Natureza morta – Lu Dias
Crianças desocupadas e lânguidas
esparram-se pela terra sem unguento,
como se o mundo fosse delas, tendo
ao lado cinco cachorros pulguentos.
A natureza parece querer soerguer-se,
mas depois nos exorta a mergulhar,
num quadro covardemente exposto,
o mais triste das naturezas mortas.
De pé no chão batido um velho de
rosto escuro, queixo caído, amparado
sobre um galho ressacado de árvore,
que lhe serve gentilmente de cajado.
Um pouco acima, no céu azul de anil,
urubus baixando e subindo, como se
fora um bailado, num desatino cruel,
de quem rejeita ou sepulta o destino.
A vida ali é instantânea como a aurora,
que mal nasce e com o calor, podando
o supérfluo da vida errante e penosa,
vai tratando logo de ir embora.
Na estrada poeirenta desponta um
feixe de garranchos secos e parcos,
carregados por braços fracos e na
cabeça uma gamela de maxixes pecos.
Essa gente, embebida na terra cozida
pela quentura do sol inclemente,
resiste ao tempo, subsiste a tudo, em
meio às arvoretas raquíticas e mudas.
Não há espaço pra qualquer tipo de
beleza; nenhuma rearrumação nas
palavras põe ternura e orgulho
naquele pedaço cruento de mundo.
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Lu, perdoe, acabei trocando o local….vale aqui!!!
Este cenário está presente em muitos rincões do mundo, e de maneira muito forte neste Brasil. Parece que a inteligência humana é incapaz de fustigar a sensibilidade daqueles que moderiam mudar as coisas. O instinto leonino parece imperar na maioria das mentes humanas – caso contrário o mundo seria cada vez melhor!
Messias
Messias
Vi que perdeu o rumo.
Mas não tem importância.
Nosso coração é grande.
Esperemos que, um dia, a humanidade possa acordar de sua longa hibernação.
Se perdermos a esperança, estaremos mortos em vida.
Beijos,
lu
Mais uma vez Lu, você nos surpreende. Parece até que usou tintas de vária cores para desenhar este quadro tão real e tão triste.
Abraço
Thati
lu dias bh respondeu:
janeiro 12th, 2009 at 22:27
Thati
Conheço pouco o sertão nordestino, mas muito bem o sertão mineiro (Vale do Jequitinhonha) nos trabalhos sociais que faço.
O Sebastião Salgado (fotógrafo mineiro maravilhoso) esboça a sua indignação através da fotografia, eu tento esboçar a minha através das palavras.
Realmente, este poema daria um quadro. Falta apenas o pintor.
No poema de amanhã verá que fujo totalmente do tema.
Vai morrer de rir.
Beijos,
lu
Luluzinha
O seu poema é muito triste e dá até vontade de chorar. O mundo nunca é como a gente queria que fosse. Então temos que seguir vivendo, não é mesmo?
Beijocas da
Si
lu dias bh respondeu:
janeiro 13th, 2009 at 19:32
Sissi
A vida não é feita apenas de coisas boas.
Temos que aprender a viver com essa dualidade.
Mas sem nos esquecermos de ajudar os outros.
Beijocas,
lu
Lu,
gosto dos seus poemas de amor. Este está muito triste, eu fiquei muito emocionada.
Beijos,
Ju
lu dias bh respondeu:
janeiro 13th, 2009 at 19:34
Ju
Houve um tempo em que eu era assim.
Quando voltava da aula e via alguém pedindo esmola, nem tocava na
comida.
Hoje aprendi que é preciso ajudar e se fortalecer.
Beijos,
lu
Lu
Também achei muito triste mas sei que o mundo é assim e existe sofrimento em toda parte. Quem escreve deve falar de tudo.E o amor também faz a gente sofrer.
Beijos,
Carlinha
lu dias bh respondeu:
janeiro 13th, 2009 at 19:36
Carlinha
Realmente o mundo é e sempre foi assim.
Temos que agir de acordo com as nossas possibilidades.
O amor, quando não bem conduzido, faz a gente sofrer e muito.
Beijos,
lu
Lu,
Você retrata esta miséria humana de maneira tão real que, se fosse pintora, esboçaria algo. Beijo, querida. Ana
Aninha
Obrigada pela sua presença constante em meus posts.
Você é muito gentil.
Ia adorar ver um quadro pintado por você, sobre um de meus poemas.
Quem sabe um dia…
Grande beijo,
lu