Não seja breve! – Lu Dias

Por LuDiasBH, 2 de julho de 2009 7:58

Minha deusa de carne,
cubra-me com teu corpo,
de modo, que só nos reste,
o calor nascido do gozo.

Minha serpente encantada,
viajante dos sete mares,
deixe, que eu aqui morra,
sob a agrura de tuas garras.

Minha divinal oferenda,
derreta-me no calor abrasante,
que emana de teus seios fartos
e sepulte-me nas tuas fendas.

Sorva-me com volúpia,
antes, que a morte me leve,
antes que a terra me coma,
mas, por favor, não seja breve!

Prolongue a vida deste ente,
até que a escuridão o cubra, de
modo a confundir a morte, com
a lascívia de sua boca ardente.

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13 comentários para “Não seja breve! – Lu Dias”

  1. Haydée Colussi disse:

    Lu,
    Muito bonito este poema. Se entendi bem, de um homem falado a sua amada e desejada parceira num texto tão sensual.
    Lindo
    Deia

    Lu Dias BH respondeu:

    @Haydée Colussi,

    Deia

    Você entendeu bem.

    A minha mente ainda voou mais longe.

    Trata-se de um homem hospitalizado, cujo desejo pela amada, paira acima do medo da própria morte.

    Beijos,

    lu

  2. nina araujo disse:

    Ah, a urgência destes momentos, é de se implorar, meninaaaaaaa !!
    Belos versos, eu vi colorido, rs.
    beijos daqui.

    Lu Dias BH respondeu:

    @nina araujo,

    Nina

    Embora simples, eu gosto muito deste poema.
    É o confronto entre a possível morte do corpo e o desejo desse.

    Obrigada, por seu cheirinho.

    Beijos,

    lu

  3. Paulo Afonso disse:

    Lu,

    Acho que Cidinha e Cadore, Laksmi e Shankar andaram se inspirando em você.

    Paulo

    Lu Dias BH respondeu:

    @Paulo Afonso,

    Se assim o fizerem, serão felizes para sempre.
    Fofura de casais!

    É lindo ver o amor brotar através das rugas, dos cabelos brancos, do corpo disforme.
    É lindo ver o amor brotar na maturidade, na sabedoria ganha com o tempo.
    É lindo ver o amor exercido na plenitude do querer, apenas querer.

    Abraços,

    lu

  4. Ana Lucia Timotheo da Costa disse:

    Lu,
    Tudo que é muito bom(leia-se prazeroso) geralmente dura muito pouco. Daí Freud ter batizado o gozo como ‘ a pequena morte’. Belo poema, de muita sensualidade. Bravo! Beijo. Ana

    Lu Dias BH respondeu:

    @Ana Lucia Timotheo da Costa,

    Aninha

    Se durasse muito, perderia a sua divindade.
    A delícia está na espera.
    Já reparou como, muitas vezes, a espera por uma festa, é melhor do que a festa em si?

    Assim é o gozo.
    E que morte!
    Todo mundo deveria morrer assim todo dia.
    Deveríamos ser uns mortos vivos do amor.
    O mundo seria outro, com certeza.

    Beijos,

    lu

  5. GUTIERRITOS disse:

    LU DIAS

    “A vida perderia o êxtase, pois o desfrute do corpo amado é um deslumbramento, do qual nenhum poeta será capaz de captar a essência.”

    É verdade: nenhum poeta conseguiria.

    Mas uma poetisa como você conseguiu.

    Com esses versos tão reais e irreais, verdadeiros e fantasiosos, exprimindo uma multidão de sensações inebriantes, um êxtase sem fim, como um encanto infinito.

    Parabéns.

    Lu Dias BH respondeu:

    @GUTIERRITOS,

    Gutie

    “É verdade: nenhum poeta conseguiria.

    Mas uma poetisa como você conseguiu.”

    Você me mata de rir.
    Estou gargalhando com o seu jogo de palavras.
    Que menino impossível.

    Grande beijo,

    lu

  6. Hila Flávia disse:

    Belos versos. Tomara que nunca sejamos breves.

    Lu Dias BH respondeu:

    @Hila Flávia,

    Rapunzel

    Tomara que a nossa vida e os nossos amores tenham o tamanho de suas tranças
    Hahahahahahahha!

    Beijos,

    lu

    Hila Flávia respondeu:

    Tão crescendo!!!!!!!!!

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