O medo – Sonia Quartin

Por Sonia Quartin, 19 de dezembro de 2009 13:20

Afinal,
De que você tem medo?
Qual é seu mal, o seu segredo?

Você tem medo de que?
Do dedo
A lhe apontar, assim de repente,
O vício,
Que estava aí, desde o início,
Mas ninguém sabia?

Então, me diz,
De onde vem seu medo?
Da escuridão,
Do quarto de criança
Que ficou lá no passado?

Ou da solidão
De sua cama vazia agora?
Onde seu medo mora?
Qual foi sua raiz?

O que lhe fecha a garganta,
Lhe trava o gesto?
O que lhe impede apostar?

Tem medo de mudar?
De arriscar a sorte?
De jogar na roleta da vida
Que não para de girar?

“Façam sua aposta, senhores!”
Grita o crupier, impaciente,
Dentro de sua cabeça.

As fichas estão todas aí,
Na sua mão suada
Tremendo de emoção.
E você quer apostar.

Mas, então,
Quem lhe impede jogar,
Pra valer,
O jogo da vida?

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7 comentários para “O medo – Sonia Quartin”

  1. GUTIERRITOS disse:

    SONIA

    Teus versos são muito sábios e se aplicam a quase toda a humanidade.

    O medo é um sentimento que temos para preservar a nossa vida.

    É instintivo até em animais.

    Realmente, há momentos em que a viva está totalmente em nossas mãos, pela nossa competência, nossa capacidade, nossas condições.

    Mas outras – pronto escapa de nossas mãos, pois é um universo desconhecido, onde temos que ter prudência e aí começa o medo.

    E mais: nesta situação, começa o jogo.

    Ter coragem para enfrentar aquilo que desconhecemos ou que dependerá da sorte, realmente, dificilmente alguém, consciente e normal, terá realmente medo.

    Parabéns pelos teus versos.

  2. Ana Lucia disse:

    Soninha,
    Excelente a sua poesia. Um grito de alerta para os ‘medrosos’ da vida, seja por opção ou até mesmo por doença. “Viver não é preciso’ como há muito nos falou o lusitano. Mas e daí? Há que se imbuir de coragem e botar a cara à tapa, concorda? Ainda que doa é a saída, minha amiga. Um beijo e Feliz Natal. Ana

  3. GUTIERRITOS disse:

    SÔNIA

    Na hora de digitar, acabei por me equivocar, assim, o penúltimo parágrafo deveria ter sido escrito desta forma:

    “Ter coragem para enfrentar aquilo que desconhecemos ou que dependerá da sorte, realmente, dificilmente alguém, consciente e normal, não terá realmente medo.”

    Então faltou o não – o sentido estava completamente equivocado..

    Perdoa-me.

    boa noite.

  4. Sonia Quartin disse:

    Queridos amigos Gut e Ana
    A minha poesia é mesmo um alerta a todos que se omitem, se guardam, não saem se suas cascas. Sei que isso é inerente ao ser humano, que mesmo os animais possuem. Mas precisamos vencer o grande medo que nos impedem de ser aquilo que somos e escondermos nossa alma, fingindo ser outra coisa. Reparem que quando encontramos alguém que se mostra, que é transparente aos olhos dos outros, que não tem medo de rir, de chorar, de dizer eu te amo sem pudores, de mostrar seus sentimentos, ficamos encantados, não é? Meus idolos são sempre essa espécie de pessoas
    Obrigada por seus comentários. Beijos Sonia Quartin

    GUTIERRITOS respondeu:

    @Sonia Quartin,

    SÔNIA

    Realmente, há quem tenha medo de ser sincero.

    E é na sinceridade que podemos mostrar quem realmente somos.

    Lindos pensamentos.

  5. manoel rodrigues disse:

    Oi, Sonia

    São poucos os que não têm algum tipo de medo em correr riscos, seja para buscar um novo emprego, ou uma nova relação, ou o desconhecido. Melhor dizendo, são pouquíssimos e, quase sempre, os vitoriosos.
    Eu conheço muitos que não arriscam nada. Resultado? Suas vidas são insípidas, pelo menos aos meus olhos.
    Gostei muito dessa parte:
    “Você tem medo de que?
    Do dedo
    A lhe apontar, assim de repente,
    O vício,
    Que estava aí, desde o início,
    Mas ninguém sabia?”
    Parabéns pelo texto.
    Manoel

  6. Todos temos nossos medos. Conscientes ou não, sempre tem algo que nos apavora, faz parte do nosso sistema de auto-defesa.

    O que não dá é pra nos tornamos vítimas e nos subjulgarmos a eles.

    Mas é como você disse, eles estão ali desde o início, será que ninguém sabia?

    Parabéns pelo texto!

    Do Timor, com carinho,

    Augusto Vilaça.



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