O Guru e o líquido sagrado – Lu Dias
Nessa minha saga pela Índia, comprovo a cada dia, que a espécie humana é a mais risível dentre todas. Estamos muito além, no ranking, dos nossos irmãos macacos.
A parvoíce do homem não está restrita às fronteiras geográficas das nações, como alguns podem pensar. Não, ela se estende de Norte a Sul, de Leste a Oeste do estropiado planeta Terra.
Mas, sem dúvida, a Índia foi e continua sendo um campo fértil, para nos revelar os mais engraçados e incríveis relatos de figuras ocidentais, que ali chegam, muitas delas com Ph.D. nisso ou naquilo, em busca da salvação da alma, depois de terem aproveitado de tudo a que tinham direito, dentro do capitalismo selvagem.
Tais fatos lembram-me o caso de uma parenta, morena das mais fogosas, com um vasto rol de amantes que, depois de ter se enfastiado de atender aos desejos do corpo, e não sendo mais tão desejada, tornou-se a mais fervorosa devota de certa crença. Agora, a piedosa arrependida, chama a todos nós, que não compartilhamos de seu credo, de “mundanos” e “ferramentas de Satanás”. Ulucapatá!
Tanto num caso, como no outro, os personagens querem se libertar do tédio que há dentro de si. E, com dinheiro ou sem ele, mas com a mortificação das necessidades mais elementares, abandonam a realidade na tentativa de levitarem em direção ao paraíso.
Desconhecendo o desdém que lhes é emanado pelos “curadores’ espirituais, que só veem nos “desespiritualizados”, a pecúnia, de preferência, bem substanciosa.
Segundo a escritora indiana Gita Mehta, para todo aquele que busca a iluminação, na Índia encontra-se um “sábio”. Há artigos para todos os tipos de cliente. Are Baba!
Ela conta em seu livro, Carma-Cola, um fato cômico, para não dizer patético, que ora passo a relatar:
Um aristocrata inglês encabulou-se ao tomar conhecimento de um guru, que vivia numa aldeia remota do país indiano, possuidor de dons milagrosos, inclusive o de transformar sua urina em água perfumada de rosas, assim que vertida.
O fidalgo encheu as malas Louis Vuitton com a mais inabalável fé e partiu numa jornada difícil, em busca do conceituado religioso, cuja fama ultrapassara o Atlântico.
Lá chegando, foi cortesamente dirigido para se assentar na primeira fila da meditação matinal, fora da tenda, momento em que o mentor tirava da bexiga, o líquido miraculoso.
Para melhor compreensão do fato, não posso me esquecer de dizer que havia uma profusão de pessoas em volta da barraca do “mestre”, observada com um interesse polido, pelo inglês.
Para surpresa do requintado senhor, as pessoas, subitamente, indicaram-lhe, através de gestos, que deveria ir até a tenda.
Não querendo parecer arrogante (atitude peculiar aos ingleses), o nobre dirigiu-se ao local, onde se encontrava o guru.
Ao adentrar pela barraca, pelos sinais e gestos do sábio, entendeu que fora escolhido para levar os fluidos do guia espiritual aos devotos, que aguardavam ansiosos.
O vaso quente com o líquido milagroso foi posto em suas mãos, quando resolveu testar o odor de seu conteúdo.
O cheiro – pensou com seus botões – era de urina comum.
No entanto, continuou carregando o precioso líquido, para os devotos em estado de veneração profunda, sendo recebido com fortes aplausos.
Assustado, viu que a intensidade da ovação tornara-se mais forte, ensurdecedora, enquanto tentava decifrar os sinais ansiosos que lhe enviavam os assistentes do “homem santo” (todos os “divinos” possuem assistentes).
Foi quando, num vislumbre de racionalidade, conseguiu perceber que o venerável Mestre – num gesto magnânimo – permitia que ele bebesse TODO o conteúdo, sem ter que dividir com os demais presentes.
O leitor, em estado de estupor, deve estar aflito para saber, se o aristocrata bebeu o maná do guru ou o recusou.
