos animais, especialmente gatos. Com certeza ela vai publicar algo em seu blog.

Quem puder ajudar, até com 10 reais, basta transferir a doação para a conta da alma generosa que está coordenando a “Operação Iguabinha“:

Valeria Serra Cordeiro

Banco do Brasil
Agência 1569-5
Conta corrente 10838-3
Obrigado a todos.
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8 comentários para “[Mudando de conversa] Interferindo na natureza”

  1. lu dias bh disse:

    Paulo Afonso

    Penso que a desculpa de não interferir na natureza não deixa de ser uma maneira de tirar o corpo fora, quando se trata de um animalzinho doente, que cai nas nossas mãos.

    Seria um tipo de determinismo, como fazem as castas hindus.

    Sou contra a captura de animais silvestres.
    Assim como sou contra deixar animais doentes pelas ruas, sem dar ajuda.
    Mesmo que venha a morrer de qualquer jeito.
    Penso que, muitas vezes, atravessam o nosso caminho, como uma maneira de nos tornar mais humanos.
    Seria uma prova?
    Não sei!

    Mesmo que venha a morrer depois, como no caso dos pássaros, o importante é como você agiu na hora.
    É a consciência de ter feito o melhor.
    De ter diminuído o sofrimento do bichinho inocente e indefeso.

    Anos atrás, eu e minha filha encontramos uma gatinha (filhote) angorá, deixada, num final de semana, no quintal de um escritório próximo à minha casa.
    Não aguentamos o seu miado doloroso e fomos lá buscar.
    Tivemos que colocar uma escada e pular o muro.
    A coitadinha estava comendo terra, de tanta fome.
    Trouxemos para casa, demos-lhe um banho e alimento.
    Depois vermífugo.
    Dandara viveu conosco um ano e meio.
    Aquele floquinho de algodão virou a paixão de minha mãe, durante o último ano de sua vida.
    Depois adoeceu de peritonite.
    Ficou na clínica veterinária durante 8 dias, onde faleceu.
    Gastamos na época um bom dinheiro.

    Mas como alegrou os dias de minha mãe.

    Aqui em casa somos defensores dos animais em todos os pontos, a começar pelo meu irmão que é veterinário em Belém e pesquisador de animais silvestres.

    Conte comigo!

    Abraços,

    lu

    Assim que depositar eu lhe passo um e-mail.

    lu

  2. Hila Flávia disse:

    Como é que fica depois que os gatos saem do socorro médico? Eles são devolvidos para a rua, Paulo Afonso? Eu não sou entendida em gatos. Na minha casa de origem aparecia um ou outro, mas a casa e o quintal eram grandes e eles ficavam por ali e um dia sumiam.Ninguém bolia com eles e também ninguém os maltratava. Como sempre teve cachorro, penso que os vira-latas espantavam os novos visitantes. Por que se fazem necessários a castração e o veterinário? Pergunto por que não sei e assim, vou ficar sabendo. Abração.

    Paulo Afonso respondeu:

    @Hila Flávia,

    Sua pergunta é pertinente e ajuda a esclarecer alguns pontos.

    Muitas pessoas, insensíveis em suas vidas mesquinhas, geralmente acham que os animais estão aqui para servir ao homem. Nunca pensam que estamos todos juntos compartilhando do planeta, da vida, da criação Divina.

    Para estes, os gatos são um estorvo, que fazem barulho durante a noite, sujam tudo, estragam os jardins, sobem nos carros e os arranham, etc.

    Como se reproduzem muito, a solução que os humanos encontram é, simplesmente, matá-los. Há quem aprecie sua carne. Aqui em Iguabinha é costume comer gatos e gambás.

    Os gatos gostam do ambiente doméstico. Dos 9 gatos prontos para a castração, dois deles, Xandico e Xandoca, não saem daqui de casa. Brincam com os cachorros, dormem, se alimentam, distraem e caçam as baratas que teimam em aparecer.

    A castração é necessária para evitar a multiplicação felina em proporção geométrica. Eles não usam camisinha. Cabe a nós interferir no processo para fazer o controle da natalidade.

    Além disso, a castração das fêmeas as protege contra uma série de doenças, principalmente sendo gatas de rua.

    O ideal é conseguir que tenham um lar, alimento e proteção. Mas, se isso não sensibilizar as pessoas, que pelo menos voltem às ruas em condições de não aumentar a espécie. A comida, para estes, eu garanto. A vida e assistência veterinária , também. Para 10 gatos é fácil. Para 50… 100… 200… não posso impedir que os vizinhos incomodados os envenenem ou os mandem para o lixão.

    Os gatos são de rua, ou seja, são livres para ir e vir para onde quiserem. A maioria descansa no meu quintal, bebem da água do cachorro, invadem a sua casa nos dias mais frios. Nos dias que se seguiram ao parto, Bob tomou conta das crias como se fosse o pai. Não deixava nenhum estranho se aproximar.

    Os animais demonstram uma sensibilidade fora do normal. Descartes era um burro ignorante.

  3. lu dias bh disse:

    Paulo,

    e eu nem sabia que já havia comentado nesse.
    Inté!!!!!

    lu

  4. Hila Flávia disse:

    Bom, agora estou aprendendo sobre gatos. Confesso que eles nunca me incomodaram e nem chamaram minha atenção. Vou ficar atenta daqui por diante. Obrigada pelas explicações.

  5. Jussara disse:

    Ah, Hila Flávia, se você soubesse como gato é a coisa mais maravilhosa do mundo…
    Eu também nunca tinha tido nenhuma atração especial pelos gatos. Na casa da minha mãe sempre tivemos cachorro e quando eu me mudei nunca peguei mais nenhum animal. Até que, depois de “velha”, tive contato mais próximo com duas gatas que moravam no sebo onde eu trabalhava. Foi amor à primeira vista. Hoje tenho três gatos que moram comigo, são donos do meu apartamento e me deixam morar lá de favor, como diz uma outra amiga gateira. Se você se interessar e tiver tempo, visite minha página do flickr e você poderá conhecer meus três peludinhos.
    E a intenção de quem está ajudando nessa questão dos gatinhos de Iguabinha, é conseguir lares adotivos para todos eles. Quem sabe a gente consegue e eles não precisem voltar para a rua?
    Abrs.

  6. Cláudia Antunes disse:

    Paulo, os animais têm feito parte de minha vida adulta desde 1998. Por eles, me tornei vegetariana. Ganhei mãos de lenhador, unhas de Madre Tereza de Calcutá e alma.

    Vou ajudá-lo, sim.

    Sobre aquele gatinho LINDO que coloquei para adoção no site de nossa Valéria, a postulante deve ter desistido, porque não fala comigo há uma semana.

    Paulo Afonso respondeu:

    @Cláudia Antunes,

    Que bom que você veio. Fique por aqui. A casa é sua.

    Abraços,

    Paulo

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