O final que ninguém queria – Paulo Afonso

Por Timoneiro, 18 de outubro de 2008 6:11

Crônica da madrugada

O seqüestro em Santo André termina de forma trágica. Após esperar tanto tempo, ninguém desejava um final desses. O sequestrador, nas cem horas que passou no apartamento, teve tempo suficiente para pensar e arrepender-se do seu ato. Balear a ex-namorada Eloá e sua amiga Naiara, ambas com 15 anos, foi algo premeditado, bem diferente de uma reação intempestiva. Quem atira na cabeça sabe, muito bem, quais são os seus objetivos.

A polícia, mais uma vez, cometeu uma série de erros. O mais visível foi devolver a seqüestrada ao cativeiro, contrariando instruções básicas de todos os manuais. Faltou uma melhor negociação. Lindemberg, usando o celular, conversava abertamente com jornalistas. Uma boa conversa, quem sabe com a presença da mãe, talvez o fizesse mudar de idéia. Se nada adiantasse, um sonífero, misturado ao alimento, poderia encerrar o seqüestro.

Mas são suposições. O desfecho, como vimos, é imprevisível. Ninguém sabe o que se passa na cabeça de um desequilibrado. Provavelmente esse suposto “desequilíbrio” vai ajudá-lo a se livrar de pagar pelo seu crime como deveria, o que é um absurdo. Se o crime é um ato de desequilíbrio, todos os criminosos deveriam ser considerados desequilibrados.  Mas nossas leis são repletas de brechas para proteger os criminosos. Talvez ele, pela condição social e pela grande divulgação do caso, venha a ter um tratamento justo e pagar pelo que fez (que se agravará se Eloá não sobreviver).   

 

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5 comentários para “O final que ninguém queria – Paulo Afonso”

  1. Mário Mendonça disse:

    Caro Paulo

    Infelizmente teve este desfecho pela falta de habilidade de nossa policia, em mediação de conflitos, e por ter um chefe de executivo, que também não tem este perfil, e muito menos visão para estruturar a policia da forma que ela merece. Basta ver o salário que ela tem, que são ridículos.

    Resumindo, estamos no mato sem cachorro, ou seria, sem policia.

    Abraço.

  2. lu dias Bh disse:

    Paulo

    A falta de habilidade está sempre centrada na prepotência.
    As pessoas humildes trabalham muito melhor a habilidade, porque são capazes de se colocar no lugar da vítima e do réu.
    Assim vislumbra vários prismas, com diferentes formas de possibilidades.

    Mas o prepotente, acha que nada pode atingir a sua onipotência e que ele é capaz de resolver tudo, sem precisar de elementos de apoio.

    Vejo em casos que se passam nos States como a polícia se mune de especialistas de outras áreas, para lhe dar apoio.

    Aqui o que manda é a lei da truculência.
    Não resta dúvida de que o réu é um psicopata.
    Portanto não pode estar solto na sociedade.
    Faço votos de que a garota se recupere.
    Grande abraço,

    lu

  3. Paulo, que idéia genial.
    Sonífero, tão fácil.
    Falta gente capacitada para minimizar o sofrimento.
    Abraços ethie

  4. Haydée Colussi disse:

    Lembro de ter lido há alguns anos um texto de Dias Gomes onde ele citava um filósofo grego que afirmava algo significando mais ou menos o seguinte:
    Quando um governo é corrupto, o crime é a formade expressão da população.
    Haydée

  5. Ana Lucia Timotheo da Costa disse:

    Paulo,
    Endosso a revolta de voces todos. Não tenho mais nada a acrescentar. Como bem disse o Mário ‘estamos no mato sem cachorro’ porque o despreparo é geral. Abraço. Ana

    

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