Deixo a dedução a seu critério, depois de acrescentar o que ele dissera, na ocasião, aos amigos:
- Tinha um gosto incrivelmente parecido com urina comum!
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Paulo Afonso
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
Esta sua tacada foi de gênio.
Jamais imaginei que pudesse colocar tal gravura.
Encaixou como uma luva.
Maravilha.
Talento puro!
Quando escrevo sobre a Índia, já fico esperando a imagem.
O xixi do guru era mesmo um veneno!
HAHAHAHAHAHAHAHAHHAAHAHA
Abraços,
lu
Esta é velha: o rei está nu!
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 0:19
@Hila Flávia,
Hila
Embora pareça piada, tirei a história do livro da Gita Mehta.
São fatos verdadeiros.
O livro chama-se Carma-Cola.
Vou contar mais outras.
Realmente, não dá para acreditar.
Beijos,
lu
Lu,
Acredita quem quer acreditar, não é mesmo?
Se eu acredito em milagres, eles acontecem porque eu estou preparado para recebê-los, mesmo que não existam.
O homem é o que pensa, o que sente, o que percebe pelos seus sentidos.
Sendo assim, tome urina na cara!!!!!
Abrs. do GERALDO MAGELA
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 0:22
@GERALDO MAGELA,
Magela
Meu guru!
Você está coberto de razão.
Parece que houve por aqui, no Brasil, um monte de gente tomando o próprio xixi.
Eu só tomaria o meu, ou de quem estivesse comigo, no deserto do Saara, depois de 2 dias perdida nas areias escaldantes.
Beijos,
lu
Eca! Mas o tal aristocrata era mesmo burro, ou só via o que queria ver (ou cheirar, ou beber, sei lá…)
Concordo com a Hila: o rei está nu!
Abraços!
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 0:24
@Cristine,
Cris
Li o meu texto para um amigo, que achou que fosse uma história inventada por mim.
Então, abri o livro da escritora citada no texto e lhe mostrei a descrição.
Ali tudo é possível.
Aguarde outros causos.
Beijos,
lu
LU
A fina ironia de seu texto contrasta com a babaquice do inglês.
Abraços
M. Tereza
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 0:25
@Maria Tereza,
Tê
A ironia é apenas para dar vestimenta ao texto.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Babacas os há em todos os lugares, não é mesmo?
Beijos,
lu
LU DIAS
Coitadinho.
Tamanha honraria era inexcusável: a final era o líquido sagrado.
Imagine se não aceitasse.
Ah, uma pergunta: tinha gás ou não ?
Pelo menos um pouquinho de açúcar, a Gita Mehta poderia ter colocado.
Ah… deve ter ele pensado: eu que pedia aos meus filhos para não tomarem muita cerveja. Ah, se fosse apenas cerveja….
Parabéns pelo teu texto, muito hilário e agradável.
Agradável aí é só o texto, vê se entende bem!
Não faças confusão, please.
A final, eu gosto muito de água pura, mas pura mesma.
Não tomo nem refrigerantes.
Mas bem que o coitadinho poderia estar tomando uma cervejinha.
Boa noite.
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 17:32
@GUTIERRITOS,
Gutie
Acho que não tinha gás, mas deveria ter alguns compostos de ervas, em se tratando de um guru.
Ainda bem que o dito não comia carne.
Aí, a líquido “aromático” seria fedido em demasia.
Açúcar no xixi?
Gutie, o meu estômago está revirando….
Também não gosto de refri.
Sinto uma asia danada.
Prefiro um choppinho gelado.
Que bom que tenha gostado do texto.
O meu intuito é relaxar os meus leitores.
Beijos,
lu
também me ocorreu aquela do rei está nú.
incrível como a estupidez humana não é uma questão de renda, mas de fragilidades. tem gente que precisa de gurus com nike, sem nike, mas, o fundamental é que tenha o milagre.
trata-se de gente que não aprendeu que a vida é boa, mas não é fácil… e, para isto não guru que dê conta.
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 17:37
@luzete,
Madrinha Luz
É a estupidez humana que atravanca o progresso do planeta… risos.
Certas condutas chegam a ser patéticas.
Só nos resta rir…rir… e rir.
Muitos acham que é invencionice.
Se depender de mim, todos os seres divinos terrenos terão que plantar batatas.
Vá trabalhar gente!
Grande beijo,
lu
ah, sim, afilhada. deus te abençoe!
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 17:37
@luzete,
Madrinha Luz
Abençoada estou!
E sem precisar de guru!
Beijos,
lu
Ainda bem que este inglês não é capaz de imaginar o papo entre os gurus. ô coitado!
Beijos,
Moacyr.
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 17:39
@Moacyr Praxedes,
Moá
Imagino que você já está pensando no encontro desse guru com outros, para ver quem cometeu mais diabruras.
Olhe o sagrado, menino!
HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA
Beijos,
lu
OI LU……… COMO VAI.?????????????????????, HAHAHAHA….. COMO PODE ISSO LU O XIXI SER MILAGROSO ESSE GURU TA QUERENDO TUTU Ñ ACHAS!!!!!!! É GOSADO BJSSSSSS MINHA LINDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 17:41
@Luana,
Olhe a minha amiguinha Luana aparecendo!!!!!
Você não me contou mais casos do indiano.
Cuidado!
Veja o que aconteceu com o nobre inglês.
Juízo menina!
Não suma!
Beijos,
lu
Lu,
Na realidade todos tem as suas necessidades segundo as diferentes fases de vida, mas é bom lembrar que muita gente bebe urina para efeito terapeutico. Urina é ureia que nos bovinos entra no ciclo metabólico para produção de proteina. Quem sabe o sistema digestivo possa alterar com as meditações….rs..rs..
Messias
Lu Dias Bh respondeu:
julho 1st, 2009 at 17:42
@messias,
Messias
Vou ficar de olho nos sucos servidos por você.
Tenho alergia a uréia… risos.
O guru do texto, aguarda sua visita.
HAHAHAHAHAHAHAHAHHAAHAHAH
Beijos,
lu
Lu,
E então cada um vê o que quer, ouve o que convem, come o que lhe apetece… e por aí vai…
Agora, essas buscas infindáveis e exageradas, essas crenças fanáticas e induzidas são apenas fugas internas. Afinal, todo exagero esconde uma dor muito profunda que machuca e impõe belezas e realidades onde não existem.
Vamos beber muita água, purificar nosso organismo, pensar com discernimento e confiar sempre desconfiando. Papéis ridículos são distribuíodos ao mundo a todo momento. Deixemos esse teatro e vivamos a realidade pautados na ética.
Beijo!
Lu Dias BH respondeu:
julho 2nd, 2009 at 18:07
@Jovimari,
Jovimari
A mente tem esse prodígio de nos fazer acreditar naquilo que queremos.
Eu, sou uma pessoa muito cética.
Nem sou como S. Tomé, pois acredito que a visão também turva a realidade.
Quando eu conseguir levitar, sem estar com uns uisques na cuca, aí sim, vou buscar o meu guru.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Beijos,
lu
Lu, adorei o texto!
Lu Dias BH respondeu:
julho 2nd, 2009 at 18:08
@Agzelma,
Oi minha lindinha!
Espero que tenha se divertido bastante.
Beijos,
lu
Ô, Lu, minha mestra!
Falou-se uma época que urina tirava verruga… juro! Simple, my dear Watson… hahaha. Beijo. Ana
Lu Dias BH respondeu:
julho 2nd, 2009 at 18:11
@Ana Lucia Timotheo da Costa,
Aninha, pode crer em mim:
Urina tira o peso da bexiga e fede muito.
Como os homens fazem xixi na rua, na Índia, qualquer um pode constatar
a veracidade da minha afirmativa.
Ulucapatá!
Beijos,
lu
D.Lu não tomaria xixi nem pra ganhar dinheiro e esse bobo, com certeza, pagou e caro pelo “trabalho” do guru. Será que existe um curso pra ser guru? Ou será que basta ser “cara de pau”?
Ulucapatá !
Beijos
Zi